[Bancariosdebase] Enc: [espacointerno] Enc: Espancamento na Paulista

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Quinta Dezembro 8 23:16:20 UTC 2011





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>Olá  a todos (as), 
>
>
>
>Envio um relato, abaixo e em anexo, sobre o modo como fui espancado por um policial da PM ontem a noite na avenida Paulista quando voltava para casa. Espero que contribuam, de alguma forma, para a denúncia e reflexão sobre o modo como a polícia vem agindo contra as pessoas de uma forma geral. Agradeço se puderem fazer circular. 
>
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>Um abraço, 
>
>
>Danilo Paiva Ramos 
>
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>  
> 
> 
>São Paulo, 05 de
dezembro de 2011.
> 
>“A
Paulista precisa dormir”                                               
>Danilo
Paiva Ramos
>            
>Na
noite de ontem, o que mais me aterrorizou enquanto era espancado por um PM não
identificado na Avenida Paulista não foi a violência dos golpes cada vez mais
fortes em minha mão e barriga. “Cuzão!”, “Seu merda!”, “Filho da puta!”, “Quer
ser espancado de verdade?” eram as palavras que acompanhavam as pancadas que eu
ia recebendo sem ter como me defender. Mas também não foram as ameaças ou as
ofensas que mais me aterrorizaram ontem. O que mais me assombrou foi perceber,
enquanto era espancado, o sorriso e o olhar do policial que mostravam um prazer
maior a cada bofetada. A cada pancada meu medo aumentava. E foi com espanto que
vi o prazer e ódio que cresciam nos rostos dos policiais à medida que investiam
contra qualquer pessoa que, naquele momento, estivesse com uma camiseta do
Corinthians comemorando na calçada, pacificamente, a vitória do campeonato.
Indignado, sem saber por que apanhava, perguntei o nome de meu agressor. Mais
ofensas e ameaças seguiram-se enquanto ele erguia novamente sua arma contra
mim. Afastando-me, perguntei por que me batia. Ele, então, respondeu: “As
pessoas da Paulista precisam dormir”.  
>            Essa talvez fosse a fala de um
“camisa negra”, grupo fascista que, na Itália, perseguia os operários que
faziam greve. Ou talvez a fala de um policial da ditadura que investisse contra
estudantes que lutavam pela democracia. Mas estranhei muito que o motivo da
violência com que acabaram com a “festa da vitória” que um grupo de pessoas
fazia por volta das 23hs na calçada da Paulista fosse o sono dos edifícios de
bancos e empresas. Ainda sendo coagido pelos policiais, fui conversar com o
sargento que liderava o grupo. Comuniquei a ele que havia sido espancado por um
de seus policiais e que queria saber a razão disso e o nome de meu agressor.
Ele pediu que eu apontasse o oficial. Identifiquei-o. O 3 Sgt LUIZ disse que
não conhecia o policial que continuava a espancar e a coagir as pessoas. 
>Memorizei
a identificação do sargento Luiz e fui a uma delegacia próxima à minha casa.
Quando contei ao delegado minha intenção de fazer um boletim de ocorrência,
B.O., por ter sido espancado por um PM, ele alterou seu tom de voz. Falando
alto e gesticulando fortemente, afirmou que um policial “não batia por nada” e
perguntava repetidamente o que eu tinha feito.  “Nada, não fiz nada! Estava voltando para
casa. Saí do metro Trianon-Masp, após assistir ao jogo com meus amigos, parei
durante 5 minutos para ver a festa que o grupo fazia na calçada. Estava um
pouco longe do grupo. Um cordão de policiais formou-se atrás de mim sem que eu
percebesse. Quando virei meu corpo, já recebi os primeiros golpes. Não fiz
nada”. Vítima, machucado e apavorado, tive que perguntar ao delegado se esse
era o modo de tratar as vítimas em sua delegacia. Afirmei que iria a outra D.P.
fazer minha ocorrência, já que naquela não me sentia seguro. Somente, então, o
delegado começou a tratar-me como vítima. Registrei a queixa, fiz exame de
corpo de delito e aguardo que consigam identificar o sargento e meu agressor.
Por sugestão do delegado, irei à corregedoria da polícia militar para fazer uma
queixa.   
>            Antropólogo, pesquisador da USP,
venho acompanhando a violência, o prazer e a liberdade com que policiais,
soldados e autoridades “competentes” restabelecem a “ordem” na Universidade, na
avenida Paulista ou na Amazônia, onde realizo meu trabalho com um povo indígena.
Espancar, ofender, perseguir, rir, ameaçar parecem ser modos cada vez mais
rotineiros das autoridades que aplicam a coerção física do Estado em
estudantes, torcedores, índios, professores, trabalhadores etc. O prazer que vi
no rosto de meu agressor me aterrorizou. A dificuldade de identificar meu
agressor — causada pela falta de distintivo, pela atitude do sargento que disse
não conhecer seus soldados, pelo comportamento do delegado que insistiu que eu
devia ter provocado ou pela dificuldade de saber de qual batalhão eram os PMs
que atuavam na Paulista àquela hora — me assombra. O riso e o prazer de meu
agressor iniciam-se no motivo banal da “Paulista que precisa dormir” e terminam
na saciação do sadismo com que golpeava meu corpo que, naquele momento, por
acaso — apenas por acaso —, era o corpo de um torcedor corintiano.   
>
>
> 
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