[Bancariosdebase] Manifesto: Contra os ataques dos governos e dos patrões, construir uma saída socialista dos trabalhadores
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Segunda Outubro 10 15:38:22 UTC 2011
Segue manifesto conjunto das organizações Práxis e Espaço
Socialista.
Daniel
"A sociedade que aboliu a aventura tornou a abolição dessa
sociedade a única aventura possível”
anônimo, pichado nos muros de Paris no maio de 1968
Manifesto em conjunto - Espaço Socialista e Práxis
http://www.espacosocialista.org/node/297 [1]
>> Versão em PDF (107.72 K) em
http://www.espacosocialista.org/sites/default/files/manifesto%20ES%20Sob.pdf
Estamos diante de um novo agravamento da crise econômica mundial,
que tem seu centro nos Estados Unidos e em vários países da Europa,
mas que tende a se fazer sentir também no Brasil.
O governo Dilma, alegando se preparar para a crise, ao invés de dar
prioridade aos trabalhadores e pobres, privilegia os grandes
empresários com isenções de impostos, empréstimos a juros baixos e
obras de interesse deles. Mantém taxas de lucros nas alturas, não
controla
os preços e destina a maior parte do orçamento do Estado para o
pagamento dos juros da Dívida Interna e Externa.
As medidas de redução dos gastos públicos no valor de R$10
bilhões se somam ao corte de R$ 50 bilhões anunciados no início do
ano. Os cortes atingem investimentos em educação, habitação,
saúde, entre outros serviços sociais. Ao mesmo tempo, o governo
libera mais de um bilhão em emendas para os parlamentares. Já a
corrupção, como sempre nos governos capitalistas, corre solta. Em
nove meses de governo já caíram cinco ministros, mas há muito mais
escondido.
A saída dos patrões e governo para responder à crise é o arrocho
salarial e a super-exploração contra os trabalhadores do setor
privado e do funcionalismo público. Os ataques têm crescido com a
imposição de mais tarefas, ritmos e jornadas extenuantes de
trabalho.
Os míseros aumento são absorvidos pela inflação. O endurecimento
diante das greves e a intervenção dos tribunais tem sido as armas
para reprimir as lutas. Esse ataque permanente não poderia ser
imposto sem a COLABORAçãO DOS PARTIDOS E CENTRAIS GOVERNISTAS, que
defendem e apóiam a ideologia burguesa de que para os trabalhadores
terem migalhas, os patrões têm que
ganhar bilhões.
Estes dizem que a única forma de gerar empregos e melhores salários
é dando todas as condições para o capital se valorizar. Ao cumprir
esse papel de gerente dos interesses do capital, as burocracias do PT,
CUT, CTB e Força Sindical buscam assegurar para si uma parte maior de
poder e privilégios. E buscam ajudar o governo a tranqüilizar os
trabalhadores, dizendo que o país está no caminho certo.
Mas a verdade é que a situação tende a se agravar para os
trabalhadores, pois o papel que o Brasil cumpre na economia mundial
como exportador de matériasprimas, plataforma de montagem de produtos
industrializados e o fato de depender de investimentos externos fazem
com que o país tenda a sofrer impactos da crise, com uma redução do
crescimento, estagnação
da economia ou até mesmo uma recessão.
É por isso que os trabalhadores e a juventude, além das suas lutas
imediatas, precisam colocar como tarefa a construção de alternativas
políticas e direções que superem estes setores que falam em seu
nome mas que de fato não contribuem para que suas lutas imediatas e
históricas avancem.
IMPULSIONAR AS LUTAS PARA ALÉM DAS QUESTÕES IMEDIATAS!
Neste semestre importantes categorias estão em campanha salarial
lutando pela recomposição salarial em um cenário inflacionário e
ainda de relativo crescimento econômico. Ao mesmo tempo a juventude
estudantil em todo o país protagoniza enfrentamentos com a política
educacional e com a crescente criminalização de suas lutas.
Precisamos encontrar formas de unificação das lutas para defender
um programa que não se restrinja a reajustes salariais e as questões
educacionais, da terra, etc.
Se depender da CUT e outras centrais pelegas e governistas, as lutas
no segundo semestre serão derrotadas, pois essas centrais
adaptaram-se aos interesses dos patrões do governo, preferindo
acordos rebaixados e sem qualquer processo de mobilização, pois não
querem que seu governo seja atingido.
Assim, é preciso que as campanhas, principalmente as das grandes
categorias, incorporem pautas que enfrentem também os grandes temas
nacionais. Não se pode deixar de fora a luta pelas condições de
trabalho, pelo aumento do salário mínimo, pela ampliação
significativa de investimento do PIB na Educação e também as lutas
de setores precarizados e da juventude,
que sofrem um nível altíssimo de exploração. Também são
importantes a luta contra a terceirização, pela redução da jornada
de trabalho sem redução de salário, o não pagamento das dividas
externa e interna, reforma agrária e urbana radical.
As denúncias de corrupção também abrem espaço para a denúncia e
para propostas concretas contra o atual regime e seus agentes. Assim,
é preciso incorporar às campanhas salariais propostas como a prisão
de todos os corruptos/corruptores e a expropriação dos seus bens.
É claro que não podemos lutar por bandeiras desta ordem sem que
seja realizado um processo de mobilização que conte com a unidade de
todos os setores em luta.
A recente marcha a Brasília que reuniu 20 mil pessoas foi um
importante passo no sentido de unificar os trabalhadores em luta. Mas
a questão é que se não avançarmos para patamares superiores de
enfrentamento ao governo e aos patrões nenhuma das bandeiras
levantadas serão conquistadas.
E esse fortalecimento passa necessariamente pela unificação das
campanhas salariais no segundo semestre e pela construção de uma
plataforma comum a partir das bandeiras específicas de mobilização.
Para isso se faz necessário além das estruturas formais dos
sindicatos, das oposições e das centrais combativas, criarmos
fóruns que unifiquem o conjunto do movimento neste segundo semestre.
Essa construção não pode ser realizada sem um amplo debate no
interior das categorias mobilizadas e sem que haja uma articulação
local, estadual e nacional dos que lutam.
O movimento social (sindicatos, movimentos populares e estudantil)
deve pautar este tema em todas as suas lutas e mobilizações.
Nesse sentido, entendemos que é urgente que tanto a CSP-Conlutas
quanto a Intersindical, que têm condições para isso, convoquem e
organizem umENCONTRO OU PLENáRIA NACIONAL DE ATIVISTAS para discutir
e aprovar um calendário de lutas, um programa mínimo unitário e
retomar a discussão sobre a construção de uma Nova Central
unitária de luta dos trabalhadores.
UNIDADE DEVE SER PARA LUTAR E PELA BASE!
A unidade do campo antigovernista e sua independência das centrais
pelegas é uma necessidade para que as lutas possam ser vitoriosas.
Mas a unidade dos trabalhadores não pode estar subordianda ao
controle desta ou daquela corrente.
Sem essa visão mais profunda, temos visto a esquerda se debater e se
digladiar sem conseguir se unificar nem sequer em nível de vanguarda,
como mostrou-se com a falência do CONCLAT em 2010.
Além disso, a unidade que devemos priorizar e desenvolver deve ser a
unidade pela base, indo além das cúpulas das correntes organizadas e
incorporando também os ativistas independentes.
AJUDAR OS TRABALHADORES A AVANÇAR EM SUA CONSCIÊNCIA E
ORGANIZAÇÃO!
Vinculado às lutas, é preciso todo um trabalho de crítica e
denúncia, uma verdadeira campanha de massas que revele e explique aos
trabalhadores os vários aspectos problemáticos do modelo de
exploração montado no Brasil, aspectos escondidos pela mídia
burguesa e chame o conjunto dos trabalhadores à luta. Aqui vemos os
limites tanto da CONLUTAS como da INTERSINDICAL, pois apesar de
estarem no campo de luta e antigovernista, não impulsionam esse
trabalho mais político e ideológico necessário e apontado acima.
Não há campanhas políticas maiores, para elevar o nível de
consciência e organização dos trabalhadores deixando-os assim à
mercê da ideologia burguesa.
Não há materiais sistemáticos de nenhuma dessas centrais para
serem distribuídos nas fábricas,
universidades e estações, muito menos um trabalho com carros de som
nos bairros, cartazes, campanhas pela internet, etc. E isso por
responsabilidade de suas direções majoritárias (PSTU e PSOL).
Outro exemplo dessa intervenção limitada ao imediato e aos aspectos
parciais está no lema que a CONLUTAS apresenta para as campanhas
salariais do 2º semestre: _”Se o Brasil cresceu, trabalhador quer o
seu!”_. O problema desse lema é que implicitamente rebaixa o
horizonte das lutas dos trabalhadores à questão do salário,
deixando de lado as demais condições de trabalho. Mais
profundamente, esse lema não toca no projeto de exploração em curso
no país, aplicado pela burguesia, o governo e a burocracia, se
contentando em que os
trabalhadores tenham uma parte um pouco maior.
Porém o acirramento da crise apresenta cada vez mais o desafio de
que para se conseguir melhorias reais os movimentos dos trabalhadores
devem enfrentar e quebrar a lógica capitalista do lucro. É preciso
preparar os trabalhadores para essa realidade e para os novos desafios
com uma atuação mais qualificada, ou seja, mais politizada!
Assim, vemos que faz falta um PARTIDO/ORGANIZAçãO REVOLUCIONáRIA
que se contraponha de modo profundo, sistemático e consequente à
política e ideologia burguesa assumida e difundida pelos partidos
reformistas (PT e PC do B) e defenda a unidade pela base dos
movimentos/ativistas e por um poder dos trabalhadores, no sentido de
uma transformação socialista.
A partir de discussões e acordos em vários pontos
político-programáticos, as organizações Espaço Socialista e
Práxis/SoB publicam esse manifesto.
Nosso objetivo é contribuir com reflexões e propostas para as lutas
desse 2º semestre dentro da nova realidade brasileira, a partir da
recaída da crise do mundial do capitalismo
Outubro de 2011 - Espaço Socialista e Práxis
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