[Bancariosdebase] rascunho contribuição Encontro

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Dezembro 8 09:48:54 UTC 2011


  Mais uma vez, peço desculpas pelo desmonte da reunião ontem e por
avisar apenas de última hora.
 Segue rascunho da contribuição para o Encontro.
 No próximo sábado devemos fechar a proposta e outras questões.
 Daniel
 _________________________________________ 
 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! Face up! Make your stand! And realize your living in the
golden years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! Encare! Tome uma posição! E perceba que você está
vivendo nos anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
 _________________________________________ 
	CONTRIBUIÇÃO DO COLETIVO BANCÁRIOS DE BASE – SP  

	AO ENCONTRO DA FRENTE NACIONAL DE OPOSIÇÃO BANCÁRIA  

	SÃO LUIZ / MA – DEZEMBRO 2011 
	APRESENTAÇÃO 
	A Frente Nacional de Oposição Bancária ainda está em
construção. Essa construção deve incorporar as contribuições de
diversos agrupamentos e militantes bancários espalhados pelo país
que querem lutar contra a burocracia governista e não estão
satisfeitos com as correntes de oposição hoje existentes. A Frente
deve estar aberta a receber aportes e concepções desses grupos e
buscar uma síntese que seja representativa da situação e das
possibilidades da categoria em nível nacional. 

	A contribuição que apresentamos se coloca como mais um desses
aportes iniciais, sem ter a pretensão de se colocar como a síntese
definitiva das propostas programáticas necessárias para a
construção da Frente. Apresentamos essa contribuição para o debate
como forma de somar à discussão, esperando receber as devidas
críticas, correções e acréscimos, no espírito do debate
democrático e fraterno que deve pautar as organizações dos
trabalhadores. 

	Nessa contribuição partimos de uma visão da realidade mundial que
está marcada pela continuidade da crise econômica, que obriga os
governos a atacar as condições de vida dos trabalhadores. No Brasil
esses ataques ainda são cirúrgicos e preventivos. O governo e os
banqueiros contam com os sindicalistas petistas na tarefa de desmontar
e conter a lutas em curso. Por isso se faz urgente construir uma
alternativa de luta, que deve ser a tarefa da Frente Nacional de
Oposição Bancária. Finalizamos esta contribuição com apontamentos
sobre o funcionamento e as tarefas da Frente para o próximo período.

	CONTINUIDADE DA CRISE MUNDIAL 
	A realidade mundial é marcada pela continuidade da crise econômica
iniciada em 2008. Uma crise que se manifestou como uma crise
financeira, mas que tem raízes muito mais profundas, pois se trata de
mais uma fase da crise estrutural do capital, uma verdadeira crise
societal. Os trilhões de dólares empregados pelos governos do mundo
inteiro para salvar os bancos e o mercado financeiro estão sendo
cobrados dos trabalhadores na forma de “medidas de austeridade”
para “equilibrar o orçamento”. Entretanto, o rombo no orçamento
dos Estados capitalistas é impagável e o volume das dívidas é uma
amaça constante para a confiabilidade das moedas como o euro e até
mesmo o dólar. 

	A classe trabalhadora dos países imperialistas está sendo
confrontada com ataques que buscam reverter conquistas sociais que
são resultado de séculos de lutas. O desemprego, o rebaixamento dos
salários, a retirada de direitos e benefícios, o sucateamento dos
serviços públicos, estão lançando milhões de trabalhadores na
pobreza nos Estados Unidos e Europa. A reação dos trabalhadores
ainda é muito insuficiente, pois a classe ainda carece de uma
alternativa societária ao capital, devido à crise da alternativa
socialista. As lutas ainda defensivas são conduzidas por partidos e
sindicatos burocratizados e organicamente integrados ao Estado e à
gestão das empresas, de modo que as lutas, apesar de massivas, com
greves gerais e grandes mobilizações, não constroem uma resposta à
altura. Mesmo com a massiva rejeição popular, os ataques vão sendo
aplicados. 

	Movimentos como o Ocupar Wall Street e os Indignados procuram formas
de lutar por fora do controle burocrático das organizações
“oficiais” da classe, mas também lhes falta consciência e
organização suficiente para perceber que não se trata de enfrentar
apenas a “ganância” dos banqueiros e do 1% mais rico da
sociedade, mas de que os os 99% precisam construir um outro projeto de
sociedade oposto ao capitalismo e voltado para o atendimento das
necessidades humanas. 

	Por outro lado, na periferia do sistema, temos duas situações. A
primeira é a de países extremamente pobres, como os do Oriente
Médio e norte da África, que funcionavam como fornecedores de
petróleo e “commodities” para os países imperialistas, mantidos
sob controle por meio de ditaduras ferozes e corruptas. A crise fez
com que a população desses países, que hoje é composta
majoritariamente por jovens, duramente afetada pelo desemprego e a
carestia, se colocasse em luta, num grau crescente de radicalização,
capaz de derrubar governos que se sustentavam há décadas, no
processo chamado de “Primavera Árabe”. Processo contraditório,
pois o imperialismo se relocalizou e se apresentou como “defensor da
democracia” para ajudar a descartar militarmente ditadores que até
ontem lhe eram caninamente fiéis, possibilidade também aberta pela
crise da alternativa socialista, pelo fato de que os povos entraram em
luta sem uma alternativa ao capitalismo. Com suas contradições, o
processo ainda está em aberto, pois as causas sociais da crise não
foram resolvidas, e os povos continuam em luta, numa persistência
impressionante, com o foco mudando de um país para o outro. 
	BRASIL: O PACTO ENTRE OS BANCOS E A BUROCRACIA PETISTA 
	A segunda situação é a de grandes países periféricos, como
Brasil, Rússia, Índia e China, os chamados BRICs, países de grande
extensão territorial, grande população e grandes riquezas naturais,
que se tornaram a última fronteira do crescimento capitalista nas
últimas décadas. A incorporação desses países ao mercado mundial
proporcionou às transnacionais capitalistas lucros altíssimos
graças aos elevados volumes de mais-valia absoluta, obtida da
extensão da jornada de trabalhadores paupérrimos e abundantes,
explorados com a parceria de governos dirigidos por partidos
ditatoriais, burocráticos e corruptos, conforme a realidade de cada
país.  

	O Brasil é o último recém-chegado a esse clube e tem sido
conduzido de forma bem sucedida, do ponto de vista da burguesia, pelos
governos do PT, com Lula e Dilma, que têm como característica a
capacidade de representar os interesses do conjunto do capital que
opera no país, favorecendo os bancos, o agronegócio, as montadoras,
construção civil. O PT consegue contentar todos os setores do
capital sem se apoiar em apenas um e com isso consegue legitimidade
política e eleitoral para se manter no poder e para aparelhar o
Estado, do qual o partido se tornou dependente para obter as rendas da
corrupção, cargos nas estatais, fundos de pensão, etc. 

	A gestão petista também tem se mostrado eficiente na contenção
social, tanto dos setores mais precarizados da classe trabalhadora,
por meio do assistencialismo das bolsas, como do setor mais
organizado, por meio do controle dos sindicatos e organismos de luta,
como CUT, MST, UNE, que sob controle do PT e seus satélites, se
tornaram instrumentos de desmonte das lutas. Contra os setores ainda
minoritários da classe que se colocam em luta, funciona a repressão
pura e simples. As iniciativas de luta que se descolam do controle da
direção governista são criminalizadas e duramente reprimidas.
Ocupações, greves, manifestações de trabalhadores e estudantes
enfrentam ataques da polícia, do judiciário, da mídia, dos
jagunços da burguesia, cujos crimes a mando da patronal permanecem
impunes. O endurecimento da repressão é uma tentativa do governo
Dilma/PT/PMDB de blindar preventivamente o país contra a
contestação social, antecipando-se à chegada da crise ao país. 

	Periodicamente, a oposição burguesa tenta desgastar o governo por
meio dos escândalos de corrupção, que vêem desde a era Lula e
prosseguem no governo Dilma. Entretanto, os presidentes petistas
conseguem desassociar sua imagem pessoal da corrupção e
beneficiar-se do crescimento que o país tem experimentado, mesmo no
cenário de crise mundial. Fundamental para esse crescimento e para a
popularidade dos governantes petistas tem sido a ampliação do
crédito. 

	A “cidadania do crédito” anestesia os trabalhadores no
endividamento e no consumismo, projetando uma ilusão de prosperidade
que se fixa na subjetividade como uma miragem e oculta um horizonte de
prestações sem fim, e torna suportável um cotidiano em que aumenta
a exploração, a sobrecarga de serviço, o adoecimento, o
autoritarismo das chefias, o assédio moral, etc. O trabalhador sofre
e é explorado, mas sonha com a TV de plasma para assistir à Copa do
Mundo. 

	O crédito estimula o consumo e os demais setores da economia, e tem
sido o carro chefe do lucro dos bancos. A parceria entre o governo e
os bancos se dá de várias formas. Na gestão da economia, os bancos
são parceiros estratégicos, beneficiados seja com os juros
altíssimos que alimentam a especulação com a dívida pública, seja
com a proteção ao oligopólio financeiro que se alimenta
predatoriamente da economia nacional, praticando juros extorsivos,
tarifas abusivas, venda casada de “produtos”, superexploração
dos trabalhadores, etc. No plano dos negócios, as parcerias entre os
bancos e os fundos de pensão, como Previ, Funcef, Petros, feudos
controlados com mão de ferro por sindicalistas petistas, são
fundamentais para alavancar obras do PAC, da Copa e Olimpíadas,
financiamento a grandes empresas, etc. 
	BALANÇO DA CAMPANHA SALARIAL 
	No plano da relação entre os bancos e seus trabalhadores, os
sindicalistas petistas, no papel de representantes dos bancários,
funcionam como um braço da patronal, desconstruindo as lutas e
mobilizações, desmontando as campanhas salariais, desorganizando,
asfixiando e traindo as greves, desmoralizando os bancários a cada
ano. Foi o que aconteceu também em 2011. 

	O balanço que apresentamos reflete a visão que temos da campanha
salarial a partir de nossa base em São Paulo. No principal centro
financeiro do país tivemos mais uma campanha salarial que terminou
com uma sensação de frustração. Desde o início da campanha até o
final da greve o controle férreo da Articulação/PT e seus
satélites impediu que os bancários tivessem uma real participação
e mudassem os rumos da campanha. 

	A preparação da campanha acontece em eventos superestruturais,
viciados, sem a participação da base. As Conferências são
burocratizadas, repletas de dirigentes sindicais afastados há anos
dos locais de trabalho, não se submetem a assembléias, aprovam uma
pauta rebaixada, não tiram nenhum calendário de luta e constituem um
comando de negociação sem representantes de base. A deflagração da
greve acontece sem que haja real mobilização, sem que haja
envolvimento da base, sem que haja atividades preparatórias,
reuniões, plenárias, assembléias, atos. Ao invés disso, a
diretoria faz atos tipo “kinder ovo”, ou seja, reúne de surpresa
alguns dirigentes na frente das agências para tirar foto e dizer que
está “mobilizando a categoria”. 

	A greve não é realmente organizada, não há piquetes por região e
comandos de greve diários em que os ativistas se reúnam e decidam
quais locais paralisar. A greve segue sendo de fachada, ou seja, uma
faixa do sindicato na frente das agências e os bancários trabalhando
no seu interior. Diretores do sindicato negociam com os gerentes em
quais agências e quais dias vão passar. Bancários são deslocados
dos seus locais para trabalhar em contingências em outros postos.
São disponibilizados “links” com sistema do banco para que os
pelegos possam furar greve em casa. Há agências em que os gerentes
“liberam” caixas e escriturários para a greve, fechando a
agência para os clientes de baixa renda, atendendo os de alta renda e
batendo metas.  

	Essa greve de fachada não afeta os lucros dos bancos. Trata-se de
uma greve consentida ou em certos casos organizada pela própria
patronal, ou seja, um “lock-out” contra a população. A greve
não paralisa os negócios nem as operações via internet, caixas
eletrônicos, compensação de cheques, correspondentes bancários,
etc. A greve segue tendo um número importante de trabalhadores
paralisados nos bancos públicos, pois as condições de trabalho são
cada vez piores e o adoecimento avança e qualquer pretexto serve para
não ir trabalhar e não enfrentar o dia a dia do banco. A greve acaba
sendo uma espécie de folga ou “férias coletivas”. 

	Como não há confiança nos dirigentes sindicais, os trabalhadores
dos bancos públicos aderem à greve e deixam de ir trabalhar, mas
seguem participando em número reduzido dos piquetes, assembleias e
atividades de greve, pois vêem pouco sentido em participar de uma
campanha que, por todos os elementos acima, permanece sob controle da
burocracia. Os trabalhadores que participam do movimento, além de
enfrentar os banqueiros, o governo, o judiciário, a repressão, a
mídia, ainda tem que enfrentar a própria direção do sindicato. As
assembleias são burocratizadas, não se abre direito a falas, não se
permite fazer propostas, não se coloca as propostas em votação,
não se permite defender as propostas e por último, quando as
propostas das oposições ganham uma votação, a mesa não reconhece
o resultado.  

	Na assembleia do dia 5/10, depois de muita insistência e muita luta
os bancários da base puderam apresentar propostas, que foram
defendidas pelas oposições e ganharam as votações. Foram aprovados
encaminhamentos organizativos para fortalecer a greve: assembleias
diárias unificadas no horário das 16:00 para barrar os fura-greves,
nenhum acordo que tivesse desconto ou compensação das horas, entre
outros. Entretanto, a mesa não reconheceu o resultado e encerrou a
assembleia de maneira extremamente autoritária, com direito a
provocações e tumulto da sua claque contra os grevistas, conforme
vídeo no youtube. 

	Estava surgindo nas assembleias um processo de auto-organização dos
bancários, que se reuniam em plenárias com dezenas de ativistas
depois que a mesa encerrava a assembleia. Na plenária do dia 5/10 foi
tirado um manifesto dos bancários independentes e grupos de
oposição denunciando o crime da diretoria contra a democracia
operária, entre outros encaminhamentos para garantir o cumprimento do
que havia sido votado. Para impedir que novas rebeliões acontecessem,
a diretoria somente chamou nova assembleia 12 dias depois, em 17/10,
no horário das 18hs e separando BB, CEF e privados, ou seja,
desobedecendo expressamente o que havia sido votado no dia 5. Isso
permitiu trazer os fura-greves em massa para aprovar uma proposta
rebaixada e encerrar a campanha, exatamente como nos anos anteriores. 
	CONSTRUÇÃO DA FRENTE NACIONAL DE OPOSIÇÃO 
	O comportamento da diretoria do principal sindicato do país, que dá
a linha para toda a categoria nacionalmente, não é acidente, engano,
omissão ou pura incompetência, mas o resultado deliberado de um
projeto, que consiste em perpetuar o cupulismo, a colaboração de
classe com a patronal e o governo, exatamente pelo fato de que a
direção sindical está subordinada a um partido político e não aos
trabalhadores, tudo isso alicerçado numa estrutura sindical arcaica e
estatizada. 

	Todos os elementos desse tipo de campanha de fachada tem sido
insistentemente denunciados e combatidos pelo Coletivo Bancários de
Base desde os anos anteriores, nos nossos panfletos e nas nossas
intervenções. Entretanto, os outros coletivos que se reivindicam
como oposição (Avesso-Intersindical e MNOB-Conlutas), aceitam
acordos com a diretoria para fazer uso do microfone, mas ao falar se
omitem na denúncia dos elementos que poderiam questionar o controle
da burocracia sobre a campanha. Inclusive na assembleia final esses
grupos fizeram uso da palavra, mas não denunciaram o desrespeito às
deliberações do dia 5/10, conforme manifesto que esses mesmos grupos
haviam assinado. Além do Coletivo Bancários de Base apenas os
companheiros do piquete da rua 7 de abril, no centro, batalharam por
um funcionamento democrático das assembleias que desse aos bancários
o controle da campanha. 

	Para impedir que nas campanhas futuras sejamos retirados da luta sem
que tenhamos lutado de verdade, precisamos começar desde já a
preparação da próxima campanha salarial. Não há outra forma de
termos uma campanha salarial de verdade que não seja com a
participação dos bancários e a sua organização a partir dos
locais de trabalho, o que tem que acontecer o ano inteiro, não apenas
as vésperas da data-base. 

	Apesar desse quadro em São Paulo, a campanha salarial de 2011
apresentou um diferencial, que foi a atuação da Frente Nacional de
Oposição Bancária. Construída a partir dos Encontros de Natal, em
março, e Recife, em maio, a Frente buscou construir uma campanha
salarial alternativa, com uma pauta de reivindicações que representa
as verdadeiras necessidades dos bancários, publicando dois jornais de
distribuição nacional, divulgando as atividades da greve na
internet, sustentando a luta quando por toda a parte a Articulação a
desmontava. A Frente foi a grande novidade em 2011, mas é preciso
avançar na sua construção para termos um instrumento de luta mais
aperfeiçoado para as campanhas salariais futuras.  

	A construção da Frente apresenta de saída uma grave contradição:
a sua base social está nos bancos públicos, como Banco do Brasil,
Caixa Federal, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, bancos
estaduais, onde está o grosso dos grevistas, ativistas e militantes,
mas a linha das campanhas salariais é ditada pelos sindicalistas dos
bancos privados, ou seja, a direção do sindicato de São Paulo. Em
São Paulo está o centro financeiro do país e o maior contingente da
categoria, com cerca de 120 mil bancários, dos quais os trabalhadores
dos bancos privados são uma esmagadora maioria de 80%. Os
trabalhadores dos bancos privados não tem organização interna e
acompanham as campanhas salariais como algo feito por outrém em seu
lugar. Ao mesmo tempo, constituem a base eleitoral da Articulação,
que se mantém no poder graças ao tipo mais rebaixado de
sindicalismo, assistencialista, baseado em convênios, etc. (na
eleição de 2011 a Articulação ganhou por 83% a 17% da chapa de
oposição). A Articulação, a partir do sindicato de São Paulo,
controla o comando nacional e determina os rumos da campanha de toda a
categoria. 

	Por outro lado, nos estados do norte, nordeste e em outras regiões
do país em que os trabalhadores dos bancos públicos estão numa
relação numérica mais favorável, existe uma base social que, caso
seja organizada, pode disputar os rumos do movimento e inclusive a
direção dos sindicatos 

	Essa configuração da categoria determina dois focos fundamentais de
atuação para a Frente: 

	- fortalecer a oposição em São Paulo, principal base da categoria
e principal centro financeiro do país. Para as lutas imediatas e
campanhas salariais, não há qualquer possibilidade de sucesso sem
uma oposição forte e organizada em São Paulo e outros grandes
centros, como Rio de Janeiro e Brasília. A derrota da Articulação
em algum desses centros é fundamental para que os trabalhadores
tenham o controle sobre suas lutas; 

	- construir grupos de oposição capazes de disputar eleições e
resgatar os sindicatos para a luta nas bases dos estados em que há
uma correlação numérica mais favorável aos bancos públicos, como
norte e nordeste, e outros. Evidentemente, quando falamos em disputar
eleições, não se trata de disputar o controle do aparato apenas
pelo aparato, mas construir um processo de organização e
participação da base que possibilite a formação de uma chapa
vitoriosa, baseada no avanço da combatividade e da consciência dos
trabalhadores. 
	TAREFAS IMEDIATAS 
	Apesar de estar ainda em construção, a Frente Nacional de
Oposição Bancária já nasce com uma série de tarefas de grande
porte. A partir do que apresentamos acima, entendemos que se colocam
como tarefas imediatas: 

	- Antecipar a preparação da campanha salarial 2012, organizando um
Encontro no 1º semestre do ano para preparar uma pauta alternativa e
iniciar a agitação dessa pauta na base; 

	- Desenvolver uma campanha alternativa, com atividades, reuniões e
mobilizações na base, com calendário próprio, antecipando-se à
burocracia para criar, junto com a base, o clima e as condições
organizativas da greve; 

	- Romper com os fóruns da Contraf-CUT, em especial a Conferência
Nacional dos Bancários, que se tornou um espaço viciado em que os
burocratas sindicais encenam a farsa da campanha unificada e
“oficial”, e participar apenas de atividades e assembleias que
envolvam a base, para levá-la a refletir e romper com a direção
governista; 

	- Lutar contra a estratégia da mesa única da FENABAN, defendendo a
campanha unificada com mesas separadas de negociação. A campanha
unificada se organiza em torno da defesa da convenção coletiva como
patamar mínimo ou piso de reivindicação. As mesas separadas são o
canal para o atendimento das pautas específicas dos trabalhadores do
setor privado e do setor público; 

	- Lutar pelo aprimoramento da OLT, por Conselhos de Delegados
Sindicais de caráter deliberativo e com funcionamento regular, pela
democracia no movimento, pelo fim dos comandos nacionais de tipo
“biônico”; 

	- Intervir nas eleições para os sindicatos, associações e
entidades apoiando grupos que se dispuserem a lutar pelo programa da
Frente aqui exposto. Essa disputa não deve ser feita com o objetivo
de ganhar a qualquer custo, portanto não se pode aceitar alianças
com setores da burocracia governista e seus satélites (Articulação,
DS, CTB, etc.). O objetivo deve ser sempre o de avançar na
organização dos trabalhadores, de modo que as campanhas eleitorais,
independente do resultado, sirvam para construir núcleos de ativistas
e militantes que se mantenham organizados regularmente para lutar
cotidianamente pelo programa da Frente, não apenas em período de
campanha salarial ou eleição; 

	- Construir uma lista de discussão na internet para socializar com
os ativistas das diversas bases as notícias, informes, idéias,
debates de interesse dos trabalhadores bancários; 

	- Resgatar nas campanhas salariais e nas eleições as
reivindicações históricas da categoria tais como: 

	Gerais 

	- Estabilidade para todos os bancários, sobretudo do setor privado,
contra a demissão imotivada; 

	- Eleição de delegados sindicais em todos os bancos, como forma de
se iniciar um processo de organização e mobilização dos bancários
do setor privado, com as prerrogativas da inamovibilidade,
estabilidade, etc., não só nas concentrações, como também nas
agências; 

	- Fim das terceirizações e dos correspondentes bancários;  

	- Incorporação dos terceirizados ao quadro funcional dos bancos:
quem trabalha em banco, bancário é; 

	- Contratação de mais funcionários para atender a demanda de
serviços bancários; 

	- Fim da segmentação e da discriminação na prestação de
serviços bancários; abertura das agências destinadas ao público de
alta renda para o atendimento de toda a população, sem distinção; 

	- Redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, para
5 horas diárias;  

	- Expediente bancário de 10 horas, com dois turnos de 5 horas cada,
como forma de contratar mais bancários e garantir o atendimento de
qualidade para todos, sem distinção; 

	- Fim das metas e do assédio moral; 

	Banco do Brasil 

	- Reposição de todas as perdas salariais acumuladas desde o início
do plano real até os dias atuais. Visto que essas perdas estão em
torno de 100%, patamar que não é considerado realista pelos
próprios bancários, defendemos um plano de reposição escalonado; 

	- Isonomia de direitos entre os bancários pré-98 e pós-98,
mantendo-se o que for mais vantajoso para os trabalhadores. Deve-se
também levar em consideração os direitos dos bancários das
instituições incorporadas pelo BB, como o Banco do Estado do Piauí
(BEP), Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), e Nossa Caixa Nosso
Banco, aplicando-se o que for mais vantajoso para o funcionalismo; 

	- Fim do programa de PSO; 

	- Por um Banco do Brasil que volte a ter uma gestão pública,
voltada para o atendimento das necessidades de bancarização dos
trabalhadores excluídos do sistema financeiro; 

	- Respeito à jornada de 6 horas, extensível para a gerência
média; 

	- Fim da lateralidade e volta do pagamento das substituições; 

	- Volta das concorrências, com critérios objetivos para
comissionamento; 

	- Fim da co-participação na CASSI, pela cobrança da dívida do
Banco para com a Caixa de Assistência; que o Banco se responsabilize
pela saúde dos funcionários; 

	- Implantação do plano odontológico sem prejuízo do atual PAS,
para todo funcionalismo, à cargo do banco. Que o plano odontológico
seja prestado pela própria e CASSI e não por uma empresa
terceirizada; 

	- Reajuste para os aposentados pelo mesmo índice concedido ao
pessoal da ativa, de modo a que possam a que possam se incorporar às
mobilizações e lutas dos bancários. 

	Caixa Econômica Federal 

	- Plano de Reposição de Perdas; 

	- Isonomia plena entre novos e antigos, com Licença Prêmio e ATS
(Adicional por Tempo de Serviço) para todos; 

	- Implantação de novo PCC/PFC (Plano de Funções Comissionadas) e
PSI (Processo Seletivo Interno) com critérios objetivos e
pré-definidos, conquistado na última greve;  

	- Fim da terceirização e dos correspondentes bancários; 

	- Respeito à jornada, às condições de trabalho e à saúde do
trabalhador; 

	- Fim da discriminação na FUNCEF e do ônus para os que não
abriram mão do benefício definido; 

	- Paridade na FUNCEF e fim do voto de minerva da empresa; 

	- Contra o sucateamento e encarecimento do SAÚDE CAIXA. 
	FUNCIONAMENTO DA FRENTE 
	Para além das tarefas imediatas, a Frente Nacional de Oposição
Bancária deve buscar construir um projeto que se paute por um
conjunto de princípios comuns aos agrupamentos que a compõem, a
partir de um funcionamento regular, democrático e transparente. Entre
esses princípios e métodos de funcionamento apresentamos as
seguintes propostas: 

	– Ser um espaço de organização dos trabalhadores bancários para
lutar por seus interesses imediatos (salário, condições de
trabalho, etc.), e seus interesses históricos como parte da classe
trabalhadora; 

	– Fazer oposição ao governo, que é patrão da metade da
categoria bancária e ajuda a promover os ataques para os bancários
do setor privado; 

	– Lutar contra o sindicalismo de conciliação e negociação,
organizar a luta contra a exploração dos trabalhadores bancários,
contra as demissões em massa, arrocho de salários, precarização
das condições de trabalho, retirada de direitos, etc.; 

	– Lutar contra a Articulação e seus aliados, que são
instrumentos do governo e da patronal no interior do movimento; 

	– Construir mecanismos democráticos de funcionamento e respeito à
vontade da base, como forma de reconstruir a subjetividade da
categoria bancária, retomando a condição dos trabalhadores como
autores do seu destino; 

	– Funcionar com independência em relação aos governos, patrões
e partidos. Tudo que diz respeito à Frente (linha política,
conteúdo dos materiais, finanças, etc.) deve ser discutido e
decidido nos fóruns da própria Frente, que são soberanos sobre suas
questões internas.  

	– Se sustentar por meio da contribuição dos seus integrantes e
por campanhas financeiras impulsionadas pela própria Frente junto aos
trabalhadores, não aceitando qualquer tipo de contribuição do
governo, da patronal, de ONGs, etc.; 

	– Praticar a transparência na prestação de contas e no balanço
político das atividades realizadas, como forma de evitar a
burocratização e de educar a base para exercer o controle sobre a
Frente, que é um instrumento a seu serviço. Pelo menos em uma
reunião do mês haverá o ponto de finanças. A prestação de contas
estará disponibilizada, por escrito, para qualquer integrante que a
solicitar em qualquer tempo; 

	– Desenvolver ação permanente e regular sobre a base por meio de
panfletagens, atividades de propaganda e formação, seminários,
cartilhas, etc., de modo a fazer avançar a consciência da categoria
bancária; 

	– A Frente estará aberta a todos os agrupamentos e militantes que
tiverem acordo com esses princípios gerais, preservando-se a
autonomia dos grupos locais em relação às táticas específicas da
sua realidade e da sua base de atuação, sua identidade, materiais
próprios, funcionamento interno, etc.; 

	– A Frente terá como máxima instância deliberativa os Encontros
nacionais abertos, a serem realizados indicativamente no mínimo duas
vezes por ano, um antes e um depois de cada campanha salarial; 

	– A Frente terá uma coordenação indicada pelos agrupamentos
locais que a constituem, que será a responsável executiva pela
aplicação das resoluções votadas nos seus Encontros nacionais, bem
como pelas tarefas de cuidar da comunicação e finanças; 

	– A Frente apoiará indicativamente medidas que permitam o controle
da base sobre os dirigentes, por meio da revogabilidade dos mandatos,
rodízio na composição da Coordenação e proibição das
reeleições indefinidas; 
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
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-------------- Próxima Parte ----------
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