[Bancariosdebase] Tese para Conecef

Utopia utopia_s em yahoo.com.br
Quinta Junho 9 23:39:21 UTC 2011


Companheir em s, 
 
Segue a Tese para o Conecef 2011. Pedimos que as alterações, sugestões, supressões, etc. sejam feitas ainda hoje. Precisamos entregar amanhã. 
 
Saudações, 
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O PAPEL DOS BANCOS PÚBLICOS – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 
A Caixa Econômica Federal vem implementando diversas políticas, na mesma linha dos bancos privados, para otimizar seus recursos (inclusive humanos) e obter lucros estrondosos, com a vantagem de utilizar o marketing de banco público e social.  
As estratégias para promover a lucratividade da empresa extrapolam o discurso ético que o banco imprime, por exemplo, em suas “belas propagandas” exibidas nos horários nobres nas telinhas do povo brasileiro. 
No último período esse processo se aprofundou com a criação do novo modelo de atendimento “PEATE” nos chamados Pontos de Venda. Tal modelo está inserido num processo mais amplo de reestruturação que vimos se aprofundar e que extinguiu várias áreas meio e reordenou os cargos comissionados, prejudicando muitos funcionários. Com a justificativa de reduzir as filas, mas sem a melhoria dos processos e sistemas e sem o que seria fundamental que é o aumento do quadro de funcionários o modelo se mostra artificial e desastroso. As filas são camufladas empurrando-se as demandas para as “células de apoio”, onde funcionários se desdobram para dar conta das pilhas de processos a serem executados.    Inclui-se a expansão de correspondentes bancários, habitacionais e a pressão para empurrar clientes pobres para esses correspondentes a fim de não atrapalhar os “negócios” nos “pontos de venda”. A maioria dos contratos habitacionais
 já são concedidos pelos correspondentes que flexibilizam a concessão de crédito e recebem um bom comissionamento para fechar contratos. Os funcionários são pressionados a encaminhar as demandas para os correspondentes de forma explícita ou camuflada. O excesso de serviço torna impossível dar conta da demanda e faz com que a única alternativa aparente seja orientar o cliente a procurar um correspondente. As células de atendimento tornam o trabalho mais alienado, pois se configuram como uma espécie de linha de produção. Implantou-se um sistema de monitoramento de tempo de atendimento que visa aumentar o controle e produtividade do trabalhador dentro da linha de produção instaurada. O claro objetivo desse modelo é aumentar ainda mais o lucro do banco às custas do aumento desgaste físico e psíquico dos funcionários, ou seja, da nossa maior exploração. O parâmetro de cobrança de resultados passa a ser o lucro dos bancos privados e
 revela-se a face estrutural do assédio moral que é utilizado como ferramenta para convencer os trabalhadores a se submeterem a maior exploração do seu trabalho, quando a propaganda corporativa não alcança mais esse objetivo.      
Há também a propaganda interna, corporativista, que visa atingir o trabalhador para que este se sinta promotor das “boas ações” do governo prestando um bom serviço à sociedade. Servem também para amenizar o desconforto de ter que empurrar goela abaixo “produtos bancários” para clientes pouco interessados em adquiri-los. Persuadir o bancário a ignorar sua imensa fadiga, seu desgaste físico e emocional gerados no cotidiano deste cenário. As metas a cada ano se superam e a pressão para cumpri-las é imposta das mais perversas maneiras. 
 
Em resposta a esta situação tem havido uma crescente necessidade de organização e atitude por parte dos trabalhadores na luta por melhores condições de trabalho e vida. A organização dos trabalhadores na base tem sido o principal alvo das políticas de “recursos-desumanos”. A punição dos que lutaram para a melhoria deste quadro vai além da ameaça de desconto dos dias de greve. Algumas “conquistas” das lutas dos trabalhadores são revertidas de acordo com os interesses da empresa gerando conseqüências ainda não previstas. Cotidianamente a empresa busca novas maneiras de incentivar a concorrência e a submissão aos gestores. A antiga estratégia de dividir para dominar implantada com o consentimento das entidades sindicais que não se dão ao trabalho de consultar a base antes de assinar em baixo do que a empresa quer, em nome dos trabalhadores. Nesse ponto acho que deveríamos abordar o acordo de “combate ao assédio moral”.
 Talvez também a questão das comissões de conciliação prévia?
 Portanto, para se fazer valer o caráter de banco público e social com a necessária prerrogativa de respeito à classe trabalhadora, que depende dos serviços prestados pelo banco, e aos seus próprios trabalhadores, há muito que se avançar.  Daí a necessidade de nos mantermos sempre atentos ao discurso que camufla as verdadeiras intenções da empresa. Cabe aos trabalhadores em geral, (e suas entidades representativas, ao menos em tese), o debate sobre o papel que o banco público deve cumprir perante a sociedade e o embate inicial contrariando esta distorcida conduta vigente que joga a CAIXA na situação de um banco qualquer.  Ao banco público cabe um papel diferenciado junto à sociedade.  Não se pode cobrar deste banco a mesma prática e resultados dos bancos privados.  O trabalho do banco público tem que estar calcado na tarefa de possibilitar desenvolvimento econômico com o foco no social.  Não se pode exigir do Banco Público
 critérios de desempenho e atuação calcados nas “Leis de Mercado”. Também não pode servir de instrumento para o deleite dos políticos profissionais, de partidos e de políticas clientelistas para “sustentabilidade” dos governos de plantão, independente do matiz.  E também não podemos abrir mão do debate com a classe trabalhadora e a sociedade em geral sobre a estatização do sistema financeiro. Até porque os fatos referentes à crise iniciada em 2008 nos mostraram claramente a situação. Com a justificativa de “salvar empregos”, a máxima capitalista e burguesa de socialização dos prejuízos e privatização dos lucros mais uma vez se deu de forma concreta com o governo salvando bancos e outras corporações com a utilização de dinheiro público. Seja nos incentivos e renúncia fiscais ou na injeção direta de recursos. 
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Nome: TESE DO COLETIVO BANCÁRIOS DE BASE  CONECEF 2011 - PRE.doc
Tipo: application/msword
Tamanho: 139264 bytes
Descrição: não disponível
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