[Bancariosdebase] jornal/artigo

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Segunda Novembro 14 00:34:17 UTC 2011


  Fiz algumas modificações ortográficas. Proponho retirar o trecho
em vermelho, por entender que já está contemplado no texto de
balanço e ficaria repetitivo, conforme conversado em reunião.
 Daniel
 _________________________________________ 
 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! 
 Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! 
 Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
 _________________________________________ 
 On Dom 13/11/11 21:53 , Utopia utopia_s em yahoo.com.br sent:
   Olá Comp em s !!!. Segue mais um txt c/ alterações. fv opinar.
Valeu!!!    
	O NEOPELEGUISMO E O SINDICATO ORGÂNICO.  

	Este, no nosso entendimento, é um momento propicio pra reabrirmos de
forma mais ampla o debate que se encontra por trás do tema proposto.
Momento onde a submissão descarada de “dirigentes sindicais” e as
seguidas derrotas dos trabalhadores, se evidenciam, em particular para
os bancári em s e trabalhador em s dos correios.  Em ambas as campanhas, a
vitória era mais do que possível em função da disposição de luta
de parte importante dos grevistas.  Porém,  o resultado trouxe, em
particular aos trabalhador em s [1] mais participativos, a sensação de 
mais uma vez terem sidos traidos. Fica-nos a lição de que temos de
continuar lutando sempre. No entanto temos a tarefa inadiável de
transformar nossas entidades. A História deve ser nossa aliada pra
buscarmos entender o porquê de tal situação e a superarmos.   

	A partir do início do primeiro governo FHC e o aprofundamento na
implementação do projeto neoliberal no Brasil, lamentavelmente a
maioria dos setores que compunham os movimento sociais foram se
adaptando à ordem vigente. Com o sindicalismo não foi diferente. Já
no momento imediatamente anterior o auto-denominado “campo
majoritário” da CUT havia tomado resoluções de forma burocrática
no sentido de vincular “organicamente” a central à CIOSL (
Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres ),
criada na Guerra Fria pra fazer frente ideológica à esquerda, sob
patrocinio da CIA e das corporações imperialistas, como linha
auxiliar ao Capital Internacional e atuação junto às ditaduras, em
particular da América Latina. Além desta proposta que acabou
vingando, tivemos um profundo processo de burocratização, perda de
autonomia e funcionamento anti-democrático, desestruturação (na
prática) das OLTs (Organização por Local de Trabalho). Como se não
bastasse, este mesmo setor passou a defender e implantar ora
enrustida, ora descaradamente, mudanças substanciais na relação
capital -trabalho. Sempre de acordo com interesses partidários, de
correntes e de grupos, além de projetos carreiristas pessoais em
detrimento da nossa classe e da nossa luta. Assim vieram as câmaras
setoriais na indústria (acordo tripartite governo, patrão e
sindicatos onde só os trabalhadores foram de fato consquentes),
políticas de conciliação de classes, (falsas) saídas
institucionais ao invés de lutas, estruturas sindicais corporativas,
carreirismo e profissionalização de dirigentes descompromissados.
Para completar, problemas de corrupção, uso indevido das estruturas
sindicais e sua completa instrumentalização, Centrais Sindicais
“mães” e centrais satélites (subservientes e com tarefas
específicas), não combate efetivo às terceirizações,
flexibilização de direitos, remuneração variável, etc. E a
“jóia da coroa”, a institucionalização do famigerado sindicato
orgânico ou sindicato cupulista, que teria a função de
“legitimar” toda a “trairagem”. O sindicato orgânico seria
uma versão tupiniquim do sindicalismo americano/europeu, que não só
financiou a cúpula do chamado “novo sindicalismo” (que deu origem
junto com  outros setores à CUT), como também o instruiu
ideologicamente com cursos, viagens, estágios,etc. Tal forma
organizativa se caracteriza por uma estrutura altamente verticalizada,
onde os sindicatos de base perdem autonomia e são subordinados aos
comandos e direções confederativas chefiadas por pseudos semi-deuses
encastelados burocrática e/ou criminosamente. Sindicatos viram
departamentos desta cúpula “iluminada”. O sindicato orgânico
nacional impõe aos sindicatos de base estatutos padronizados,
câmaras bipartites ou tripartites, sem considerar quaisquer opiniões
que partam da base. As decisões de assembléias são ignoradas, não
possuem relevância e a função das OLTs é meramente “carregar
piano” para as “grandes lideranças” manterem seu “status
quo”.  A imposição do sindicato orgânico vem sendo feita na
prática pelos sindicatos da CUT, e agora o governo busca
oficializá-lo de vez através das Reformas Sindical e Trabalhista. O
processo está em curso. Com doses homeopáticas, mas em ritmo
crescente, aos poucos vão avançando no projeto. O ritmo é lento
pois mesmo nos sindicatos de base da CUT os chamados bagrinhos
corporativamente não querem perder seus privilégios e são
obstáculo para o avanço mais rápido. Além é claro dos poucos que
não se renderam a esta lógica. O assunto é estratégico para n em s
[2] trabalhador em s [3]. Está na ordem do dia do governo, dos patrões
e dos falsos defensores da classe que se auto-denominam dirigentes
sindicais sem o serem. Temos que nos organizar melhor e agirmos. Já
estamos atrasados.  
	A AUTO-ORGANIZAÇÃO COMO FORMA DE BARRAR A FARSA.   

	A HISTÓRIA NA MÃO.   

	Com o fim da ditadura militar e a volta da oligarquia parlamentarista
“ganhamos” o direito à greve. Contudo os desafios para o
exercermos continuam grandes:  

	· As retaliações patronais continuam cada vez mais forte.
Principalmente para os trabalhadores de empresas privadas, os quais
sofrem com a constante ameaça de demissão. Já nas empresas
públicas a ameaça costuma ser a de perda de comissionamento, o que
implica em diminuição salarial;   

	· As greves devem se manter dentro das absurdas exigências legais
do estado, isto é, não há mais autonomia alguma para a classe
trabalhadora, o que leva o movimento a tornar-se meramente simbólico
– não há real prejuízo aos descomunais lucros empresariais,
tampouco ação direta. E até mesmo pior, diversas greves acabam via
decisão judicial (a realização do sonho fascista do Estado fazendo
o papel de árbitro da luta de classes), o que é sempre péssimo para
os trabalhadores. Primeiro devido ao caráter classista dessa piada
que se chama Justiça brasileira. Segundo porque, mesmo com um
resultado hipoteticamente favorável aos trabalhadores, a autonomia
sindical é completamente esmagada sob o martelo de sua excelência.  


	· Com a ofensiva liberal de terceirização e precarização, cada
vez menos a totalidade dos funcionários que trabalham dentro duma
mesma empresa são considerados da mesma categoria. No nosso universo
bancário esta característica pode ser facilmente observada, pois
existem no nosso espaço de trabalho várias legiões de trabalhadores
(conservação, segurança, estagiários, correspondentes bancários,
terceirizados em geral, trabalhadores de loterias, etc), que apesar de
realizarem serviços bancários e/ou diretamente ligados a esses,
pertencem oficialmente à outras categorias, ainda que sejam
bancári em s. O que resulta numa divisão que fragiliza o movimento;   

	· Com uma estrutura sindical fortemente burocratizada, centralizada,
verticalizada e organicamente subordinada ao Estado (através do
Ministério do Trabalho e Emprego), os trabalhadores muitas vezes
necessitam lutar tanto contra seu patrão, quanto contra seu próprio
sindicato. Se essa era uma situação rara antigamente, hoje é cada
vez mais comum. Ainda recentemente como exemplo, tivemos a greve dos
correios que aconteceu apesar de uma direção sem compromisso real
com a categoria, pois os trbalhadores, com muita garra, atropelaram a
direção sindical, e foram à luta. A derrota veio pela caneta da
“justiça” que fêz tudo o que a Presidenta pediu e mais alguma
coisa, impondo índice rebaixado e compensação das horas. A greve
dos bancários, a nosso ver também derrotada, apesar da disposição
daqueles que foram de fato à luta, teve em São Paulo por conta de
arbitrariedades cometidas pela sua executiva, várias propostas
aprovadas em assembléia (05.10.2011, vide site.....), que foram
escandalosamente ignoradas. Se respeitadas como determina a democracia
dos trabalhador em s [4], dariam nacionalmente outro desfecho ao nosso
movimento. E infelizmente setores da Oposição como Mnob/Conlutas e
Intersindical Bancária não foram consequentes com a decisão de
assembléia e não deram a nosso ver batalha coerente pra fazer valer
o aprovado. Cabe aqui também reconhecer a garra e coerência do
pessoal do “Piquete da Sete” (CAIXA) e demais ativistas que deram
a batalha junto conosco na busca do cumprimento do aprovado em 05.10.
E repudiar a compensação de horas da greve não redime, pois se
valesse a decisão de assembléia, não haveria horas a compensar.   

	Complementando, a situação é pior nos casos em que a direção
sindical e o patrão se confundem, como atualmente é o caso dos
trabalhadores em estatais e funcionalismo público federal: temos um
sindicato filiado a CUT e satélites, logo centralizado pelo PT e seus
pares, e o nosso patrão é o governo federal também do PT e
parceiros. Não há absolutamente nenhum confronto entre o sindicato e
o patrão. O primeiro acaba sendo usado para CONTER as lutas
trabalhistas no lugar de as INCENTIVAR (Exatamente o que queria
Getúlio Vargas com a estatização dos sindicatos!). Algo que era
completamente absurdo e impensável, como um sindicato se recusar a
apoiar uma greve deliberada pela categoria, vem se tornando cada vez
mais comum.   

	Diante dessa imensa muralha chinesa de problemas, nós do coletivo
Bancários de Base vemos somente uma única solução possível: a
retomada das mobilizações populares de base, a partir das OLTs, mas
não só. Somente através da participação efetiva da massa dos
trabalhadores nos espaços sindicais poderemos retomar o que deveria
ser nosso por direito: a associação de resistência da nossa
categoria, o nosso Sindicato. E, desta vez, corrigirmos os erros do
passado: exigir a nossa autonomia sindical – não podemos aceitar
que nosso sindicato seja subordinado ao estado e a partidos
políticos, e mais do que isso, não podemos permitir que o Estado
dite as regras de como devem funcionar os movimentos grevistas (o que
incluí abolirmos o absurdo calendário de dissídios, o qual serve
exclusivamente para evitar uma greve geral, isto é, evitar um
movimento unificado de trabalhadores); exigir a democratização real
da estrutura sindical inteira – quem deve deliberar sobre as
questões sindicais são os próprios trabalhadores em assembleia,
não dirigentes sindicais “profissionais”. É necessário
desburocratizar (isto é, torná-las autogestionárias e horizontais)
as nossas associações, federações e confederações para que estas
sirvam para defender de fato os interesses dos trabalhadores, não
como moeda de troca em espúrios jogos políticos partidários,
aliados a interesses estranhos aos trabalhador em s.   

	· Bancários de Base por um sindicato autônomo, democrático e
classista.  
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: <https://lists.aktivix.org/pipermail/bancariosdebase/attachments/20111114/c0ee3620/attachment-0001.htm>


Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase