[Bancariosdebase] relato da assembléia
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Sábado Outubro 8 15:46:27 UTC 2011
Olá comp em s [1] do BdB
Segue relato da assembléia de quarta-feira para publicação no site
da Frente.
Favor se posicionar o quanto antes.
Daniel
"A sociedade que aboliu a aventura tornou a abolição dessa
sociedade a única aventura possível” anônimo, pichado nos muros
de Paris no maio de 1968
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A assembléia de 5/10 em SP e a luta por democracia
Na quarta-feira 5 de outubro tivemos a última assembléia até agora
na greve dos bancários de São Paulo. A última porque a diretoria,
não querendo reconhecer o resultado da votação, encerrou a
assembléia sem marcar a próxima.
Mas vamos começar pelo começo.
A falta de democracia é o maior obstáculo para o avanço das nossas
lutas. Cada vez mais os trabalhadores estão deixando de comparecer
às assembléias e atividades de greve por não acreditar mais na
diretoria do sindicato, que de forma autoritária, impede que se
discutam e votem democraticamente propostas que possam de fato fazer
avançar a luta.
Desde o início da greve (na verdade, desde as campanhas anteriores)
nós do coletivo Bancários de Base lutamos para que os bancários da
base de São Paulo, independente de serem vinculados ou terem simpatia
por qualquer grupo organizado de oposição, tenham o direito de falar
nas assembléias e fazer propostas.
Isso parece ser o mínimo que se pode esperar de democracia e deve
parecer inacreditável para quem está em outras bases e outros
estados, onde ainda vigoram práticas mais condizentes com a
democracia. Mas em São Paulo isso é motivo de uma verdadeira guerra!
Nesse ponto temos uma profunda divergência com os demais coletivos
que se reivindicam como oposição, o MNOB/Conlutas e
Avesso/Intersindical, que aceitam o formato da assembléia quando a
mesa lhes oferece a palavra com o critério de uma fala para cada
corrente/partido/central sindical. Ora, a grande maioria dos
bancários não é filiada a nenhuma corrente/partido/central
sindical, nem se sente contemplada pelas suas propostas! Não é
correto que o direito à palavra seja cassado aos bancários que
estão na base!
Esses coletivos aceitam a palavra como “concessão” da mesa e
não fazem uso das falas para denunciar esse formato de assembléia,
nem para exigir que sejam abertas falas para os demais bancários, nem
para colocar propostas organizativas que se choquem com o controle da
burocracia e permitam uma real participação e controle da base sobre
o movimento. A prioridade desses coletivos é usar as falas como uma
espécie de palanque para divulgar as palavras de ordem que são
prioridade para o seu partido no momento. Para isso, não se chocam
com o controle que a burocracia exerce, pois nesse caso, não poderiam
mais falar. Ou seja, contentam-se com essa migalha que são as falas
concedidas pela mesa, e colocam o seu direito à fala acima da
necessidade da categoria de se organizar para lutar!
Nas plenárias que se seguem às assembléia já apresentamos essa
posição, de que não concordamos com esse critério de falas para as
correntes, critérios que os companheiros das oposições insistem em
defender, sem garantir o compromisso de fazer a crítica ao formato
das assembléias. Em nome das necessidades da luta, buscamos
permanentemente a unidade e apresentamos propostas em conjunto com os
demais coletivos, pois a base sente que a unidade é necessária e se
afasta ainda mais quando as oposições se dividem, mas não podemos
deixar de apresentar nossa crítica ao comportamento omisso e
conivente das correntes no que se refere à questão democrática.
Depois de muita insistência de nossa parte desde a assembléia
anterior, e também no próprio dia 5/10, por meio de massiva
panfletagem, cartazes e palavras de ordem, a mesa finalmente
“concedeu” 5 falas por meio de “sorteio”, de modo que dois
companheiros da base que simpatizam com as oposições puderam falar e
apresentar propostas.
Uma das propostas colocadas por um companheiro de base é apresentada
insistentemente por nós: assembléias unificadas para deliberar sobre
as cláusulas específicas e separação das assembléias apenas para
votar as cláusulas específicas.
O sentido dessa proposta é barrar a manobra da burocracia para
desmontar a greve em São Paulo: separar as assembléias por banco,
BB, CEF e privados em locais separados, e marcar as assembléias para
as 7 da noite (na verdade começam depois das 8) para, com a presença
massiva de gerentes e fura-greves, em acordo com a direção dos
bancos, encerrar a greve aprovando uma proposta rebaixada.
Esse é o método usado pela burocracia para encerrar a greve em São
Paulo há vários anos. Por isso exigimos assembléias unificadas.
Essa é a forma de desmontar na prática a nefasta estratégia da
“mesa única” da Fenaban, que na verdade não é única, pois na
hora de se votar as cláusulas econômicas, as assembléias são
separadas!
A única forma de barrar essa manobra é exigir a marcação de
assembléias unificadas para deliberar sobre as cláusulas
econômicas, ou seja, o índice da Fenaban e a regra da PLR. A partir
daí, decidindo em conjunto o que é comum a toda a categoria, vota-se
em separado as questões específicas. E na votação em separado, os
trabalhadores do BB, CEF e privados podem decidir ou não continuar a
greve. Não é justo que a assembléia dos bancos privados, que aprova
o índice da Fenaban, determine que nós dos bancos públicos vamos
encerrar a greve! A votação do índice da Fenaban deve ser separada
da votação da continuidade da greve! Os bancários de cada banco
devem ter o direito de continuar em greve pelas questões específicas
de cada banco!
Na hora de encaminhar essa votação, a mesa embaralhou a proposta de
assembléias unitárias com a do horário das assembléias. Mesmo
assim, nossa proposta foi vencedora! A mesa se recusou a reconhecer o
resultado por contraste, se recusou a contar os votos e encerrou a
assembléia! Enquanto exigíamos a contagem dos votos e o respeito à
democracia, os integrantes da burocracia partiram para a agressão
física, precipitando um empurra-empurra em frente ao palco.
Repudiamos a postura daqueles que se consideram donos do microfone e
donos do sindicato!
Nossa luta agora é para garantir que o resultado da assembléia seja
respeitado. Mesmo porque, juntamente com a questão das assembléias
unificadas e do horário também foi votada uma proposta das
oposições, de que não se aceite de forma alguma qualquer acordo com
o desconto dos dias ou compensação das horas. Essa questão é
fundamental, pois se trata de garantir que aqueles que lutaram por
todos não sejam punidos por fazer greve. A punição aos grevistas é
parte de uma ofensiva do governo, que quer impedir as lutas a qualquer
custo, para não perturbar a gestão capitalista do país em meio a um
aprofundamento da crise global do sistema.
Por isso vamos lutar para garantir que o resultado das assembléias
seja mantido. A assembléia é o fórum máximo de deliberação dos
trabalhadores. Trata-se de uma questão de princípio do movimento
operário desde sua origem. Não podemos aceitar jamais que o
resultado de uma assembléia seja desrespeitado, porque a direção do
sindicato não concorda.
Assim que tivermos assembléia em São Paulo, vamos lutar para que as
votações da assembléia de 5/10 sejam reconhecidas:
- Não ao desconto dos dias parados ou sua compensação!
- Assembléias sempre às 16h! Assembléia conjunta para deliberar
sobre a proposta da Fenaban e assembléia específica para os acordos
específicos!
Bancários de Base – SP
Frente Nacional de Oposição Bancária
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