[Bancariosdebase] Fwd: Documento para contribuição para p V Encontro da FNOB

Márcio Cardoso marciocarsi em yahoo.com.br
Segunda Novembro 26 16:58:20 UTC 2012



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> De: Márcio Cardoso da Silva <marciocarsi em gmail.com>
> Data: 26 de novembro de 2012 14:49:30 BRST
> Para: Marcio cardoso da silva <marciocarsi em yahoo.com.br>
> Assunto: Documento para contribuição para p V Encontro da FNOB
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> CONTRIBUIÇÃO PARA V ENCONTRO DA FRENTE NACIONAL DE OPOSIÇÃO BANCÁRIA (FNOB) Porto Alegre-RS, Dezembro de 2012.
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> SITUAÇÃO DA CATEGORIA BANCÁRIA.
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> Estamos numa conjuntura em que a massa de salários teve apenas aumento nominal (e não real, ao contrário do que prega a mídia burguesa e os acadêmicos do DIEESE e, de certa medida, do ILAESE) em  que há é um aumento real dos lucros do patrões. No caso específico dos bancários, foram mais de 10 anos de aumento dos lucros em mais de 1000%. Já o salário dos bancários não superou em 13% a inflação oficial. Agora entra um elemento importante: a queda do spread forçado pelo governo usando o BB e a CEF para isso, visto que o sistema financeiro é oligopolizado por 4 grandes instituições financeiras (Itaú, Bradesco, CEF e BB). É evidente que há mais instituições financeiras no país, mas são estes 4 que determinam os rumos do sistema financeiro nacional do ponto de vista qualitativo.
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> Junto com a queda do spread, observa-se o aumento cavalar do provisionamento de devedores duvidosos (PDD), fenômeno observado nos grandes bancos públicos, inclusive. Isso mesmo diante de uma taxa de inadimplência média de 4%. Some-se a isso a queda da lucratividade, por conseguinte da queda do spread.
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> Se há uma queda na taxa de lucro, diminuição do ritmo do aumento dos lucros e aumento do PDD (como forma de preservar capital), é porque os banqueiros e o governo veem, num futuro não tão distante, um estouro da bolha de crédito, política que o governo lançou mão para minorar os efeitos da crise econômica mundial. O crédito fácil e barato, sobretudo para a burguesia, é a tábua de salvação para manter a economia brasileira girando. Mas ao mesmo tempo é “o silêncio que precede o esporro”.
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> Todos nós sabemos que o lucro de qualquer empresa depende da administração de seu capital, em que os trabalhadores bancários estão insertos nela. Numa conjuntura de juros baixos, baixa lucratividade, só resta aos banqueiros e ao governo afundar  o nível de salários,  e aumentar quantidade de serviço e intensidade da jornada de trabalho a níveis muito superiores dos atuais. Portanto o que já é péssimo ficará muito pior: Postos de trabalho fecharão, bancários serão demitidos, as doenças ocupacionais aumentarão em progressão geométrica. Pode ser, inclusive, que voltaremos a triste realidade do início da década de 90 em que os bancários experimentaram enfartos e suicídios em massa; a terceirização avançará. Ataques à organização dos trabalhadores será ainda mais intensa chegando a níveis fascistas. Reestruturações ocorrerão aos montes, etc, etc, etc.. .
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> Diante disso, a categoria vai estourar de qualquer jeito. Nossa missão é que este estouro seja  de forma coletiva, consciente e organizada. Precisamos armar a categoria bancária contra esta sombria caracterização. Assim, seguem as nossas propostas de resolução:
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> 1-      Planejar um ciclo de palestras sobre a queda do spread bancário e os desdobramentos práticos na vida concreta do trabalhador bancário. Evidentemente que para isso é necessário o posicionamento da Frente ser contra a queda dos juros para empréstimos  destinados para produção/consumo desvairado, porém que esta mesma queda de juros deve estar a serviço de proporcionar a erradicação do déficit habitacional, melhorias da educação, saúde, transporte de qualidade. Começar a discutir a necessidade de estatização do sistema financeiro, sob o controle dos trabalhadores,  e em prol das necessidades humanas e não do lucro (uma vez que a sua taxa está cada vez menor);
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> 2-      Fazer a segunda edição da cartilha “Bancário não é Vendedor”, e elaborar um material que aborde a queda do spread e as consequências para os trabalhadores em geral e aos bancários, em especial. Estes materiais não devem ser apenas distribuídos, mas apresentados ANTES;
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> 3-      Pelo efetivo respeito da jornada de 6 horas, sem redução de salário, com o pagamento das horas extras da 7ª e 8ª hora em 50% da jornada normal de trabalho, pelo menos;
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> 4-      Nenhuma demissão com objetivo de “enxugar custos”. Mais contratações e estender o atendimento bancário de 6 para 9 horas diárias, divididos em dois turnos. Caso haja demissão, que a instituição financeira seja estatizada e controlada pelos funcis da respectiva instituição financeira;
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> 5-      Nenhuma ajuda estatal para salvar banqueiro. Banco “quebrado” é banco estatizado e controlado pelos funcionários da respectiva instituição financeira, para atendimento das necessidades dos trabalhadores em geral.
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> 6-      Programa para as eleições sindicais são, basicamente, os pontos acima citados. É condição sine qua non a chapa da Frente defender estes pontos para  participar de uma eleição sindical de qualquer nível, ou montar chapa com “outras forças de pensamento”;
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> 7-      Fim da terceirização e a absorção formal aos quadros funcionais do banco em que presta serviços imediatamente, com o devido pagamento de todos os anos em que trabalhou como bancário, mas não recebeu por isso. No caso dos terceirizados dos bancos públicos, sua incorporação se dará da seguinte forma:
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> a)- trabalhadores com até 2 anos de serviço prestarão concurso com 50% da pontuação necessária na frente de quem prestará concurso sem nunca ter trabalhado em banco público;
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> b) – trabalhadores com mais de 3 anos de serviço  prestarão concurso com 90% da pontuação necessária na frente de quem prestará concurso sem nunca ter trabalhado em banco público.
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> c- colegas terceirizados que ingressarem ´no banco público por este sistema, ainda terão que passar por um período de treinamento para exercer suas plenas funções. Este treinamento não tem qualquer caráter eliminatório.
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> 8-      Estruturar uma Coordenação de bancários que estudam e /ou são bacharéis em Direito, advogados para fazer frente jurídica aos ataques dos bancos. Por ser um trabalho político (embora técnico), os componentes desta coordenação de bancários não serão remunerados, porém terão ajuda de custo para deslocamento e acompanhamento de processos, que serão individuais, (ainda que plúrimas). O recebimento de honorários serão revertidos em 100% para a o Fundo da Frente.
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> BALANÇO DA ATUAÇÃO DA FRENTE
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> O sentido desta parte do documento é de  retomar o projeto político que deu origem ao agrupamento em 2010:  A de ser um pólo aglutinador de lutadores e de um espaço democrático para que a base se organize e se torne um sujeito consciente e histórico na sua luta contra a opressão   exploração dos bancários, a partir da falência política do MNOB, completamente instrumentalizado pelo PSTU, em que aparelha o movimento apenas e tão somente para se construir, pouco se importando com as consequências disso. As contribuições e as criticas aqui elaboradas por este documento são duras, porém fraternas e com o único objetivo de fazer , de fato,  com que a Frente coloque em pratica aquilo que se propôs desde a sua fundação em 2010.
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> SAÍMOS DO MNOB, MAS O MNOB NÃO SAIU DA GENTE.
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> Assim como no MNOB, os organismos não funcionam com regularidade. Assim como no MNOB, o que se delibera na coordenação não é encaminhado, isso quando não há tentativa de se mudar as coisas pelos integrantes da diretoria do SEEB-RN. Isso se mostra pela insistência de que os materiais de propaganda de agitação da Frente vem com o logo da CONLUTAS, quando que a  filiação a esta Central NUNCA foi objeto desta de discussão nos quatro encontros anteriores, mas sempre permeou como condicionante para que o SEEB-RN publicasse os materiais da Frente. É preciso discutir seriamente como e quem tenciona no Sindicato dos Bancários do Rio Grande no Norte esta prática que tanto criticamos nos outros, mas que reproduzimos igualmente. O  evento de isonomia e todo o material de divulgação do vento, a chapa da FUNCEF e PREVI, cuja discussão nem foi aventada na coordenação,  não passaram pelos organismos internos da Frente
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> NÃO HÁ COMPREENSÃO DA IMPORTÂNCIA POLÍTICA PELA CONSTRUÇÃO COLETIVA DA FRENTE.
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> Assim como no MNOB, somente um grupo reduzido conduz os rumos da Frente: São Paulo, Porto Alegre, e Rio Grande do Norte, SOMENTE. Todos os outros agrupamentos  (ANBERR, AFBNBB, SEEB-MA, Oposição da Bahia, Distrito Federal, União Coletivo Sindical (UCS),  Associação dos Funcionários do Banco do Estado da Amazônia (AEBA) não deram uma contribuição política para a  construção da Frente, inclusive financeira: ficou como tarefa a apresentação da cartilha “Bancário não é Vendedor”  nas respectivas bases, que os componentes formais da Frente em cada respectivo  estado estariam responsáveis por incluir as pessoas nas listas de discussão construídas para fomentar a discussão a facilitasse a vida da “coordenação”. Mas nada disso foi feito, E não foi encaminhados estas tarefas, a nosso entender, para dar prioridade ao mais tosco  e ultrapassado sindicalismo: de participar cegamente em eleições, secundarizar o trabalho de base (entendido aqui como acompanhamento da base na evolução da sua consciência de classe, por meio de intervenção cotidiana). Além de participar das eleições, temos que formar a categoria, temos que reunir com a categoria para discutir a vida cotidiana, no sentido da base ser o sujeito histórico  da mudança para melhor da sua condição de vida, na luta por melhores condições de trabalho, maiores salários e colocar o sistema financeiro, que já é estatizado, aos interesses gerais dos trabalhadores. Agora,  o que é mais inaceitável, é o fato de que a coordenação da Frente ter apenas três componentes de fato (SP, RS,  e RN), quando, na verdade, a coordenação da Frente deveria ser cada representante de cada base “ que constrói a Frente”. Ou seja, deveria ser mais amplo. Mais a situação é mais grave quando se constata de que as reuniões da coordenação são abertas, isto é, além dos coordenadores indicados pelas suas bases, pode participar qualquer bancário que se reivindique de oposição consequente, isto é, contra os governos e banqueiros e toda a quadrilha sindical que dá suporte a tudo isso: Articulação e seus capangas, como CONTEC, setores da INTERSINDICAL, CTB, etc.
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> Aqui em São Paulo houve muitos problemas com atuação com a Frente, porem estes problemas não foram políticos, mas objetivos e práticos. Dois companheiros quase morreram num acidente automobilístico em meados deste ano, acarretaram problemas de saúde. Durante a campanha salarial, dois dos militantes estão sendo duramente perseguidos pelas administrações com  de demissão por justa causa, num claro ataque ao direito de greve e da auto-organização dos trabalhadores. Apesar disso, esforçamo-nos, aqui em São Paulo em angariar votos para a Chapada PREVI e da FUNCEF, em que conseguimos 500 votos aproximadamente para esta última eleição.
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> Logo após o encontro do Pará, em Junho deste ano, a Frente teve problemas políticos sérios, envolvendo diretores da AEBA e do SEEB-MA, cujo alguns componentes foram “eleitos” para a direção da ultrapelega e reacionária diretoria da CONTEC. Entidade odiada por quase todo do funcionalismo da CEF e do BB, por chancelar todos os ataques, retiradas de direitos, e desmonte dos bancos públicos  durante a década de 1990. Diretores que estão há décadas fora da realidade do dia-dia do bancário e fazem do sindicalismo amarelo o seu ganha-pão, convidaram diretores da AEBA  e da SEEB-MA, num claro movimento de fazer oposição formal (e apenas formal, pois o peleguismo e o burocratismo faz parte do DNA dos “donos” da CONTEC) à CUT, que é uma agência do governo Dilma no seio do movimento dos trabalhadores, para resolver o problema dos patrões , não os dos bancários.
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> Os problemas internos de São Paulo, combinado com a paralisia política da Frente, contribuíram de certa forma, para a que perdêssemos duas figuras importantíssimas para o Bancários de Base de São Paulo. Uma delas é a Rosana Rosa, notória liderança sindical da Cidade de Deus, o maior complexo de bancários do país. Em que se desdobrou, inclusive, no ato de desrespeitar decisão de assembleia (ainda que a decisão foi a todo momento manipulada, inclusive com a clássica tática de se chamar o corpo de administradores para aprovar uma pauta rebaixada ano a ano), que foi furar a greve nesta última campanha. Diante disso ficou ainda pior a nossa atuação em banco privado na Base de São Paulo. A atitude da companheira não foi a de passar para o “lado de lá”, mas pelo fato de não haver perspectiva alguma nos rumos na campanha salarial. E diante de um quadro em que nem os diretores da SEEB-SP do Bradesco lotados na Cidade De Deus param durante a greve (somente ela, até o ano passado), ela também aderiu a fazer “greve da greve” em 2012. Como nem tudo é somente desgraça ingressou no coletivo o companheiro Israel Fernandez, bancário lotado no Verbo Divino, complexo bancário do BB.
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> Portanto, camaradas, a Frente, além de estar definhando, ainda é objeto de “grife”, a ser utilizado  para se cacifar politicamente para angariar votos nos locais das respectivas bases, como foi assim na eleição sindical de Recife, em que o coletivo União Coletivo Sindical (UCS), a maior agrupamento de trabalhadores bancários de oposição de Recife, reivindicou a FNOB sem dar qualquer contribuição para a sua construção nacionalmente. Nem ao menos participou de uma reunião da coordenação, muito embora tivesse reivindicado uma vaga neste fórum no IV Encontro no Pará, em junho deste ano.
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> Diante de todos estes problemas da Frente, fazemos as seguintes propostas de resoluções :
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> 1-manter o atual formato da Coordenação: um representante de cada base presente no Encontro; que será responsável pelas publicações e demais tarefas que envolvem toda a frente. Nenhuma atitude será tomada sem antes passar pela Coordenação. E o que for deliberado nas reuniões deve ser encaminhado e toda e qualquer tentativa de sabotá-los, ou de não encaminhá-los deve ser denunciado publicamente.
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> 2-que as reuniões da Coordenação continuem sendo abertas, porém via Skype. Tais reuniões devem ser no mínimo quinzenais. O que necessariamente significa que os grupos de oposição locais devem se reunir a cada 15 dias, pelo menos, para subsidiar as decisões da coordenação.
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> 3-Deliberar sobre o vínculo da Frente com a CONLUTAS, em que desde já, o Coletivo Bancários de Base de São Paulo é CONTRA o vinculo orgânico e político com esta central, como com qualquer outra. Sem prejuízo do entendimento político local de cada base em relação a central. E independente do resultado, não impede atuações conjuntas, tendo como balizador os interesses gerais da categoria bancária.
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> 4-A Frente deve constituir um fundo pecuniário, com contribuições de todos os grupos de oposição, e entidades associativas envolvidos com a construção da Frente. Propomos 10% da arrecadação de cada Oposição/associação. A contribuição deve ser mensal. Para viabilizar a estruturação da Frente para o cumprimento das mais diversas tarefas, viabilizar a imprensa regular, estruturação de palestras, e publicações de cunho propagandístico, etc. A contribuição deve ser aprovada nas respectivas bases, por meio de assembleia amplamente divulgada, materializada numa ata.
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> 5- A Coordenação será estruturada por matérias como Finanças, Formação, Imprensa, Comunicação (site e e-mail), e Jurídica, independentemente do número de coordenadores. No Caso de finanças, o resultado financeiro deve ser publicado para todos os coordenadores mensalmente, e estes devem apresentar a saúde financeira da FNOB para sua respectiva base. É bom lembrar que, além de cuidarem da matéria de seu “departamento”, todos os coordenadores ainda devem cuidar da parte política de atuação da Frente, que é a mais importante, aliás.
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> Bancários de Base de São Paulo. Dezembro de 2012
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