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hugoscabello em riseup.net hugoscabello em riseup.net
Sexta Abril 30 20:27:00 UTC 2010


Oi Ines, eu gostei bastante. Minha única sugetão é a de tentar falar um
pouco sobre o ponto de inflexão que transformou os sindicatos; antes
autonomos e combativos, hoje estatizados e domesticados.

Hugo

> Olá Comp em s,
>
> Segue esboço de texto sobre o resgate do sindicato. Como sempre:
> sugestões, correções etc., são bem vindos/as!
>
> Com relação à reunião do dia 08/05. Em virtude do andar da carruagem: 1º
> de maio, eleição de delegados sindicais na CEF, assembléia para tirar
> delegados para o Encontro estadual, Encontro Estadual BB e CEF, talvez
> tenhamos que adiar o "momento de lazer" que combinamos para a próxima
> reunião: que seria ver o filme do Michel Moore. Manifestem-se sobre o 1º
> de maio e sobre tudo mais.
>
> Um abraço a todas/os
>
> Inês
>
> Resgatar a essência do Sindicato
>
>    No começo do século XX quando a 1ª guerra mundial assolava a Europa o
> Brasil foi o destino escolhido por centenas de milhares de
> trabalhadores em busca do "novo mundo" e de melhores condições de vida.
> Ao chegar aqui encontraram condições de trabalho praticamente escravas,
> o Brasil importava trabalhadores/as assalariados para substituir a mão
> de obra escrava que fora obrigado a abolir. Esses/as trabalhadores/as,
> diante das péssimas condições de trabalho, começaram a organizar-se
> para conquistar direitos e ajudar-se mutuamente. Com a bagagem cultural
> e ideológica que trouxeram de seus países de origem, juntamente com os
> trabalhares locais, fundaram sindicatos, associações de ajuda mútua
> para os que ficassem desempregados, doentes ou se aposentassem. As
> decisões eram sempre tiradas em assembléias e sempre de todo o grupo.
> Esse foi o início dos sindicatos no Brasil: com "S" maiúsculo. O
> sindicato onde quem decide são os trabalhadores: eles se organizam para
> reivindicar direitos, para buscar garantir avanço na relação
> capital-trabalho, e para garantir melhoria nas condições de trabalho e
> de vida.
>
>     O tempo passou e aquilo que hoje temos como sindicato já não é nem a
> sombra daquele do início. Hoje estamos diante de uma superestrutura
> burocratizada e atrelada ao Estado e que dentro do sistema de produção
> não coloca nem as discussões básicas, como, por exemplo, a reposição
> das perdas salariais. Sindicatos que "cantam" vitória mesmo quando
> assinam acordos rebaixados, ou como no caso dos professores de São
> Paulo, quando saem de uma greve de um mês, com zero de reajuste. Isso
> tudo sem falar na precariedade das condições de trabalho. As
> "vitórias" são de quem? A classe trabalhadora está a cada dia mais
> abandonada por suas "representações" partidarizadas, que buscam
> somente a conciliação e não o avanço nas lutas. Sindicatos que
> encerram greves mesmo quando os trabalhadores estão dispostos a
> continuar na batalha. Sindicatos que só sabem atuar em "mesas" e que
> esqueceram que as vitórias se constroem a partir dos locais de
> trabalho; que comemoram o dia do trabalhador com Showmícios
> patrocinados pelas próprias empresas exploradoras do trabalho de seus
> associados. Seus dirigentes tornaram-se "executivos" sindicais que já
> nem sabem o que é ser trabalhador, o que aumenta, a cada dia, a
> descrença por parte dos trabalhadores na entidade.
>
>    Está na hora de buscar romper com essa situação. Está na hora de
> resgatar a essência dos primórdios do sindicalismo: a que colocava
> os/as trabalhadores/as como centro do movimento. Resgatar a
> solidariedade entre as várias categorias e buscar romper com essa
> espiral de encenações sindicais que nos impuseram. Temos que
> transformar as assembléias em verdadeiros fóruns da vontade dos/as
> trabalhadores/as e não em espaços de manipulação ou meramente
> informativos. Sabemos que o mundo do trabalho mudou, mas mudaram também
> os sindicatos e os sindicalistas. Sejamos conscientes e atentos, vamos
> retomar as rédeas desse processo. Vamos começar desde já! Vamos lotar
> as assembléias e reivindicar nossos direitos, inclusive e
> principalmente o de ser protagonistas de nosso próprio destino.
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