[Bancariosdebase] Greve dos Bancários!

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Sexta Outubro 8 23:00:30 UTC 2010


  Olá amig em s
 Segue comunicado sobre a greve dos bancários.
 Favor dar ampla divulgação a todas as listas e contatos.
 Saudações
 Daniel
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	BANCÁRIOS EM GREVE! 
	No primeiro semestre de 2010, o lucro dos maiores bancos do país
subiu em média 54,4% em relação a 2009. Entra governo, sai
governo, com crise ou sem crise, os lucros dos bancos aumentam 30,
40, 50% todos os anos. Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, alcançam
lucros de 8, 9, 10 bilhões de reais a cada ano, e sempre aumentando.
Os bancos brasileiros estão entre as empresas mais lucrativas do
mundo. Um verdadeiro “negócio da China”. 

	Esses lucros gigantescos são conseguidos por meio da especulação
com títulos da dívida pública, por meio da extorsão dos clientes,
dos juros elevados em cheque especial e cartões de crédito, das
tarifas abusivas cobradas pelos serviços, e da venda de
“produtos” bancários (capitalização, previdência, seguros,
consórcios, etc.), muitas vezes “empurrados” sobre os clientes
na forma de venda casada, como condição para conceder empréstimos,
que também aumentam ano a ano. 

	Outra fonte do lucro dos bancos é a exploração dos trabalhadores
bancários. Enquanto os lucros dos bancos explodem, nossos salários
são reajustados por índices ínfimos, de 4, 5, 6% ao ano, segundo a
inflação oficial. Em todas as agências e departamentos existe
sobrecarga de serviço, com dois ou três bancários fazendo o
serviço que deveria ser de quatro ou cinco. As filas para o
atendimento são enormes, as reclamações e até agressões do
público são constantes, mas os gestores só estão preocupados com
o atingimento das metas de vendas, pois disso dependem os bônus
milionários que eles e as diretorias dos bancos recebem. O assédio
moral, as agressões verbais e ameaças de perda de cargos e até de
demissão se transformaram em ferramentas cotidianas de gestão. O
adoecimento físico e psicológico atinge grande parte da categoria
bancária. 

	Diante desse quadro, muitos trabalhadores optam por saídas
individuais, entram no vale-tudo para subir de cargo pisando nos
colegas, ou se retraem indefesos diante do assédio moral, ou apostam
numa faculdade para sair da categoria e buscar outras profissões, ou
em casos mais extremos, tem havido até suicídios de bancários.
Essas saídas, porém, não resolvem nossos problemas! Só através
da luta coletiva, da resistência nos locais de trabalho, da
organização e da mobilização podemos obter melhorias. 

	Por todos esses motivos, os trabalhadores bancários estão entrando
em greve! Estamos em greve nacional desde 28/09! Só a luta muda a
vida! 

	Mas nossa luta não é apenas contra os banqueiros. Lutamos também
contra o governo federal, que é patrão dos bancos públicos. Banco
do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da
Amazônia são geridos hoje tal e qual empresas privadas, unicamente
preocupadas com o lucro a qualquer custo, praticando as mesmas formas
de tratamento dos clientes e dos trabalhadores bancários que vimos
acima, sem qualquer diferença. 

	E lutamos também contra a direção dos nossos próprios
sindicatos! Os dirigentes sindicais da CUT, que comandam as entidades
que “representam” os bancários, estiveram o ano inteiro mais
preocupados com a eleição dos candidatos do PT do que com a
organização da nossa campanha salarial. Os bancários têm um
contrato nacional de trabalho (convenção coletiva) que vence em 1º
de setembro, mas a greve só foi deflagrada em 28/09.  

	Tudo para que a CUT pudesse fazer campanha eleitoral, com recursos
materiais e humanos que deveriam estar a serviços dos trabalhadores.
E para eleger candidatos que, ao chegar ao governo, como vimos acima,
tratam os trabalhadores e os bancos públicos como qualquer patrão
de empresa privada. 

	Como se não bastasse a usurpação de nossa campanha salarial por
interesses eleitorais, no curso da própria campanha os bancários
têm poucas oportunidades de se manifestar. Não houve e continua
não havendo espaços democráticos para que os bancários possam
apresentar suas idéias e decidir como deve ser conduzida a campanha.
Os dirigentes sindicais da CUT controlam os sindicatos com mão de
ferro, como se fossem os seus donos. A maior base de bancários do
país, cerca de ¼ da categoria, com cerca de 120 mil trabalhadores
(dos quais 80% trabalham em bancos privados), está em São Paulo,
cujo sindicato dá a linha política para todos os demais no país
(com algumas exceções, pois há sindicatos combativos não
centralizados pela CUT em outras bases, como Rio Grande do Norte,
Maranhão e Bauru). 

	Em São Paulo, onde deveria haver um forte enfrentamento aos
banqueiros, não há por parte do sindicato um trabalho de
organização que permita, especialmente aos trabalhadores de bancos
privados, fazer uma greve com grande adesão. E nos bancos públicos,
que aderem muito mais à greve, não houve ao longo do ano, em número
suficiente, reuniões nos locais de trabalho, reuniões por região ou
por banco, plenárias e assembléias no período de preparação da
campanha. O sindicato não realiza essas atividades como seria seu
papel, tudo para impedir que os trabalhadores de bancos públicos se
organizem e se enfrentem mais diretamente com o governo Lula. O
resultado é que os trabalhadores aderem à greve, às vezes até em
bom número, mas não comparecem às atividades de greve, não vão
aos piquetes, comandos e assembléias, pois não se sentem
representados. 

	E durante a própria greve continua não havendo democracia. Nas
assembléias, a diretoria do sindicato fala durante horas e os
bancários comparecem apenas para levantar o crachá aprovando a
greve, como se fossem apenas figurantes. Não são abertas
inscrições para que os bancários possam falar. Quando há falas,
são distribuídas aos dirigentes das correntes sindicais e partidos
políticos. Quando os bancários da base falam, as propostas não
são colocadas em votação. E a experiência dos últimos anos nos
mostra que, quando as propostas vindas da oposição ganham uma
votação, os dirigentes sindicais não encaminham o que foi votado. 

	Nós do coletivo Bancários de Base, que não é controlado por
nenhum partido político, que é composto por trabalhadores
militantes de diversas linhas de pensamento, que reúne trabalhadores
bancários que estão no dia a dia das agências e departamentos, que
suportam cotidianamente a pressão dos clientes e dos gestores,
estamos na luta para que os bancários sejam os verdadeiros
protagonistas das campanhas salariais.  

	Lutamos para que os bancários possam falar nas assembléias, para
que suas propostas sejam colocadas em votação, para que o que foi
votado seja encaminhado, para que os trabalhadores possam ter o
controle sobre a sua campanha. 

	Lutamos para que as assembléias sejam unificadas, para que os
trabalhadores de todos os bancos em conjunto possam decidir sobre o
índice de reajuste e os pontos comuns da convenção coletiva, e
para que as questões específicas sejam decididas em assembléias
específicas de cada banco. 

	Lutamos para que as assembléias sejam no horário dos grevistas,
às 4 da tarde, enquanto durar a greve, já que nos últimos anos,
quando quer acabar com a greve, a CUT convoca assembléias para as 7
da noite, em acordo com os bancos, de modo que gerentes e fura-greves
possam comparecer em massa para votar contra a greve. 

	Lutamos para que a base de São Paulo possa eleger representantes
para a mesa de negociação, para que não fique tudo entre quatro
paredes entre os dirigentes da CUT, o governo Lula e os banqueiros. 

	Lutamos para que os bancários da base possam falar nas
assembléias, para que possam fazer propostas de como conduzir a
greve, para que as propostas sejam colocadas em votação. Não
podemos votar apenas “greve” ou “não greve”, mas qual a
greve que precisamos! 

	Lutamos para que haja comandos de greve fixos nas regiões, para que
os próprios grevistas possam decidir onde fazer os piquetes e como
fortalecer a paralisação. 

	Lutamos por: 

	- Isonomia entre funcionários antigos e novos nos bancos públicos!


	- Estabilidade no emprego para os trabalhadores de bancos privados! 

	- Fim das metas e do assédio moral! 

	- Por um plano de reposição de perdas! 

	- Piso do DIEESE para toda a categoria! 

	- Plano de carreira e plano de cargos e salários! 

	- Fim das terceirizações e dos correspondentes bancários! 

	- Mais contratações e mais trabalhadores nos bancos! 
	Como trabalhadores do sistema financeiro, lutamos sim para que os
bancos tenham outra função na sociedade, diferente do papel
predatório que têm hoje. E para isso, é fundamental que os
trabalhadores bancários recuperem seus salários, suas condições
de trabalho, sua saúde, sua auto-estima, sua condição de
protagonistas, e sejam donos do próprio destino! 

	Todo apoio à greve dos bancários! 
	Coletivo Bancários de Base 

	São Paulo, outubro de 2010 
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