[Bancariosdebase] declaração sobre as eleições e o golpe no Egito

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Terça Junho 26 18:46:33 UTC 2012


     

	Olá comp em s [1]
 Segue Declaração do Espaço Socialista sobre as eleições e o
golpe no Egito;
 Daniel
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 “So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years! 
 Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!” 
 “Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos! 
 Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!” 
 Iron Maiden, “Wasted Years” 
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	DECLARAçãO SOBRE AS ELEIçõES E O GOLPE NO EGITO 
	A Junta Militar, para se manter no controle e evitar a mudança real
do regime, que abriria condições mais favoráveis para as lutas dos
trabalhadores e a da juventude desempregada, deu um verdadeiro golpe
miltar, em meio ao processo eleitoral. 

	Primeiro a Suprema Corte (em que a Junta tem o controle) cancelou
(dissolveu) o parlamento em que a Irmandade Muçulmana tinha obtido
maioria, após as eleições de novembro passado, e proclamou a Junta
Miltar o poder legislativo no país. A Junta Militar irá convocar
novas eleições parlamentares apenas depois de pronta a nova
Constituição, que será escrita... sob o controle da mesma Junta.  

	Em seguida, prevendo que seu candidato (um ex-primeiro ministro do
governo Mubárak) seria derrotado, a Junta militar na prática
esvaziou o cargo de presidente das suas funções, transferindo-as
para si própria. 

	Por último, assim que a apuração mostrou a vitória de Mohamed
Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana, a Junta Militar recusou-se
a divulgar o resultado, a fim ganhar tempo para pressionar o
presidente eleito a aceitar os termos de governo da Junta Militar. 

	Assim, o Egito tem hoje um presidente figurativo, pois todo o poder
de fato está concentrado nas mãos do Exército.  
	O Exército do Egito representa sua burguesia, associada ao
imperialismo. O próprio Exército como instituição é dono direta
ou indiretamente de cerca de 33% da economia do país, e tem receio de
que o governo da Irmandade Muçulmana queira de alguma forma diminuir
esse controle. 
	O Exército do Egito recebe ajuda dos Estados Unidos (2ª maior verba
no mundo depois da que é destinada a Israel). Por sua parte o
Exército é fiador dos acordos com o imperialismo americano e com
Israel. 
	A IRMANDADE MUçULMANA 

	Os 30 anos da ditadura de Mubárak sufocaram o desenvolvimento da
organziação independente dos trabalhadores, e então a oposição ao
regime foi capitalizada pela Irmandade Muçumana, uma organização
islâmica, que também representa setores da burguesia e da classe
média do Egito que têm alguns conflitos de interesses com os EUA e
Israel, mesmo que no marco da manutenção da exploração e
submissão dos trabalhadores. 

	A maioria dos trabalhadores e jovens, que protagonizaram as grandes
mobilizações de 25 de janeiro de 2011, que derrubaram Mubárak e
obrigaram os militares a tolerarem greves e lutas e a chamarem
eleições, depositaram suas esperanças nos candidatos da Irmandade
Muçulmana, tanto nas eleições parlamentares quanto na presidencial.
 

	Fizeram isso esperando que esse partido enfrentasse os acordos com o
imperialismo e Israel e tomasse medidas para resolver os problemas
sociais, entre eles o desemprego e os baixíssimos salários, em um
pais com uma das principais economias da região e que exporta grande
quantidade de petróleo. 

	Nesse sentido, por trás da Irmandade Muculmana estavam as massas com
suas reivindicações, que poderiam levar ou a uma esquerdização
mínima desse partido ou ainda a serem ultrapasados pelas
mobilizações em um curto espaço de tempo, à medida em que fizessem
a experiência com os limites de um govenro da Irmandade.  

	A liberdade de mobilização e de organização conquistada a partir
da Rebelião/Revolução Democrática de 2011 trazia imensas
preocupações à burguesia e ao imperialismo e por isso devia ser
contida e retrocedida.  

	Essa tendência de retrocesso na liberdades democráticas dos
trabalhadores vêm se dando em vários países e expressa o fato de
que o capital em crise estrutural precisa impor níveis de
exploração cada vez mais intensos e é incapaz de conceder as
liberdades democráticas mínimas, pois tendem a ser utilizadas pelos
trabalhasdors e jovens para questionar e ameaçar jsutamente esse
padrão de exploração necessário ao capital.  

	Dessa forma, mais do que temer um governo da própria Irmandade, o
imperialismo e a burguesia temem a mobilização popular que pode vir
a ultrapassar esse partido e que assim já havia feito nas
mobilizações de 2011.  

	Para ganhar posições no Estado, a Irmandade, aceitou covardemente o
golpe, não chamando à mobilização quando o movimento estava
disposto a resistir, em meio ao processo eleitoal. Preferiu o jogo de
cena que no último desenlace levou à sua completa capitulação à
Junta Militar para que pudesse “assumir” a presidência, quando o
poder real permanece com os militares.  
	De fato, a Irmandade Muçulmana, não vai mobilizar a população
contra o regime, pois agora faz parte dele, em posição submissa.  

	O golpe pretende ir fechando gradualmente os espaços democráticos
de mobilização pelas demandas populares. Resta saber se
conseguirão, pois nenhum dos grandes problemas sociais que levaram
milhões às ruas e às praças foram atacados. A situação social
segue agravando-se. Não se pode esperar estabilidade, pelo menos por
enquanto.  

	Assim, a situação do Egito só pode ter um desenlace positivo para
os trabalhadores e a juventude pobre e desempregada se não
interromperem sua luta, se conseguirem impor na prática a liberdade
de organização e de manifestação que os militares devem buscar
sufocar e reprimir, com a conivência da Irmandade. 

	Abre-se um novo período em que os trabalhadores e a juventude devem
apostar no desenvolvimento de suas lutas e formas independentes de
organização, dessa vez enfrentando mais diretamente o capital e seus
representantes: a Junta militar e a Irmandade Muçulmana.  
    * 

	ABAIXO O GOLPE MILITAR! 
    * 

	FORA A JUNTA MILITAR E A SUPREMA CORTE! 
    * 

	POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES SURGIDO E APOIADO NOS MOVIMENTOS E
NAS SUAS ORGANIZAçõES DE LUTA. 
    * 

	REDUçãO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUçãO DOS SALáRIOS! 
    * 

	AUMENTO GERAL DOS SALáRIOS!  
    * 

	RUPTURA DOS ACORDOS COM OS EUA E COM ISRAEL!
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