[Bancariosdebase] Carta de principios
Rosana Rosa
rosana.ros em gmail.com
Sexta Fevereiro 4 07:57:11 UTC 2011
Bom dia Messias! tudo bem?
Onde e quando será a próxima reunião?
Bj.
Em 23 de janeiro de 2011 22:30, Utopia <utopia_s em yahoo.com.br> escreveu:
> Pessoal,
>
> Conforme combinado, segue a carta de princípios revisada.
> Lembro-me que já discutimos até o ponto 6, porém esta versão só esta
> revisada até o item 4. Não estou encontrando a minha versão impressa;sumiu
> na mudança. Quem tiver com as alterações/correções até o item 6, por favor,
> leve na próxima reunião.
>
> Abraços,
>
> Sandra.
>
> --- Em *ter, 3/8/10, Utopia <utopia_s em yahoo.com.br>* escreveu:
>
>
> De: Utopia <utopia_s em yahoo.com.br>
> Assunto: Carta de principios
> Para: "Bancários de Base Novo" <bancariosdebase em lists.aktivix.org>
> Data: Terça-feira, 3 de Agosto de 2010, 19:46
>
> Companheir em s <http://mc/compose?to=Companheir@s>,
>
> Segue a carta de princípios revisada.
>
> ______________________________________________________________
>
> CARTA DE PRINCÍPIOS (REVISADA E ALTERADA ATÉ ITEM 4)
>
>
>
> CONSIDERAÇÕES POLÍTICO-PROGRAMÁTICAS INTRODUTÓRIAS PARA UMA PROPOSTA DE
> CARTA DE PRINCÍPIOS
>
>
>
> 1. Apresentação
>
>
>
> Segue-se uma contribuição inicial do Espaço Socialista para a conformação
> da carta de princípios do coletivo Bancários de Base. Essa contribuição
> expressa a nossa visão do projeto Bancários de Base, e se apresenta como uma
> das partes de um conjunto de propostas a serem colocadas dentro de um
> processo de debate coletivo, para o qual esperamos contar com outras
> contribuições dos demais integrantes do grupo, bem como críticas e
> comentários às nossas propostas, afim de obtermos uma síntese democrática e
> uma maior homogeneidade, fundamental para a construção do coletivo e a
> atuação no movimento.
>
> Esta contribuição resume algumas das posições que temos defendido no
> interior do grupo ao longo de nossa participação. No corpo deste resumo,
> adiantam-se algumas propostas de resolução que sistematizam nossa concepção,
> as quais aparecem destacadas em negrito. Estas propostas estão organizadas
> ao final do texto como uma proposta de carta de princípios em forma de
> estatuto, cujos pontos propomos que sejam colocados em votação no seminário
> sindical.
>
> 2. Definições gerais
>
>
>
> O coletivo Bancários de Base se propõe a ser um espaço de organização dos
> trabalhadores para lutar por seus interesses imediatos (salário, condições
> de trabalho, etc.), e seus interesses históricos como parte da classe
> trabalhadora, através da mobilização da base.
>
> O primeiro pressuposto dessa proposta é a oposição incondicional aos
> banqueiros. Os interesses dos banqueiros e dos trabalhadores bancários são
> diametralmente opostos. Enquanto os bancários lutam por melhores salários,
> os banqueiros impõem o arrocho; enquanto os bancários clamam por mais
> contratações para ter condições de trabalho decentes, os banqueiros tratam
> os trabalhadores como mera propriedade, sempre objetivando reduzir custos, o
> que na prática se materializa em demissões em massa, excesso de trabalho e
> adoecimentos para os bancários.
>
> Os patrões sempre foram os inimigos da classe trabalhadora em toda e
> qualquer categoria, e não é diferente em nosso caso, em bancários. Aos
> banqueiros, como qualquer patrão, interessa absorver toda a riqueza
> produzida pelos trabalhadores bancários. Para chegar ao seu objetivo final,
> os patrões do sistema financeiro impõem aos bancários as mais degradantes
> condições de trabalho, demissões em massa por meio de fusões e/ou
> incorporações, re-estruturações corporativas, redução do quadro de
> funcionários, retirada de direitos, redução de salários, uso da tecnologia
> voltado apenas para otimizar o lucro, fechamento de locais de trabalho,
> sobretrabalho, adoecimentos,etc.
>
> A concepção de que a realidade social se move em torno da luta de classes
> sofreu um retrocesso nas últimas décadas, o que tem facilitado o predomínio
> das idéias da classe dominante. O desmantelamento dos países ditos
> “socialistas” no Leste Europeu no final da década de 80, início dos anos 90,
> foi um fato histórico de grande repercussão ideológica, que foi interpretado
> e propagandeado como triunfo do capitalismo sobre o socialismo, bem como o
> fim de qualquer outra alternativa à atual organização social. Afirmar isso
> não significa que se tenha aqueles Estados ditos “socialistas” como modelo,
> apenas constatar que a sua queda facilitou o trabalho ideológico da
> burguesia em defesa do capitalismo. É o “Fim da História”, ou o fim da luta
> de classes, proclamado pela classe dominante.
>
> Do ponto de vista organizativo, isso foi um desastre para o movimento
> sindical, pois a “vitória” do capitalismo fortalece todas as instituições
> que dão sustentação ao império da propriedade privada, como o Estado, a
> democracia representativa, a competição entre os trabalhadores, a busca de
> saídas individuais para problemas coletivos, etc, etc. Em outras palavras,
> isso fez com que imperasse entre os trabalhadores a concepção de que as
> questões gerais são resolvidos pelos “representantes”. Desse modo, um
> indivíduo, ou um grupo, passa a substituir a coletividade. Os trabalhadores
> são condicionados a esperar por um “salvador da pátria”, um “iluminado” que
> resolva os seus problemas, pois os ditos representantes “foram eleitos para
> isso”.
>
> Entretanto, nossos “representantes” têm feito exatamente o oposto daquilo
> para o qual foram eleitos, ao mesmo tempo em que impedem que os próprios
> bancários assumam essas tarefas. Consequentemente, um dos motivos imediatos
> para a existência do coletivo Bancários de Base é o fato de que as formas
> tradicionais de organização, em especial as entidades sindicais, estão
> tomadas majoritariamente por grupos dirigentes cooptados para a colaboração
> com os banqueiros e o governo. Esses grupos transformaram os sindicatos em
> meio de vida, fazendo do mandato que receberam dos trabalhadores uma via
> para a ascensão social individual e para a integração aos estratos
> dirigentes do sistema. A permanência desses grupos nas direções sindicais ao
> longo de décadas serve também para manter a estrutura sindical aprisionada
> nos limites institucionais prescritos pelo Estado, impedindo a organização
> autônoma dos trabalhadores.
>
> Dada essa realidade, entendemos que:
>
> - *O coletivo Bancários de Base é um espaço de organização dos
> trabalhadores bancários para lutar por seus interesses imediatos (salário e
> condições de trabalho) e seus interesses como parte da classe trabalhadora,
> **através da mobilização da base.***
>
>
>
> 3. Sobre a independência de classe
>
>
>
> O coletivo Bancários de Base parte da compreensão de que “a emancipação dos
> trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores”. Sendo assim, as
> organizações da nossa classe não podem ter nenhum tipo de vínculo
> institucional com o Estado, Partidos, Instituições ou ONGs, nem admitir
> qualquer tipo de parceria com a patronal.
>
> O Estado existe para garantir os interesses dos patrões, seja qual for o
> partido do governante de plantão. No caso específico dos bancários, o Estado
> é patrão formal de metade da categoria bancária. Além de entrar em campo
> contra os trabalhadores, o patrão-Estado controla o árbitro do jogo, pois o
> Judiciário, embora alegue ser imparcial, historicamente é um importante
> instrumento do patronato no ataque à livre organização dos trabalhadores.
> Isso se verifica principalmente nos períodos de greve, em que a justiça
> concede decisões favoráveis aos interditos proibitórios, prende líderes
> sindicais, chancela demissões em massa, etc.
>
> Na categoria bancária, o governo é mais do que “um comitê central dos
> negócios burgueses” pois os governos estadual e federal são patrões diretos
> de metade dos bancários no país, em que as maiores instituições financeiras
> estatais são Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Assim, o Estado,
> tanto quanto os banqueiros privados, aplica a mesma lógica de mercado, a
> busca do lucro, sobre as estatais e os mesmos mecanismos de opressão,
> assédio, e doenças ocupacionais a que estão submetidos os bancários do setor
> privado. Há mais de 20 anos, os bancos estatais estão sendo adaptados ao
> mercado para funcionarem como um banco privado, sendo que, hoje, o caráter
> público destes bancos é meramente formal, no papel, pois já são privatizados
> na sua administração. No entanto, o processo de privatização dos bancos
> estatais está em um novo estágio com o início de uma reestruturação na CEF e
> na incorporação do banco estadual paulista Nossa Caixa pelo BB. Não
> esquecer a aquisição do Banco do Estado do Piauí e do BESC com fechamento
> de dezenas de agências em SC. A CAIXA por sua vez avança cada vez mais na
> privatização branca com avanço descomunal nas terceirizações e aquisições
> como o Banco Panamericano. *Diante desse papel do governo, o coletivo
> deve se pautar pela mais absoluta independência em relação a patrões,
> governos, partidos e instituições. *
>
> * *
>
> 4. Pela unidade da categoria
>
> * *
>
> Como um desdobramento natural da oposição aos inimigos diretos da classe
> também devemos fazer oposição aos grupos políticos no seio do movimento
> sindical que hoje são representados pela Articulação Sindical (braço
> sindical do PT) e seus aliados políticos, cujos grupos variam de base para
> base. O PT ocupa o poder central no país pelo fato de ser o grupo político
> mais eficiente para aplicar o seu projeto de dominação sobre os
> trabalhadores. Justamente por ter o controle burocrático sobre os organismos
> oficiais de representação dos trabalhadores, o que funciona como um
> obstáculo para as lutas e um instrumento a serviço da aplicação dos ataques
> da burguesia. O mesmo raciocínio serve para qualquer partido que exerça a
> mesma função. *Por isso defendemos que o coletivo Bancários de Base deve
> se colocar como oposição à burocracia sindical (Articulação - PT e seus
> satélites).*
>
> Os sindicatos hoje dependem do Estado para existir, pois precisam de
> registro no Ministério do Trabalho para serem reconhecidos, e se sustentam
> financeiramente às custas do imposto sindical. Contra esse modelo,
> defendemos que o sindicato volte a ser uma forma de organização
> completamente independente, ou seja, pautada na iniciativa dos próprios
> trabalhadores e financiada por sua contribuição voluntária.
>
> *As publicações e atividades do coletivo Bancários de Base devem ser
> financiadas pela contribuição voluntária dos integrantes.*
>
> Além disso, a categoria bancária é parte da classe trabalhadora. Sua luta é
> parte da luta de todos os trabalhadores contra a exploração capitalista. A
> solidariedade ativa a todos os processos de luta da classe deve ser vista
> como parte da luta dos bancários, pois a vitória de um setor da classe é uma
> vitória que nos fortalece a todos. A consciência de classe deve se
> desenvolver a partir da superação das barreiras que separam os segmentos da
> categoria (bancários e terceirizados) e nos separam do restante da classe
> (formais e informais, trabalhadores da cidade e do campo, etc.).
>
> A terceirização é uma prática usada pela burguesia para precarizar as
> relações de trabalho e para afundar o nível dos salários. Ela cria
> diferenças no interior da categoria em relação à salário, estabilidade, etc,
> sendo que do ponto de vista prático o trabalhador continua prestando serviço
> para o mesmo patrão. Trabalhadores de determinados setores de suporte, ou
> “áreas-meio”, serviços e limpeza, copa, cozinha, atendimento telefônico,
> segurança, manobristas, porteiros, deixaram de ter vínculo formal na
> carteira de trabalho com o banco (deixando de ter salários e direitos
> inerentes à categoria), para estarem vinculados a outra empresa, diferente
> do banco. No entanto, o trabalhador continua a trabalhar na mesma
> instituição financeira, agora com salários e direitos rebaixados.
>
> Os sindicatos tomados pelo diretores da CUT e seus aliados não fazem
> qualquer esforço para construir a unidade entre os bancários diretos e os
> terceirizados, pois isso exigiria questionar o governo.
>
> É necessário que o mote “quem trabalha em banco, bancário é” saia do papel
> e tenha uma validade prática no dia-a-dia. Toda e qualquer deliberação sobre
> a atuação na categoria bancária tem de levar em consideração este setor. A
> divisão interessa ao patrão; a unidade, aos trabalhadores. O material
> direcionado à categoria em geral terá uma parte reservada para tratar da
> situação dos terceirizados, e seus segmentos, como vigilantes, telefonistas,
> contratados, etc.
>
>
>
>
>
>
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-------------- Próxima Parte ----------
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