[Bancariosdebase] [BLOG REA] O partido secreto

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Sexta Fevereiro 19 22:30:38 UTC 2010


 

	  Do blog da revista Espaço Acadêmico, excelente comentário sobre
o conservadorismo crescente na universidade (e na sociedade em geral)
 Daniel
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 O partido secreto
 por Luís Carlos Lopes* 
 É inverídica a afirmação de que o pensamento conservador não
possua muitos adeptos na universidade pública. Existe uma verdadeira
guerra de posições entre os professores, alunos e funcionários mais
integrados e os descontentes com a hegemonia da ignorância e do
reacionarismo. 

	O ataque político-ideológico de setores das direitas do Brasil às
universidades públicas é curioso. Ele consegue unir jornalistas
pequeno-burgueses que militam na imprensa mais conservadora do país
a alunos de origem pobre, vindos de famílias que jamais alcançaram
o ensino superior. Estes, quase sempre, são residentes em
domicílios onde a palavra escrita mais conhecida é a Bíblia e/ou a
mídia mais consumida é a TV aberta. O reacionarismo é uma erva da
daninha, não sendo somente uma crença das elites. O conservadorismo
popular, quase sempre negado ou negligenciado, é um problema grave
que precisa ser atacado. 

	Não raro, os professores de biologia são admoestados por seus
alunos ao tentar ensinar a teoria da evolução. Estes resistem
bravamente, e, coléricos, reafirmam o velho criacionismo derrotado
por Darwin no século XIX. Existem os que falam e defendem seus
pontos de vista publicamente e os mais covardes que calam, com medo
do vexame, manifestando-se em âmbito privado e na Internet. A
polêmica entre criacionistas e evolucionistas, guardando-se as
devidas proporções, se repete em sala de aula de todos os ramos do
saber, quando alunos mais limitados são apresentados às teorias
consagradas das ciências de qualquer cepa. O preconceito secreto
contra o conhecimento, de origem medieval, tem livre curso entre
parcelas substantivas dos jovens e nem tão jovens do Brasil. 

	Os sites e blogs deste mesmo movimento reproduzem matérias
jornalísticas que acusam os professores de ‘doutrinadores’, de
‘esquerdistas’, de mentirosos e outras bobagens a mais. No mesmo
lugar, são encontráveis depoimentos de alunos, familiares,
militantes, bem como, vídeos gravados de modo secreto e ilegal de
aulas que incriminariam os perigosos professores de esquerda. A
idéia é juntar ‘provas’ de que as universidades públicas, os
cursinhos pré-vestibulares e, até mesmo, os concursos públicos
estariam povoados por ‘comunistas’ que comem ‘criancinhas’.
Eles querem uma ‘escola sem-partido’. Não querem saber que, até
em silêncio, sempre se escolhe e se defende uma posição.
Obviamente, os partidários destas idéias respondem a estas
críticas, negando tudo. Não passam recibo do que realmente
acreditam. Esquecem que o homem é um animal político, tal como
ensinou Aristóteles. 

	É necessário sublinhar que o mesmo ataque dirige-se contra as
escolas públicas e contra qualquer tipo forte ou frágil de difusão
de posturas e de conhecimentos anti-hegemônicos ou a simples difusão
do saber científico e artístico universal. Nenhuma palavra é
escrita sobre os cursos universitários da área privada. Deve-se
presumir que esses críticos e, ao mesmo tempo, usuários do ensino
público devem achar que o melhor seria que todas as escolas fossem
privadas e que o ‘mercado’ fosse o rei vazio do saber ensinado. 

	Afinal, para que falar em política, história, ciência, literatura
e outras formas de arte? De que adiantaria incrementar o debate com
idéias que discordariam dos sensos comuns e das tradições? A quem
serviria discordar das religiões dominantes ou paralelas, da
televisão de todo dia, do cinema comercial etc? As escolas,
fundamentalmente as de nível superior, deveriam apenas certificar
seus alunos, distribuindo os diplomas tão almejados. Não deveriam
cobrar nada de mais sério deles, bem como, nada exigir além do
ritual burocrático-acadêmico e nem checar se eles estão de fato
preparados para as carreiras que escolheram. É o que parece que os
defensores dessas idéias pensam. 

	Eles construíram um universo bastante afastado da realidade do que
realmente se passa no ensino público universitário. É verdade, que
neste ainda há espaço para discussão crítica e para a
atualização dos saberes humanos. Fora dele, pouquíssimos espaços
brasileiros discutem algo de mais substantivo. A tendência é de
fazer o que os mestres midiáticos e conservadores mandam e
recomendam. Essa janela, que insiste em interpretar o mundo, deve
irritar bastante os mais tradicionalistas e conservadores, tal como
sempre aconteceu. 

	É inverídica a afirmação de que o pensamento conservador não
possua muitos adeptos na universidade pública. De fato, existe uma
verdadeira guerra de posições entre os professores, alunos e
funcionários mais integrados e os descontentes com a hegemonia da
ignorância e do reacionarismo. Nesta mesma universidade, existe
espaço para as mais diferentes correntes políticas e do saber e
estas não são, necessariamente, inimigas da ordem. Há um exagero
calculado e a tentativa de desqualificar o que não compreendem e
rejeitam a priori. Lá, existe um pouco de tudo, como em qualquer
outro ambiente humano de grandes proporções. Fazem parte dessas
escolas santos e demônios, oportunistas e altruístas e muita gente
que não se coloca em nenhum dos extremos conhecidos. 

	Por que eles tanto atacam estas instituições? Na visão de mundo
deles, tudo que possa atrapalhar a dominação ideológica sufocante
que almejam deve ser sumariamente destruído. Não há perdão. Eles
têm saudade da época da ditadura militar e de todos os regimes
autoritários do mundo afora. Desejam que o Brasil caminhe na
direção de uma sociedade com uma só voz, com as pessoas
controladas e sem capacidade crítica. Odeiam a ciência, a arte e se
pudessem mandariam para fogueira os livros mais importantes da
história da humanidade. Muitos dos seus seguidores detestam a
palavra escrita, adoram a imagem e têm enorme aversão ao ato de
pensar. Os que aceitam o que apreendem nos livros selecionam autores
e idéias que defendam os mesmos pontos de vista ou possam ser usados
nesta direção. Obviamente, isto não faz parte da superfície dos
seus discursos. Pode ser depreendido, mergulhando-se nos conteúdos. 

	A velha técnica da manipulação implica inverter significados,
cortar frases e dar interpretações truncadas. O que se quer é
transformar as audiências em bonecos de ventríloquos, impedir que
pensem e que decidam em sã consciência. Isto funciona. Existem mil
e um exemplos da história humana da construção de versões para
esconder a verdade, de se manipular grande quantidade de seres
humanos e de usá-los como instrumentos do poder de uma pequena
minoria. 
 -------------
 * Luís Carlos Lopes é professor e autor do livro “Tv, poder e
substância: a espiral da intriga”, dentre outros. Publicado em
Agência Carta Maior, 06.02.2010.
 On Qua 17/02/10 21:11 , Antonio Ozaí da Silva antoniozai em gmail.com
sent:
  Caro), 
  boa noite! 
  Informo que foi publicado novo texto no BLOG da REA: 
  O partido secreto  

	É inverídica a afirmação de que o pensamento conservador não
possua muitos adeptos na universidade pública. Existe uma verdadeira
guerra de posições entre os professores, alunos e funcionários mais
integrados e os descontentes com a hegemonia da ignorância e do
reacionarismo. 

	Luís Carlos Lopes 
  leia na íntegra:
http://espacoacademico.wordpress.com/2010/02/17/o-partido-secreto/
[1]  
  Sugerimos, ainda, a leitura de: O americano tranquilo – por
Uri Avnery O AMERICANO TRANQUILO é o herói do romance de Graham
Greene sobre a primeira guerra do Vietnã, na qual os franceses foram
derrotados. 
  Disponível no blog LITERATURA POLÍTICA:
http://literaturapolitica.wordpress.com [2]  
  E, em http://antoniozai.wordpress.com [3] , você poderá assistir
ao trailer do filme "A Onda". 
  Permanecemos abertos à sua contribuição, críticas e sugestões.

  muito obrigado. 
  Abraços e tudo de bom, 
	____________________ 
 Antonio Ozaí da Silva 
 blog: HTTP://ANTONIOZAI.WORDPRESS.COM [4] 
blog da REA: http://espacoacademico.wordpress.com/ [5]  

	Twitter: http://twitter.com/antoniozai [6]
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