Vejam o que os nossos camaradas do nordeste acham da greve deste ano.
Abraços.
Márcio
Balanço da greve no RN e a oposição bancária
A greve dos bancários no RN foi uma das mais fortes dos últimos anos, assim como
ocorreu no restante do Brasil. Além da paralisação dos bancos públicos (BB, CEF
e BNB,) a força da mobilização no Estado também permitiu o fechamento dos
maiores bancos privados que atuam no País, como o HSBC, Itaú/Unibanco,
Santander/Real e o Bradesco. Este último, amparando-se em interditos
proibitórios, não era fechado há seis anos.
Diferente de alguns anos atrás, não houve enfrentamentos dos bancários dos
bancos privados com os piquetes. Ao contrário, muitos pediam o fechamento das
suas agências e alguns, inclusive, fizeram os piquetes junto conosco, ajudando a
fechar outros bancos, o que demonstra que houve um avanço na consciência desse
setor da categoria, que responde também com paralisação ao cotidiano de pressão
por metas, extrapolação da jornada de trabalho e assédio moral.
O mesmo avanço também pôde ser verificado com os bancários de bancos públicos:
estão mais conscientes da necessidade de enfrentar o governo para recuperar as
perdas salariais e a isonomia, e rechaçam cada vez mais o comando da Contraf/CUT
e a mesa única da FENABAN.
O Sindicato dos Bancários do RN fez parte ativa na mobilização da categoria
desde muito antes da greve. Realizamos mais de cem reuniões nos locais de
trabalho, além de uma série de plenárias e assembleias, com o objetivo de
preparar a base para a campanha salarial, apresentando a pauta de reivindicações
do MNOB, e fazendo o debate sobre conjuntura, governo Lula e o papel da
Contraf/CUT no movimento.
Os atos públicos na frente das maiores agências de Natal, e carta abertaà
população, também contribuíram para dialogar com a mesmae para responsabilizar o
governo e os banqueiros pelas longas filas, tarifas abusivas e pelo desmonte do
papel social dos bancos públicos.
Esse método de luta, com atos públicos e mobilização, e de democracia e
construção pela base, em cada local de trabalho, deve servir de referência para
nos opormos ao sindicalismo de cúpula, dos acordos superestruturais das
correntes e da tese de que “a base tem a porta aberta do sindicato”. Não basta
isso. O sindicato tem que ser parte do movimento da base e expressar suas
necessidades, imediatas e históricas, acima de tudo.
Fomos os que, dentro do MNOB, defenderam juntamente com outros companheiros e
correntes no Encontro realizado em dezembro último, a antecipação da campanha
salarial2010 para, no máximo, o mês de abril, com a finalidade de melhor
organizar a oposição e a base. Infelizmente, essa proposta foi derrotada pela
corrente majoritária do MNOB, o que levou à perda de iniciativa por nossa parte
e que, outra vez, tivéssemos que “correr atrás” das definições da Contraf/CUT.
Continuamos defendendo uma campanha salarial antecipada, como alternativa
possível ante o imobilismo proposital da Contraf/CUT.
Também impulsionamos, dentro do MNOB, a data do dia 22/09 para a deflagração da
greve nacional, com total apoio da nossa base que, ao contrário da Contraf/CUT,
queria a greve antes das eleições gerais, por entender, corretamente, que o
enfrentamento com o Governo, num momento de disputa eleitoral, era o mais
propício para lutarmos pelas nossas reivindicações. Essa data unificou o
conjunto das oposições nacionalmente, e, ao se antecipar à Contraf, ao contrário
de outras oportunidades perdidas, foi capaz, inclusive, de pressionar setores
governistas que tiveram que aderir à essa data, como a DS no RS.
Infelizmente, não tivemos força nacional para impor a paralisação no dia 22/09,
e a própria DS aderiu à Articulação após a assembléia gaúcha e ajudou a boicotar
a greve nessa data. De qualquer forma, a oposição fez o que pôde e, a partir da
proposta do RN, se localizou muito bem na disputa nacional e ajudou a reforçar a
experiência dos trabalhadores de que a CUT e suas correntes estão totalmente
comprometidas com o governo e contra os trabalhadores.
Além disso, contribuímos política e financeiramente para a elaboração do jornal
do MNOB, que serviu para a agitação da nossa pauta e calendário de mobilização.
Este material deixou clara a necessidade de uma campanha alternativa, no que se
refere ao índice salarial, à luta pela reposição das perdas, ao combate à mesa
única e ao que representaram os anos do governo Lula no que se refere aos
ataques aos trabalhadores, denunciando-o.
Rodamos adesivos com os eixos da nossa campanha, distribuídos para boa parte do
país, assim como o material, elaborado durante a greve, para divulgar o acordo
do BRB, a carta ao presidente Lula e um balanço do governo Lula. Se houve algo a
criticar, seria que ainda devemos fazer mais viagens, e nos engajar ainda mais
em expandir o trabalho que temos no RN para outros locais, multiplicando nossa
política de oposição aos ataques que sofremos. Mesmo assim, tivemos uma
definição e atuação corretas neste sentido. Por fim, aprovamos uma importante
moção de repúdio à condução da greve e ao seu desfecho, denunciando a traição da
Contraf/CUT.
Foram várias iniciativas e uma atuação nacional de nosso sindicato, que, além do
ótimo trabalho local, assumiu responsabilidades nacionais, coerente com nossa
avaliação de que é preciso derrubar a burocracia e os governistas em todo o
Brasil, senão de pouco vale a luta no RN, que será sempre traída pela
Contraf/CUT.Precisamos implementar um calendário de agitação, com propostas que
dêem visibilidade, através do Jornal do MNOB, já a partir de janeiro de 2011.
No mais importante, o debate com a categoria sobre o papel que cumpre a
Contraf/CUT na defesa do governo Lula, nunca esteve tão fácil ser feita esta
discussão. A experiência da base com a direção cutista se aprofundou na campanha
salarial desse ano. O índice de reivindicação rebaixado; a deflagração da greve
somente no fim do primeiro turno; o acordo do BRB fora da mesa única, e com
resultado acima do que ela pedia; a defesa final de uma proposta que não
contempla a isonomia, segrega a categoria e não avança concretamente na pauta
específica de cada banco; e, por fim, a traição do encerramento da greve ainda
no seu auge para não atingir a candidatura do governo à presidência foram fatos
que deixaram claro para a categoria a oposição entre os seus interesses e os da
direção do movimento.
Sobre este aspecto também ficou provado na realidade que os trabalhadores só
podem contar com uma oposição classista, antigovernista e por fora da
Contraf/CUT para lutar por seus interesses. Todas as medidas de aproximação e
atuação comum com setores do governismo terminaram fracassando. A ida aos fóruns
da Contraf/CUT específicos por banco, a disposição de abrir mão de nosso índice
de 24% para unificar com os setores cutistas que defendiam 17%, e todas as
outras propostas em direção ao governismo “de esquerda” acabaram frustradas.
Nosso sindicato acertou ao defender uma tese, internamente ao encontro do MNOB,
e para nosso Encontro Estadual, em que sempre defendemos a necessidade de se
avançar em chapas, movimento e fóruns paralelos aos da Contraf/CUT, contra o
governo e os governistas. As rebeliões de base que se repetiram este ano,
atropelando sindicatos oportunistas em vários locais, e a indignação da base
diante da proposta mostram que há um grande espaço para uma oposição firme e sem
concessões aos representantes dos banqueiros e do governo no meio sindical. A
aprovação de um plebiscito na CEF do RS para aprovar a desfiliação da
Contraf/CUT e o não-pagamento do desconto assistencial são sintomas bem
explosivos da existência deste espaço.
O Sindicato dos Bancários do RN acertou ao identificar este espaço e na firmeza
com que atuou para levar adiante esse projeto, cada vez mais em oposição à
Contraf/CUT e a seus fóruns, com uma política alternativa, de luta e
democrática.Acertou também quando defendeu terminar a greve, sob veemente
protesto ao acordo proposto. A assembléia do dia 13/10 foi conduzida até após 21
horas e o fizemos com absoluta clareza de que pouquíssimas bases ainda
permaneciam em greve, e por apenas mais algumas horas, devidamente jogadas à
própria sorte pelas direções e fadadas a assistir a um final melancólico. Não
custa lembrá-los de que somos direção aqui no RN e como tal é nossa
responsabilidade fazer os encaminhamentos de acordo com o trabalho de base
desenvolvido ao longo da campanha. Se por um lado havia forte disposição de
continuar a greve, por outro lado era evidente que não havia condições de levar
adiante uma greve previamente desmontada.
Encerrada a greve, temos que aproveitar esse espaço à esquerda da Contraf/CUT
para nos reforçarmos enquanto oposição, organizando a categoria para resistir
aos ataques do governo e dos banqueiros, seguindo, dessa forma, com a construção
de uma alternativa de direção para o movimento, que derrote a CUT no movimento
sindical bancário. Agora é somarmos forças para desfiliar o sindicato do
Maranhão da CUT ainda esse ano.
Para levar adiante essa imensa tarefa, não nos ajuda em nada a participação nos
fóruns da Contraf, que são cada vez mais burocratizados, aparelhados, sem
participação da base e que não encaminham suas próprias deliberações. Não
podemos também deixar de lado a defesa do fim da mesa única da FENABAN em nossos
materiais nem em nossas chapas sindicais para compor com outros setores, como
tem acontecido. O Sindicato dos Bancários do RN deve reforçar o que se provou
correto neste período: colocar seus esforços a serviço de um movimento de
oposição nacional forte e com um programa claro de luta em defesa dos
trabalhadores e de oposição ao governo Dilma, a partir de agora e da
Contraf/CUT, como seus representantes e traidores entre os bancários.
Marta
Coord. Geral SEEB/RN
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