[Bancariosdebase] [oposicao_bancaria] A extrema fragilidade daUnião Europeia
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Junho 10 23:35:00 UTC 2010
Toda crise capitalista produz uma queda de braço entre setores da
própria burguesia, pois para manter a própria existência do
capital, é preciso sacrificar as frações mais fracas em função
da mais forte. No caso, a fração mais fraca é nada menos do que a
União Européia.
Daniel
On Qui 10/06/10 19:15 , "Fernando A. Tollendal Pacheco"
tollendal em abordo.com.br sent:
A geopolítica da desaparição do Euro
Com a crise financeira européia, está se dando um passo a mais no
avassalamento da Europa. Com o Tratado de Lisboa, a Europa entregou
sua
defesa à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN):
acabou-se o
velho sonho de uma defesa européia independente. E agora, com uma
política financeira controlada pelo FMI, a UE renunciou a um pilar
essencial de sua independência. Sem a defesa e a moeda, não lhe
resta
nada para afirmar sua independência dentro do bloco ocidental e
frente
ao resto do mundo.
Por Pierre Charasse
Na massa de informações que circula sobre a crise do euro, não é
fácil
detectar os fenômenos de fundo que se estão produzindo. Por isso,
é
importante adotar alguma distância, situar essa crise no curso dos
acontecimentos dos últimos 20 anos, depois da queda da União
Soviética,
e projetar uma perspectiva geopolítica de médio a longo prazo. A
crise
grega confirmou, como se fosse necessário, que a Europa como união
política não existe mais.
Nas últimas semanas, a União Européia (UE) revelou ao resto do
mundo sua
extrema debilidade. O euro não resistiu às ofensivas de todo tipo
que
sofreu nos últimos meses, apesar de ser a moeda de uma das regiões
mais
ricas e industrializadas do mundo.
A primeira grande crise financeira mundial da era da globalização
evidenciou que a moeda européia não podia aguentar as
turbulências do
mercado e os ataques especulativos, exatamente porque não tinha um
respaldo político sólido e coerente. Os ideólogos ultraliberais
que
inventaram a moeda européia decidiram aplicar com rigor o
princípio do
laisser-faire, proibindo aos governos de intervirem nas políticas
do
Banco Central Europeu (BCE).
Os governos da zona do euro se auto-mutilaram, quando aceitaram o
dogma
da independência do BCE, renunciando a qualquer possibilidade de
submeter as políticas financeiras a condições políticas. Depois
de
muitas discussões, apresentaram como um grande avanço a decisão
de
constituir um fundo de resgate de 440 bilhões de euros. E nenhum
governo, vendo o desastre social que os planos de ajustes impostos
pelo
BCE e pelo FMI, quis opor políticas concorrentes à doxa
ultraliberal.
O que o público europeu não vê em geral é que, com a
intervenção do FMI,
os Estados Unidos agora têm direito de intervir na economia
européia.
Todas as decisões do FMI requerem necessariamente a aprovação do
governo
estadunidense, se é que não vêm inspiradas diretamente por esse
país. Na
reforma dos direitos de voto no FMI, anunciada na última Cúpula do
G20,
os EUA conserva intacta a minoria de controle com 16% dos votos.
Pediu-se a UE que reduzisse sua parte para que a cota de países
emergentes aumentasse. O presidente Obama exerce plenamente o poder
que
lhe dá a nova arquitetura financeira internacional, chamada
governança
mundial, e exige da Grécia e de outros países europeus que baixem
os
salários de seus funcionários, que reformem o regime de
aposentadorias e
que diminuam o gasto público em geral. E os europeus obedecem.
Com a crise financeira européia, está se dando um passo a mais no
avassalamento da Europa. Com o Tratado de Lisboa, a Europa entregou
sua
defesa à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN):
acabou-se o
velho sonho de uma defesa européia independente. E agora, com uma
política financeira controlada pelo FMI, a UE renunciou a um pilar
essencial de sua independência. Sem a defesa e a moeda, não lhe
resta
nada para afirmar sua independência dentro do bloco ocidental e
frente
ao resto do mundo.
Neste contexto, parece lógico que o euro tenda a se aproximar da
paridade com o dólar. Fala-se, nos círculos financeiros, de uma
possível
dolarização da zona do euro. Tecnicamente convém aos países
industrializados da Europa, para recuperarem sua competitividade
econômica, castigada na última década por um euro forte.
Politicamente
convém aos Estados Unidos eliminar uma moeda rival do dólar frente
a
China e a outros países emergentes. Os novos membros da União
Européia
vêem com muito bons olhos a dolarização da Europa, que seria para
eles
uma garantia suplementar com que contar, um guarda-chuva
estadunidense,
como para sua defesa frente a Rússia, seu inimigo de sempre.
O diretor do FMI, Dominique Strauss Khan refere-se com frequência
à
necessidade de uma moeda mundial, consequência lógica da
globalização
econômica e financeira. Em Zurique, em 12 de maio, ele fez um
chamado a
favor da criação de um banco central mundial, com uma moeda
mundial. Na
França, o Secretário de Estado para a Europa, Pierre Lellouche,
militante atlantista incansável, anunciou triunfalmente que no
plano
monetário se chegou a um mecanismo de solidariedade automática
idêntico
ao que prevê o artigo 5 do Tratado da OTAN. Com isso, dá-se o
último
toque à construção de um espaço europeu subsidiário do
território
estadunidense para formar um bloco perfeitamente homogêneo sob a
liderança de Washington. Desde a sua eleição, o presidente Barack
Obama
pede a seus aliados que cerrem filas para enfrentar as novas
ameaças
mundiais.
Outro efeito da crise, os planos de ajuste estrutural impostos como
remédio, terão como consequência a curto prazo a tatcherização
da Europa
continental, ou seja, o fim do modelo social europeu. A Grã
Bretanha,
aliado incondicional dos Estados Unidos, não membro da zona do euro
com
a libra esterlina, será o grande vencedor dessa crise, com a
imposição
de seu modelo econômico e financeiro a toda a Europa, e com o
fortalecimento da City como praça financeira impermeável a todos
os
intentos de regulação que se sugere para prevenir novas
catástrofes
financeiras mundiais.
Com a dolarização da Europa vai se fechar um capítulo da
história
moderna aberto com a derrubada do campo socialista. Para a corrente
atlantista européia, atualmente majoritária, a desaparição da
Europa
como ator político e financeiro autônomo é o preço a pagar para
que o
Ocidente continue controlando o mundo frente aos países emergentes.
(*) Pierre Charasse, diplomata de carreira, ex-embaixador, trabalhou
no
Ministério de Relações Exteriores da França, entre 1972-2009.
Ocupou
vários cargos nas Embaixadas da República Francesa em Moscou, na
Guatemala, em Havana e no México. Foi conselheiro técnico no
gabinete de
Claude Cheysson, Ministro de Assuntos Exteriores, e de Pierre Joxe,
Ministro do Interior entre 1984 e 1986. Foi Cônsul Geral em
Nápoles e em
Barcelona, embaixador no Uruguai, no Paquistão e no Peru, e
embaixador
itinerante encarregado da cooperação internacional contra o crime
organizado e a corrupção, entre 2000 e 2003, assim como chefe da
delegação francesa na Conferência das Nações Unidas sobre o
comércio
ilícito de armas leves e de pequeno calibre (Nova York, 200-2001),
Secretário Geral da Conferência Ministerial “As Rotas da droga
da Ásia
Central a Europa” (abril de 2003) e Ministro Plenipotenciario
desde
1998. Aposentou-se em agosto agosto de 2009.
Tradução: Katarina Peixoto
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