[Bancariosdebase] tarefas Frente
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Domingo Março 18 12:09:43 UTC 2012
Olá comp em s [1] da Frente Nacional de Oposição Bancária
Estamos num momento importante para a construção da FNOB, com
várias tarefas colocadas em diferentes frentes e diferentes bases, ao
mesmo tempo em que paralelamente temos que dar conta de um projeto
mais estratégico e de longo prazo para a organização da categoria
bancária.
É nesse sentido que queremos partilhar algumas reflexões que
tivemos a partir do coletivo Bancários de Base – SP.
A inscrição de uma chapa “pura” da FNOB para a FUNCEF foi uma
importante vitória para nos dar visibilidade perante a categoria.
Entretanto, consideramos que o processo da FUNCEF tem que ser encarado
no contexto da situação do conjunto da categoria e do projeto geral
da FNOB. Nesse contexto, temos algumas ressalvas ao andamento desta
fase atual do projeto da FNOB, que se referem a dois aspectos: 1º) a
questão do método e 2º) a linha política para as eleições.
1º) A questão do método
A FNOB tem tido problemas no que se refere à manutenção de fóruns
regulares de funcionamento. As reuniões da coordenação não tem
acontecido. Dessa forma, as decisões acabam sendo tomadas em fóruns
“paralelos”, em operativos via contato telefônico, que acabam
impedindo a participação de todos. Sabemos que há decisões
executivas que são urgentes e requerem agilidade. Entretanto, têm
havido decisões que na nossa avaliação não são meramente
executivas e interferem na linha política da Frente, e que mesmo
assim foram tomadas sem discussão em fóruns regulares, conforme
exporemos no ponto seguinte.
Quando não há fóruns regulares de deliberação a linha política
e as tarefas não ficam claras. A participação da FNOB nas
eleições da FUNCEF, PREVI e CASSI não havia sido mais do que
brevemente sinalizada em debates anteriores. No momento decisivo da
composição das chapas, uma política foi aplicada em cada uma das
entidades, sem ter sido amplamente discutida. Além disso, tarefas
foram tiradas também sem ampla discussão, por fora de um mecanismo
coletivo de comunicação, via e-mail pessoal de alguns militantes.
Estávamos envolvidos ainda na panfletagem do 1º jornal da FNOB na
base de São Paulo e tivemos que girar repentinamente para o operativo
de coleta de assinaturas para a FUNCEF. Lembramos que atuamos numa
base territorialmente gigantesca, urbanisticamente precária, com mais
de 100 mil trabalhadores, espalhados em milhares de locais de trabalho
e em complexos nas regiões centrais, que requerem uma verdadeira
“operação de guerra” em termos de deslocamento e coordenação
de ativistas para serem panfletados, com a dificuldade adicional de
que não temos ninguém liberado, de modo que tivemos que contar com o
apoio de companheiros de outras categorias para dar conta dessa
tarefa, o acesso aos prédios da CEF é dificílimo para quem não é
do banco, há veto da segurança predial, etc..
Esse tipo de giro repentino em torno de uma política que não foi
amplamente debatida gerou tremendos desgastes e mal-entendidos entre
os ativistas do coletivo.
Julgamos apropriado destacar que nos retiramos do MNOB (espaço em
que alguns de nós nunca sequer estiveram) justamente pela
inexistência de fóruns regulares de deliberação, que resultavam em
políticas tiradas na cúpula dirigente e impostas de cima para baixo
sobre os ativistas de base. A FNOB precisa se precaver urgentemente
contra a possibilidade desse tipo de degeneração metodológica
precoce. Todos apostamos na construção da FNOB e estamos empenhados
nesse projeto, por isso insistimos na necessidade de métodos
democráticos, que incluem fóruns regulares de deliberação, em que
se saiba quais propostas e linhas políticas estão em discussão e se
possa opinar e votar sobre o que vai ser feito com a devida
antecedência.
2º) A linha política das eleições
Consideramos que foi acertado inscrever uma chapa “pura” da FNOB
para a FUNCEF, em que pese a discussão ter sido muito restrita e
termos uma série de elementos programáticos que julgamos
imprescindíveis nesse debate, os quais apresentamos abaixo ao final
da mensagem. E consideramos que foi um erro se inscrever em chapa para
a PREVI incluindo o MNOB e houve um momento em que, por falta de
informação, chegamos a acreditar que a FNOB apoiava uma chapa da
CASSI em que há a CTB. Até o chat da coordenação desta última
quarta-feira não tínhamos informação sobre como se deu esses
processos.
Ficou claro que o MNOB buscou aliança com setores governistas para
montagem das chapas, e onde isso foi possível, como na FUNCEF, eles
montaram a chapa. A prioridade do MNOB tem sido a obtenção de cargos
a qualquer custo, mesmo que isso envolva mendigar cargos em aparatos
controlados pela burocracia. Onde não foi possível obter esses
cargos, ou seja, onde eles não foram aceitos pelo governismo, como na
PREVI eles buscam o apoio da FNOB. E a FNOB aceita esse pedido de
apoio?! Na Cassi é ainda pior, pois há a presença de Humberto da
CTB, que defende a cláusula de “valorização dos dirigentes
sindicais” na pauta de reivindicações, a vexatória “cláusula
José Lourenço” da CONTEC. Sob nenhum critério se justifica a
participação ou o apoio a esse tipo de chapa, por isso concordamos
com a decisão da coordenação de não apoiá-la enquanto FNOB.
Para nós o critério deve ser político e programático. O critério
não pode ser se o MNOB nos procurou ou não para compor chapa, mas
que tipo de política e de programa defendemos para estar numa chapa.
O MNOB representa um certo tipo de política, uma espécie de
oposição “light”, centrista e oportunista, uma oposição
consentida pela burocracia e conveniente, que não enfrenta as
questões centrais da categoria. A FNOB representa outro tipo de
política e outro tipo de projeto! Se o MNOB não serve para estar
conosco na chapa da FUNCEF, também não serve para a chapa da PREVI e
da CASSI!
Deve ficar claro para os trabalhadores o que é o MNOB e o que é a
FNOB. O MNOB que não está conosco na FUNCEF é o mesmo MNOB que
está conosco na PREVI e na CASSI. Não existe um MNOB ruim e um MNOB
menos ruim, ele é ruim inteiro, senão ainda estaríamos dentro. Se
eles não estão conosco na FUNCEF, mas nós estamos com eles na PREVI
e na CASSI, não foi porque o MNOB é um pouco melhor na PREVI e na
CASSI, mas porque a burocracia não os aceitou na PREVI, e nós a
aceitamos na CASSI! A incoerência é nossa e não deles! Eles estão
em busca de cargos a qualquer custo, e nós não! Não há um MNOB que
presta e um que não presta, há um só MNOB, que estão capitulando
ao governismo em busca de cargos. Se temos como princípio ser
oposição ao governo, não podemos apoiar setores do governismo em
qualquer processo que seja!
Trabalhamos em bancos diferentes, mas pertencemos a uma mesma
categoria, que tem um mesmo patrão, o governo, ao qual fazemos
oposição! Essa deve ser a marca da FNOB! Temos que resgatar essa
consciência de que pertencemos a uma mesma categoria, que tem um
patrão, o governo, que é aliado dos outros patrões, os banqueiros,
todos apoiados por uma burocracia, que usurpa nossos organismos de
representação. A oposição incondicional ao governo, banqueiros e
burocratas, em qualquer setor ou entidade, é a condição para que a
categoria se enxergue como categoria e como segmento da classe
trabalhadora. Fazer esse tipo de oposição, sem concessões, é a
tarefa central da FNOB!
Feitas essas duas ressalvas, listamos a seguir duas propostas
práticas em relação à questão metodológica:
- Que as reuniões da coordenação tenham uma periodicidade regular,
que se não puder ser semanal, seja ao menos quinzenal, conforme a
necessidade, mas que isso seja discutido e anunciado com a devida
antecedência.
- Instalação imediata do grupo de discussão da FNOB, deliberado no
Encontro de São Luís. A discussão de mensagens no teor desta que
estamos enviando tem que ser feita via grupo de discussão, não
através de e-mails pessoais. Em cada coletivo da FNOB há pessoas que
tem se encarregado dos contatos com os coletivos de outras regiões e
cada um tem sua lista de contatos pessoal de e-mails, mas há contatos
que estão na lista pessoal de alguns e não de outros, há mensagens
que chegam para uns e não para outros, há fatos, idéias e propostas
de que alguns tomam conhecimento e outros não. O sentido da criação
do grupo de discussão é unificar essas listas, com cada coletivo
inscrevendo seus participantes. Assim, todas as discussões sobre a
política e as tarefas da FNOB podem ser enviadas para o e-mail
FNOB em yahoogrupos.com.br [2], de modo que todos possam tomar
conhecimento e opinar e tenhamos um processo realmente democrático.
Cada coletivo deve enviar os e-mails dos seus componentes para a
construção da lista e priorizar o envio de mensagens para essa
lista. Para o pontapé inicial enviamos os e-mails de Márcio, Messias
e Rosana, integrantes do Coletivo Bancários de Base – SP
(marciocarsi em yahoo.com.br, rosana.ros em gmail.com,
utopia_s em yahoo.com.br).
Em relação à questão política, entendemos que a participação
da FNOB nas eleições deve ser feita com base num critério de
política e de programa. Devemos ser aqueles que enfrentam as
questões estruturais e esclarecem o seu sentido para a categoria,
chamando a se organizar para uma luta implacável contra o governo, os
banqueiros e a burocracia. Nossa campanha na chapa da FUNCEF deve dar
conta de expor essas questões estruturais. Por exemplo, o fato de que
na estrutura da FUNCEF a direção do banco, ou seja, o governo, tem
voto de minerva, de modo que os funcionários não tem praticamente
nenhum poder de decisão. Isso deve ser destacado na campanha da
chapa, pois não podemos nos limitar a pedir votos.
Na PREVI e na CASSI a questão é mais problemática, pois não se
trata de chapas em que possamos apresentar apenas a nossa política,
pois há outras correntes na chapa. Entretanto, é preciso que a FNOB
dispute para que a sua política esteja na campanha da chapa. Caso as
outras correntes se recusem a contemplar os pontos que defendemos, a
FNOB tem autonomia para fazer a campanha com materiais próprios.
Nesses materiais devemos colocar a nossa política e o nosso projeto,
o nosso programa em relação a essas entidades. Nesse programa devem
ser colocadas as questões estruturais relativas à PREVI e CASSI.
Programa político e princípios, como o anti-governismo, são
inegociáveis!
Sem que a campanha da FNOB faça a discussão das questões
estruturais, vemos como bastante problemática a participação do
Coletivo Bancários de Base – SP nas campanhas da PREVI e da CASSI.
Não temos como pedir votos na nossa base para chapas que colocarem
sua campanha apenas a serviço de pedir votos, sem uma demarcação
clara em relação à burocracia e sem uma crítica ao projeto do
governo para essas entidades. Um programa que contenha as reais
reivindicações da categoria deve ser, repetimos, ponto inegociável
dos materiais da campanha.
É nesse sentido que propomos a seguir, em anexo, alguns elementos de
programa como contribuições para os materiais de campanha da FNOB.
Saudações
Daniel
Coletivo Bancários de Base – SP
Frente Nacional de Oposição Bancária
ELEMENTOS PROGRAMÁTICOS PARA AS CAMPANHAS
FUNCEF
Com o início da implementação do projeto neoliberal, a panacéia
do estado mínimo como solução de todos os males tomou conta de
todos os debates e a mídia nacional, comprometida com o “status
quo” pernicioso para a maioria da população, cumpriu papel
relevante e como sempre subserviente aos seus interesses de classe.
Passou-se a buscar a toque- de- caixa a realização das várias
reformas de interesse da classe dirigente. A reforma da previdência
foi uma delas. Importante salientar que o projeto das reformas, não
totalmente implementado, ainda continua na pauta da classe dirigente,
que aguarda o momento mais propício. Sabemos que estrategicamente
buscam o fim da previdência pública. E moldar a previdência privada
como substituta da pública teria que passar necessariamente por
mudanças estruturais no seu funcionamento. E conseguiram em parte, na
medida em que os próprios dirigentes sindicais em seu setor
majoritário não só defenderam como atuaram com o governo e a
patronal neste sentido. A mudança nas regras de funcionamento e
principalmente a defesa e aplicação da substituição do caráter de
benefício definido para a contribuição definida foram
determinantes. Assim proporcionaram ao governo-patrão no caso dos
associados da Funcef a migração “espontânea” daqueles que
optaram pelo saldamento do Reg-Replan para o novo plano. E como não
conseguiram acabar com o plano antigo, passaram a ter um discurso
contrário à discriminação dos associados do Reg-Replan não
saldado, mas na pratica nada fizeram e fazem para mudança real neste
tratamento e conjuntamente com a direção da empresa, estimularam e
defenderam novas aberturas de saldamento em ressonância com a CAIXA.
Aos associados do plano não saldado ameaçam com aumento
indiscriminado das contribuições, impossibilidade de acesso ao novo
PCS, assédio continuo para saldamento/mudança do plano antigo
enquanto foi possível. Quanto à PREVHAB, a CAIXA ao não obter a
liquidação do Fundo de Pensão, obteve a prerrogativa de não mais
patrocinar o plano. Muitos migraram para a Funcef, numa ação
confusa, sem maiores convicções. Quanto aos aposentados e
pensionistas, foi oferecida a migração para a então seguradora da
CAIXA (SASSE SEGUROS), e tiveram suas remunerações defasadas. Se
alguns querem voltar para a Prevhab, que tenham esse direito.
Entendemos também que o nosso fundo de pensão não pode servir de
ferramenta, para através de decisões políticas muitas vezes sem
transparência, ter a aplicação de seus recursos em projetos no
mínimo duvidosos. Exigimos:
ü Fim das discriminações aos associados do Reg-Replan não
saldado.
ü Solução favorável e imediata para os associados do REB.
ü Não à qualquer idéia de retirada de patrocínio ao Reg-Replan
não saldado.
ü Direito de retorno ao Reg-Replan, com regras justas, para quem o
desejar.
ü Direito de livre escolha para todos que optarem pelo beneficio
definido.
ü Não à proposta ventilada de indenização irrisória para os
tickets dos aposentados.
ü Fim do não pagamento do Auxilio Alimentação aos que se
aposentam.
ü Fim do voto de minerva, nas questões polêmicas na Funcef.
ü Utilização de mecanismos democráticos como plebiscitos quando
houver impasse.
ü Restabelecimento do princípio da paridade para ativos e
aposentados.
ü Que o custo das demandas judiciais oriundas de ilegalidades da
CAIXA, seja custeado exclusivamente pela CAIXA, sem a
co-participação da FUNCEF. Este aspecto se torna muito mais
relevante neste momento em que o Fundo de Pensão está ameaçado pela
enxurrada de ações trabalhistas decorrentes das posturas ilegais da
direção da empresa no que se refere aos milhões cobrados pelos
prejudicados com a implantação do famigerado CTVA.
ü Entendemos que a nossa participação no processo eleitoral de
escolha para o Conselho Deliberativo da FUNCEF assim como no SAUDE
CAIXA, só se justifica no sentido de denunciar o processo, na mediada
em que não existe paridade real, pois os “impasses” são sempre
definidos pelo voto de minerva da CAIXA. Isto gera uma situação
“cômoda” tanto pras direções da CAIXA e da FUNCEF, que alegam
existir um Conselho com membros eleitos pelos participantes (bela
democracia...), como também satisfaz a burocracia sindical e
associativa que se torna parceira da empresa e alega que luta pela
paridade, mas não consegue...ha, há há....
ü Não podemos ir de embalo em aventuras aparatistas como as que
movem uma oposição permitida e conveniente como se tornaram, e não
é de hoje o PSTU/MNOB e o PSOL/INTERSINDICAL.
ü Devemos ter uma cara e posturas próprias. Não aceitamos servir
de opção “quebra-galho” pra uma política esquizofrênica de
idas e vindas da Oposição Consentida que se dirige a nós apenas
quando são rechaçados pela burocracia-mor e seus subservientes que
imploram por migalhas do aparatos e quando são aceitos nos acusam de
ultristas. Esquerdistas, divisionistas e outras coisa mais com o
objetivo de dissimular sua política de caça-cargos.
ü O Movimento sindical e associativo deve buscar definir com
precisão se o que a FUNCEF informa e informou quanto a resultados,
tem a clareza e a objetividade necessárias. Qual a a avaliação de
tudo o que resultou de investimentos como o aplicado nas
privatizações das ferrovias(que nunca aprovamos enquanto associados)
, em parques temáticos, shoppings, hotéis de luxo. Qual o montante
real perdido nas aplicações em derivativos, ações e papéis em
geral, em decorrência das crises e da falência de bancos onde haviam
aplicações. Qual o papel da FUNCEF no PAC e demais obras do
(dês)governo de plantão, e etc.
ü Denunciar a CAIXA, A FUNCEF e burocracia, portanto. Mas não
aliviarmos pra oposição consentida e conveniente.
PREVI
- Relação entre os fundos de pensão e a previdência pública. A
PREVI foi criada pelos funcionários do Banco do Brasil no início de
século XX, antes mesmo da criação de uma previdência pública
universal para todos os trabalhadores. A PREVI foi criada em função
da necessidade dos trabalhadores de garantir uma aposentadoria que
mantivesse os salários recebidos na ativa. A manutenção dos
salários da ativa deveria ser um direito de todos os trabalhadores,
não apenas dos funcionários públicos e das estatais. A previdência
pública do INSS deveria garantir esse direito, mas isso não acontece
porque os fundos arrecadados são desviados pelo governo para o
pagamento da dívida pública fraudulenta, e essa operação de desvio
é mascarada pelo mito do “déficit da previdência” que é
veiculado diariamente e de maneira criminosa pela putrefata mídia
empresarial para enganar a opinião pública sobre a falsa necessidade
das sucessivas “reformas da previdência”.
- Relação entre a PREVI e o mercado financeiro. Foi durante a
ditadura militar, na gestão de Delfim Neto como ministro da fazenda,
que a PREVI e os fundos de pensão foram desviados de sua função de
prover aposentadoria para a de investidores no mercado financeiro. Os
capitalistas brasileiros não correm riscos no “livre mercado” sem
uma mãozinha do Estado, que historicamente privatiza os lucros e
socializa os prejuízos.
- Uso em privatizações. Os governos neoliberais, tanto os do PSDB
quanto os do PT, privatizaram o patrimônio público com dinheiro da
PREVI e outros fundos de pensão, além de empréstimos do BNDES a
juros “de pai para filho”. As privatizações entregaram
praticamente de graça patrimônios públicos que levaram décadas
para serem construídos, como Vale, CSN, Telesp, Embraer, etc., para
empresas que não desembolsaram praticamente nada e estão usufruindo
lucros bilionários, sem fazer os investimentos necessários,
aumentando as tarifas e piorando os serviços. Dilma acaba de cumprir
mais uma etapa desse processo com a privatização dos aeroportos.
- A gestão da PREVI nas empresas em que tem participação não se
diferencia da de qualquer empreendedor capitalista, compactuando com
demissões, como aconteceu na Embraer em 2009, e impondo o aumento da
exploração, como tem sido a tônica em todas as empresas nos
últimos anos.
- Voto de minerva. As decisões da PREVI são tomadas por uma
direção em que o governo tem o voto de minerva, dando a última
palavra sobre qualquer questão, impedindo que os funcionários possam
defender outra política. A partir desse tipo de estrutura
anti-democrática se legitima todos os desmandos e abusos.
- É o caso da apropriação dos superávits pelo banco. Já se
tornou rotina maquiar o balanço do BB com alguns bilhões subtraídos
da PREVI. Esse tipo de manobra é possível porque os participantes do
plano 1 estão contentes, já que não pagam mais contribuição, os
acionistas estão contentes porque recebem seus dividendos, e os
funcionários do plano 2, que na maioria ainda estão na ativa, ficam
contentes porque recebem PLRs maiores. Mas na realidade, esse
procedimento está minando a PREVI em longo prazo!
- Criação dos plano 2. Entre todas as manobras feitas com a PREVI a
mais nefasta foi a criação da categoria dos funcionários
“pós-1998”, que entraram num plano 2, com contribuição
definida, mas sem benefício definido, tal como um plano de
previdência privada qualquer. Esses funcionários recebem salários
menores e tem menos direitos, mas fazem o mesmo serviço e não tem a
garantia de se aposentar. Ao se livrar do compromisso com a
aposentadoria dos funcionários pós-1998, o Banco e o governo ganham
liberdade para fabricar e manipular os superávits. A questão
central, em qualquer debate sobre a PREVI é a isonomia entre os
funcionários antigos e os novos, tanto em salários e direitos como
em benefícios, na PREVI e na CASSI, com a instituição do plano 1
para todos!
- O caráter do voto na PREVI. Não será através de uma eleição
eletrônica, realizada no sistema do banco, sem transparência e
possibilidade de fiscalização, que se vai reverter os desmandos com
o fundo de pensão. Isso só poderá ser revertido com a luta dos
funcionários da ativa nas campanhas salariais e também dos
aposentados. A chapa que apoiamos é composta por lutadores que estão
comprometidos com esse combate, e é com esse sentido que chamamos o
voto, como um chamado para que os funcionários se organizem para essa
luta.
CASSI
- Os problemas da CASSI não são problemas de gestão ou de
competência técnica dos dirigentes. Não importa o quanto os
candidatos se apresentem na campanha como mais capacitados, mais
graduados, mais referendados por títulos acadêmicos e currículos
funcionais. Tais problemas são na verdade estruturais e têm a ver
com o projeto em curso de sucateamento da CASSI, que por sua vez é
parte da gestão privatista que tem sido aplicada sobre o banco por
sucessivos governos neoliberais, tanto do PSDB quanto do PT.
- Esse projeto privatista incluiu a criação de uma categoria de
funcionários “pós-1998” com salários rebaixados e menos
direitos, cuja contribuição para a CASSI foi reduzida. Como se não
bastasse, a contribuição do BB também foi reduzida. Com isso, a
CASSI passou a operar com déficit. Isso foi sacramentado com a
reforma estatutária de 2007, que na prática perdoou a dívida do BB
e a empurrou sobre os funcionários, criando a “co-participação”
em exames e consultas.
- Ao invés de cobrir esse déficit cobrando a dívida do BB, o
movimento sindical dirigido pela corrente Articulação, que é a
mesma corrente do PT que está no governo federal desde Lula, apoiou a
reforma estatutária, com uma campanha terrorista e mentirosa sobre os
funcionários.
- A reversão dos problemas da CASSI, como o seu endividamento, os
descredenciamentos, a queda na qualidade, o sucateamento, depende
portanto de uma luta que vai muito além da eleição dos nossos
representantes. Depende de um movimento do funcionalismo, da ativa e
aposentados, que retome a cobrança da dívida do banco com a CASSI e
reverta o achatamento salarial dos funcionários pós-98, acabando
também com a co-participação.
- Para além disso, é preciso fortalecer as CIPAs e os conselhos de
usuários, dando-lhes poderes reais para cobrar o BB e a CASSI pela
saúde dos funcionários. É preciso acabar com a farsa dos exames
periódicos, instituindo um acompanhamento médico que apure as reais
condições de saúde do funcionalismo e responsabilize o Banco pelo
adoecimento dos funcionários. A gestão privatista não precisa se
materializar com a batida do martelo de um leilão das ações que
restam. As ações podem muito bem continuar em poder do Estado, pois
a privatização se concretiza no dia a dia de assédio moral,
pressão e sobrecarga de serviço sobre os funcionários, que resulta
em adoecimento físico e psicológico. É contra esse projeto em seu
conjunto que precisamos lutar, e a luta por uma CASSI reconstruída e
que atenda as necessidades do funcionalismo é parte desse projeto.
- A chapa 5 tem em seu interior integrantes de correntes políticas
que não estão comprometidas com a luta contra o projeto privatista
no BB e na CASSI, apesar de contar também com o nome de lutadores
legítimos. Entendemos que essa chapa não serve para sinalizar o
apoio a um projeto de luta contra o projeto do governo, pois assim
como todas as outras chapas, não faz a crítica a fundo em relação
ao projeto que está sendo aplicado pelo governo e não faz mais do
que propagar o mito de que o problema da CASSI é um problema de
gestão a ser resolvido com o voto em seus candidatos “iluminados”
e seus currículos acadêmicos. Não acreditamos em mitos, só a luta
muda a vida!
_________________________________________ “So, understand! You
waste your time always searching for those wasted years! Face up! Make
your stand! And realize your living in the golden years!” “Então,
entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles anos
perdidos! Encare! Tome uma posição! E perceba que você está
vivendo nos anos dourados!” Iron Maiden, “Wasted Years”
_________________________________________
-------------- Próxima Parte ----------
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