[Bancariosdebase] rascunho relato assembléias

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Outubro 6 14:01:17 UTC 2011


  Olá comp em s [1] do BdB
 Os comp em s [2] da Frente Nacional nos pediram um relato das
assembléias de São Paulo para publicação no site da Frente.
 Segue o rascunho.
 Daniel
 "A sociedade que aboliu a aventura tornou a abolição dessa
sociedade a única aventura possível” anônimo, pichado nos muros
de Paris no maio de 1968 
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	Relato das assembléias em São Paulo 
	Aos comp em s [3] bancários de todo o país. 
	Na maior base da categoria bancária em todo o país, com mais de 110
mil trabalhadores, vivemos a ditadura do microfone. A diretoria do
sindicato, da corrente Articulação/CUT, não permite que pensamentos
divergentes sequer se manifestem em assembléia. Procedimentos
elementares da democracia são diariamente pisoteados no nosso
movimento. 
	Para começar, as assembléias nem sequer são diárias, acontecem
quando a diretoria quer. São marcadas em dias alternados, no menor
número possível, para restringir ao máximo os espaços de debate. 
	As assembléias acontecem na quadra dos bancários, no centro da
cidade, com credenciamento controlado, sendo que a burocracia pode
trazer “convidados”, “observadores” e pessoal de “apoio” a
seu critério, mas não admite que militantes de outras categorias
possam entrar. 
	Dentro da quadra, há um palco em que se instala a mesa, cujo acesso
é bloqueado por um batalhão de seguranças contratados. Os
bancários devem ficar afastados, como uma platéia, cuja única
função é levantar o crachá para votar. 
	A diretoria se instala como mesa, ignorando o preceito básico de
que, em qualquer fórum dos trabalhadores, a mesa deve ser eleita pelo
plenário, com composição proporcional entre as correntes e
representação da base. 
	Do alto do palco, a diretoria se põe a dar informes infindáveis,
sem qualquer conteúdo político ou organizativo, exaltando sua ação
na greve, que, na verdade, não existe. 
	O formato da assembléia é totalmente controlado pela burocracia.
Não são acatadas propostas de encaminhamento ou questões de ordem.
As votações que acontecem são aquelas que a diretoria determina. A
mesa determina se vão haver ou não inscrições, se vão haver ou
não votações, etc. 
	Raramente são abertas inscrições, e quando se abrem, dezenas de
burocratas se inscrevem. Com isso, em face de um numero inviável de
falas, a diretoria propõe o "sorteio" de um número limitado de
inscrições, para "garantir as falas". Invariavelmente os burocratas
tem mais falas e sempre falam por último. 
	A alternativa que é oferecida é permitir um número de falas para
cada corrente. Lamentavelmente, algumas correntes que se reivindicam
oposição, como MNOB e Intersindical, quando têm o direito à fala,
não o usam para denunciar esse formato de assembléia e exigir falas
para a base. 
	Quando a oposição consegue falar e fazer propostas para melhor
organizar a greve, as propostas não são colocadas em votação.
Quando há votação de alguma proposta organizativa, não é dado
tempo de fazer defesas, mas a diretoria fala contra as propostas pelo
tempo que quiser. Quando se permite fazer defesas, a mesa interpreta
as propostas a seu modo e embaralha tudo numa fala só para confundir
os bancários, não dando tempo de explicar os detalhes. E o cúmulo
do absurdo, há propostas que são votadas, mas que não são
encaminhadas pela diretoria!! 
	Quando é votada a continuidade ou não da greve, a diretoria dá por
encerrada a assembléia e desliga o microfone, induzindo à dispersão
dos bancários. Com isso, não se discutem as medidas organizativas
mínimas para dar força e visibilidade a uma greve, como
organização dos piquetes, atos, passeatas, panfletagens, etc. 
	Para completar, na hora de encerrar a greve, a burocracia marca
assembléias separadas por banco (BB, CEF e privados, em locais
diferentes), no horário das 7 da noite (começando às 8 ou mais), em
acordo prévio com a direção dos bancos, que manda os gerentes e
fura-greves em massa para votar a favor da propostas rebaixadas, que a
burocracia defende desavergonhadamente como "vitória". 
	Esse tipo de assembleia somente acontece devido ao esvaziamento da
vida politica do sindicato, que não realiza assembléias
preparatórias, plenárias, reuniões de delegados sindicais, etc., de
modo que a base se distancia cada vez mais da entidade. Nos bancos
privados (85% da base) não há qualquer tipo de trabalho de
organização, de modo que os trabalhadores não podem participar das
atividades sindicais sem sofrer demissão ou retaliação, e os poucos
que participam são voto cativo da diretoria.  
	Os funcionários dos bancos públicos, que já presenciam essa farsa
há anos, odeiam a diretoria e se dessindicalizam em massa a cada
campanha salarial. Os que ainda aderem à greve o fazem por puro senso
de dignidade, mas em número cada vez maior se recusam a comparecer ao
verdadeiro "circo" que são essas assembléias convocadas pela
burocracia. 
	Isso só vai mudar quando os bancários tomarem de fato a luta em
suas mãos e se tornarem protagonistas do movimento. Essa mudança
exige um longo processo de organização e conscientização dos
trabalhadores, que deve acontecer o ano inteiro, não apenas nas
campanhas salariais. 
	É o que nós do Coletivo Bancários de Base estamos propondo.
Durante a greve exigimos democracia nas assembéias, exigimos o
direito à fala para todos os bancários, exigimos respeito às
decisões coletivas. E apresentamos o projeto da Frente Nacional de
Oposição Bancária, que identificamos como um sindicalismo
comprometido com a base e as lutas dos trabalhadores. 
	Somente juntos poderemos derrotar os patrões, os governos e seus
servidores na CUT e outras centrais governistas! 
	Coletivo Bancários de Base – São Paulo 

	Frente Nacional de Oposição Bancária 
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