[Bancariosdebase] Enc: [oposicao_bancaria] Ainda a Bancoop
Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva
marciocarsi em yahoo.com.br
Quinta Maio 27 18:31:11 UTC 2010
Ainda sobre a bancoop.
abraços.
Márcio
Por Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo 26.5.2010
O empresário Andi Roberto Gurczynska, que trabalhou como segurança para
a cúpula da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), declarou
ontem na Assembleia Legislativa de São Paulo que emitia notas de serviço
para a entidade e, em contrapartida, recebia em sua conta depósitos de
valor "dez vezes superior". A diferença, contou, era resgatada depois e
levada ao então presidente da Bancoop, Luís Malheiro, e a outros
diretores.
"Era voz corrente que (o dinheiro) ia para o PT", disse Andi, em
depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga
supostas fraudes e desvios na cooperativa fundada por um núcleo ligado
ao Partido dos Trabalhadores.
Segundo Andi, ele próprio escoltava Malheiro até o Sindicato dos
Bancários, na ocasião dirigido por João Vaccari Neto, hoje secretário de
Finanças e Planejamento do PT. Nessas visitas ao sindicato, Malheiro
levava envelopes, supostamente os mesmos que haviam sido retirados da
agência bancária.
Entre 2005 e início de 2010, Vaccari presidiu a Bancoop - ele sucedeu a
Malheiro que, em 2004, morreu em acidente de carro. Vaccari é o alvo
principal de investigação do Ministério Público Estadual que a ele
atribui envolvimento em desvios que podem chegar a R$ 100 milhões. Parte
desse montante, segundo a promotoria, teria sido destinado a campanhas
eleitorais do PT.
Andi relatou que "por três ou quatro vezes emitiu notas" no valor de R$
3.800 cada uma. A Bancoop depositava R$ 38 mil em sua conta bancária por
nota lançada. Ele abriu seu sigilo bancário e fiscal para provar que os
valores foram depositados a seu favor, mas sacados em seguida.
O empresário disse não ter como informar com precisão as datas em que as
transações bancárias foram efetuadas. "Minha intenção era trabalho, eu
fazia segurança, não ficava preocupado com datas. Posso dizer que foi
entre 2002 e 2004. Eu era segurança pessoal, chefe da segurança da
direção da Bancoop e fazia a escolta dele (Malheiro)", disse. "Eu era
mais ligado diretamente a ele do que a qualquer outra pessoa lá dentro."
Apartidário
Na sessão de ontem da CPI, Andi demonstrou indignação quando
parlamentares do PT o acusaram de estar a serviço do PSDB. Deputados
informaram que, a partir de dezembro de 2009, ele fechou cinco contratos
com administrações tucanas.
"Querem me desqualificar. Sou um profissional da área de segurança.
Minha empresa também tem contratos com gestões do PT. Participo de
licitações absolutamente transparentes. Quiseram me achincalhar. Sou.
apartidário, não sou filiado a nenhum partido. Sou empresário."
"A CPI havia tomado depoimentos de cooperados que denunciaram lesões,
mas agora começamos a verificar para onde foi o dinheiro", declarou o
deputado Bruno Covas (PSDB), relator da CPI. "Se pagaram e não receberam
em serviços, alguma coisa foi feita com esses recursos. Ninguém retira
dinheiro em volumes elevados para pagar conta de água ou pagar
funcionário. Ninguém precisa de segurança para levar envelope para outro
lugar, a menos que haja dinheiro nesse envelope."
Para Covas, as operações narradas por Andi caracterizam contabilidade
paralela. "Ele disse que recebia valor X e dava uma nota correspondente
a 10% desse montante porque precisavam repassar em dinheiro para
diretores. Chama a atenção que ele recebia a mais sobre a nota. Não é
caixa 1, é caixa 2.".
Sobre a acusação de que Andi teria ligações com o PSDB, Bruno Covas foi
taxativo ao comparar o episódio ao do caseiro Francenildo Costa que, em
março de 2006, denunciou o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) como
frequentador da "casa do lobby", em Brasília..
"O PT quer fazer com uma testemunha importante o que tentou fazer com o
Francenildo quando descobriram um depósito na conta dele. Mais tarde
ficou comprovado que era dinheiro do pai do caseiro. A alegação de que
Andi está a serviço do governo do PSDB é absurda."
O deputado Vicente Cândido (PT), que integra a CPI, considera a versão
de Andi um caso inusitado. "Normalmente, nesses casos de desvio de
verbas ou corrupção, a nota é maior que o recebimento efetivo. Ele
(Andi) não provou nada." Vaccari Neto não retornou contato feito pela
reportagem.
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