[Bancariosdebase] reflexão sobre a luta contra o plano do BB e a FNOB

Utopia utopia_s em yahoo.com.br
Segunda Março 18 22:06:10 UTC 2013


Ok Camarada, preciso na caracterização e contextualização.
Peço desculpas pela demora no retorno.Valeu! Messias.
--- Em sex, 15/3/13, Daniel <tzitzimitl em terra.com.br> escreveu:

De: Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>
Assunto: reflexão sobre a luta contra o plano do BB e a FNOB
Para: bancariosdebase em lists.aktivix.org, sandrarbastos em bol.com.br, tzitzimitl em terra.com.br, marciocarsi em yahoo.com.br, israelfernandezjr em gmail.com, utopia_s em yahoo.com.br, rosana.ros em gmail.com
Data: Sexta-feira, 15 de Março de 2013, 0:26



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Olá compas do Bancários de Base





Segue uma reflexão sobre a luta contra o plano do BB. A proposta é aprovarmos entre nós o quanto antes para enviar como posição do coletivo para a lista da FNOB.





Daniel











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“So, understand! You waste your time always searching for those wasted years! 


Face up! Make your stand! And realize your living in the golden years!” 





“Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles anos perdidos! 


Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos anos dourados!” 





Iron Maiden, “Wasted Years” 


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Estamos escrevendo para fazer um chamado à reflexão sobre a luta contra o plano de funções no Banco do Brasil.




Este plano é o ataque mais sério aos trabalhadores do BB desde 1998, quando foram criados os funcionários “genéricos”, sem anuênio, sem licença-prêmio, etc., que hoje já são maioria. É maior até do qua a reestruturação de 2007, que fechou departamentos por todo o país, reduziu o número de caixas, aposentou milhares de colegas, etc.




Por meio deste ataque, o BB pretende fazer mais uma reestruturação corporativa, e também reduzir o seu passivo trabalhista. O BB tem mais de 100 mil funcionários no país e destes há cerca de 20 mil que, sem ter cargo de gerência, estavam cumprindo jornada de 8 horas, na função de assistentes ou analistas. Muitos desses funcionários estavam ganhando ações na justiça pelo pagamento da 7ª e 8ª horas, já que a jornada legal dos bancários é de 6 horas. Para evitar uma avalanche de ações judiciais, o BB lançou um plano que muda a nomenclatura das funções, reduz a jornada para 6 horas, mas com redução de ¼ do salário, sendo que para migrar para o “novo” cargo o funcionário precisa abrir mão de entrar na justiça pela 7ª e 8ª horas. Ao invés disso, o BB oferece um acordo via Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), em que o funcionário recebe um valor muito abaixo do que é devido (falou-se em algo em torno de 20%).




O significado deste plano é que o BB reconhece que a jornada dos bancários é de 6 horas, mas ao mesmo tempo, anuncia que não vai pagar o que deve pelas 7ª e 8ª horas que os funcionários vinham trabalhando nos últimos anos. Ou seja, o BB disse: “devo, não nego e não vou pagar”. O BB tentou pegar os funcionários de surpresa, impondo um prazo de poucos dias, no final de janeiro de 2013, para a assinatura do termo de migração, com a ameaça de que quem não assinasse perderia o cargo. De imediato, houve grande desorientação no funcionalismo e algumas medidas judiciais de emergência, com liminares que suspenderam a aplicação do plano e dos termos de migração. Mas o fato decisivo é que apenas uma pequena minoria, pouco mais de 10% do público alvo, assinou o termo de migração.




Os funcionários se sentiram muito desrespeitados com a forma como o plano foi imposto. Assim, o movimento sindical, dirigido pela Articulação, precisou tomar alguma atitude. O plano não poderia simplesmente ser imposto goela abaixo, sem que o movimento sindical minimamente parecesse fazer alguma coisa a respeito, sem que ao menos fingisse que estava organizando alguma resistência. Não poderia ficar tão escancarado o fato de que a Articulação, a direção do BB e o governo federal na verdade são uma só e mesma coisa, ou seja, o PT. É preciso fazer de conta que são diferentes, por isso a Articulação foi forçada a marcar plenárias e assembleias para discutir o plano. E esse momento, entre a hesitação do funcionalismo para aderir ao plano e a encenação da Articulação de um movimento para resistir ao plano, as oposições tentaram organizar um movimento real de resistência.




Isso se deu particularmente em São Paulo, que concentra um grande número de funcionários que estavam com jornada de 8 horas. Ao contrário dos demais estados, em que há 3 ou 4 funcionários de 8 horas em cada agência, em São Paulo há concentrações com centenas e milhares desses funcionários. É justamente nesses complexos que está concentrada a militância das correntes de oposição. Foi a partir dessa base que as oposições venceram a assembleia de 25/02 e aprovaram um calendário de luta. O calendário original da Articulação previa apenas um “dia de luta” para 20/03, sem a sinalização inequívoca de uma paralisação, e outro para 24/04. Ao invés disso, foi aprovado: paralisação de 1 hora na quinta-feira 27/02, nova assembleia na terça-feira seguinte 05/03 e paralisação de 24 horas na quinta-feira dia 07/03. 




Aprovado esse calendário, partimos então para a paralisação. O movimento esteve restrito aos complexos e algumas agências maiores, próximas ao centro. Na maior parte da rede a paralisação foi zero. Em agência em que há trabalho do Coletivo Bancários de Base havia disposição para parar, mas se trata de uma ilha de organização em meio a um oceano de paralisia, em que não há nenhum tipo de militância. Nos complexos, houve desigualdades, pois o sindicato jogou maior peso e obteve maior paralisação no prédio da rua São Bento. Na Verbo Divino e no SAC, em que temos militantes do Coletivo Bancários de Base, ao contrário, o sindicato não deslocou quase nenhum efetivo, e a paralisação foi mais difícil. Muitos trabalhadores chamaram a polícia para quebrar o piquete e entrar para trabalhar. A Articulação montou um piquete estilo “queijo suíço”, com gerentes entrando e saindo para fazer “reuniões” do lado de fora e chamar os
 trabalhadores para entrar. Tivemos que nos esforçar para “moralizar” o piquete, mas foi algo como enxugar gelo. A adesão média foi de 60% a 70%.




A dificuldade da paralisação se deve ao histórico das últimas greves, especialmente a de 2012, que multiplicou o ódio aos diretores do sindicato, que já era grande. A Articulação não faz qualquer tipo de trabalho de organização, não tem atuação ao longo do ano, não aparece na base, não realiza nenhum tipo de enfrentamento cotidiano, não reúne os delegados sindicais, etc., e portanto não tem reconhecimento. Na época das campanhas salariais, não coloca em discussão a nossa verdadeira pauta, realiza uma greve de fachada, não abre qualquer espaço nas assembleias para discutir a organização da greve e assina um acordo rebaixado para encerrar a greve. Como se não bastasse, esses acordos abrem a brecha para a compensação das horas, que em 2012 foram impostas mediante um operativo terrorista do BB, com ameaça de processo administrativo. O sindicato permaneceu silencioso diante desse ataque, abandonando os grevistas ao assédio. Todo
 esse histórico levou a que muitos trabalhadores brigassem para passar pelo piquete dizendo que “não faz mais greve para esse sindicato”.




Teremos um duro trabalho pela frente para explicar aos trabalhadores que a greve perecisa ser feita apesar da direção do sindicato. A cada ano é menor o número de bancários que concorda com isso e maior o dos que preferem furar greve por ódio ao sindicato. Nunca é demais insistir nesse ponto, pois os companheiros do restante do país dificilmente podem imaginar o que é uma campanha salarial (des)organizada pela Articulação e o grau de revolta (justificada) que isso gera nos trabalhadores. Somente nós, que somos militantes convencidos da necessidade de uma revolução, algo muito maior que uma greve, temos persistência para continuar. Os trabalhadores “normais” não têm e buscam saídas individuais, desde furar a greve, tentar fazer carreira até, na melhor das hipóteses, fazer greve de pijama.




O fato é que a paralisação ainda assim aconteceu e pode ser considerada forte nos complexos, mas inexistente nas agências. Passado esse momento, a questão passa a ser a continuidade da luta. Não está claro se a Articulação vai manter o seu dia de luta de 20 de março, conforme o seu calendário nacional. A proposta de paralisação em 07/03 foi um acréscimo na proposta original da Articulação, portanto o 20/03 formalmente deveria ser mantido. Ainda assim, mesmo que haja um dia de luta em 20/03, não está claro como será esse dia. Não se sabe se haverá paralisação nem muito menos se haverá assembleia para organizar essa paralisação. Em outras palavras, nós e o MNOB, enquanto oposição, tivemos força para arrancar uma assembleia em 25/02 e uma paralisação em 07/03, mas não arrancamos um verdadeiro plano de luta. Não temos nenhuma indicação de paralisação, nem muito menos uma sinalização de uma greve nacional por tempo
 indeterminado no BB, única medida capaz de realmente barrar o plano. 




Nessas condições, estamos limitados a fazer críticas à Articulação. Podemos criticá-los por isolar a luta de São Paulo do restante do país. Afinal, a Articulação dirige 80% dos sindicatos de bancários do país. Quando se trata de encerrar uma campanha salarial, a assembleia de São Paulo é decisiva, já que, quando a proposta é aprovada em São Paulo, dificilmente se mantém a greve em alguma outra localidade. Inversamente, porém, quando se trata de impulsionar uma luta como a do BB, o peso de São Paulo não vale nada, já que a Articulação não levou o calendário aprovado em São Paulo para o restante do país. O sindicato de São Paulo teria peso para isso, mas não usou esse peso para mudar o calendário da Contraf. Não houve nenhuma paralisação em outro estado.




Podemos portanto fazer essa cobrança à Articulação. Entretanto, na verdade não podemos, pois a Articulação pode nos devolver a seguinte pergunta: “se vocês querem mobilização, porque não fazem nos sindicatos dirigidos pela oposição?" Na verdade, não só a Articulação pode fazer essa pergunta, como fez muito pior, informou na assembleia que o sindicato do RN havia aprovado a CCV. Não tivemos a oportunidade de dizer que a diretoria do RN defendeu contra a CCV, pois, como nunca é demais lembrar, conseguimos fazer no máximo uma fala na assembleia, e temos que usar essa única fala para se concentrar na defesa de uma proposta, enquanto que a Articulação usa o microfone quantas vezes quiser, para contar as mentiras (e verdades) que quiser.




O fato é que o informe da Articulação desmoralizou qualquer pretensão da oposição de se mostrar como mais combativa. Como é que podemos cobrar da Articulação que faça uma mobilização nacional, que tenha um calendário mais avançado, que faça uma ampla campanha na base contra o plano, se nos sindicatos dirigidos pela oposição isso não acontece? Com que moral podemos fazer essa cobrança, se nos sindicatos dirigidos pela oposição, não fazemos a lição de casa? Nós militantes sabemos que há diferenças entre São Paulo e as outras bases, que nas outras bases não há concentrações, que os funcionários estão dispersos em agências, etc. Podemos fazer a seguinte leitura da situação: a base de São Paulo queria lutar contra o plano, mas a direção do sindicato era contra; a direção do RN queria lutar contra o plano, mas a base era contra. Mas os trabalhadores da nossa base não têm essa contextualização. Quando a
 Articulação fala que o sindicato do RN aprovou a CCV, nós aqui caímos no ridículo.




Sabemos que o fator decisivo para derrotar o plano seria uma ampla mobilização da base, que levasse a uma greve nacional por tempo indeterminado no BB. Não existe por enquanto essa mobilização. Por mais que não tenha gostado do plano, a base não enxerga outra alternativa. A demora da base para assinar o termo de migração, mais do que uma verdadeira consciência do quanto o plano é nefasto, na verdade se explica pelo fato de que a base está especulando, esperando que surja uma oferta do BB, uma compensação financeira imediata (que será sempre muito inferior ao total devido pela 7ª e 8ª horas), para assinar o termo. Mais do que acreditar na luta coletiva organizada, a base protesta silencionamente esperando uma oferta para melhorar o plano, que é dado como certa.




Enquanto a base espera e a Articulação não mobiliza, a oposição teria a chance de se apresentar como alternativa. Entretanto, isso não aconteceu. Nem o MNOB nem nós da FNOB conseguimos construir uma luta alternativa contra o plano. Não podemos responder pelas outras correntes, pois, ainda que possamos criticá-los por não ter feito nada (e aí se incluem a Intersindical e a CTB, que também dirigem sindicatos), o fundamental era que nós fizéssemos a lição de casa, o que não aconteceu. Ainda que a mobilização sozinha nas nossas bases não fosse suficiente para derrotar o plano, ela tinha que ser feita, para servir como referência, servir como exemplo, como modelo a ser defendido para que outras bases adotem. Isso não foi feito e perdemos uma grande chance. 




Precisamos fazer um balanço muito sério desse processo. No momento em que estava em curso uma tentativa de luta contra o plano do BB, a principal atividade da FNOB foi a disputa da eleição no DF. No nosso entendimento, isso foi um erro de avaliação e de prioridade. Não podemos ser apenas mais um rótulo, mais um logotipo, mais uma sigla para disputar eleições nas entidades. Temos que ser uma diferença real em termos de programa, de método e de atuação. O ataque no BB tinha abrangência nacional e precisava de uma resposta nacional. Além de ser um erro de tática, priorizar a eleição sindical foi também um erro de método. A FNOB não teve nenhum tipo de funcionamento orgânico nos últimos meses. Não tivemos reuniões de coordenação, não tivemos trocas de mensagens, informes e propostas via lista de e-mail. Temos tido algumas conversas telefônicas com companheiros em outros estados, mas isso não pode ser um método rotineiro de
 funcionamento, nem muito menos o único funcionamento! É claro que os representantes da FNOB em bases diferentes podem e até devem conversar entre si, o problema é quando essas conversas é tudo o que existe, e nada fica registrado, nem é divulgado para conhecimento de outras bases, para que possam se posicionar e contribuir. As mensagens são enviadas para a lista da FNOB, mas são solemenente ignoradas. Enviamos informes das atividades em São Paulo, pedimos informes do andamento das tarefas, enviamos uma mensagem sobre o calendário de luta no BB, mas não houve nenhuma resposta de nenhuma parte. É como se estivéssemos militando em planetas diferentes, e não na mesma categoria!




Até onde sabemos, nem sequer cumprimos a maior parte das resoluções do Encontro de Porto Alegre. Foi dito aqui na lista que o jornal da FNOB não foi distribuído em São Paulo, mas se trata exatamente do contrário, não só distribuímos o jornal, como o fizemos encartado num material de nossa autoria, bancado por nós, com nossos parcos recursos, material que aliás foi repassado para esta lista, tratando do combate ao plano do BB, das eleições de delegados sindicais na nossa base e da campanha contra a demissão do companheiro Messias. Não temos informe da distribuição do jornal da FNOB em outras bases, por isso, até onde sabemos, para nós São Paulo foi a única base em que o jornal foi distribuído. Pode ser que outras bases o tenham feito, mas não estamos sabendo, e aí está um outro problema: a comunicação. Como não temos tido reuniões de coordenação nem repasse de informação via lista de e-mail, não temos noção do que
 está sendo feito ou não. Na prática, os problemas de comunicação e funcionamento que apontamos no Encontro de Porto Alegre permanecem os mesmos, sem que tenha havido nenhum avanço. É importante deixarmos claro aqui o que pensamos, para que ninguém seja pego de surpresa com um balanço negativo no próximo Encontro.




Como estamos a meio caminho do próximo Encontro, ainda há tempo para corrigir os rumos e melhorar o funcionamento da FNOB. Ainda há tempo para fazermos as devidas discussões, apresentarmos os informes, superarmos os mal entendidos e a desinformação. Ainda há tempo para retomarmos as reuniões de coordenação e para tirarmos posições unificadas da FNOB sobre as questões.




A luta no BB ainda não está encerrada. Ainda está em curso o “calendário de luta” da Articulação. Se nós não conseguimos construir um calendário alternativo, o mínimo que podemos fazer é acompanhar o calendário arqui-pelego da Articulação, que aponta para um dia de luta em 20 de março. Não está claro se haverá paralisação, nem assembleia, não há informação nem convocação. Mas temos que cumprir o nosso papel e mobilizar a base. Do contrário, jamais seremos alternativa.














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