[Bancariosdebase] sobre a votação da lei do pré sal
Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva
marciocarsi em yahoo.com.br
Terça Dezembro 21 04:04:38 UTC 2010
E depois falam reclamam quando digo "nada mais tucano que um petista, e
vice-versa"
Abraços
Márcio
Artigo
Câmara conclui votação do Pré-Sal: entrega da soberania nacional continua. Por
Santos
________________________________
O plenário da Câmara aprovou na noite de1º de dezembro, com 204 votos
favoráveis, 66 contrários e duas abstenções, o Fundo Social do pré-sal e o
regime de partilha da extração de petróleo.
Até deputados do PSDB (2) e do DEM (2) votaram a favor. Festivamente junto com
os deputados do: PV, PDT, PSB, os governista PMDB, PT e PC do B e
surpreendentemente os do PSOL na presença de Ivan Valente e Chico Alencar. Os
deputados mantiveram no texto a divisão dos royalties entre todos os estados da
federação a qual Lula diz que vetará.
PROJETO DE LEI Nº 5.940-C DE 2009
Se lermos com alguma atenção este PL veremos que é uma CONTINUIDADE da Lei nº
9.478, de 6 de agosto de 1997, feita por FHC para acabar com o Monopólio
Estatal de Petróleo. Ela somente altera alguns dispositivos, como é
explicitamente colocado na apresentação da lei.
Logo veremos também que esta PL, que teve como relator o Deputado ANTÔNIO
PALOCCI, futuro chefe da Casa Civil, garante: OS LEILÕES VÃO CONTINUAR,
assegurado no Art. 8º. Com o Ministério de Minas e Energia celebrando os
contratos de partilha mediante licitação na modalidade leilão. (Inciso II). A
cargo da ANP, Art. 11, hoje nas mãos do PC do B.
O Art. 10. delega ao Ministério de Minas e Energia a competência de propor ao
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) os parâmetros técnicos e
econômicos dos contratos de partilha de produção (inciso III), para definição do
percentual mínimo do excedente em óleo da União. Portanto NÃO EXISTE COEFICIENTE
MÍNIMO DE APROPRIAÇÃO PELA UNIÃO neste regime de partilha. Isso significa que
não há partilha meio a meio com as multinacionais petroleiras. A partilha
realizada por esta lei pode se efetuar com somente 20 ou 30% de apropriação pela
União.
E quem vai decidir isso é o Ministério das Minas e Energia. Que atualmente nas
mãos do PMDB concretamente nas de Edson Lobão, que vai ganhar muito dinheiro de
corrupção pelas mãos das BIG OIL. Ainda mais por que também terá o poder de
decidir os limites, prazos, critérios e condições para o cálculo e apropriação
pelo contratado do custo em óleo e do volume da produção correspondente aos
royalties devidos e o valor do bônus de assinatura. Quer dizer corrupção
generalizada.
O FUNDO SOCIAL é anunciado como um fundo para “educação; cultura; esporte; saúde
pública; ciência e tecnologia; meio ambiente; e até “mitigação e adaptação às
mudanças climáticas”(SIC), Art. 47.
Mas, esconde que ele de fato é um Fundo de natureza “contábil e financeira com
objetivos de constituir poupança pública de longo prazo com base nas receitas
auferidas pela União” (inciso I).
E o pior ainda, o Art. 49 § 3º determina que os recursos do pré-sal serão
“DESTINADOS INTEGRALMENTE” a um fundo de natureza contábil e financeira com a
finalidade de constituir fonte de recursos para ser aplicado na sociedade.
Completado pelo Art. 51. que decide que “Os recursos do FS para aplicação nos
programas e projetos a que se refere o art. 47 deverão ser OS RESULTANTES DO
RETORNO SOBRE O CAPITAL.” Quer dizer, primeiro ganham os especuladores
financeiros e depois os tais projeto sociais.
E mais incrivelmente o Parágrafo único deste artigo determina que “Os
investimentos e aplicações do FS serão destinados PREFERENCIALMENTE a ativos no
exterior, com a finalidade de mitigar a volatilidade de renda e de preços na
economia nacional.”
Então primeiro que todos e preferencialmente ganham os especuladores
internacionais.
Com o suposto objetivo de “mitigar a volatilidade de renda e de preços na
economia nacional”, isso é evitar a tal “Doença Holandesa” fruto de muito
dinheiro no mercado. Quer dizer o problema do Brasil não é mais a desigualdade
social a fome e a miséria e sim o excesso de rendimentos.
Conclusão o novo Marco Regulatório mantém a entrega de nosso petróleo as
multinacionais, agora em regime de partilha. Não existe praticamente mudança
entre este regime e o de concessão.
ENTREGARAM TUDO E AGORA QUEREM LUTAR PELAS MIGALHAS
O presidente Lula diz que vetará o projeto de lei aprovado no Congresso
Nacional, que prevê a divisão dos recursos dos royalties do petróleo por todos
os estados, independentemente de serem ou não produtores. Depois editará medida
provisória restabelecendo o teor da proposta encaminhada ao Congresso, que
previa a manutenção do modelo atual de distribuição para as áreas atualmente em
exploração e para as já licitadas do Pré-Sal.
O que não dizem é que 29% do Pré-Sal já foi leiloado, a sua área mais rica, o
“file Mignone”, que contem o complexo Pão de Açúcar com os blocos de Azulão,
Bem-Ti-Vi, Carioca e Caramba.
Para se ter uma idéia do tamanho da entrega o campo de Tupi, localizado em
Santos, pode chegar até 12 bilhões de barris, com o barril de petróleo cotado a
70 dólares significa uma renda petroleira de 840 bilhões dólares. Segundo a ANP
no bloco Pão de Açúcar o volume de petróleo estimado é de pelo menos 5 vezes
mais, isso é 60 bilhões de barris, e tudo isso já foi abocanhado pela
ExxonMobil, Chevron, Shell, Galp, Repsol e Hess.
E é bom lembrar que os royalties significam de 5% a 10% da produção de petróleo.
Os deputados aprovaram o aumento do percentual para 15%. Então vejamos que no
epicentro da polêmica estão recursos que somaram no ano passado cerca de 5
bilhões de dólares.
Se já existisse a nova divisão de Royalties que acabou de ser aprovada, a União
receberia em 2009: 1,7 bilhões de dólares; todos os Estados 1,2 bilhões e todos
os municípios outros 1,2 bilhões, totalizando cerca de 4 bilhões de dólares de
royalties.
Significa que os royalties arrecadados pelo Brasil em 2009 representam apenas
9,7% da riqueza total retirada do subsolo brasileiro.
Para se fazer outra comparação interessante o Rio de Janeiro, o Estado que mais
recebe royalties. Recebeu de 1999 até meados de 2010 R$ 16,584 bilhões.
Mas R$ 16,584 bilhões representa 28% do valor de mercado da OGX, do bilionário
Eike Batista, R$ 58,2 bilhões (32,9 bilhões de dólares), que ainda não extraiu
sequer uma única gota de petróleo.
Quer dizer estão entregando 4,2 trilhões de dólares para as multinacionais e
fazem escândalo com 5 bilhões.
Percentual esse muito inferior ao dos países exportadores que chegam a arrecadar
acima de 80% das rendas petroleiras.
Se o monopólio estatal do petróleo, derrubado por FHC fosse retomado, e a
Petrobras fosse totalmente estatizada, 100%, toda a renda petroleira ficaria em
nosso pais.
DIREÇÃO DA FUP MENTE E TENTA ENGARNAR OS TRABALHADORES
Na edição 968 do “Primeira Mão”, órgão oficial da Federação Única dos
Petroleiros, esta direção traidora afirma: “Nova lei do petróleo - Projetos
aprovados aumentam controle do Estado sobre o pré-sal”. E afirmam que: “projetos
de lei aprovados no Congresso Nacional contribuírem para a ampliação da
participação do Estado na indústria de petróleo, o fortalecimento da Petrobrás e
a utilização social de parte da riqueza do pré-sal, esses avanços ainda são
insuficientes para garantir a soberania do povo brasileiro sobre um bem tão
estratégico. Não há dúvidas de que a nova legislação supera o atual modelo
privatista de concessão, herdado de Fernando Henrique....”
Somente ai a direção da FUP mente descaradamente pelo menos duas vezes. Primeiro
quando afirma que o projeto aumenta o “controle do Estado sobre o pré-sal”. E
como vimos o projeto de Lula/Dilma mantém e continua a entrega de nossa riqueza
nacional as multinacionais.
E depois quando afirma que apóiam o projeto dos movimentos sociais e defende. A
verdade é clara eles apóiam é o projeto do governo Lula/Dilma que é
absolutamente antagônico ao projeto apresentado pelos movimentos sociais.
MONOPOLIO DA PRODUÇÃO E PETROBRAS 100% ESTATAL
Queremos o monopólio da produção de petróleo exercido unicamente por uma
Petrobrás 100% estatal, sob controle dos trabalhadores e dos movimentos sociais,
que possam desenvolver uma administração estratégica das reservas,
direcionando-a para a satisfação das necessidades da população nas áreas mais
carentes como saúde, educação e desenvolvimento agrário. Que sirva também para
diminuir as emissões gases poluente e desenvolva a pesquisa em energias limpas
alternativas.
Exigimos o fim dos leilões e a retomada das reservas leiloadas sem indenização
às multinacionais que já ganharam demais.
Queremos a extinção da Agência Nacional do Petróleo e o fim do Conselho Nacional
de Política Energética estamos contra a criação da PetroSal.
Para isso propomos a realização de JORNADA DE LUTAS PELA SOBERANIA NACIONAL, com
atos, greves e manifestações. E exigimos do Governo Lula que seja chamado um
PLEBISCITO NACIONAL EM 2010, para decidir sobre este tema.
[1] Dalton Santos, geólogo da Petrobras e diretor do Sindipetro Alagoas e
Sergipe e Américo Gomes, advogado com especialização em Política e Relações
Internacionais, assessor do Sindipetro Alagoas e Sergipe
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