[Bancariosdebase] Textos BDB

Bancários de Base bancariosdebase em yahoo.com.br
Terça Fevereiro 21 21:09:51 UTC 2012


Olá!
Tomamos a liberdade lhes enviar alguns textos.
Gostaríamos que nos retornassem com suas ideias e impressões. Estamos
organizando uma reunião de bancári em s para o 3º ou 4º final de semana de março,
por favor, sugiram a data mais adequada. 
 
Grande abraço, 

Coletivo Bancários de Base
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Iniciado o novo ano, claro que todos temos
expectativas. Sejam elas no campo profissional, pessoal, familiar, acadêmico,
não importa. Mas se tratando de nós bancários e bancárias, o final de 2011 em
particular não nos trouxe, infelizmente, prenúncios afirmativos. Afinal de
contas mais uma vez terminamos o ano com uma enorme sensação de que nossa luta
poderia e deveria ter nos trazido resultados bem melhores do que atingimos.
Pior ainda, é a sensação que assistimos o mesmo filme a cada ano. Ainda que
tentemos ser protagonistas no processo e muitos de nós nos empenhemos pra mudar
o roteiro que é definido pelo governo de plantão e os banqueiros, existe um
outro ator: o conjunto de "nossas " entidades sindicais e
associativas que seguidamente nos faz questionar até que ponto podemos contar
com tais pessoas. Como se não bastasse governo, patrão, justiça, polícia,
gestores, furas-greve, pelegos de todo tipo, ainda temos que enfrentar a
postura dúbia de entidades (contraf-cut e seus satélites) que mais parecem estar
presentes pra nos prestar desserviços.  Tudo fazendo pra que
prevaleçam seus objetivos ligados a partidos, correntes, centrais sindicais,
grupos e figuras carimbadas recheadas de projetos pessoais e carreiristas. O
resultado disto é assédio permanente, metas cada vez maiores, aprofundamento
das doenças físicas e psicológicas, clima de competitividade e disputa entre
colegas, desemprego, terceirização, precarização, vida pessoal e social
comprometidas, desajustes familiares, envelhecimento precoce, aumento descomensurado
de correspondentes bancários (a maioria despreparada para desempenhar
funções bancárias), discriminação a usuários e clientes de baixa renda,
etc., etc. Por outro lado, o lucro dos banqueiros é cada vez mais exorbitante e
a sua ousadia no que se refere ao péssimo tratamento dispensado aos baixa-renda
e trabalhadores aumenta na mesma proporção em que crescem seus lucros. Na mesma
intensidade também crescem o descaso, a paralisia, a falta de compromisso, a
politica de conciliação de "nossos representantes".
Na medida em que governo e banqueiros aprofundam
seu projeto estratégico (comum aos dois atores) para o sistema financeiro, que
é altamente prejudicial à sociedade de conjunto (juros e tarifas exorbitantes,
insegurança, correspondentes, atendimento precário, privatizações, fim do papel
social dos públicos, etc.) e aos trabalhadores (demissões, extinção de postos,
assédio, remuneração variável, adoecimento, etc), a porção maior do movimento
associativo e sindical torna-se cada vez mais adequado e conciliador... aos
patrões e governo.
O entendimento que temos é o de que não adianta
esperar que soluções surjam para toda esta gama de problemas, a partir de
entidades descompromissadas com a luta dos trabalhadores. A experiência feita é
mais do que suficiente. Neste sentido, buscamos nestes anos todos construir com
vocês bancários e bancárias uma alternativa diferenciada. Desta maneira já
possuímos acúmulo suficiente pra iniciarmos um novo período de luta. Como é do
conhecimento de muitos, vimos a algum tempo buscando construir nacionalmente
tal alternativa através de dirigentes sindicais ligados a entidades
associativas e sindicais de oposição e comprometidos verdadeiramente com a
luta. Fazem parte também deste conjunto militantes, ativistas, delegados
sindicais, cipeiros, simpatizantes e colaboradores como você e outros. Mas pra
avançarmos e construirmos a transformação afirmativa que necessitamos, temos
que nos organizar e nos estruturar em outro patamar. Pra isso precisamos de
mais participação. Nos encontramos em vários Estados e somos constituídos de
Entidades e Coletivos locais e regionais que têm como projeto estratégico mais
próximo afirmar a consolidação da FNOB (Frente Nacional de Oposição Bancária).
Em breve realizaremos um Encontro com todos os interessados e defensores da
opinião de que necessitamos realizar mudanças, sob o risco (creiam, sem
exagero) de "morrermos todos abraçados”.
Nos comprometemos a lhe enviar materiais e
documentos frutos de nosso acúmulo até o presente. E gostaríamos de juntos
construirmos não só este Encontro, mas também as mudanças necessárias com a
finalidade de nos tornarmos protagonistas de algo novo e diferente do temos
hoje e que nos faz muito mal. Voltaremos, em breve, com informes. Saudações a
todos!!!
 
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O NEOPELEGUISMO E O SINDICATO ORGÂNICO.
Este, no nosso entendimento, é um momento propicio pra reabrirmos de forma mais ampla o debate que se encontra por trás do tema proposto. Momento onde a submissão descarada de “dirigentes sindicais” e as seguidas derrotas dos trabalhadores, se evidenciam, em particular para os bancári em s e trabalhador em s dos correios.  Em ambas as campanhas, a vitória era mais do que possível em função da disposição de luta de parte importante dos grevistas.  Porém,  o resultado trouxe, em particular aos trabalhador em s mais participativos, a sensação de  mais uma vez terem sidos traidos. Fica-nos a lição de que temos de continuar lutando sempre. No entanto temos a tarefa inadiável de transformar nossas entidades. A História deve ser nossa aliada pra buscarmos entender o porquê de tal situação e a superarmos;
A partir do inicio do primeiro governo FHC e o aprofundamento na implementação do projeto neoliberal no Brasil, lamentavelmente a maioria dos setores que compunham os movimento sociais foram se adaptando à ordem vigente. Com o sindicalismo não foi diferente. Já no momento imediatamente anterior o auto-denominado “campo majoritário” da CUT havia tomado resoluções de forma burocrática no sentido de vincular “organicamente” a central à CIOSL ( Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres ), criada na guerra fria pra fazer frente ideológica à esquerda sob patrocinio da CIA e das corporações imperialistas, como linha auxiliar ao Capital Internacional e atuação junto às ditaduras, em particular da América Latina.  Além desta proposta que acabou vingando, veio conjuntamente tivemos um profundo processo de burocratização, perda de autonomia e funcionamento anti-democrático,dee uma desestruturação (na pratica)
 das OLTs (Organização por Local de Trabalho). Como se não bastasse, este mosmo setor passou a defender e implantar ora enrustida, ora descaradamente mudanças substanciais na relação capital -trabalho. Sempre de acordo com interesses partidários, de correntes e de grupos, além de projetos carreiristas pessoais em detrimento da nossa classe e da nossa luta. Assim vieram as câmaras setoriais na industria (acordo tripartite governo, patrão e sindicatos onde só os trabalhadores foram de fato consquentes), politicas de conciliação de classes,  (falsas) saidas institucionais ao invés de lutas, estruturas sindicais corporativas, carreirismo e profissionalização de dirigentes descompromissados.  Pra completar, problemas de corrupção, uso indevido das estruturas sindicais e sua completa instrumentalização, Centrais Sindicais “mães” e centrais satélites (subservientes e com tarefas específicas), não combate efetivos às
 terceirizações, flexibilização de direitos, remuneração variável, etc. E a “jóia da coroa”;  A institucionalização do famigerado sindicato orgânico ou sindicato cupulista, que teria a função de “legitimar” toda a “trairagem”. O sindicato orgânico seria uma versão tupiniquim do sindicalismo americano/europeu, que não só financiaram  a cúpula do chamado “novo sindicalismo” (que deu origem junto com  outros setores à CUT),  como também o instruiu ideologicamente com cursos, viagens, estágios,etc.  Tal forma organizativa se caracteriza por uma estrutura altamente verticalizada,  onde os sindicatos de base perdem autonomia e são subordinados aos comandos e direções confederativas chefiadas por pseudos semi-deuses encastelados burocratica e/ou criminosamente. Sindicatos viram departamentos desta cúpula “iluminada”. Impõe estatutos padronizados , câmaras  bipartites ou tripartites sem considerar quaisquer
 opiniões que partam da base. As decisões de assembléias são ignoradas, não possuem relevância e a função das OLTs é meramente “carregar piano” pras “grandes lideranças” manterem seu “status quo”.  Tentaram pela via burocrática e continuam tentando oficializar de vez, agora que são governo, através das Reformas Sindical e Trabalhista. O processo está em curso.  Com doses homeopáticas,  em ritmo crescente aos poucos vão avançando. É assim,  pois mesmo suas bases sindicais (dirigentes, os chamados bagrinhos) corporativamente não querem perder seus privilégios e são obstáculo. Além é claro dos poucos que  não se renderam a esta lógica. O assunto é estratégico para n em strabalhador@s. Está na ordem do dia do governo, dos patrões e dos falsos defensores da classe que se auto-denominam dirigentes sindicais sem o serem. Temos que nos organizar melhor e agirmos. Já estamos atrasados.

 
SITUAÇÃO DA CATEGORIA
 
O cotidiano da categoria:
perspectivas individuais e luta coletiva 
 Uma profunda insatisfação resultante do
cotidiano de trabalho é recorrente e disseminada por toda a categoria bancária.
Temos poucos momentos para refletir, debater, e buscar soluções para os
problemas aparentemente individuais, mas que em verdade são coletivos (apenas
vivenciados de forma peculiar por cada um de nós). A insatisfação se propaga
pela vida familiar, nas relações inter-pessoais em geral, sem que o possamos evitar.
Como chegar em casa tranquilamente e poder curtir momentos felizes com as
pessoas que gostamos, ou então, nos dedicarmos à leitura, ao estudo, ou a algum
afazer que nos traga satisfação, quando nos sentimos atrofiados, esgotados pela
labuta diária?
Inventamos assim pequenas formas compensatórias.
Contamos as horas e dias para nos aliviarmos um pouco da rotina de trabalho,
aguardando os fins de semana, ou ansiando pelas férias. O fim de semana passa
como um piscar de olhos, tal como o mês de férias e voltamos a contar o
calendário para nos aliviarmos novamente.
Como isso parece interminável, alguns passam a
alimentar o desejo de melhoria das condições de vida e trabalho
individualmente, investindo forças para ascender na carreira dentro da empresa
(o que amenizaria os problemas financeiros) ou considerando que o emprego,
necessário para o sustento de si e dos familiares, é algo passageiro, que um
outro emprego poderá propiciar mais satisfação e potencializar as capacidades
criadoras de cada um de nós. Aqueles que já percorreram um tempo maior na
empresa, passam a contar o calendário com vista à tão sonhada libertação: a
aposentadoria. Tais projetos são legítimos, considerando que não se visualiza
uma possibilidade concreta de melhoria nas condições de vida e trabalho. São,
no entanto, limitados e sintomáticos de um sentimento de impotência frente à
engrenagem que nos oprime e perpetua seu poder, suprimindo a preciosidade da
vida que só existe concretamente no momento presente. 
Se a propaganda dos bancos vende a idéia de que são
empresas que se pautam pela responsabilidade social, é fácil verificar que este
discurso é falso, tanto em relação ao trato com os trabalhadores quanto com os
clientes e  com a sociedade em geral.
Enquanto somos nós quem de fato realiza o trabalho que promove o lucro dos
bancos, ficamos relegados às arbitrariedades dos banqueiros, sejam eles
públicos ou privados . Ocorre atualmente em grande escala incorporações,
fusões, reestruturações, que interferem diretamente no nosso dia-a-dia de
trabalho, sem o mínimo de transparência e preocupação com a melhoria no que
tange à realização do trabalho feita por nós. Ao contrário, o objetivo é sempre
obter mais lucros, baseando-se na exploração maior ou mais eficiente da nossa
mão de obra. Para nós fica a insegurança em relação ao que virá...
Os casos de doenças provenientes do esforço laboral
(físicas ou psíquicas) são cada vez mais freqüentes e, no entanto, encarados de
forma naturalizada, fazendo com que se transfira a responsabilidade ao adoentado,
“culpado” por não conseguir se “adaptar” às exigências do mercado. Muitos
colegas, ao se aposentarem, já estão com a saúde bastante debilitada, e ao
invés de poderem curtir o tempo livre, passam a ter que cuidar da saúde perdida
nos anos de trabalho. 
A resistência coletiva frente aos problemas
colocados (da exploração e alienação do trabalho) deve ser promovida pela
organização sindical. O movimento sindical que, de acordo com uma concepção
legítima de atuação, deve batalhar para a real melhoria das condições de vida e
trabalho, é atualmente percebido como algo distante, virtual, mais atento à
alta política do que propriamente à política de base, o que pressuporia,
necessariamente, a participação ativa e ampla do conjunto dos
trabalhadores. 
A necessidade de mudança que cada um de nós sente,
a solidariedade que nutrimos uns com os outros, exige algo além de saídas
individuais por um lado, e, por outro lado, algo diferente do que a atual
direção do sindicato propõe e propaga (de forma direta ou disfarçada) com
vitórias forjadas, política de gabinete, negociações obscuras feitas à revelia
da vontade do trabalhador, condutas que, enfim, pouco ou nada significam para o
trabalhador. Mas o movimento sindical vai além da política de uma determinada
diretoria, ele nasce da auto-organização, o que constitui uma tarefa árdua,
porém, mais do que nunca, necessária. Cada um de nós tem muito a contribuir
para o conjunto da categoria. Buscar a autonomia, ou seja, uma autentica
posição de luta frente aos problemas cotidianos é tarefa que parte de
consciência individual para a coletiva e que precisamos
exercitar em nosso cotidiano a partir dos nossos locais de trabalho e
outros locais de convivência. 
Para tal objetivo entendemos que o papel dos
delegados sindicais nos bancos públicos é fundamental, que a atuação desses se
faça sentir permanentemente, em conjunto com os colegas de trabalho e
articulando-se com outros delegados sindicais. Nos bancos privados, mesmo
considerando a impossibilidade legal dessa forma de organização, entendemos ser
possível e necessário o esforço nesse sentido. A participação nos fóruns
deliberativos e organizativos é, da mesma forma, essencial para
batalharmos em conjunto por uma frente democrática que encaminhe a vontade da
base. Chamamos a atenção dos colegas para os congressos dos bancos públicos. A
partir das deliberações destes congressos será elaborada a pauta de
reivindicações dos bancos públicos. Participar do processo é necessário para
levarmos nossas reais necessidades e cobrarmos que elas sejam encaminhadas pela
diretoria do sindicato. 
Compreendemos que existe uma
série de empecilhos estruturais para a participação no movimento, mas os
obstáculos só poderão ser superados se os trabalhadores e
trabalhadoras tiverem coragem e determinação para construir uma
organização a partir da base. Nosso movimento nos levará pelos caminhos que
forjamos  baseados no nosso desejo de
viver de forma intensa e plena, pelo potencial que reconhecemos em nós e
almejamos por em ação, mesmo que sejamos constantemente subjugados por
aqueles que tentam suprimir nossos sonhos e desejos de uma vida mais
plena.  É possível.
-------------- Próxima Parte ----------
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