[Bancariosdebase] balanço greve

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Novembro 10 04:44:31 UTC 2011


  Olá comp em s [1] do BdB
 Segue o artigo de balanço da greve, já com as modificações
discutidas na reunião de quarta-feira.
 Ficou com cerca de 6.000 toques.
 Daniel
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 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! Face up! Make your stand! And realize your living in the
golden years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! Encare! Tome uma posição! E perceba que você está
vivendo nos anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
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	MAIS UMA CAMPANHA SALARIAL FRUSTRADA 
	A campanha salarial 2011 terminou mais uma vez com uma sensação de
frustração. Desde o início da campanha até o final da greve o
controle férreo da Articulação/PT e seus satélites impediu que os
bancários tivessem uma real participação e mudassem os rumos da
campanha. 

	A preparação da campanha acontece em eventos superestruturais,
viciados, sem a participação da base. As Conferências são
burocratizadas, repletas de dirigentes sindicais afastados há anos
dos locais de trabalho, não se submetem a assembléias, aprovam uma
pauta rebaixada, não tiram nenhum calendário de luta e constituem um
comando de negociação sem representantes de base. A deflagração da
greve acontece sem que haja real mobilização, sem que haja
envolvimento da base, sem que haja atividades preparatórias,
reuniões, plenárias, assembléias, atos. Ao invés disso, a
diretoria faz atos tipo “kinder ovo”, ou seja, reúne de surpresa
alguns dirigentes na frente das agências para tirar foto e dizer que
está “mobilizando a categoria”. 

	A greve não é realmente organizada, não há piquetes por região e
comandos de greve diários em que os ativistas se reúnam e decidam
quais locais paralisar. A greve segue sendo de fachada, ou seja, uma
faixa do sindicato na frente das agências e os bancários trabalhando
no seu interior. Diretores do sindicato negociam com os gerentes em
quais agências e quais os dias vão passar. Bancários são
deslocados dos seus locais para trabalhar em contingências em outros
postos. São disponibilizados links com sistema do banco para que os
pelegos possam furar greve em casa. Há agências em que os gerentes
“liberam” caixas e escriturários para a greve, fechando a
agência para os clientes de baixa renda, atendendo os de alta renda e
batendo metas.  

	Essa greve de fachada não afeta os lucros dos bancos. Trata-se de
uma greve consentida ou em certos casos organizada pela própria
patronal, ou seja, um “lock-out” contra a população. A greve
não paralisa os negócios nem as operações via internet, caixas
eletrônicos, compensação de cheques, correspondentes bancários,
etc. A greve segue tendo um número importante de trabalhadores
paralisados, pois as condições de trabalho são cada vez piores e o
adoecimento avança e qualquer pretexto serve para não ir trabalhar e
não enfrentar o dia a dia do banco. A greve acaba sendo uma espécie
de folga ou “férias coletivas”. 

	Como não há confiança nos dirigentes sindicais, os trabalhadores
aderem à greve e deixam de ir trabalhar, mas seguem participando em
número reduzido dos piquetes, assembleias e atividades de greve, pois
vêem pouco sentido em participar de uma campanha que, por todos os
elementos acima, permanece sob controle da burocracia. Os
trabalhadores que participam do movimento, além de enfrentar os
banqueiros, o governo, o judiciário, a repressão, a mídia, ainda
tem que enfrentar a própria direção do sindicato. As assembleias
são burocratizadas, não se abre direito a falas, não se permite
fazer propostas, não se coloca as propostas em votação, não se
permite defender as propostas e por último, quando as propostas das
oposições ganham uma votação, a mesa não reconhece o resultado.  

	Na assembleia do dia 5.10, depois de muita insistência e muita luta
os bancários da base puderam apresentar propostas, que foram
defendidas pelas oposições e ganharam as votações. Foram aprovados
encaminhamentos organizativos para fortalecer a greve: assembleias
diárias unificadas no horário das 16:00 para barrar os fura-greves,
nenhum acordo que tivesse desconto ou compensação das horas, entre
outros. Entretanto, a mesa não reconheceu o resultado e encerrou a
assembleia de maneira extremamente autoritária, com direito a
provocações e tumulto da sua claque contra os grevistas, conforme
vídeo no youtube. 

	Estava surgindo nas assembleias um processo de auto-organização dos
bancários, que se reuniam em plenárias com dezenas de ativistas
depois que a mesa encerrava a assembleia. Na plenária do dia 5.10 foi
tirado um manifesto dos bancários independentes e grupos de
oposição denunciando o crime da diretoria contra a democracia
operária, entre outros encaminhamentos para garantir o cumprimento do
que havia sido votado. Para impedir que novas rebeliões acontecessem,
a diretoria somente chamou nova assembleia 12 dias depois, em 17.10,
no horário das 18hs e separando BB, CEF e privados, ou seja,
desobedecendo expressamente o que havia sido votado no dia 5. Isso
permitiu trazer os fura-greves em massa para aprovar uma proposta
rebaixada e encerrar a campanha, exatamente como nos anos anteriores. 

	O comportamento da diretoria não é acidente, engano ou omissão,
mas o resultado deliberado de uma linha de atuação, que consiste em
perpetuar o cupulismo, a colaboração de classe com a patronal e o
governo, exatamente pelo fato de que a direção sindical está
subordinada a um partido político e não aos trabalhadores, tudo isso
alicerçado numa estrutura sindical arcaica e estatizada. 

	Todos os elementos desse tipo de campanha de fachada tem sido
insistentemente denunciados e combatidos pelo Coletivo Bancários de
Base desde os anos anteriores, nos nossos panfletos e nas nossas
intervenções. Entretanto, os outros coletivos que se reivindicam
como oposição (Avesso-Intersindical e MNOB-Conlutas), aceitam
acordos com a diretoria para fazer uso do microfone, mas ao falar se
omitem na denúncia dos elementos que poderiam questionar o controle
da burocracia sobre a campanha. Inclusive na assembleia final esses
grupos fizeram uso da palavra, mas não denunciaram o desrespeito às
deliberações do dia 5.10, conforme manifesto que esses mesmos grupos
haviam assinado. Além do Coletivo Bancários de Base apenas os
companheiros do piquete da 7 de abril batalharam por um funcionamento
democrático que desse aos bancários o controle da campanha. 

	Para impedir que nas campanhas futuras sejamos retirados da luta sem
que tenhamos lutado de verdade, precisamos começar desde já a
preparação da próxima campanha salarial. Não há outra forma de
termos uma campanha salarial de verdade que não seja com a
participação dos bancários e a sua organização a partir dos
locais de trabalho, o que tem que acontecer o ano inteiro, não apenas
as vésperas da data-base. 
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Nome: Balanço greve 2011.doc
Tipo: application/octet-stream
Tamanho: 22016 bytes
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