[Bancariosdebase] Frente Eleitoral em Belém recebe dinheiro de empresas... mas PSTU permanece compondo a frente
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Setembro 27 17:38:05 UTC 2012
Segue nota do Espaço Socialista sobre a frente eleitoral PSOL/PC do
B/PSTU em Belém-PA.
Daniel
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“So, understand! You waste your time always searching for those
wasted years!
Face up! Make your stand! And realize your living in the golden
years!”
“Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles
anos perdidos!
Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos
anos dourados!”
Iron Maiden, “Wasted Years”
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ESCANDALOSA ACEITAçãO DE DINHEIRO DAS EMPRESAS PELA FRENTE
ELEITORAL EM BELéM... AO INVéS DE ROMPER, PSTU PERMANECE COMPONDO A
FRENTE POPULAR! A coligação PSOL/PC do B e PSTU em Belém vai
adquirindo cada vez mais um tom de desmoralização para aqueles que
buscam uma alternativa independente dos patrões e dos governos. O
problema é que para além das organizações (PSOL e PSTU) há o
risco de desmoralização de todo um setor da vanguarda não apenas em
Belém, mas em outras regiões, pois os fatos lá ocorridos têm
impacto nacional, expressam os limites dessas organizações e, ao
mesmo tempo levantam questionamentos muito sérios em termos de rumos
e que tipo de organizações se está construindo. O
primeiro problema foi a aceitação por parte do PSOL em compor com o
PC do B uma Frente para as eleições em Belém. Ora, o PC do B hoje
é um partido que representa os setores da burocracia sindical e
política, que defende um programa burguês, governista como vimos na
sua elaboração e defesa do novo Código Florestal que favorece o
agronegócio em detrimento do meio ambiente. Da mesma forma está
atolado até o pescoço na corrupção como vimos no caso do ministro
dos esportes, no ano passado. Nos sindicatos que dirige, o PC do B
mostra claramente sua face governista e imobilista. Depois tivemos
a escandalosa entrada do PSTU nessa Frente, com o argumento de que
seria para levar as propostas do partido para setores mais amplos dos
trabalhadores, disputar a base da Frente e tentar eleger um vereador.
Obviamente que, de todos os objetivos, o que pesou mais foi o último,
pois ao integrar a Frente o PSTU acaba convalidando-a e ao mesmo tempo
ficando em piores condições para travar uma campanha independente,
à medida em que está diretamente associado à Frente com o PC do B
governista. Além disso o peso do PC do B na Chapa não é de modo
algum secundário, pois tem a vice-prefeitura na Chapa e também
candidatos a vereador de peso. Por mais que o PSTU tente fazer sua
campanha olhando para outro lado, o cheiro ruim está no ar...
Mas agora vem a público outro fato de extrema gravidade: a
aceitação de dinheiro das empresas para a Frente _Belém nas Mão do
Povo_. É o próprio PSTU quem denuncia: __ _“Um fato grave, no
entanto, ocorreu em relação à campanha da Frente “Belém nas
Mãos do Povo” encabeçada pelo companheiro Edmilson Rodrigues
(PSOL), na qual nós do PSTU estamos inseridos. Um total de R$
389.405,57 já foram doados por empresas à campanha de Edmilson
Rodrigues, candidato a prefeito de Belém. No site do Tribunal
Superior Eleitoral é possível conferir o nome do doador e o valor
que foi doado por cada pessoa física ou jurídica para cada
candidato. Lamentavelmente, pelo que foi declarado, tudo indica que a
direção do PSOL e o companheiro Edmilson resolveram trilhar o mesmo
caminho do PT no que toca esse aspecto do financiamento das campanhas
eleitorais. Só de uma empresa de Salvador (BA), a COGEP CONSTRUÇÕES
E GESTÃO AMBIENTAL LTDA, a campanha recebeu a quantia de R$ 160.000,
mais do que os R$ 100.000 doados pela Gerdau em 2008 para a campanha
de Luciana Genro (PSOL) à prefeitura de Porto Alegre, ocasião que
gerou um intenso debate na esquerda socialista brasileira sobre os
rumos deste partido e sobre este tipo de prática que caracteriza o
vale-tudo eleitoral.”_ (www.pstu.org.br) Para os ativistas e
militantes ou até mesmo para qualquer trabalhador com um pouco de
senso crítico nem é preciso argumentar muito. O recebimento de
dinheiro de empresas não é uma _doação e sim _um _investimento_
que a burguesia realiza para depois obter um retorno muito maior
através de concessões do obras, superfaturamentos e desvios de
verbas. Este “mecanismo clássico” está na raiz da corrupção de
estado e estamos fartos de ver todos os meses algum escândalo
revelado. Vimos onde levou essa prática no PT nos casos do
Valerioduto, do esquema do Cachoeira e tantos outros, que inclusive
levaram à morte de Celso Daniel. Essa adaptação do PSOL a ponto de
receber dinheiro de empresas em suas campanhas vem se tornando uma
prática cada vez mais corrente no partido, da mesma forma que suas
alianças com partidos burgueses nas eleições. Isso mostra que esse
partido já está com sua independência de classe comprometida, por
mais que em seu interior haja correntes e militantes que tenham uma
postura classista. Sobre a gravidade da aceitação de dinheiro das
empresas por parte da Frente, o PSTU também traça o diagnóstico
corretamente:__ _“__Esse não é um tema menor. Ao contrário,
trata-se de uma questão estratégica, pois não é possível
construir uma campanha e, a posteriori, um governo dos trabalhadores e
do povo pobre se este não for independente financeiramente da
burguesia, mesmo que se trate de pequenas e médias empresas, como é
o caso em Belém. Não existe independência política sem
independência financeira, pois, como diz o ditado popular, “quem
paga a banda, escolhe a música.”_ (www.pstu.org.br) Mas ao
constatar a gravidade da situação, o que deveria fazer o PSTU? A
reação mais lógica seria a ruptura pública com a Frente, a
denúncia da situação e a abertura pública dessa discussão em
Belém e no país como forma de demonstrar cabalmente sua
desvinculação com uma Frente que não é independente da burguesia.
No entanto, o PSTU solta uma nota criticando duramente a postura do
PSOL, mas do ponto de vista prático... segue na Frente! Não é
coerente com a gravidade da motivação. Ao contrário, segue na
Frente, chamando o voto para essa candidatura. _“O PSTU está
jogando todos os seus esforços para eleger Edmilson prefeito de
Belém no 1° turno contra os candidatos da burguesia e do governo,
para que nossa cidade seja governada pelos trabalhadores e com um
programa em defesa de nossa classe, sem os patrões e o seu dinheiro
sujo.”_ (www.pstu.org.br [1]) Isso significa que vai chamar o voto
na Frente, mesmo diante de toda a gravidade da situação! Ora,
existe uma contradição entre o que diz e o que faz. Na ação
prática, escolhe permanecer em uma Frente que não tem independência
frente à burguesia e que, portanto, não poderá apontar no sentido
da resolução dos principais problemas que afetam a cidade. Essa
capitulação (mais uma) demonstra que o PSTU vai progressivamente
comprometendo seu caráter de independência de classe, vez que não
coloca como centro de sua atuação prática a necessidade de demarcar
claramente o campo dos trabalhadores e, dessa forma, contribuir para a
formação de uma consciência de classe entre os trabalhadores e na
vanguarda. Tudo isso almejando a eleição de um vereador... Ao não
romper com a Frente e ficar apenas no campo da denúncia, o PSTU
compactua na prática com o ocorrido e demonstra que para sua
direção a possibilidade de eleger um vereador tem mais importância
do que o desenvolvimento do movimento e da consciência dos
trabalhadores. Isso é muito grave, justamente num momento em que as
referências de classe estão confundidas pela ação do PT em todos
esses anos de governo, de acordos e pactos com a burguesia nos
sindicatos em que o PT e o PC do B dirigem. Essa trágica situação
não tem como terminar bem. Os militantes do PSTU e os ativistas
próximos, não aceitarão passivamente toda essa capitulação à
democracia burguesa e a participação do PSTU nessa Frente Popular em
Belém. Esse também não é um fato qualquer e demonstra, assim como
outros que vimos analisando em nossas publicações, que, justamente
no momento em que se exige a firmeza e a coerência da parte de uma
organização revolucionária, tanto o PSOL, mas agora também o PSTU
não passam no teste. Isso por sua vez coloca como necessidade
prática a discussão e iniciativas que avancem para a construção de
uma alternativa política revolucionária que esteja à altura dos
desafios que tendem a se intensificar nos próximos anos. A crítica
aqui posta, mais do que algo direcionado somente ao PSTU ou PSOL, deve
servir como alerta e direcionamento para toda a Esquerda que se
pretende revolucionária.
Espaço Socialista, 27 de setembro de 2012
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