[Bancariosdebase] Enc: EM UM MÊS DILMA JÁ MOSTROU A QUE VEIO

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Domingo Fevereiro 13 23:59:26 UTC 2011





--

Prezados colegas

Segue um texto (longo, mas vale a pena ler)sobre a essênciado "modo petista de 
governar".

Mais tucano que um petista no poder, impossível.

Abraços.

Márcio

   
Extraordinário texto, aborda o assunto da dívida marota e cinicamente evitado 
pela grande imprensa.
 
Grata,
Karla.


________________________

EM UM MÊS DILMA JÁ MOSTROU A QUE VEIO 
>09 Fevereiro 2011 
>Classificado em Brasil - Lulismo 
>Crédito: PCB 
> 
>
> 
> 
>Renato Nucci Junior 
>(Membro do Comitê Central do PCB)
>Em seu primeiro mês à frente da presidência da República, as medidas tomadas por 
>Dilma Roussef desvanecem paulatinamente as ilusões quanto ao caráter do seu 
>governo. Em um ambiente internacional marcado pelo aprofundamento da crise 
>econômica, fica claro o papel do governo Dilma: preparar o país para os seus 
>efeitos deletérios, garantindo prioritariamente os interesses do grande capital 
>monopolista. Para tanto, aplicam-se e anunciam-se duras medidas de ajuste tais 
>como privatizações e ataques aos interesses e direitos dos trabalhadores, todas 
>com o intuito de atenuar suas conseqüências para o capital, mas impingindo aos 
>trabalhadores um custo infinitamente maior.
>A primeira medida anunciada por Dilma logo no início de seu mandato é a da 
>abertura do capital da Infraero e a privatização na gestão dos aeroportos. 
>Alegam-se dificuldades do Estado em mobilizar o volume de recursos necessários, 
>cerca de R$ 5,5 bilhões, para modernizar e ampliar os aeroportos, tendo em vista 
>a crescente demanda por passagens aéreas e a execução de reformas que prepararem 
>a infra-estrutura do país para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas. 
>Indisposta a negociar e debater o projeto com a atenção merecida, expondo sua 
>face truculenta e pouco afeita ao diálogo, pois a aplicação de duras medidas de 
>ajuste não deixam margem para negociação, Dilma avisou que o projeto de 
>privatização da Infraero será encaminhado por meio de medida provisória. Em suas 
>linhas gerais a proposta aponta para uma gestão compartilhada entre Estado e 
>empresas privadas, que passariam a administrar os novos terminais de Cumbica e  
>Viracopos, através de concessão de 20 anos. As principais interessadas e maiores 
>beneficiadas seriam as duas maiores empresas aéreas do país, a Tam e a Gol.
>Mais uma vez, como sempre ocorre no Brasil, fato igualmente comum nos governos 
>petistas, o Estado burguês faz cortesia com chapéu alheio, usando dinheiro 
>público para financiar o lucro privado. Afinal, dentre todos os terminais 
>aeroportuários do Brasil, Cumbica e Viracopos representam o filé mais suculento, 
>pois são respectivamente os maiores em volume de passageiros e de cargas. Outro 
>caso emblemático da entrega do patrimônio público para o capital privado é o do 
>aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Concluído, será o 
>primeiro do país concedido totalmente à iniciativa privada, cujo investimento de 
>R$ 450 a R$ 600 milhões para a sua construção receberá 80% de financiamento do 
>BNDES.
>No bojo dessa onda de ataques patrocinada pelo governo Dilma, inclui-se a 
>decisão tomada pelo Banco Central na primeira reunião do Conselho de Política 
>Monetária (Copom), em 2011, de aumentar a taxa básica de juro de 10,75% para 
>11,25% com a justificativa de conter a alta da inflação. Esse aumento na taxa 
>Selic atende aos interesses do capital financeiro, uma das frações hegemônicas 
>da burguesia no bloco no poder. O recurso ao aumento da taxa básica de juro como 
>forma de controle da inflação, além da emissão de títulos públicos indexados 
>pela taxa Selic do BC para retirar dinheiro de circulação, igualmente atendem ao 
>interesse do capital financeiro. Entretanto, levam a um crescimento desmesurado 
>da dívida pública. Esta, em 2010, fechou com a extraordinária quantia de R$ 1,69 
>trilhão e a previsão do Tesouro para 2011 é que ela atinja entre R$ 1,8 trilhão 
>e R$ 1,93 trilhão. A garantia para o seu pagamento é feita pelo Estado  através 
>do superávit primário, ou seja, cortes nos gastos públicos. Para 2011 está 
>previsto um superávit primário de 3,1%, representando um corte de cerca de R$ 60 
>bilhões no Orçamento. Essa farra faz a alegria dos credores da dívida pública, 
>majoritariamente o grande capital bancário e financeiro nacional cujo poder e 
>influência impõem ao Orçamento Geral da União reservas cada vez maiores que 
>garantam a amortização da dívida, bem como o pagamento de juros e encargos. Em 
>2010, para um Orçamento de R$ 1,848 trilhões, estavam destinados R$ 777 bilhões, 
>ou 42,04%, para a amortização da dívida. Outros R$ 138 bilhões serviriam para o 
>pagamento de juros e encargos.
>O compromisso de privilegiar o pagamento da dívida pública, mantido pelo governo 
>Dilma, resultará na continuação da política de corte dos gastos públicos, 
>principalmente os chamados gastos de custeio como pagamento do funcionalismo, os 
>gastos com a previdência social, com a assistência social e com a manutenção da 
>máquina pública. Esse compromisso só pode ser mantido impondo grandes 
>sacrifícios aos trabalhadores, congelando o salário do funcionalismo público, 
>reduzindo-se drasticamente o alcance e a universalização das políticas públicas 
>e dos direitos sociais, além da ameaça de uma nova onda de reformas regressivas 
>como a da previdência. Neste caso, o Ministro da Previdência Social, Garibaldi 
>Alves Filho (PMDB), anunciou a necessidade de se fazer uma nova (contra) reforma 
>da previdência sob a surrada alegação de conter um déficit inexistente. Mais do 
>que um debate pautado por gélidos cálculos matemáticos, trata-se, em  verdade, 
>de um debate político, em torno de quais classes e camadas da sociedade serão 
>priorizadas na destinação das verbas do Orçamento. O que se pretende, portanto, 
>com essa nova reforma regressiva da previdência, onde previsões sombrias apontam 
>para um aumento na idade e no tempo de contribuição, é garantir o pagamento da 
>dívida pública aos seus credores. Ao mesmo tempo relegam-se a um segundo plano 
>os gastos públicos voltados ao atendimento das necessidades da grande maioria do 
>povo, sucumbindo o governo aos interesses da acumulação capitalista. Além do 
>mais, no caso da previdência, o governo Dilma mantém o seu compromisso em não 
>mexer no fator previdenciário, que reduz as aposentadorias em até 50%, e o 
>reajuste com índice menor para quem recebe benefícios previdenciários acima de 
>um salário mínimo.
>Além do mais, se o problema da previdência fosse realmente o seu déficit, a 
>proposta não incluiria a diminuição das alíquotas que as empresas pagam sobre a 
>folha de salários, voltadas para o financiamento da previdência, de 20% para 
>14%. O objetivo, aqui, é permitir um aumento ainda maior dos lucros das empresas 
>no Brasil, principalmente setores industriais que afetados pela concorrência 
>chinesa e pela apreciação da taxa de câmbio, perdem competitividade. Por outro 
>lado, pesquisa feita com 321 empresas de capital aberto, mostra que o lucro 
>médio cresceu no segundo trimestre de 2010, 39% em relação ao mesmo período de 
>2009. Em alguns setores esse crescimento esteve muito acima da média, chegando a 
>87,8% para 38 empresas de energia elétrica e a 83,86% para 26 empresas da 
>construção civil. Esses dados mostram o quanto é falso o debate que atribui à 
>carga tributária a responsabilidade por um suposto fraco desempenho da economia,  
>pois mesmo o crescimento da arrecadação fiscal em 2010, previsto para 34,7%, um 
>ponto percentual maior do que em 2009, não travou o crescimento do lucro das 
>empresas. Desse modo, o debate em torno da desoneração da folha de salários nada 
>mais pretende do que permitir um aumento na acumulação do capital.
>O debate em torno do reajuste do salário mínimo é outro bom exemplo sobre como o 
>governo Dilma opta por privilegiar os interesses do capital e dos credores da 
>dívida pública. Como o aumento do mínimo baliza o reajuste de outras categorias, 
>além de atrelar o pagamento dos benefícios previdenciários e do 
>seguro-desemprego, o governo Dilma já avisou às centrais sindicais governistas 
>(CUT, CTB, NCST, CGTB, UGT e Força Sindical), de que o aumento ficará em R$ 545 
>e não em R$ 580 como pretendem as centrais. Ainda que o debate sobre o assunto 
>carregue consigo uma boa dose de demagogia, pois cálculos do Dieese indicam que, 
>para dezembro de 2010, o necessário para garantir uma vida minimamente digna 
>para uma família trabalhadora seria de R$ 2.227,53, ela é uma boa medida da 
>disposição do governo Dilma de impedir o aumento dos gastos públicos no que 
>tange aos interesses dos trabalhadores, privilegiando no Orçamento Geral da 
>União os  interesses dos credores da dívida. O impasse tem causado inúmeros 
>atritos entre a equipe do novo governo e as centrais governistas. Estas têm sido 
>obrigadas a reconhecer a presteza do governo, tanto de Lula como de Dilma, em 
>tomar medidas extraordinárias na defesa dos interesses do capital, relegando a 
>um segundo plano assuntos de interesses dos trabalhadores. Somam-se a essas 
>críticas reclamações quanto a falta de diálogo e de um canal de interlocução 
>mais permanente entre as centrais e o atual governo. Esse é mais um exemplo do 
>modo como Dilma, eleita para aplicar duras medidas de ajuste contra os 
>trabalhadores, será truculenta e adotará uma relação intransigente mesmo com os 
>seus aliados, pois seu compromisso será o de atenuar os efeitos da crise para o 
>capital.
>Mas o conjunto de ataques não para por aí. O Sindicato dos Metalúrgicos de São 
>Bernardo do Campo, principal entidade filiada à CUT e berço do “sindicalismo 
>autêntico”, cujo principal expoente foi o ex-presidente Lula, prepara um projeto 
>de lei que propõe reforma da CLT. Este não consiste em retirar direitos 
>consagrados na Consolidação e no artigo 7º da Constituição Federal, incluindo 
>mecanismo mais sutil de precarização do trabalho. Operando sob a lógica 
>neoliberal da livre negociação, o projeto quer instituir garantias para fazer 
>prevalecer o negociado sobre o legislado, alterando o artigo 618 da CLT. Com 
>isso, a CLT deixa de significar um patamar mínimo sobre o qual devem se assentar 
>as relações de emprego e de exploração da força de trabalho, com as convenções e 
>acordos coletivos ampliando direitos e conquistas. Alegando querer garantir 
>maior segurança jurídica aos acordos pactuados entre trabalhadores e empresas,  
>impedindo que sejam questionados pela justiça do trabalho, um projeto de lei em 
>que prevaleça o negociado sobre o legislado tornará legal a precarização já 
>praticada pelas empresas. Tendo um movimento sindical como o nosso, conduzido em 
>sua maioria por dirigentes pelegos e que operam na lógica da conciliação de 
>classe, não é difícil prever o quão nefasto será para os trabalhadores retirar 
>da CLT o seu papel em assegurar um patamar mínimo de direitos e de impor certos 
>limites à exploração do trabalho pelo capital.
>Como vemos, aos trabalhadores brasileiros se impõem inúmeros desafios. Os 
>ajustes programados pela burguesia com apoio do governo Dilma, como forma de 
>lhes atenuar os efeitos da crise econômica mundial, representam uma nova 
>ofensiva do capital sobre o trabalho. Dessa empreitada, porém, também participam 
>setores do movimento sindical que compartilham com o governo Dilma as 
>responsabilidades por essa nova onda de ataques. Diante dessa conjuntura se 
>exigirá do sindicalismo classista e combativo uma resposta inequívoca. Esta 
>passa obrigatoriamente por ver que nosso adversário não é apenas a burguesia e o 
>governo de turno que controla o Estado burguês, mas igualmente setores do 
>movimento sindical que, em nome dos trabalhadores, aliam-se ao capital na 
>aplicação das medidas de ajuste. Para isso, só nos resta um caminho: o da luta e 
>da organização dos trabalhadores pela base, unificando lutas e construindo um 
>programa mínimo capaz de oferecer  uma saída classista e anticapitalista que 
>derrote os planos de ajuste do capital.
>Campinas, fevereiro de 2011.
>
>-- 
>Não façamos da necessidade virtude.
>Não transformemos o presente em futuro.
>O possível só é dito quando o que é
>Nos possibilita dizer:
>Socialismo!
>_____________Santo cínico__________
>
>

__._,_.___
 | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico 
Mensagens neste tópico (3) 

Atividade nos últimos dias: 	* Novos usuários 1   
Visite seu Grupo 
 
Trocar para: Só Texto, Resenha Diária • Sair do grupo • Termos de uso
. 

__,_._,___ 


      
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: <https://lists.aktivix.org/pipermail/bancariosdebase/attachments/20110213/7fc4e119/attachment-0001.htm>


Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase