[Bancariosdebase] [redeestudantilclassista]A inserção do Brasil e da América do Sul na segunda década do século XXI - FIORI
Discussões sindicais dos bancários da grande são paulo
bancariosdebase em lists.aktivix.org
Terça Fevereiro 16 22:27:42 UTC 2010
Texto do acadêmico José Luis Fiori sobre o papel do Brasil na
América do Sul.
Daniel
On Seg 15/02/10 13:44 , Rômulo Castro romulo.scastro em gmail.com
sent:
A inserção do Brasil e da América do Sul na segunda década do
século XXI
O futuro do projeto sul-americano dependerá cada vez mais das
escolhas brasileiras e da forma pela qual o Brasil desenvolva suas
relações com os Estados Unidos. No campo político, depois da
hegemonia das idéias neoliberais e privatistas, e de uma coalizão
de poder partidária do “cosmopolitismo subserviente”, no campo
internacional, está se consolidando no Brasil um novo consenso
desenvolvimentista, democrático e popular que transcende cada vez
mais as siglas partidárias. As perspectivas futuras desta nova
coalizão dependerão da estratégia internacional dos próximos
governos. A análise é de José Luis Fiori.
José Luis Fiori
_NOTAS PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL
E DA AMÉRICA DO SUL, NA SEGUNDA DÉCADA DO SÉCULO XXI._
1. BRASIL E AMéRICA DO SUL: HISTóRIA E CONJUNTURA
i. As guerras e disputas políticas e territoriais, durante a
formação dos estados sul-americanos, no século XIX, não
produziram as mesmas conseqüências sistêmicas - políticas e
econômicas - das guerras de centralização do poder e de formação
dos estados e das economias nacionais européias. E mesmo no século
XX, não se consolidou no continente sul-americano, um sistema
integrado e competitivo, de estados e economias nacionais, como
ocorreu na Ásia, depois da sua descolonização. Por isto, nunca
existiu na América do Sul uma disputa hegemônica, entre os seus
próprios estados e economias nacionais, e nenhum dos seus estados
jamais disputou a hegemonia continental com as grandes potências.
De fato, desde sua independência, o continente sul-americano viveu
sob a tutela anglo-saxônica: primeiro, da Grã Bretanha, até o fim
do século XIX, e depois, dos Estados Unidos, até o início do
século XXI.. Como conseqüência, os estados latino-americanos nunca
ocuparam posição importante nas grandes disputas geopolíticas do
sistema mundial, e funcionaram durante todo o século XIX, como zona
de experimentação do “imperialismo de livre comércio” da Grã
Bretanha. No século XX, e em particular depois da 2ª. Guerra
Mundial, quase todos estados sul-americanos alinharam sua política
externa, com os Estados Unidos, durante a Guerra Fria, e aderiram com
graus diferentes de sucesso, às políticas econômicas
desenvolvimentistas, apoiada pelos Estados Unidos, até a década de
1970. Depois do fim da Guerra Fria, durante a década de 1990, de
novo, a maioria dos governos da região voltaram a se alinhar ao lado
da política externa e da política econômica preconizada pelos EUA e
seu projeto de “globalização liberal”.
ii. No início do século XXI, entretanto, a situação política do
continente mudou, com a vitória - em quase todos os países da
América do Sul – de partidos e coalizões políticas
nacionalistas, desenvolvimentistas e socialistas, que mudaram o rumo
político-ideológico do continente, durante a primeira década do
século. No início do período, quase todos os novos governos de
esquerda mantiveram a política macroeconômica ortodoxa dos
neoliberais da década de 90, e só aos poucos foram mudando, em
alguns casos, o rumo mais amplo de sua política econômica, sem
conseguir alterar a estrutura e o modelo tradicional de inserção
internacional da economia continental.
Assim mesmo, todos estes novos governos se posicionaram
ideologicamente contra o neoliberalismo da década anterior, e
mudaram sua política externa, apoiando a integração
político-econômica da América do Sul, e criticando
intervencionismo norte-americano no continente. Este giro político
à esquerda ocorreu de forma simultânea, em quase todo o continente,
e coincidiu com a mudança do governo e da política externa
americana, com a nova administração republicana de George Bush, que
engavetou, na prática, o globalismo econômico liberal, da
Administração Clinton, e o seu projeto da ALCA, para as Américas.
Este giro à esquerda coincidiu também com um novo ciclo de
expansão da economia mundial, que se prolongou até 2008, e permitiu
a retomada do crescimento, alto e generalizado, de todas as economias
nacionais da região. A grande novidade foi a participação da
China, que se transformou na grande compradora das exportações
sul-americanas de minérios, energia e grãos. Neste período
também, os altos preços das commodities fortaleceram a capacidade
fiscal dos estados e ajudaram a financiar várias iniciativas do
projeto de integração da infra-estrutura energética e de
transportes do continente. Além disto, permitiram a acumulação de
reservas e a diminuição da fragilidade externa do continente,
aumentando o poder de resistência e negociação da região.
iii. Durante esta primeira década do século, destacou-se dentro do
continente, a rápida mudança da posição política e econômica do
Brasil, que retomou – aos poucos e de forma ainda irregular - a
trilha do crescimento e aumentou sua participação no produto e no
comércio dentro e fora da América do Sul. Ao mesmo tempo, o Brasil
assumiu a liderança do processo de integração do continente e
expandiu suas relações comerciais e financeiras com outras regiões
do mundo, projetando sua presença diplomática em várias instâncias
e fóruns multinacionais de negociação, dentro e fora das Nações
Unidas. E hoje o Brasil já tem praticamente assegurada, até o fim
da próxima década, uma posição entre as cinco maiores economias
do mundo, quando deverá ser provavelmente, o maior produtor mundial
de alimentos, e um dos maiores produtores e exportadores mundiais de
petróleo, além de seguir controlando a maior parte dos recursos
hídricos e da biodiversidade da Amazônia.
Neste movimento duplo, em direção à América do Sul e aos demais
continentes, e zonas de expansão e conflito internacional, o Brasil
tem se apoiado, aliado e competido, a um só tempo, com outros
estados e economias nacionais que também estão se expandindo
rapidamente e reivindicando uma maior participação nas decisões do
núcleo central de poder do sistema mundial, entre as quais se
destacam ,sobretudo, a China e a Índia.
iv. Agora bem, depois de quase uma década convergente, a crise
financeira de 2008 provocou uma queda abrupta do crescimento regional
e uma desaceleração do projeto integração econômica do continente
sul-americano. E quase ao mesmo tempo, ainda na Administração George
Bush, os Estados Unidos abandonaram sua passividade no continente, e
decidiram reativar sua IVº Frota Naval responsável pelo controle
marítimo do Atlântico Sul. E logo em seguida, já na
administração democrata do presidente Barak Obama, os Estados
Unidos assinaram o acordo militar com a Colômbia que lhe deu acesso
a sete bases militares dentro do território colombiano, e com isto
fragilizou o processo de integração política, e os planos de
defesa conjunta e autônoma do continente.
Logo em seguida, os EUA tiveram uma participação ativa na crise
política de Honduras, e unilateral no terremoto que destruiu o
Haiti, demonstrando vontade e decisão de retomar ou reafirmar sua
presença e sua supremaca dentro do “hemisfério ocidental”. Por
outro lado, no início de 2010, o Chile interrompeu a sucessão de
vitórias eleitorais da esquerda, e elegeu um presidente de
centro-direita, que reforçará a aliança estratégica com os
Estados Unidos do “eixo anti-bolivariano”, na Região Andina. E
com isto, deverá aumentar as divisões que sempre facilitaram –
através da história - a tutela externa do continente. De qualquer
maneira, a configuração completa deste novo cenário político
ainda dependerá das eleições presidenciais no Brasil e Colômbia,
em 2010, e na Argentina e Peru, em 2011.
v. Neste momento de incerteza política, uma discussão sobre a
inserção do Brasil e da América do Sul, no cenário internacional,
na segunda década do século XXI, tem que partir de uma definição
do que seja uma “inserção soberana”. Com relação ao que seja
uma política externa soberana, nosso ponto de partida é muito
simples: um estado e um governo que se proponham expandir o seu poder
internacional, inevitavelmente terão que questionar e lutar contra a
distribuição prévia do poder, dentro do próprio sistema. Como
condição preliminar, eles terão que ter sua própria teoria e sua
própria leitura dos fatos, dos conflitos, e das assimetrias e
disputas globais, e de cada um dos “tabuleiros” geopolíticos
regionais ao redor do mundo.
Para poder estabelecer de forma sustentada e autônoma, os seus
próprios objetivos estratégicos, diferentes das potencias
dominantes, e conseqüentes com sua intenção de mudar a
distribuição do poder e da hierarquia mundial. Por isto, não é
possível conceber uma política externa soberana e inovadora, que
não questione e enfrente os consensos éticos e estratégicos das
potencias que controlam o núcleo central do poder mundial. Neste
campo, não estão excluídas as convergências e as alianças
táticas, e temporárias, com uma ou várias das antigas potencias
dominantes. Mas toda política externa soberana e inovadora, sabe que
está e estará em permanente competição com estas potencias, e que
terá que assumir as suas divergências, com a visão de mundo, com
os diagnósticos e com as estratégias defendidas por elas, seja no
espaço regional, seja a escala global. Isto não é uma veleidade
irrelevante, nem é o fruto de uma animosidade ideológica, é uma
conseqüência de uma “lei” essencial do sistema inter-estatal, e
de uma determinação que é em grande medida geográfica, porque o
objetivo do “estado questionador”, é ampliar sempre e cada vez
mais, a sua capacidade de decisão e iniciativa estratégica
autônoma, no campo político, econômico e militar, para poder
difundir melhor e aumentar a eficácia de suas idéias e propostas de
mudança do sistema mundial.
vi. Do lado oposto, fica mais fácil de definir e identificar as
características essenciais de uma política externa conservadora ou
subalterna. Em primeiro lugar, os conservadores não se propõem
mudar a distribuição do poder internacional, nem questionam a
hierarquia do sistema mundial. Sua reação frente aos desafios
colocados pela agenda internacional, é quase sempre empírica,
isolada, e moralista. Os conservadores não têm uma teoria nem uma
visão histórica própria do sistema internacional e dos seus
acontecimentos conjunturais, e são partidários, em geral, de uma
política externa de baixo teor, sem grandes iniciativas
estratégicas nacionais, e com uma alta taxa de submissão aos
valores, juízos, e decisões estratégicas das potencias dominantes.
Por isto, consciente ou inconscientemente, os conservadores delegam a
terceiros, uma parte da soberania decisória de sua política
externa, e acabam assumindo, invariavelmente, uma posição
subalterna dentro da política internacional.
2. UM BALANçO NO FINAL DA PRIMEIRA DéCADA DO SéCULO XXI
Ao terminar a primeira década do século XXI, entre crise e
guerras, é possível fazer um balanço preliminar da estratégia
imperial americana, que nasceu da crise dos 70 e se aprofundou depois
do fim da Guerra Fria:
i. O poder militar americano cresceu de forma contínua e se
projetou sobre todo o mundo, mas a própria dinâmica contraditória
da sua expansão, fortaleceu politicamente e “ressuscitou”
militarmente, a Alemanha, a Rússia e o Japão, e contribuiu para o
fortalecimento da China, Índia, Irã, Turquia, Brasil, países que
disputam zonas de influência com os EUA, e participam da “corrida
imperialista” que se explicitou nesta primeira década, e que deve
se intensificar nos próximos anos. Os revezes políticos e militares
dos EUA, na primeira década do século XXI desaceleraram o projeto
imperial americano, mas ele não foi abandonado. Mas apesar disto,
estes revezes criaram novas fraturas e divisões dentro dos EUA. E
depois da Guerra do Iraque, está em curso um realinhamento interno
de forças e posições, como ocorreu também na década de 70, e
não é improvável que surja daí uma nova estratégia
internacional.. Mas estes processos de realinhamento interno do
establishment americano costumam ser lentos, e os seus resultados
finais dependerão ainda da própria luta interna e da evolução dos
conflitos dos EUA com os seus principais concorrentes nas várias
regiões do mundo. Porque apesar dos seus revezes recentes, e de suas
dificuldades econômicas, os EUA seguem sendo o único player global,
que está presente e disputa posições em cada uma, e em todas as
regiões do mundo.
De qualquer forma, do nosso ponto de vista, não há possibilidade
que os EUA abdiquem do seu poder, ou renunciem à expandi-lo
permanentemente.. Pelo contrário, deverão seguir aumentando sua
capacidade militar em escala geométrica, numa velocidade que
aumentará na medida em que se aproxime a sua ultrapassagem
econômica pela China. Qualquer mudança mais substantiva, nesta
correlação de forças, só ocorrerá com o aumento da capacidade e
do poder regional e global das novas potências que estão se
projetando neste início do século XXI.
ii. Por outro lado, do ponto de vista econômico, também se pode
dizer que a resposta americana à crise de Bretton Woods acabou se
transformando numa estratégia, que levou à recuperação e à
expansão contínua da economia americana, cada vez mais associada ao
crescimento da economia chinesa, sobretudo a partir de 1990. Este novo
eixo dinâmico da economia mundial, por sua vez, provocou uma mudança
estrutural da economia mundial, com o deslocamento para a Ásia, do
seu principal centro de produção e acumulação de capital, e com o
surgimento de uma economia nacional – a chinesa - com um poder
gravitacional, sobre o conjunto da economia capitalista, equivalente
ao dos Estados Unidos. Esta nova configuração estrutural, e sua
expansão contínua, explica o aumento da “pressão competitiva”,
dentro da economia mundial, na primeira década do século XXI.
iii. Por isto, do nosso ponto de vista, esta pressão econômica,
somada à competição geopolítica, e à corrida imperialista que
está em curso, são manifestações essenciais, e são ao mesmo
tempo o anuncio de que o “sistema inter-estatal capitalista”
está atravessando uma grande “explosão expansiva”. Nestes
momentos, é impossível prever com precisão o futuro. O o único
que se pode dizer, é que são transformações seculares dentro de
um mesmo universo, que seguirá se expandindo, enquanto for
constituído e liderado por “estados-economias nacionais”
capitalistas, complementares e competitivas.
iv. Assim mesmo, no horizonte de curto prazo, entretanto, o
“núcleo duro” da competição geopolítica mundial deverá estar
composto velos Estados Unidos, China e Rússia. Três “estados
continentais”, que detém um quarto da superfície da terra, e mais
de um terço da população mundial. Nesta nova “geopolítica das
nações”, a União Européia terá um papel secundário, ao lado
dos Estados Unidos, enquanto não dispuser de um poder unificado, com
capacidade de iniciativa estratégica autônoma. E a Índia, Irã,
Brasil, Turquia, África do Sul, e talvez a Indonésia, deverão
aumentar o seu poder regional, em escalas diferentes, mas não serão
poderes globais, ainda por muito tempo. Na segunda década do século
XXI, a nova “corrida imperialista” provocará um aumento dos
conflitos localizados, entre os principais estados e economias do
sistema, mas ainda não está no horizonte uma nova “guerra
hegemônica”.
Por outro lado, do ponto de vista econômico, as novas crises
financeiras que seguirão não deverão interromper o processo em
curso de deslocamento do centro da acumulação capitalista, para a
Ásia, e para algumas outras economias nacionais, dispersas pelo
mundo, entre as quais, o Brasil e a Rússia, e em menor escala, a
África do Sul, a Turquia, a Indonésia e o próprio Irã. Ou seja,
no médio prazo, deverá ocorrer uma convergência assintótica,
envolvendo numa mesma competição geopolítica e econômica, quase
os mesmos estados e economias que deverão alcançar as primeiras
posições na hierarquia internacional do poder e da riqueza mundial,
ao lado dos Estados Unidos e da velha Europa.
v. Por último, para avaliar a importância das próximas crises
financeiras e políticas que deverão se manifestar e ocorrer na
próxima década, é importante compreender que: em primeiro lugar,
quase todas as grandes crises do sistema mundial foram provocadas
até hoje, pela própria potência hegemônica; em segundo lugar, que
estas crises são provocadas quase sempre, pela expansão vitoriosa (e
não pelo declínio) das potências capazes de atropelar as regras e
instituições que eles mesmos criaram, num momento anterior, e que
depois se transformam num obstáculo no caminho da sua própria
expansão; e em terceiro lugar, que o sucesso econômico e a
expansão da potência líder é sempre uma força e um impulso
fundamental para o fortalecimento de todos os demais estados e
economias que se proponham concorrer ou “substituir” a potência
hegemônica. Mas o que é mais esdrúxulo é que, as crises
provocadas pela “exuberância expansiva” da potência líder,
quase sempre afetam, de forma mais perversa e destrutiva, aos
“concorrentes” mais do que ao próprio líder ou hegemon, que
costuma se recuperar de forma mais rápida e poderosa do que os
demais.
Seja como for, é dentro deste contexto geopolítico e econômico,
que se pode e deve pensar as alternativas de mais longo prazo, de
inserção internacional soberana da América do Sul e do Brasil, na
segunda década do Século XXI.
3. BRASIL: POSSIBILIDADES E ESCOLHAS
i. Brasil é - hoje - o segundo player mais importante, dentro do
tabuleiro geopolítico da América do Sul ,e já tem tido uma
importância maior nos desdobramentos político-ideológicos da
América Central e do Caribe. Depois de assumir a liderança militar
da missão de paz das Nações Unidas no Haiti, o Brasil tomou uma
posição decidida a favor da reintegração de Cuba na comunidade
americana e tem defendido, em todos os foros internacionais, o fim do
bloqueio econômico norte-americano à Cuba. Ao mesmo tempo, tem
assumido sua influência políitico-ideológica sobre alguns novos
governos de esquerda da América Central, e tomou uma posição
rápida e dura frente ao golpe de estado militar de Honduras, em
junho de 2009, e frente à crise provocada pelo terremoto do Haiti,
no início de 2010.
Mas apesar do seu maior ativismo diplomático, o Brasil ainda não
tem capacidade de projetar seu poder afirmativo ou de veto, à
região centro-americana, nem tem nenhuma disposição de competir ou
questionar o poder americano no seu “mar interior caribenho”. Mais
ao sul, entretanto, o Brasil tem exercido uma política cada vez mais
ativa, mesmo quando conviva com uma desaceleração temporário do
processo de integração econômica do continente. Com a criação da
UNASUAL, e do Conselho Sulamericano de Defesa, o Brasil se distanciou
e esvaziou o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca e a
Junta Interamericana de Defesa que sempre contaram com o aval
norte-americano. Além disto, nesta últimos dois anos, o Brasil teve
uma participação ativa e pacificadora, nos conflitos entre Equador e
Colômbia e entre Colômbia e Venezuela, na conflito interno da
Bolívia, quando se transformou numa ameaça de guerra civil e de
secessão territorial.
ii. De qualquer forma, uma coisa é certa: o futuro do projeto
sul-americano dependerá cada vez mais das escolhas brasileiras, e da
forma que o Brasil desenvolva suas relações com os Estados Unidos.
Do ponto de vista econômico, a pressão dos mercados internacionais
e as novas descobertas do petróleo da camada do pré-sal, também
estão oferecendo para o Brasil a possibilidade de se transformar
numa economia exportadora de alta intensidade, uma espécie de
“periferia de luxo” dos grandes potências compradoras do mundo,
como foram no seu devido tempo, a Austrália e a Argentina, entre
outros. Mas existe a possibilidade do Brasil escolher um outro
caminho que combine seu potencial exportador, como uma estrutura
produtiva industrial associada e liderada por uma economia mais
dinâmica, como é o caso contemporâneo do Canadá, por exemplo.
Além disto, neste momento, o Brasil também dispõe de uma terceira
alternativa, absolutamente nova para o país, e que aponta de certa
maneira, para a reprodução da estrutura produtiva da economia
norte-americana: com uma indústria de alto valor agregado, e uma
enorme capacidade de produção e exportação de alimentos e outras
commodities de alta produtividade, incluindo o petróleo, no caso
brasileiro. Por outro lado, no campo político, depois da hegemonia
das idéias neoliberais e privatistas, e de uma coalizão de poder
partidária do “cosmopolitismo subserviente”, no campo
internacional, está se consolidando no Brasil um novo consenso
desenvolvimentista, democrático e popular que transcende cada vez
mais as siglas partidárias. As perspectivas futuras desta nova
coalizão, entretanto, dependerão da estratégia internacional dos
próximos governos brasileiros.
O Brasil pode se transformar num “aliado estratégico” dos
Estados Unidos, da Grã Bretanha e da França, com direito de acesso
à uma parte de sua tecnologia de ponta, como no caso do Japão ou
mesmo de Israel, que construiu seu arsenal atômico com a ajuda da
França. Mas o Brasil também pode escolher um caminho próprio de
afirmação internacional. Mas, se o Brasil quiser mudar de posição
e de estratégia, dentro das “regras” do sistema mundial, terá
que desenvolver um trabalho extremamente complexo de administração
contínua das relações de complementaridade e competição com os
Estados Unidos, e com as outras grandes potências, a partir dos seus
próprios interesses econômicos e geopolíticos. Numa disputa
prolongada pela hegemonia da América do Sul, como se fosse uma
“luta oriental” com os Estados Unidos. Caminhando através de uma
trilha muito estreita e durante um tempo que pode se prolongar por
várias décadas. Além isto, para liderar a integração
sul-americana no mundo, o Brasil terá que inventar uma nova forma de
expansão econômica e política continental e mundial, sem “destino
manifesto” nem missão missionária, e sem o imperialismo bélico
das duas grandes potências anglo-saxônicas.
__._,_.___ | através de email Mensagens neste tópico [1] (1)
Atividade nos últimos dias:
Visite seu Grupo Adicionar um novo tópico Acredite! Mulheres
solteiras do jeito que você procura [2]
-------------------------
Procurando aptos? Acesse Y!Imóveis e encontre ótimas
oportunidades! [3] Trocar para: Só Texto, Resenha Diária •
Sair do grupo • Termos de uso .
__,_._,___
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: <https://lists.aktivix.org/pipermail/bancariosdebase/attachments/20100216/91c5452a/attachment-0001.htm>
Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase