[Bancariosdebase] proxima reunião

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Abril 28 21:44:07 UTC 2011


    

	Olá comp em s do Bancários de Base 
	Temos algumas questões muito sérias para resolver na próxima
reunião. 
	Como da última vez, adianto algumas coisas por escrito, para
facilitar os encaminhamentos. 
	Sei que a reunião precisará fazer um balanço da eleição da
APCEF, ponto esse que demandará bastante discussão. Longe de mim
querer subestimar a importância desse processo e de tudo que
aconteceu. 
	Entretanto, por uma questão de objetividade não escreverei sobre
ele, por não ter podido ajudar na campanha nem estar presente na
apuração. Escrevo apenas sobre os outros pontos. 
	A primeira questão diz respeito à necessidade de separar a
definição sobre participação ou não nas eleições da definição
sobre a continuidade de outras atividades muito importantes para o
coletivo, como a antecipação da campanha salarial, o Encontro de
Recife e os congressos de banco. 
	No nosso entendimento, a participação de dois integrantes do
coletivo (eu e o Márcio) na chapa de oposição não pode ser a causa
da paralisação das atividades do coletivo. O coletivo Bancários de
Base deve continuar funcionando e tocando suas atividades normalmente.
O processo eleitoral do sindicato vai acarretar uma sobrecarga de
atividade, mas somente para os dois (eu e o Marcio) que se dispuseram
a estar na chapa. Vamos participar de todas as atividades do coletivo
Bancários de Base, como sempre participamos. Participaremos de todas
as reuniões, atividades, panfletagens, etc., que forem decididas,
independentemente de estarmos também nas atividades da eleição do
sindicato. O coletivo Bancários de Base não será prejudicado por
conta dessa opção, mas para isso, é preciso que os demais comp em s
tenham a compreensão política da importância de seguir tocando as
demais atividades. 
	Um dos pontos centrais da nossa politica é a antecipação da
campanha salarial. Para isso, temos a opção de trabalhar com
material próprio, o nosso jornal, para o qual já foram escritos
três artigos. Nesse caso teremos que fechar o restante do jornal, os
demais textos, os prazos, a redação final, a tiragem que temos
condições de editar, o operativo de distribuição, etc. Teremos
também a oportunidade de trabalhar com o jornal da Frente Nacional de
Oposição, que também contempla a antecipação da campanha
salarial. Os companheiros do nordeste se comprometeram a nos enviar
cerca de 20 mil exemplares, o que exigira de nós o compromisso de
distribuí-los. 
	Em relação às atividades da Frente, temos também o Encontro de
junho, em Recife, em que será definida uma pauta completa de
reivindicações e um calendário de campanha. Temos que pensar numa
proposta de intervenção em Recife. Ou seja, quais as propostas que
defenderemos em relação à pauta e calendário (e também outras com
relação à organização e política geral da Frente), e elaborar um
documento com essas propostas. Temos também que manter contato com os
outros coletivos que estão construindo o Encontro, para ir afinando o
debate. Já foi colocada a proposta de um chat para irmos adiantando
as discussões. 
	Temos ainda os congressos de banco, que exigirão de nós a
preparação de teses e a realização de um esforço político para
garantir a nossa participação, o que envolve a convocação da base
para as assembléias que elegem os delegados, etc. 
	Por tudo isso, fazemos esse apelo à compreensão política dos
companheiros para que sigamos normalmente com as atividades do
coletivo Bancários de Base. Se é verdade que o Bancários de Base
não impõe centralismo (e achamos que assim deve ser) e se é verdade
que a participação em eleições é uma questão de tática (como é
para nos) e não de princípios, as atividades do coletivo Bancários
de Base devem seguir normalmente, independentemente de eu e o Márcio
estarmos na chapa de oposição. 
	Evidentemente, a questão das eleições ainda precisará ser
discutida em reunião, e há uma questão de encaminhamento muito
importante a ser tratada sobre esse ponto. Por isso, propomos a
seguinte pauta para a próxima reunião: 
	- Eleiçoes Apcef – balanço; 
	- Campanha antecipada / Jornal / panfleto Frente; 
	- Encontro Recife / chat com os outros coletivos; 
	- Congressos de banco; 
	- Eleições do sindicato.  
	Neste último ponto de eleições precisamos discutir qual o
encaminhamento a ser dado em relação à participação minha e do
Márcio na chapa de oposição. Precisamos que o coletivo tome
posição sobre a política que vamos apresentar na constituição da
chapa de oposição e na campanha. Precisamos que os companheiros
definam se essa politica é compatível com o projeto do Bancários de
Base. 
	A política que queremos discutir envolve os seguintes passos: 
	1 - discutir com os nossos contatos um projeto político para o
sindicato, que seria a base de um programa de chapa. 
	2 - anunciar publicamente no movimento que estamos dispostos a
discutir a composição de uma chapa de oposição, propondo e
implantando um processo de debates que leve a uma convenção aberta
para votar o programa e a composição da chapa. 
	3 - convocar nossos contatos para a convenção e defender o
programa contra o do MNOB. 
	4 - organizar os contatos durante a campanha para que sigam
defendendo essa política conosco depois de passadas as eleições. 
	Para colocar em prática esses pontos precisaremos de panfletos e
outros materiais escritos. O texto base para esses materiais é o que
se segue abaixo: 
	-------------------------------------------------------------- 
	Este ano teremos eleição para a diretoria do Sindicato dos
Bancários de São Paulo, Osasco e Região, para o mandato 2011-2014.
A comissão eleitoral deve divulgar em breve as datas para inscrição
de chapa, período de campanha e votação. 
	A eleição é uma oportunidade importante para os trabalhadores
bancários discutirem os rumos e o funcionamento da entidade que os
representa. 
	O sindicato é dirigido há 30 anos pela corrente sindical
Articulação (braço sindical do PT) e outros aliados (Intersindical,
CTB, Trabalho). No início de sua gestão, na década de 1980, assim
como todo o PT e a CUT em sua origem, a Articulação conduziu uma
série de importantes lutas da categoria, com grandes greves e fortes
mobilizações. Essas lutas tornaram os bancários de São Paulo e seu
sindicato uma importante referência em termos de organização dos
trabalhadores em nível nacional, juntamente com metalúrgicos,
petroleiros e professores. 
	Entretanto, já naquela época, a Articulação mostrava importantes
traços de burocratização, ou seja, autoritarismo na condução do
sindicato e personalismo de suas lideranças. 
	Esses elementos se aprofundaram na virada dos anos 1990, quando o PT
e a CUT abandonaram a combatividade e se tornaram parceiros da
patronal, no que foi chamado de "sindicalismo cidadão". Ao invés de
organizar os trabalhadores para a luta, a CUT passou a priorizar as
negociações, acordos de cúpula, câmaras setoriais, etc., enquanto
o PT se preparava para assumir a gestão do Estado. 
	Não há como separar esse processo de abandono das lutas pelo PT do
fenômeno histórico da queda do muro de Berlim e da URSS. Esses fatos
abriram caminho para o discurso de que não há alternativa ao
capitalismo e tudo o que os trabalhadores podem conseguir são
pequenas melhorias dentro desse mesmo sistema. Sem entrar no mérito
da discussão de que tipo de sociedade o PT perseguia (e de quais os
erros que determinaram a derrota do projeto da URSS e como retomar o
projeto socialista sem cometer esses erros, debate fundamental, mas
que não pode ser adequadamente desenvolvido neste espaço limitado),
o fato é que o PT, a CUT e os sindicatos sob seu controle, inclusive
o dos bancários, assumiram para si o discurso de que não há
alternativa ao capitalismo e se tornaram colaboradores da
administração desse sistema. O resultado disso foi um grande
retrocesso nas lutas e na organização dos trabalhadores. 
	Na categoria bancária isso pode ser medido de várias formas. A
principal evidência desse retrocesso é a situação de divisão e
fragilidade da categoria. Há uma evidente divisão entre
trabalhadores de bancos privados e públicos. Praticamente desapareceu
a resistência e a organização nos locais de trabalho em bancos
privados, e a causa disso é a facilidade com que os banqueiros
impõem os seus desmandos por meio da ameaça permanente de demissão.

	A luta pela estabilidade no emprego e contra as demissões
imotivadas foi completamente abandonada. Essa reivindicação deveria
ser a primeira de todas num setor da economia que produz lucros
bilionários e crescentes anualmente. Para alcançar essa
reivindicação, deveria haver um trabalho clandestino de
organização interna e uma forte pressão do sindicato contra os
bancos.  
	Nada disso é feito. Nos bancos privados vive-se a ameaça
permanente de demissão, o assédio moral, a arbitrariedade e os
abusos dos gestores. Não há nenhum tipo de resistência organizada,
não há delegados sindicais e representantes com estabilidade para
desenvolver um trabalho interno de organização e enfrentamento
cotidiano. 
	Nos bancos públicos a Articulação encontrou a porta para se
converter diretamente em personificação do capital. Os ex-dirigentes
sindicais bancários, como Gushiken, Berzoini, Sérgio Rosa, entre
outros, se tornaram empresários, assumindo uma posição de classe
oposta a dos trabalhadores. Conforme o PT entrava na "festa" da
administração do capitalismo, a Articulação foi aos poucos
assumindo o controle de importantes fatias do aparato do Estado, como
ministérios, cargos de confiança, diretorias de estatais, dos fundos
de pensão (PREVI, FUNCEF, PETROS, etc.) e das empresas em que os
fundos tem participação, etc. Com isso os seus interesses de classe
se tornaram idênticos aos do empresariado. O exemplo mais acabado
desse processo se manifestou no início de 2009, quando a crise
atingiu o Brasil, e os representantes da Previ no conselho da Embraer
aceitaram a demissão de 4.300 trabalhadores, optando pelos interesses
da patronal contra os da classe trabalhadora.  
	No interior dos próprios bancos públicos, vive-se o mesmo ambiente
dos privados, com o avanço do assédio moral, cobrança de metas,
adoecimento em massa, reestruturações, descomissionamentos, arrocho
salarial, desmonte da carreira, PDVs, sucateamento da assistência a
saúde, desmantelamento da previdência, piora do atendimento ao
público, expulsão dos trabalhadores de baixa renda para
correspondentes bancários, terceirizações na atividade fim, desvio
de função, etc. Não há luta contra todos esses ataques, pois essa
luta teria que se chocar contra os governos de Lula/Dilma/PT, a quem a
Articulação obedece.  
	Todas as greves durante o governo Lula foram manobradas pela
Articulação de uma forma tal que os trabalhadores dos bancos
públicos não puderam em nenhum momento lutar por suas questões
específicas, como reposição de perdas, isonomia, PCC/PCS, etc.,
jogadas para as mesas de enrolação permanente. 
	Por ser o setor que acompanha mais de perto as atividades do
sindicato, as campanhas salariais e assembléias, os trabalhadores dos
bancos públicos deixaram de acreditar no sindicato e na greve. Há um
processo de dessindicalização em massa logo após cada campanha
salarial naufragada. E há uma recusa maciça dos funcionários novos
a se sindicalizar.  
	As greves acontecem todos os anos porque os trabalhadores já não
suportam as condições de trabalho, o volume de serviço, a cobrança
constante, o assédio moral, os abusos, etc. Temos então a greve do
"saco cheio", em que um grande número de trabalhadores faz greve
porque não agüenta mais trabalhar, mas não porque acredita de fato
na greve. Não são mais greves motivadas pela esperança ou desejo de
obter conquistas e melhorias através da própria ação coletiva de
greve, mas pela pura e simples revolta contra a superexploração. Em
greves desse tipo a adesão pode ate ser numericamente razoável, mas
a participação nos piquetes e assembléias é muito fraca. 
	Temos tido greves que afetam a imagem dos bancos, impedem o acesso
da população às agências (especialmente da população de baixa
renda), são divulgadas na mídia, mas não são greves que afetem de
fato os lucros dos bancos. Não temos conseguido parar a compensação
de cheques, o auto-atendimento, a internet, de maneira que os bancos
continuam funcionando quase normalmente. Pior que isso, há gerentes e
fura-greves que ficam no interior das agências fazendo negócios sem
serem incomodados por clientes, enquanto há uma faixa na frente dos
bancos dizendo que há greve. Ou seja, na realidade, as greves são
apenas de fachada. 
	Falta participação para que tenhamos greve de verdade. Esse
fenômeno só pode ser explicado pelo descrédito em que caiu a
instituição sindical. Os trabalhadores bancários não vêem mais o
sindicato como seu espaço de organização. O sindicato virou
"propriedade" dos "sindicalistas" da Articulação. 
	Por tudo isso, julgamos que é urgente retirar o sindicato do
controle da Articulação e resgatar a entidade para a luta.
Entretanto, por tudo que expusemos, essa mudança não pode se limitar
a trocar os nomes da diretoria. Fica evidente que é necessária uma
mudança muito mais profunda no funcionamento da entidade e na
relação com os trabalhadores. Mesmo que tivéssemos uma diretoria
comprometida com a luta, essa diretoria teria que desenvolver um
esforço imenso para resgatar a confiança dos trabalhadores na
entidade, retomar a sua participação, a presença dos trabalhadores
nas atividades do sindicato, nas assembléias, plenárias e reuniões,
etc. O que faz a diferença na luta é a presença dos trabalhadores.
Quem faz um sindicato forte são os trabalhadores a ele associados.
Uma diretoria de sindicato sozinha não faz greve. Só a base
mobilizada pode garantir a vitória numa luta contra os banqueiros. 
	Inversamente, para que venha a se constituir uma chapa em
condições de dirigir a entidade, ou seja, derrotar a Articulação
numa eleição, é preciso que essa chapa esteja enraizada num amplo
movimento de oposição, com a presença de um grande número de
trabalhadores dispostos a participar. Precisamos dizer a verdade aos
bancários, ou seja, este movimento não existe nesse momento. 
	O sentido de lançar uma chapa e fazer esse debate com os bancários
não pode ser vender a ilusão de uma vitória que hoje é
impossível, mas discutir a necessidade da mudança. Precisamos levar
essa mensagem para o maior número de trabalhadores. Discutir formas
de fazer com que se organizem para a resistência e a luta
independentemente de quem estiver na diretoria do sindicato. Deixar
claras quais são as tarefas que estão colocadas para que as lutas
dos bancários voltem a ser vitoriosas. 
	Apresentamos a seguir algumas propostas nossas sobre as tarefas que
estão colocadas para que os bancários possam não apenas retomar o
sindicato, mas voltar a ser vitoriosos nas suas lutas: 
	- Impulsionar a luta pelas reivindicações históricas da categoria
como: 

	- Estabilidade para os trabalhadores dos bancos privados 

	- Eleição de delegados sindicais nos bancos privados 

	- Isonomia e reposição de perdas para os trabalhadores dos bancos
públicos 

	- Contra o sucateamento das nossas caixas de assistência 

	- Resgate dos fundos de pensão para os interesses dos bancários.
Abaixo a apropriação do superávit da PREVI pelo governo do federal.


	- Outras reivindicações específicas de cada banco 
	Em relação ao próprio funcionamento da entidade, defendemos: 
	- Proporcionalidade direta nas eleições para todos os fóruns,
como diretoria do sindicato, comando de campanha, comissões de
negociação, etc. 

	- Composição de chapas através de convenções abertas e prévias
eleitorais para escolha das candidaturas, por bancos e por região. 

	- Revogabilidade dos mandatos por meio de decisão em assembléia. 

	- Limitação do número de mandatos, com proibição de mais de
dois mandatos consecutivos e obrigatoriedade da renovação de pelo
menos metade da diretoria. 

	- Fim dos privilégios para dirigentes sindicais, que devem receber
o mesmo salário de antes da liberação, sem jetons, ajuda de custos,
etc. 

	- Escolha dos dirigentes liberados em assembléia, com controle das
tarefas e horários. 

	- Auditoria nas contas da Bancoop, Bangraf, Bancredi e outros
“empreendimentos” do sindicato. 

	- Transparência na gestão financeira e prestação de contas
regular das finanças da entidade 

	- Decisões sobre contratações e despesas extraordinárias em
assembléias. 

	- Reuniões periódicas de delegados sindicais e representantes de
base com caráter deliberativo. 

	- Eleição da mesa dirigente das assembléias, plenárias,
congressos ou qualquer fórum no momento de sua instalação, com
proporcionalidade, bem como votação da pauta. 

	- Repúdio à contratação de seguranças para impedir a livre
manifestação dos trabalhadores nas assembléias, plenárias,
congressos ou qualquer fórum do movimento. 

	- Garantia do direito à palavra para qualquer trabalhador,
independentemente da sua filiação ou não a correntes políticas e
sindicais, em assembléias, plenárias, congressos ou qualquer fórum
do movimento. 

	- Garantia de espaço nas publicações dos sindicatos e entidades
para manifestação dos trabalhadores de base, independentemente da
sua filiação ou não a correntes políticas e sindicais. 

	- Suspensão dos pagamentos à CUT e plebiscito sobre desfiliação
da central. 
	-------------------------------------------------------------- 
	Esse é o esboço de texto que procuraremos transformar em um
manifesto ou numa série de panfletos para as eleições. 
	Caso os companheiros decidam que a politica expressa acima é
incompatível com o projeto do Bancários de Base, não poderemos usar
o nome do coletivo nos panfletos, e teremos que usar outra
denominação provisória. É esse o encaminhamento que precisaremos
discutir na próxima reunião. 
	Saudações 
	Daniel 
 "A sociedade que aboliu a aventura tornou a abolição dessa
sociedade a única aventura possível” anônimo, pichado nos muros
de Paris no maio de 1968 
-------------- Próxima Parte ----------
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