[Bancariosdebase] Enc: [direitoeleitoralesa] Democracia burguesa é isso
Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva
marciocarsi em yahoo.com.br
Segunda Agosto 9 04:48:44 UTC 2010
Prezados companheiros manos e minas.
Isso é poder. Manda quem paga.
Um forte abraço.
Márcio.
Mesmice impera em debate antidemocrático
A palavra "socialismo" não foi citada em nenhum momento do debate
Da redação de Opinião Socialista
www.pstu.org. br
• O tom faraônico da abertura do debate da Band já era um prenúncio do tédio que
dominaria o resto do programa. A emissora, prevendo a ausência de um real debate
que empolgasse os telespectadores, parecia tentar compensar com uma
superprodução, com direito a helicópteros pousando no prédio da Band trazendo os
candidatos, além de uma orquestra ao vivo tocando a vinheta da abertura do
programa.
E foi exatamente isso o que se viu durante aquelas duas horas. Os dois
principais candidatos, Dilma e Serra, evitaram ao máximo se atacar e
praticamente não se diferenciaram. Nem poderiam, já que na prática compartilham
do mesmo programa de governo.
A candidata do governo ainda deixou transparecer muito nervosismo naquela sua
primeira aparição pública sem Lula a tiracolo. Nos primeiros minutos de debate,
o PT certamente lamentou mais uma vez o escândalo do mensalão, que derrubou os
principais quadros do partido e deixou o governo sem alternativas à sucessão,
sendo obrigado a engolir uma candidata sem o menor carisma e de trajetória
burocrática.
Sem confrontos
O que se viu no confronto entre Dilma e Serra foi exatamente a ausência de
qualquer confronto. Dilma se limitou a destacar os números do governo Lula,
enquanto Serra se esforçava em argumentar que o governo do PT era uma
continuação do governo FHC. ”Está aqui o principal assessor da Dilma, Antonio
Palocci, que passou anos e anos elogiando a política econômica do governo FHC”,
afirmou o tucano num dos raros momentos de maior rispidez entre os dois
candidatos.
As duas principais candidaturas disputavam a posição de melhor continuador do
atual governo. Em nenhum momento, por exemplo, Serra atacou qualquer aspecto
mais geral da política econômica de Lula. Criticou apenas alguns problemas de
infra-estrutura, como as estradas federais, os portos e aeroportos. Só quando
apareceu o tema das privatizações, o tucano aproveitou para espetar a petista.
”Se eles não gostam de privatização, não sei como é que não reestatizaram nada,
muito pelo contrário, Dilma elogiou várias vezes a privatização das
telecomunicaçõ es”, destacou. A candidata apenas respondeu que não estava entre
aqueles ” que reviam contratos”.
Os dois candidatos só expuseram suas verdadeiras opiniões em alguns poucos
momentos. Questionada por Plínio sobre a redução da jornada e o limite da
propriedade rural, Dilma desfilou não uma pérola, mas um verdadeiro colar. ”Não
é papel do governo substituir o movimento social e dizer qual a jornada de
trabalho que este ou aquele setor deve ter”, afirmou.
Sobre a proposta da CNBB, de limitar o tamanho da propriedade da terra, Dilma
disse não ser “prudente estabelecer um limite à propriedade do Oiapoque ao
Chuí”. Para a candidata petista, uma estrutura fundiária extremamente
concentrada, que gera uma massa de sem-terras e uma explosiva violência no campo
é o que deve ser “prudente”.
José Serra deu exatamente a mesma resposta a essas questões. ”Jornada de
trabalho tem que ser definido sindicato por sindicato, região por região”,
defendeu. Sobre a estrutura fundiária, o tucano disse não querer “mexer” com o
latifúndio, já que ”o governo está cheio de terras que não distribui”. Só não
disse se, uma vez eleito, iria distribuir as terras nas mãos da União aos
sem-terras.
A candidata do PV, Marina Silva, foi uma das maiores frustrações a quem via nela
uma possibilidade de terceira via frente à mesmice entre PT e PSDB. Tentando
unir o discurso da sustentabilidade com a defesa dos lucros das empresas, Marina
jogou seu discurso no descrédito ao evitar se posicionar contra a Usina de Belo
Monte e a transposição do Rio São Francisco. No mais, não se diferenciou das
duas principais candidaturas. Ao invés de se contrapor, Marina preferiu se
juntar a elas.
Já o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, levantou temas importantes
como a reforma agrária e a redução da jornada de trabalho. Infelizmente, o
discurso de Plínio se limitou à oposição entre “igualdade e desigualdade” ,
atacando a má distribuição de renda, mas não denunciando o caráter
intrinsecamente desigual do capitalismo. Nem mesmo o governo Lula foi
frontalmente atacado pelo candidato, mesmo Plínio se colocando como o “candidato
dos movimentos sociais”.
A falta de uma candidatura socialista
Na historia do Grupo Bandeirantes, de encontros democráticos para que você
decida o seu voto”, disse num tom portentoso. Mas na verdade o que se viu foi
mais um triste capítulo dessa campanha eleitoral, já que apenas quatro dos nove
candidatos à presidência puderam comparecer.
Ao finalizar o debate, o mediador Ricardo Boechat tentava conferir um aspecto
histórico ao programa. “Assim se escreve mais um capítulo
Perdeu, assim, a população, que não teve o direito de conhecer todos os
candidatos e suas propostas, e perde também o próprio debate político, entregue
à mesmice e a falta de discussão estratégica. Não foi por menos que, por
exemplo, a palavra “socialismo” não tenha sido pronunciada uma só vez durante
todo o debate. Não foi por menos também que questões fundamentais para o país,
como a dominação das grandes multinacionais ou a crise internacional, não tenham
sido tocadas.
Foi por isso que o PSTU, além de ativistas independentes e pessoas que
simplesmente defendem a democracia na campanha eleitoral, vêm impulsionando uma
ampla campanha para que Zé Maria participe dos debates eleitorais. Infelizmente
Plínio, que poderia ter denunciado publicamente o caráter antidemocrático do
debate, não só não o fez como classificou o debate como “democrático”,
frustrando até mesmo militantes do próprio PSOL que se engajam nessa campanha.
O veto da emissora impediu a participação de Zé Maria, mesmo o candidato
contando com 3% das intenções de voto na pesquisa espontânea da CNT/Sensus,
divulgada no dia 5, mesmo dia do debate. Impediu também que outras candidaturas
de esquerda se expressassem, como as do PCB e PCO.
Não se trata apenas de uma questão de justiça com o partido ou o candidato, mas
principalmente, como demonstrou o debate da Band, de uma necessidade de se tocar
em questões fundamentais e apontar uma estratégia claramente socialista nessas
eleições.
[ 6/8/2010 13:37:00 ]
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