<html><head><style type="text/css"><!-- DIV {margin:0px;} --></style></head><body><div style="font-family:arial,helvetica,sans-serif;font-size:10pt"><div>Segue um interessante artigo que diz respeito a "imparcialidade" do citado periódico.<br><br>Um forte abraço.<br><br>Márcio<br></div><div style="font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 10pt;"><br><div style="padding-left: 5px; margin: 5px 0px 5px 5px; border-left: 2px solid rgb(16, 16, 255); font-family: times new roman,new york,times,serif; font-size: 12pt;"><font face="Tahoma" size="2"><b><span style="font-weight: bold;"></span></b><b><span style="font-weight: bold;"></span></b><b><span style="font-weight: bold;"></span></b></font><a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.reformaagraria.blog.br/2010/12/21/a-vergonhosa-omissao-do-estadao/" title="A vergonhosa omissão do Estadão">vergonhosa omissão do Estadão</a><div id="ygrp-mlmsg" style=""><div id="ygrp-msg" style=""><div
 id="ygrp-text">
                                <div class="jame">
<div class="count"><a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.reformaagraria.blog.br/2010/12/21/a-vergonhosa-omissao-do-estadao/#comments" title="Comentário para A vergonhosa omissão do Estadão">http://www.reformaagraria.blog.br/</a><br><br></div>


   
          <span class="authr">Publicado em <span class="date">21 de dezembro de 2010</span> — por reformaagraria2<br>Category <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.reformaagraria.blog.br/category/monitor-da-cpmi-e-criminalizacao/" title="Ver todos os posts em (3) Monitor da CPMI e criminalização">(3) Monitor da CPMI e criminalização</a></span></div>

 

                                <div class="entry">
                                        <p><em>por Lúcio Mello</em></p>
<p>Que o Estadão tem vínculos históricos com o agronegócio, isso não é 
lá uma novidade. A relação do tradicional jornal, fundado nos tempos 
áureos dos cafezais de São Paulo, com os grandes proprietários de terra 
voltados à agroexportação não é também nada de novo.</p>
<p>O que tem assustado os leitores mais esclarecidos que dedicam seu 
tempo e dinheiro para ler este jornal –  mais que centenário –  tem sido
 um histórico recente de leviandade nesses últimos anos e uma luta quase
 que quixotesca contra fatos e a realidade. As boas análises,com as 
quais seus editores foram reconhecidos durante anos, fazia deste 
impresso uma referência para os grandes debates da sociedade brasileira e
 sobre os rumos do nosso País. No entanto, as análises cada dia mais 
superficiais  estão refletindo em um total descompromisso com o 
contraditório e com as matérias-prima do jornalismo: as informações e os
 fatos.</p>
<p>Nesta terça-feira, 21 de dezembro de 2010, podemos ver esta 
contradição no editorial “Deixem a Agricultura Trabalhar”. Como bem 
convém aos textos deste espaço fundamental dos meios de comunicação, há 
uma mescla de dados com argumentos, o que, a priori, saudamos e só nos 
faz enaltecer o papel da imprensa em nossa sociedade, ampla democrática e
 com liberdade de expressão. No entanto, o que assusta, enquanto 
jornalista e pesquisador,  é uma total falta de sustentação 
argumentativa no raciocínio, o que não contribui em nada para o debate e
 para o crescimento da sociedade brasileira e de suas instituições.</p>
<p>Aos fatos:  Em sua argumentação principal, o editorial louva a 
importância do Agronegócio na sociedade brasileira, sobretudo na pauta 
das exportações brasileiras e na promoção do superávit primário. Até aí,
 nada de errado. É reconhecido o papel da monocultura agroexportadora na
 chamada modernização conservadora entre 1964 e o fim da década de 70. 
Particularmente no meio rural brasileiro, este processo fez-se sentir 
desde os anos 60. A ideia de uma produção capitalista no campo surge no 
contexto da Revolução Verde que, a partir dos anos 50, se tornou o 
paradigma dos países desenvolvidos e modelo de desenvolvimento a ser 
seguido pelos países periféricos.</p>
<p>O que o editorial ignora, ou omite, é que estes foram os preceitos 
para a intensa migração rural rumo as cidades cujos fenômenos foram 
profundamente estudados e não podem ser ignorados, dentre eles o inchaço
 e posterior favelização dos grandes centros urbanos, com significativo 
aumento da violência. Não são poucos os pesquisadores que comparam este 
processo migratório a processos de fechamento dos campos (<em>enclosures) </em>na
 Inglaterra da Revolução Industrial de um verdadeiro exercito de 
mão-de-obra, disposto a trabalhar por um salário mínimo cada vez menor 
entre os anos 70 e 90 em condições miseráveis. Não creio que o Estadão 
ignore tal fato.</p>
<p>O editorial destaca ainda  a projeção do atual Ministro da 
Agricultura, Wagner Rossi, em ampliar o superávit em R$75 bilhões. Ora, 
desde os anos 80 a agricultura tem, de fato, papel significativo nas 
pautas de exportações brasileiras e consequentemente no superávit 
primário. Ao louvar este setor e sua competitividade relativa ao 
agronegócio de outros países, o editorial ignora ou omite que este mesmo
 setor tem parcela de culpa considerável na dívida pública brasileira, 
seja através de sucessivas dívidas simplesmente não pagas ou através de 
repasses com ônus ou tesouros de projetos agropecuários faraônicos e 
verdadeiros elefantes brancos espalhados na paisagem rural do país 
afora.</p>
<p>Dívida Agrícola, Títulos da Dívida Agrária, precatórios, a análise de <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1495">Hashizume</a>
 estima em R$74 bilhões as dívidas em maio de 2008. É como dizer, 
tautologicamente, como os biscoitos de tostines:  que o superávit é 
necessário para pagar a dívida que o mesmo setor  acumulou e ainda 
acumula. A conta, portanto, parece não fechar, e, mesmo assim, o jornal O
 Estado de São Paulo pede para que o Governo Federal dê melhores 
condições. Além da anistia de dívidas, juros subsidiados e total apoio 
político, a pergunta é: <strong>o que mais querem os ruralistas e o agronegócio?</strong></p>
<p>O editorial, ainda, chama o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o 
MST e PT de representantes da “bandeira do atraso”. A base do argumento 
qual seria? Não está claro, mas ele defende o agronegócio por sua 
“eficiência” e aqui residiria o avanço em oposição a estes “atrasados”. O
 avanço do agronegócio, porém, deve se basear em eficiência política 
fisiológica, porque, economicamente, como Guilherme Delgado demonstrou, 
não é lá essas coisas. Mas voltando ao atraso, o editorial critica a 
revisão dos índices de produtividade. Ora, é no mínimo contraditório, 
para não dizer  paradoxal, um setor que se diz eficiente ter medo da 
revisão de um índice criado pela própria legislação do Estatuto da Terra
 em que, as já mencionadas “empresas rurais”, deveriam constantemente 
melhorar seus índices, processo inerente a qualquer campo da economia 
capitalista e baseada na competitividade.</p>
<p>Mas é ao combater a revisão dos índices de produtividades que o 
“Estadão” zomba da inteligência do seu principal ativo: seus leitores. 
Vejamos: o editorial defende que os brasileiros, a maioria vivendo em 
grandes cidades, depende de alimentos bons, baratos acessíveis e de 
qualidade. Sem dúvida. No entanto, segundo o jornal paulista é o 
agronegócio  o responsável por estes alimentos. Aqui o argumento ignora,
 ou omite que estudos do censo agropecuário de 2006 apontam que <strong>80%
 dos alimentos consumidos por estes brasileiros das grandes cidades vêm 
da produção de agricultores familiares, cerca de 4,5 milhões de famílias</strong>.</p>
<p>O editoral não explicita que estes nunca se opuseram a revisão do 
índice de produtividade e o porquê pode ser inferido em um conta bem 
simples: em 30% do território estes produtores, com trabalho 
essencialmente familiar e com propriedades com até quatro campos de 
futebol, produzem um volume de riqueza estimado em 10% do PIB, quando a 
agropecuária para exportação ocupa 50% das terras, com uso de 
agrotóxicos, máquinas, responde por 30% do PIB.</p>
<p>Portanto o “fato inegável” do editorial é negável e não resiste a 
qualquer pesquisa de três cliques na internet. O agronegócio não é 
responsável por alimentos bons, baratos e de qualidade. Por mais que 
comamos soja, açúcar, café e suco de laranja, é o produtor familiar que 
abastece em sua maioria as cidades de leite, feijão mandioca, gerando 
renda e impedindo o aumento do fluxo migratório para São Paulo, Rio de 
Janeiro e capitais, com menor endividamento e o controle por empresas 
transnacionais da produção.</p>
<p><strong>Desculpem-me se a análise se torna enfadonha, mas agora vamos até o fim e falta pouco</strong></p>
<p>A “argumentação” ou peça publicitária, se preferirmos, chega então 
por inferência lógica , ao menos segundo o autor do editorial, a 
conclusão que o Brasil não precisa mais de reforma agrária. Portanto o 
país, com a pior distribuição de renda, com cerca de 10% da população 
morando em favelas, com 30% de pessoas sem acesso a saneamento básico 
nas cidades inchadas e sobrevivendo sabe-se lá como, não precisa desta 
“bandeira do atraso”.</p>
<p>Feita esta análise, ponto a ponto, uma última consideração sobre os 
aspectos jornalísticos do momento em que vive a imprensa brasileira. O 
editorial, a despeito de seu desejo de enaltecer este setor, incorre em 
profundos erros de perspectiva histórica, sociológica e econômica. Claro
 que não espero do jornal mais conservador brasileiro que ele negue suas
 origens, seria até primário.</p>
<p>No entanto, para mim, como jornalista, como pesquisador da geografia 
agrária e membro da rede de comunicadores da reforma agrária, não é 
possível ignorar os fatos ou tentar tampar o sol com a peneira. Acho que
 como eu, o sentimento de um segmento considerável da população 
brasileira é de que a nossa inteligência  vem constantemente sendo 
subestimada pela grande imprensa. É cada vez menor os espaços de análise
 na grande mídia e quando estas não são coniventes ao jornais, não 
ocupam lugar nenhum em suas páginas, como o caso emblemático da 
psicóloga e ex-colunista <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4722228-EI6578,00-Maria+Rita+Kehl+Fui+demitida+por+um+delito+de+opiniao.html">Maria Rita Kehl</a>
 . Como um jornal que defende a liberdade de expressão não dá, em suas 
páginas, o direito ao contraditório? Que liberdade é essa que um fala e 
todos escutam?</p>
<p>É por isso que é importante convocar todos os blogueiros e meios de 
comunicação alternativos , bem como os estudiosos do meio rural 
brasileiro a divulgarem suas análise e contrapontos em nome de uma visão
 mais criteriosa dos grandes meios de comunicação com a questão rural. 
Contem com a Rede de Comunicadores da Reforma Agrária para isso. Talvez 
 estimular o contraponto  ao cada dias mais precário ponto de vista dos 
grandes meios , com dados disponíveis e de fácil acesso na internet, 
seja o caminho importate de formulação e militância.</p>
<p>O caminho aberto pela internet não pode ser negado e os fatos que não
 se sustentam não podem mais ser repetidos como uma mentira até que se 
tornem verdades. Que  uma outra visão sobre o campo no Brasil possa ser 
discutida abertamente na sociedade, com outras vozes, e novas ideias. 
Aos leitores, está cada dia mais difícil empurrar-lhes análises 
distorcidas e engajadas de veículos cada vez mais distante da realidade e
 incapazes de promover uma análise menos rasa e mais sóbria do contexto 
social brasileiro.</p>
<p>Afinal, com ensina a letra de Zé Ramalho, apesar de viver tão perto 
da ignorância, o povo foge dela .E com ensinam os filmes do Mazaropi, 
ele é capaz de produzir sua própria sabedoria.</p>
<p><em><em>Lúcio Mello é jornalista, servidor público e mestrando em Geografia pela UnB</em></em></p>
                                </div><br clear="all"><br>-- <br>Não façamos da necessidade virtude.<br>Não transformemos o presente em futuro.<br>O possível só é dito quando o que é<br>Nos possibilita dizer:<br>Socialismo!<br>_____________Santo cínico__________<br>

<br>


    </div>
     

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    <div style="color: rgb(255, 255, 255); height: 0pt;">__._,_.___</div>

        
  
   
    <div id="ygrp-actbar" style="clear: both; margin-bottom: 10px; white-space: nowrap; color: rgb(102, 102, 102); padding-top: 15px;">
      <div>
        <a rel="nofollow" ymailto="mailto:santo.cinico@gmail.com?subject=Res%3A%20A%20vergonhosa%20omiss%E3o%20do%20Estad%E3o" target="_blank" href="mailto:santo.cinico@gmail.com?subject=Res%3A%20A%20vergonhosa%20omiss%E3o%20do%20Estad%E3o" style="margin-right: 0pt; padding-right: 0pt;">
           <span style="font-weight: 700;"></span></a> |
        <a rel="nofollow" ymailto="mailto:espaco_socialista@yahoogrupos.com.br?subject=Res%3A%20A%20vergonhosa%20omiss%E3o%20do%20Estad%E3o" target="_blank" href="mailto:espaco_socialista@yahoogrupos.com.br?subject=Res%3A%20A%20vergonhosa%20omiss%E3o%20do%20Estad%E3o">
           <span style="font-weight: 700;">através de email</span></a> |
                  <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://br.groups.yahoo.com/group/espaco_socialista/post;_ylc=X3oDMTJxODYxbGhiBF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzE5OTAxNjE1BGdycHNwSWQDMjEzNzQzMTA5OQRtc2dJZAMxMTEyBHNlYwNmdHIEc2xrA3JwbHkEc3RpbWUDMTI5Mzk3MzEyNA--?act=reply&messageNum=1112">Responder <span style="font-weight: 700;">através da web</span></a> |
                <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://br.groups.yahoo.com/group/espaco_socialista/post;_ylc=X3oDMTJmOWpqMjM4BF9TAzk3NDkwNDM3BGdycElkAzE5OTAxNjE1BGdycHNwSWQDMjEzNzQzMTA5OQRzZWMDZnRyBHNsawNudHBjBHN0aW1lAzEyOTM5NzMxMjQ-" style="font-weight: 700;">Adicionar um novo tópico</a>
      </div>

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          (<span style="font-weight: 700;">1</span>)
          </div> 





<div id="ygrp-vital" style="background-color: rgb(224, 236, 238); font-family: Verdana; font-size: 10px; margin-bottom: 10px; padding: 10px;">
      <span id="vithd" style="font-weight: bold; color: rgb(51, 51, 51); text-transform: uppercase;">Atividade nos últimos dias:</span>

    <ul style="list-style-type: none; margin: 0pt; padding: 0pt; display: inline;">
                                                    </ul>
    
  <div style="clear: both; padding-top: 2px; color: rgb(30, 102, 174);">
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  </div>
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</div>



  </div> 

  
  
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     </div>




  </div>   

  <div style="clear: both; color: rgb(255, 255, 255); font-size: 1px;">.</div>
</div>

  <img src="http://geo.yahoo.com/serv?s=97490437/grpId=19901615/grpspId=2137431099/msgId=1112/stime=1293973124/nc1=1/nc2=2/nc3=3" width="1" height="1"> <br>

<div style="color: rgb(255, 255, 255); height: 0pt;">__,_._,___</div>
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