[Bancariosdebase] RN - BALANÇO CAMPANHA SALARIAL

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Domingo Novembro 7 23:38:53 UTC 2010


Vejam o que os nossos camaradas do nordeste acham da greve deste ano.

Abraços.

Márcio



  
Balanço da greve no RN e a oposição bancária
 
A greve dos bancários no RN foi uma das mais fortes dos últimos anos, assim como 
ocorreu no restante do Brasil. Além da paralisação dos bancos públicos (BB, CEF 
e BNB,) a força da mobilização no Estado também permitiu o fechamento dos 
maiores bancos privados que atuam no País, como o HSBC, Itaú/Unibanco, 
Santander/Real e o Bradesco. Este último, amparando-se em interditos 
proibitórios, não era fechado há seis anos.
 
Diferente de alguns anos atrás, não houve enfrentamentos dos bancários dos 
bancos privados com os piquetes. Ao contrário, muitos pediam o fechamento das 
suas agências e alguns, inclusive, fizeram os piquetes junto conosco, ajudando a 
fechar outros bancos, o que demonstra que houve um avanço na consciência desse 
setor da categoria, que responde também com paralisação ao cotidiano de pressão 
por metas, extrapolação da jornada de trabalho e assédio moral. 

 
O mesmo avanço também pôde ser verificado com os bancários de bancos públicos: 
estão mais conscientes da necessidade de enfrentar o governo para recuperar as 
perdas salariais e a isonomia, e rechaçam cada vez mais o comando da Contraf/CUT 
e a mesa única da FENABAN.
 
O Sindicato dos Bancários do RN fez parte ativa na mobilização da categoria 
desde muito antes da greve. Realizamos mais de cem reuniões nos locais de 
trabalho, além de uma série de plenárias e assembleias, com o objetivo de 
preparar a base para a campanha salarial, apresentando a pauta de reivindicações 
do MNOB, e fazendo o debate sobre conjuntura, governo Lula e o papel da 
Contraf/CUT no movimento. 


Os atos públicos na frente das maiores agências de Natal, e carta abertaà 
população, também contribuíram para dialogar com a mesmae para responsabilizar o 
governo e os banqueiros pelas longas filas, tarifas abusivas e pelo desmonte do 
papel social dos bancos públicos. 

 
Esse método de luta, com atos públicos e mobilização, e de democracia e 
construção pela base, em cada local de trabalho, deve servir de referência para 
nos opormos ao sindicalismo de cúpula, dos acordos superestruturais das 
correntes e da tese de que “a base tem a porta aberta do sindicato”. Não basta 
isso. O sindicato tem que ser parte do movimento da base e expressar suas 
necessidades, imediatas e históricas, acima de tudo.
 
Fomos os que, dentro do MNOB, defenderam juntamente com outros companheiros e 
correntes no Encontro realizado em dezembro último, a antecipação da campanha 
salarial2010 para, no máximo, o mês de abril, com a finalidade de melhor 
organizar a oposição e a base. Infelizmente, essa proposta foi derrotada pela 
corrente majoritária do MNOB, o que levou à perda de iniciativa por nossa parte 
e que, outra vez, tivéssemos que “correr atrás” das definições da Contraf/CUT. 
Continuamos defendendo uma campanha salarial antecipada, como alternativa 
possível ante o imobilismo proposital da Contraf/CUT. 

 
Também impulsionamos, dentro do MNOB, a data do dia 22/09 para a deflagração da 
greve nacional, com total apoio da nossa base que, ao contrário da Contraf/CUT, 
queria a greve antes das eleições gerais, por entender, corretamente, que o 
enfrentamento com o Governo, num momento de disputa eleitoral, era o mais 
propício para lutarmos pelas nossas reivindicações. Essa data unificou o 
conjunto das oposições nacionalmente, e, ao se antecipar à Contraf, ao contrário 
de outras oportunidades perdidas, foi capaz, inclusive, de pressionar setores 
governistas que tiveram que aderir à essa data, como a DS no RS. 

 
Infelizmente, não tivemos força nacional para impor a paralisação no dia 22/09, 
e a própria DS aderiu à Articulação após a assembléia gaúcha e ajudou a boicotar 
a greve nessa data. De qualquer forma, a oposição fez o que pôde e, a partir da 
proposta do RN, se localizou muito bem na disputa nacional e ajudou a reforçar a 
experiência dos trabalhadores de que a CUT e suas correntes estão totalmente 
comprometidas com o governo e contra os trabalhadores.
 
 Além disso, contribuímos política e financeiramente para a elaboração do jornal 
do MNOB, que serviu para a agitação da nossa pauta e calendário de mobilização. 
Este material deixou clara a necessidade de uma campanha alternativa, no que se 
refere ao índice salarial, à luta pela reposição das perdas, ao combate à mesa 
única e ao que representaram os anos do governo Lula no que se refere aos 
ataques aos trabalhadores, denunciando-o. 

 
Rodamos adesivos com os eixos da nossa campanha, distribuídos para boa parte do 
país, assim como o material, elaborado durante a greve, para divulgar o acordo 
do BRB, a carta ao presidente Lula e um balanço do governo Lula. Se houve algo a 
criticar, seria que ainda devemos fazer mais viagens, e nos engajar ainda mais 
em expandir o trabalho que temos no RN para outros locais, multiplicando nossa 
política de oposição aos ataques que sofremos. Mesmo assim, tivemos uma 
definição e atuação corretas neste sentido. Por fim, aprovamos uma importante 
moção de repúdio à condução da greve e ao seu desfecho, denunciando a traição da 
Contraf/CUT.
 
Foram várias iniciativas e uma atuação nacional de nosso sindicato, que, além do 
ótimo trabalho local, assumiu responsabilidades nacionais, coerente com nossa 
avaliação de que é preciso derrubar a burocracia e os governistas em todo o 
Brasil, senão de pouco vale a luta no RN, que será sempre traída pela 
Contraf/CUT.Precisamos implementar um calendário de agitação, com propostas que 
dêem visibilidade, através do Jornal do MNOB, já a partir de janeiro de 2011.
 
No mais importante, o debate com a categoria sobre o papel que cumpre a 
Contraf/CUT na defesa do governo Lula, nunca esteve tão fácil ser feita esta 
discussão. A experiência da base com a direção cutista se aprofundou na campanha 
salarial desse ano. O índice de reivindicação rebaixado; a deflagração da greve 
somente no fim do primeiro turno; o acordo do BRB fora da mesa única, e com 
resultado acima do que ela pedia; a defesa final de uma proposta que não 
contempla a isonomia, segrega a categoria e não avança concretamente na pauta 
específica de cada banco; e, por fim, a traição do encerramento da greve ainda 
no seu auge para não atingir a candidatura do governo à presidência foram fatos 
que deixaram claro para a categoria a oposição entre os seus interesses e os da 
direção do movimento. 

 
Sobre este aspecto também ficou provado na realidade que os trabalhadores só 
podem contar com uma oposição classista, antigovernista e por fora da 
Contraf/CUT para lutar por seus interesses. Todas as medidas de aproximação e 
atuação comum com setores do governismo terminaram fracassando. A ida aos fóruns 
da Contraf/CUT específicos por banco, a disposição de abrir mão de nosso índice 
de 24% para unificar com os setores cutistas que defendiam 17%, e todas as 
outras propostas em direção ao governismo “de esquerda” acabaram frustradas. 

 
Nosso sindicato acertou ao defender uma tese, internamente ao encontro do MNOB, 
e para nosso Encontro Estadual, em que sempre defendemos a necessidade de se 
avançar em chapas, movimento e fóruns paralelos aos da Contraf/CUT, contra o 
governo e os governistas. As rebeliões de base que se repetiram este ano, 
atropelando sindicatos oportunistas em vários locais, e a indignação da base 
diante da proposta mostram que há um grande espaço para uma oposição firme e sem 
concessões aos representantes dos banqueiros e do governo no meio sindical. A 
aprovação de um plebiscito na CEF do RS para aprovar a desfiliação da 
Contraf/CUT e o não-pagamento do desconto assistencial são sintomas bem 
explosivos da existência deste espaço.
 
O Sindicato dos Bancários do RN acertou ao identificar este espaço e na firmeza 
com que atuou para levar adiante esse projeto, cada vez mais em oposição à 
Contraf/CUT e a seus fóruns, com uma política alternativa, de luta e 
democrática.Acertou também quando defendeu terminar a greve, sob veemente 
protesto ao acordo proposto. A assembléia do dia 13/10 foi conduzida até após 21 
horas e o fizemos com absoluta clareza de que pouquíssimas bases ainda 
permaneciam em greve, e por apenas mais algumas horas, devidamente jogadas à 
própria sorte pelas direções e fadadas a assistir a um final melancólico. Não 
custa lembrá-los de que somos direção aqui no RN e como tal é nossa 
responsabilidade fazer os encaminhamentos de acordo com o trabalho de base 
desenvolvido ao longo da campanha. Se por um lado havia forte disposição de 
continuar a greve, por outro lado era evidente que não havia condições de levar 
adiante uma greve previamente desmontada.
 
Encerrada a greve, temos que aproveitar esse espaço à esquerda da Contraf/CUT 
para nos reforçarmos enquanto oposição, organizando a categoria para resistir 
aos ataques do governo e dos banqueiros, seguindo, dessa forma, com a construção 
de uma alternativa de direção para o movimento, que derrote a CUT no movimento 
sindical bancário. Agora é somarmos forças para desfiliar o sindicato do 
Maranhão da CUT ainda esse ano. 

 
Para levar adiante essa imensa tarefa, não nos ajuda em nada a participação nos 
fóruns da Contraf, que são cada vez mais burocratizados, aparelhados, sem 
participação da base e que não encaminham suas próprias deliberações. Não 
podemos também deixar de lado a defesa do fim da mesa única da FENABAN em nossos 
materiais nem em nossas chapas sindicais para compor com outros setores, como 
tem acontecido. O Sindicato dos Bancários do RN deve reforçar o que se provou 
correto neste período: colocar seus esforços a serviço de um movimento de 
oposição nacional forte e com um programa claro de luta em defesa dos 
trabalhadores e de oposição ao governo Dilma, a partir de agora e da 
Contraf/CUT, como seus representantes e traidores entre os bancários.
Marta
Coord. Geral SEEB/RN
 
 
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