[Bancariosdebase] balanço do ano de 2011

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Quarta Dezembro 14 01:40:50 UTC 2011


  Olá amig em s
 Segue texto do Espaço Socialista sobre o ano de 2011 no mundo e no
Brasil.
 Daniel
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 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! Face up! Make your stand! And realize your living in the
golden years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! Encare! Tome uma posição! E perceba que você está
vivendo nos anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years”
  _________________________________________ 
	2011 – AMPLIAçãO E RADICALIZAçãO DAS LUTAS E REBELIõES NO
MUNDO 
	O ANO DE 2011 MARCA SEM DúVIDA UMA NOVA SITUAçãO MUNDIAL 

	Em primeiro lugar, a nova situação se manifesta pela ameaça
constante do retorno à recessão mundial, haja visto que, mesmo após
3 anos da eclosão da crise de 2008 (a mais profunda desde 1929), a
economia mundial não só não retomou os índices de crescimento
anteriores, como enfrenta problemas cada vez maiores como o da
“crise da dívida” na zona do Euro e nos próprios EUA.  

	As tentativas iniciais dos analistas burgueses de dizer que “o pior
ficou para trás”, logo deram origem ao pessimismo e aos planos de
ataques frontais aos trabalhadores, como congelamentos de salários,
aumento de idade para aposentadoria e cortes de verbas e demissões de
funcionários da saúde e educação públicas. 

	Hoje até mesmo setores da mídia burguesa reconhecem que não
estamos diante de uma crise qualquer e que de fato estamos diante de
algo maior do que uma simples recessão. 

	De nossa parte, julgamos que na verdade o que essa crise traz à tona
são as contradições estruturais do capital, combinados com a crise
de um padrão de acumulação pautado no recurso ao crédito como
forma de suprir e alimentar de forma artificial uma demanda que se
apresenta cada vez mais difícil para dar vazão – a preços
lucrativos – à imensa capacidade produtiva instalada no mundo,
devido ao enorme desenvolvimento tecnológico. 

	Uma série de problemas que o sistema vem acumulando desde os anos
80, como a reestruturação produtiva, que eliminou milhões de postos
de trabalho, o ataque direto às condições de vida dos
trabalhadores, com o rebaixamento salarial, visando aumentar os lucros
do empresariado, a exacerbação do endividamento como forma de
alavancar o consumo, a restrição de barreiras ao capital, novos
instrumentos financeiros como os derivativos, etc, enfim toda uma
pirâmide financeira que cumpria ao mesmo tempo o papel de cobrar a
maior remuneração possível tanto da parte das empresas como da
parte dos Estados. 

	Em 2008 essa pirâmide financeira começou a desabar, ameaçando com
a depressão. Os Estados interviram maciçamente e de forma mais ou
menos coordenada e impediram a depressão naquele momento. 

	No entanto, em que pese todo esse operativo de salvamento, a economia
até agora não apresenta sinais de recuperação de demanda privada
real e sustentável.  

	Assim as dívidas dos sistema financeiro foram incorporadas pelos
Estados e repassadas à sociedade (leia-se aos trabalhadores). 

	Os Estado, porém, também têm limites em seu potencial de
endividamento. A partir de certo ponto, até mesmo os juros tornam-se
impagáveis ou muito caros de serem rolados. Assim, sobrevém a
segunda etapa dessa crise, que tem sido marcada pela extrema
dificuldade de vários países em conseguir vender no mercado seus
títulos e dessa forma pagar os juros imediatos, pelas dificuldades
cada vez maiores de se conseguir pacotes de salvação de países e
agora da própria União Européia e pela sua contrapartida direta,
que são os ataques aos trabalhadores.  

	A crise econômica prossegue e entra num novo estágio como uma
possível crise bancária na Europa. Os grandes bancos franceses e
alemães carregam em suas carteiras créditos impagáveis de países
europeus periféricos (PIGS) e já começam a entrar eles próprios na
alça de mira do implacável mecanismo de concentração pelo qual os
capitais mais fortes engolem os mais fracos. É para salvar os bancos
que entram em cena os planos do BCE e a imposição de governos de
tecnocratas (Monti na Itália e Papademos na Grécia), praticamente
nomeados pelo mercado financeiro, para aplicar as “medidas de
austeridade” contra os trabalhadores. 

	Assim, o período que se abriu em 2008 se enquadra e ao mesmo tempo
expressa uma crise maior, uma crise estrutural que se abriu a partir
do ínício dos anos 70 e de lá para cá vem se arrastando e passando
por fases e ciclos diversos. Além dos ciclos já analisados por Marx,
alguns analistas chamam a atenção para as chamadas ondas longas. 

	Assim, não temos um novo período de crescimento sustentável mas um
pequeno ciclo de 4-5 anos com uma ligeira recuperação e que no
entanto já apresenta sinais de um novo agravamento da situação para
os próximos 1 ou 2 anos. 
	A EXPRESSãO DO NOVO é A REAçãO DOS TRABALHADORES  

	Diante disso, a resistência dos trabalhadores e da juventude deu um
salto e se colocou como o elemento mais dinâmico a ser enfrentado
pelo sistema e seus agentes. Isso porque são empecilhos diretos para
a aplicação do receituário do capital que necessita de um aumento
brutal do nível de exploração sobre os trabalhadores a fim de poder
contornar sua crise. 

	Tem havido importantes mobilizações dos trabalhadores em muitos
países, mas o foco mais ativo ainda está na juventude. Em geral são
os jovens desempregados que marcham nas ruas dos países árabes e
ocupam as praças na Europa e Estados Unidos. 

	No interior da classe trabalhadora, são os funcionários públicos e
de empresas estatais que tem encabeçado as mobilizações e greves
gerais na Grécia, Espanha, Itália, Portugal, e agora também na
Inglaterra. 

	A classe operária dos países centrais ainda não se colocou em
movimento com mais peso devido ao papel nefasto das suas direções
políticas e sindicais, organicamente integradas ao Estado burguês
imperialista e co-gestora das empresas ao lado da patronal. As greves
gerais, por mais massivas e importantes, são conduzidas
burocraticamente como válvulas de escape, não como forma de luta
consequente para derrotar de fato os ataques. São greves de um dia de
duração, sem a perspectiva de continuidade, sem auto-organização e
fóruns de decisão que rompam o controle da burocracia. 

	Além das greves gerais na Grécia, na Espanha e na Itália, além da
rebelião da juventude de periferia de Londres, tivemos os
rebeliões/revoluções democráticas no norte da África, na
Tunísia, no Egito, na Líbia e na Síria. 

	Esse processo, também chamado de “Primavera Árabe”, ainda está
em aberto, porque não se trata apenas de uma luta na esfera da
política contra ditadores que se tornaram odiados. A origem do
processo está nas conseqüências sociais da crise econômica
internacional. Os povos árabes se colocaram em luta devido ao
desemprego em massa, que afeta principalmente a imensa população de
jovens desses países, e à carestia, em especial o aumento do preço
dos alimentos. Essa situação material estrutural não mudou com a
troca dos dirigentes do Estado, portanto as lutas devem continuar. 

	Por mais contradições que haja nesses processos, principalmente a
partir da Líbia, onde o imperialismo passou a jogar um papel direto
de intervenção militar, interferindo nos seus rumos, a ação direta
das massas populares tem sido o elemento definidor, embora com muitas
e problemáticas mediações. 

	A Primavera Árabe representa uma liberação de energias dos
trabalhadores e a partir de agora sua entrada em um confronto mais
direto com o capitalismo e não apenas contra regimes ditatoriais das
elites locais. 

	Em especial é importante observar o caso do Egito, em que a
população permaneceu mobilizada e desenvolveu formas de resistência
que fizeram com que, 10 meses depois da queda de Mubarak, voltassem a
se colocar em luta contra a junta militar. O caso dos trabalhadores
portuários que se recusaram a receber uma carga de gás lacrimogêneo
vinda dos EUA, e seu reconhecimento pela população, é emblemático
dessa resistência e avanço da consciência. 

	O caso do Egito é aquele em que a permanência das lutas e o
processo de reorganização da classe trabalhadora é maior e mais
ativo, mas em todos aqueles países tendem a surgir e se desenvolver
processos de mobilização dos trabalhadores potencializados pelo
agravamento das suas condições de vida. Os problemas sociais que
estiveram na raiz dessas rebeliões/revoluções não vão se resolver
apenas com a democratização burguesa e muito parcial daqueles
países. 

	Até mesmo na América Latina temos visto lutas com caráter
diferenciado. No Chile a juventude protagonizou ao longo de
praticamente todo o ano uma luta massiva e radicalizada em defesa da
educação pública, contando com apoio de importantes categorias e
greves de solidariedade, mas trata-se de uma demanda (ainda
reformista) que nenhuma burguesia nacional é capaz de conceder,
dentro do marco geral da crise estrutural. Na Bolívia trabalhadores
têm tido a necessidade de se organizar e fazer greves diretamente
contra o governo de Evo Morales. O mesmo ocorre na Venezuela, onde os
questionamentos ao projeto de Chaves começam a ocorrer pela esquerda,
embora em menor intensidade. 

	Isso porque esses governos não representam alternativas de ruptura
com o capitalismo, no máximo mais uma forma de administração do
capital pela burocracia de Estado e do exército, submetida aos
limites da propriedade privada e da segurança para o capital que
opera nesses países. Em um contexto de crise e de acirramento das
contradições do capitalismo, as propostas de convivência e
conciliação com o capital só podem levar a choques diretos com os
trabalhadores. 
	AVANçOS E LIMITES DOS MOVIMENTOS COMO INDIGNADOS E OCCUPY WALL
STREET 

	Nos últimos meses têm ganho força movimentos como os Indignados na
Espanha e o Occupy Wall Street nos EUA. De certa forma representam o
ressurgimento, no contexto da crise, dos movimentos antiglobalização
que chamaram a atenção no final dos anos 90/início dos anos 2000.
No entanto, em que pese sua semelhança, há também diferenças
importantes. 

	Os movimentos antiglobalização restringiam-se aos dias das
reuniões dos organismos internacionais do capital (OMC, G-8, FMI,
Banco Mundial, etc), enquanto os atuais tendem a buscar maior
permanência no tempo e a ocupação de espaços públicos, de modo a
chamar a atenção e criar espaços alternativos de debate e
convivência. Além disso, seus alvos são mais diretos, como as
praças financeiras e corporações e colocam no centro de sua
crítica o fato de que o Estado está utilizando do dinheiro público
para a salvação de bancos e corporações que correspondem a 1% da
população enquanto os outros 99% são deixados à sua própria
sorte. 

	As mobilizações que se espalharam pelo mundo em 2011, aquelas que
partem mais da iniciativa da juventude do que da burocracia sindical,
podem ser o espaço para o surgimento de embriões de novas formas de
organização da classe, às quais os revolucionários devem estar
atentos, como assembleias, comitês, redes sociais, mídia
alternativa, que podem se converter em espaços de organização e
oferecer possibilidades novas. 

	No entanto, em que pese esses avanços ocorridos, frutos sem dúvida
do novo contexto mundial pós-crise de 2008, com o desemprego e corte
das verbas para os serviços públicos diretamente nos países
centrais, há ainda defasagens importantes que deverão ser superadas.
 

	Entre elas está o fato de que esses movimentos não colocam como seu
alvo o sistema capitalista como um todo, mas apenas suas partes mais
diretamente beneficiadas com a ajuda dos governos, como os bancos e o
sistema financeiro. 

	Porém a crise que o mundo atravessa não é financeira (apenas) e
sim da economia como um todo, é uma crise societal em termos
estruturais. A falta desse diagnóstico mais profundo encontra
correspondência no fato de que esses movimentos não apresentam uma
proposta de sociedade alternativa ao capitalismo, ficando como uma
negação difusa dos valores consumistas do mercado, do sistema
financeiro e das corporações. Isso abre espaço para que esses
movimentos possam ser assimilados ou reprimidos, a partir do momento
em que não consigam se colocar como alternativas concretas de ação
para o conjunto dos trabalhadores, única força social capaz de dar
sustentação a qualquer proposta de superação positiva do capital. 

	Para afetar de fato o sistema e ao mesmo tempo mudar a lógica de
funcionamento da sociedade, colocando em seu lugar um novo modelo de
sociedade, é preciso que os trabalhadores apontem para o
questionamento e superação do próprio modo de produção da riqueza
social: as relações capitalistas de produção, que são as raízes
da forma de distribuição e de funcionamento da economia. 

	As propostas comportamentalistas expressas por esses movimentos são
demandas necessárias e muitas vezes menosprezadas pela esquerda, como
o combate ao consumismo, a busca de uma relação humana em
equilíbrio com o ambiente, o combate à hierarquia burocrática
imposta pelas direções de muitos movimentos e partidos, mesmo de
esquerda, a busca por relações igualitárias entre os gêneros e
etnias, a retomada das identidades culturais, etc. São traços muito
positivos que devem ser assimilados pelos movimentos dos trabalhadores
e socialistas se quisermos realmente batalhar por uma revolução
socialista. 

	No entanto, é preciso afirmar que essas demandas só podem ser de
fato conquistadas se se expandirem em nível geral e não apenas numa
pequena vanguarda, por mais esclarecida que seja. Isso exige uma
revolução nas relação gerais da sociedade e na sua lógica de
funcionamento e não apenas uma mudança nas ideias e comportamentos
éticos, o que exige a contraposição à ordem capitalista e suas
instituições, pois a raiz de de todas as formas de alienação está
na produção e distribuição, na relação alienada dos produtores
com o seu trabalho. 

	O desafio é que esses movimentos busquem se ligar aos trabalhadores
e suas lutas avançando ao mesmo tempo para definições
programáticas mais diretas contra os governos por uma alternativa de
sociedade ao capitalismo como um todo. A falta de uma definição
socialista e revolucionária custa caro nos dias atuais. 

	Se esses movimentos ficarem restritos à propaganda comportamental e
à ocupação de espaços delimitados, podem se esgotar e serem
reprimidos ou destruídos devido ao desgaste e banalização, ou mesmo
assimilados pelo sistema, como mais uma forma ou momento possível de
vida para alguns, desde que não afete os pressupostos estruturais da
produção voltada para o maior lucro possível. 
	O BRASIL TAMBéM ENTRA EM UM NOVO MOMENTO. DILMA MOSTRA A QUE VEIO.  

	No caso do Brasil, ao contrário do restante do mundo, os bancos
ainda não estão sendo questionados. Ao invés disso, a “cidadania
do crédito” (ou seja, o endividamento em massa dos trabalhadores)
tem sido a fiadora da estabilidade do governo Dilma/PT/PMDB, pois a
garantia do acesso ao consumo tem sido a miragem que faz com que os
trabalhadores suportem o aumento da exploração e a deterioração
das suas condições de vida, que tem como um dos seus aspectos o
sucateamento dos serviços públicos, às custas do ataque
sistemático aos trabalhadores do setor público e das estatais. 

	O Brasil não está fora da realidade mundial, como os governos e a
mídia tentavam veicular. Agora, governos, empresários e a grande
mídia substituem o discurso cinicamente ufanista por um outro
aparentemente mais “responsável” de que o país deve se preparar
para a crise que se aproxima novamente. Porém essa preparação na
verdade se traduz pela imposição por parte da burguesia de uma
série de ataques aos trabalhadores, de modo que se possa diluí-los
ao longo do tempo, com apoio das direções burocráticas como PT,
CUT, CTB, UNE, e assim tentar diminuir o impacto e a resistência dos
trabalhadores à degradação de seu nível de vida. 

	Essas medidas de antecipação/adequação são duras e representam
uma mudança de ritmos de ataques com relação aos anos anteriores. 

	Esses ataques têm levado a que também no Brasil tenhamos visto em
2011 um ano de mais e maiores lutas dos trabalhadores. Greves como nas
obras do PAC, dos transportes, trens e ônibus, correios, bancários,
professores em vários estados. No caso da juventude, várias ações
como greves e ocupações de reitorias foram retomadas, com destaque
para a ocupação e greve dos estudantes na USP contra a permanência
da polícia no campus e sua função de repressão, que está a
serviço de manter um projeto que está levando cada vez mais à
privatização da universidade. 

	A não existência de um instrumento de organização mais amplo, a
partir do fracasso do Conclat em 2010, mesmo com os problemas e
limites que uma nova central unitária teria, cobrou seu preço em
2011, pois ainda que a CSP-Conlutas tenha tido um papel importante em
algumas lutas, a sua ação esteve muito aquém do que seria
necessário para enfrentar a burguesia e o governo e lutar contra o
controle da burocracia sobre o movimento. 

	Devemos batalhar pela unidade da esquerda e pela construção de
fóruns de oposição à burocracia sindical, estudantil e dos
movimentos sociais, que encaminhem ações unitárias, lutas e
campanhas políticas inter-categorias. 

	Devemos reativar a proposta de um Movimento Político dos
Trabalhadores, que coloque em pauta uma alternativa socialista contra
a crise. Esse Movimento deve se consolidar na luta, a partir da base,
e pode ser o ponto de partida para uma participação classista,
socialista e revolucionária nas eleições, ainda que o seu objetivo
deva ir além das eleições. 
	AS LUTAS APONTAM MELHORES CONDIçõES E NOVOS DESAFIOS PARA A
INTERVENçãO SOCIALISTA.  

	Assim, o elemento novo que tem surgido cada vez com mais força é a
resistência dos trabalhadores nos centros do capital, particularmente
na Europa, com as greves gerais e manifestações na Grécia, na
Espanha, na Itália, e agora iniciando-se nos EUA com as ocupações,
irradiando-se para outras países, colocando cada vez mais a luta de
classes em uma arena mundial.  

	Permanece a crise de alternativas socialistas, com a dificuldade dos
trabalhadores encontrarem respostas pela positiva à crise. Em geral
os movimentos têm estado limitados ainda à negação e resistência
às políticas do capital de utilizar o dinheiro público para salvar
o empresariado, cortando dos trabalhadores. Não aparece ainda alguma
alternativa de massas pela positiva. Isso é reflexo de que estamos
ainda em um momento inicial das lutas nesta nova etapa. 

	O setor operário-industrial da classe trabalhadora ainda não se
incorporou os processos de luta mesmo nos países centrais, isso
porque até agora o capital tem conseguido a duras penas impedir a
recessão global ou mesmo uma depressão que obrigasse a entrada em
ação direta dos destacamentos mais concentrados e poderosos da
classe trabalhadora em defesa de seus empregos e condições de vida.
Prevalece ainda uma lógica extremamente competitiva entre as
economias e empresas (e também entre os trabalhadores) a partir de
ameaças da patronal de deslocamentos de empresas e ramos inteiros
para países com melhores condições de exploração. Isso deixa os
trabalhadores na defensiva. 

	A economia como um todo permanece em ritmo lento de crescimento,
tendendo à estagnação ou mesmo à recessão, que tem sido
parcialmente contrabalanceada pelo desempenho das economias dos
países periféricos (entre eles os chamados BRIC's). No entanto,
essas economias que até aqui têm sustentado altas taxas de
crescimento (comparadas aos países centrais) também apresentam
limites. Com a dificuldade das economias centrais se recuperarem e um
possível novo momento da crise, o crescimento dos países
periféricos tende a diminuir, colocando uma nova situação. 

	Ao se recolocarem em movimento, os trabalhadores criam melhores
condições para que possam voltar a se enxergarem como classe,
enfrentando os mesmo inimigos em terreno mundial. Ao mesmo tempo em
que aumentam os desafios, devido à polarização com as forças de
repressão do Estado e com os movimentos de ultra-direita. Em vários
países, e também no Brasil, a direita tem se organizado, com ações
e manifestações de caráter proto-fascista, agressões racistas,
xenófobas, homofóbicas, violência contra a mulher. Além disso, o
Estado de modo geral tem se tornado mais autoritário, criminalizando
e reprimindo greves, ocupações, piquetes, manifestações, ações
diretas e formas de divergência política que partem dos
trabalhadores. 

	Apesar desse aspecto negativo de reorganização das forças de
direita, melhoram as condições para que os trabalhadores comecem a
se reconhecer como uma classe em si, com interesses semelhantes ou que
se combinam nos vários países, enfrentando os mesmos inimigos em
escala global: o capital e seus agentes, sejam as burguesias dos
diversos países e os organismos internacionais, sejam as
instituições do Estado. 

	O trabalho de impulsionar as formas concretas de luta dos
trabalhadores e da juventude deve ser combinada com a formação e
organização de base nos locais de trabalho e de estudo. A luta por
buscar elevar o nível de consciência dos trabalhadores, buscando
elucidar os nexos entre os problemas concretos e sua lógica, que é
geral, e a busca pela reconstrução ideológica e prática do projeto
socialista, são os desafios colocados para o(s) próximo(s) ano(s). 

	O Estado e a burguesia ainda têm muitos recursos para administrar a
crise e oferecer alternativas por dentro do sistema. Os
revolucionários precisam apresentar a alternativa socialista de forma
mais concreta, reforçando a propaganda do socialismo, explicando a
todo momento como seria uma sociedade em que os trabalhadores
controlam a produção e a colocam a serviço das necessidades
humanas, em relação equilibrada com o ambiente, etc. É importante
oferecer essa perspectiva, ainda que no plano da propaganda, para
mostrar que existe sim uma alternativa concreta ao capital. 

	Mas não há dúvida que há uma nova situação mundial que coloca
mais tarefas e desafios mas também melhores possibilidade de se
retomar a agitação, propaganda e organização em torno da idéias e
propostas socialistas-revolucionárias. O ano de 2011 confirma isso.  
-------------- Próxima Parte ----------
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