<html><head><style type="text/css"><!-- DIV {margin:0px;} --></style></head><body><div style="font-family:arial, helvetica, sans-serif;font-size:10pt;color:#0080ff;"><div>Prezados companheiros, manos e minas.</div><div><br></div><div>Segue o arquivo da cartilha cujo conteúdo é enfrentar a ideologia de que bancário é vendedor.</div><div><br></div><div>A idéia é apresentá-lo como uma proposta do BDB para o encontro nacional das Oposições para que seja distribuída nacionalmente. Portanto, deem os seus pitacos o mais rápido possível.</div><div><br></div><div>Um forte abraço.</div><div><br></div><div>Márcio.</div><div><br></div><div><p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><b style="mso-bidi-font-weight:
normal"><span style="font-size:18.0pt">OFICINA DE BANCÁRIOS</span></b> –
crítica à ideologia de equiparação dos bancários à vendedores.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">I- ATAQUES DOS BANQUEIROS CONTRA
A CATEGORIA NOS ÚLTIMOS 20 ANOS<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:21.0pt;text-align:justify;text-indent:
-21.0pt;mso-list:l0 level2 lfo1;tab-stops:list 21.0pt"><!--[if !supportLists]--><span style="mso-list:Ignore">1.1.<span style="font:7.0pt "Times New Roman""> </span></span><!--[endif]-->Desemprego
em massa.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:117.0pt">Uma
característica dos bancos é a composição orgânica do capital, isto é, a relação
do capital variável (salário) face ao capital fixo (imóveis, máquinas,
computadores, terminais eletrônicos, etc), que é muito alto. Nestas
circunstâncias,, o setor é altamente informatizado, carecendo de pouca
mão-de-obra. Na medida em que se avança na informatização de serviços, menos
necessário é o trabalho vivo, prestado pelos bancários. Por isso que a cada
reestruturação produtiva/administrativa vem sempre acompanhada de demissões em
massa.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Isso foi um movimento muito
intenso na década de 1990, com a abertura do mercado nacional e, ao mesmo
tempo, reestruturação produtiva das empresas de forma mais radica; isto é,
aumentar o capital. Ocorre que as empresas não tinham capital-dinheiro para
investir, daí ser necessário para financiar a reestruturação produtiva
brasileira, era necessário readaptar o sistema financeiro e os bancos. Para
isso foi necessário diversas adaptações corporativas, ou seja, mais capital.
Este processo foi intensificado ainda mais após a implantação do Plano Real,
que tornou ainda mais obsoleto a quantidade de agências e atendimento de
balcão. Havia a necessidade de “enxugar a estrutura corporativa”<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">O resultado disso foi um forte
processo de demissão em massa, principalmente após 1994. Diversos planos de
demissão voluntária , em que milhares de bancários se desligaram da categoria<span style="color:red"> . </span>Este processo foi ainda mais radical nos bancos
estatais, sobre tudo no Banco do Brasil, no governo do PSDB, em que além dos
PDVs, o banco simplesmente demitia sem justa causa<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:117.0pt"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:21.0pt;text-align:justify;text-indent:
-21.0pt;mso-list:l0 level2 lfo1;tab-stops:list 21.0pt"><!--[if !supportLists]--><span style="mso-list:Ignore">1.2.<span style="font:7.0pt "Times New Roman""> </span></span><!--[endif]-->fusões
e incorporações<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Ao contrário do que pregam os
teóricos burgueses, a livre-concorrência tende para a concentração de capital e
ao monopólio/oligopólio. Com o perecimento das instituições financeiras após a
reestruturação financeira, alguns bancos fecharam e outros foram adquiridos
pelas instituições maiores. Nos últimos 20 anos podemos aqui citar as
principais aquisições: O BRADESCO adquiriu, o BCN, FINASA, etc; o ITAÚ adquiriu
o BANERJ, UNIBANCO, BANK BOSTON<span style="color:red"> </span>o Santander
adquiriu o Noroeste, o Banespa, o Real.<span style="mso-spacerun:yes">
</span>O Banco do Brasil comprou o BEP, o BESC, a Nossa Caixa e ultimamente
adquiriu 49% do Banco Votorantim.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Para cada fusão/aquisição há mais
uma nova necessidade de reestruturação corporativa para viabilizar retornos e
maximizar lucros. Daí a necessidade de demitir em massa, aposentadorias
“compulsórias”, precarização das relações trabalhistas além da intensificação
de sobretrabalho. Com a diminuição de funcionários e a intensificar a
exploração, a saída foi fraudar a a jornada de 6 horas mediante a criação de
funções de “gerência” para justificar isso.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:21.0pt;text-align:justify;text-indent:
-21.0pt;mso-list:l0 level2 lfo1;tab-stops:list 21.0pt"><!--[if !supportLists]--><span style="mso-list:Ignore">1.3.<span style="font:7.0pt "Times New Roman""> </span></span><!--[endif]-->Rebaixamento
do nível dos salários<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-spacerun:yes"> </span>A)-Segmentação da categoria entre novos e
antigos, b)-terceirizações, c)-correspondentes bancários;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">A segmentação da categoria é mais
uma pérola dos neoliberais para “modernizar as relações de trabalho”. Trata de
excluir juridicamente, mas não na prática, <span style="mso-spacerun:yes"> </span>determinados trabalhadores com os bancos. No
início, esta ficção se restringia às atividades que não eram a finalidade da
atividade bancária, como serviços de copa, segurança, e telefonistas, secretaria,
etc. Todos os trabalhadores destes setores deixaram de ser bancários ainda que
trabalhem no banco e continuem a contribuir para com os lucros bilionários das
instituições financeiras. A medida serve para afundar o nível dos salários da categoria
e maximizar os lucros. Os trabalhadores terceirizados recebem até ¼ dos
salários dos <span style="mso-spacerun:yes"> </span>bancários de vinculo
direito.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Ainda no governo de FHC, o Banco
Central <span class="apple-style-span"><span style="color:#333333">a Resolução nº
2.707/2000</span></span><span style="color:red"> <span style="mso-spacerun:yes"> </span></span>permitiu que os bancos terceirizassem<span style="color:red"> <span style="mso-spacerun:yes"> </span></span>atividades-fim
como processamento de envelopes de depósito e de abertura de contas, com
trabalhadores recebendo um salários muito inferior em relação aos bancários de
vinculo direto formal.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Por último, os bancos montam
estabelecimentos inteiros para conceder crédito pessoal, ou para atender os
“usuários” (dentro daquilo que os gestores entendem por usuários), isto é, os
trabalhadores com a finalidade de pagar suas contas e resolver pendências
administrativas <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:21.0pt;text-align:justify;text-indent:
-21.0pt;mso-list:l0 level2 lfo1;tab-stops:list 21.0pt"><!--[if !supportLists]--><span style="mso-list:Ignore">1.4.<span style="font:7.0pt "Times New Roman""> </span></span><!--[endif]-->Desdobramentos
práticos em ser um “vendedor” (comerciário);<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Conforme vimos, nos últimos 20
anos, os banqueiros fizeram de tudo que foi possível para afundar o nível dos
salários e aumentar a jornada de trabalho. Depois de excluir juridicamente o
vínculo com os bancos de quase 200.000 (<a href="http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:lYTU9n38bzAJ:jus.uol.com.br/revista/texto/13517/empresarios-e-trabalhadores-diante-da-regulamentacao-da-terceirizacao-no-brasil+numero+terceirizados+bancos&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br"><span style="color:windowtext">http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:lYTU9n38bzAJ:jus.uol.com.br/revista/texto/13517/empresarios-e-trabalhadores-diante-da-regulamentacao-da-terceirizacao-no-brasil+numero+terceirizados+bancos&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br</span></a>)
de empregados terceirizados com salários rebaixados <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Agora a “moda” é bombardear
ideologicamente o bancário para fazê-lo acreditar que não é bancário, mas um
vendedor de produtos, como se fosse comerciário. Mas caso os banqueiros
consigam convencer os bancários de que são vendedores, isso trará
desdobramentos práticos desastrosos: os bancários poderiam ser equiparados à
comerciários. Isso implica<span style="mso-spacerun:yes"> </span>trabalhão aos
finais de semana e feriados, jornadas infindáveis de trabalho e condições de
trabalho ainda piores, salários rebaixados, etc. a meta é acabar com a
categoria do ponto de vista jurídico, ainda que, na pratica, todos trabalham <st1:personname productid="em banco. Esta" w:st="on">em banco. Esta</st1:personname> é a última
fronteira para acabaria com a categoria<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">II-DINHEIRO COMO MERCADORIA DOS
BANCOS.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">2.1. O que é dinheiro;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">O dinheiro é,<span style="mso-spacerun:yes"> </span>antes de mais nada, uma relação social em que
se cristaliza numa mercadoria. Na civilização antiga, o dinheiro poderia ser
qualquer coisa que viabilizasse a troca de produção excedente por produtos que
faltava. Todas as outras mercadorias podiam ser reduzidas a uma quantidade
de<span style="mso-spacerun:yes"> </span>dinheiro. Os metais preciosos são os
exemplos mais notórios do emprego da mercadoria como dinheiro.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Com o desenvolvimento do
capitalismo, o dinheiro passou a ser capital também. Mas um sistema
socioeconômico fundado na desigualdade a quantidade de dinheiro (meio de
circulação) começava a ser um entrave para dar vazão a produção e acumulação
capitalista., seja pelo esgotamento das minas de metais preciosos, seja pelo
desgastes das moedas metálicas (os valores das moedas eram medidas pelo seus
pesos), o que possibilitaria a fraudes. Daí a necessidade de se substituir os
metais preciosos por meio de papel moeda junto com o desenvolvimento do sistema
de crédito. A emissão de papel moeda tinha corresponder à quantidade de metal
precioso depositado no Tesouro. Assim, o papel-moeda não é dinheiro, mas seu
símbolo.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Não adentraremos nos pormenores
da relação do papel-moeda com o seu lastro, que acabaria por desviar do
objetivo central deste material. Assim, para fins didáticos, adotaremos o
papel-moeda como dinheiro propriamente dito, bem como os créditos e débitos de
acertos contábeis.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">2.2funções do dinheiro a) meio de
compra e b) meio de pagamento;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Vimos que, antes do capitalismo,
o dinheiro era uma mercadoria cuja única utilidade era viabilizar as<span style="mso-spacerun:yes"> </span>trocas de outras mercadorias. Todas elas eram
mensuráveis <st1:personname productid="em dinheiro. Neste" w:st="on">em
dinheiro. Neste</st1:personname> sistema de produção e circulação das
mercadorias, o movimento era a seguinte: M-D-M. Traduzindo: as pessoas de posse
das mercadorias excedentes, confrontavam-se comprador e vendedor. Um com
dinheiro e outro com a mercadoria, no momento em que se dá a metamorfose em que
a mercadoria vira dinheiro e o dinheiro se converte em mercadoria ao mesmo
tempo. Mas a preocupação de tanto do comprador quanto do vendedor não era de
fazer da troca um negócio. No presente caso ninguém obteve lucro com a
transação. A preocupação de ambos era resolver uma questão prática da vida
cotidiana numa sociedade pré-capitalista: Ambos tinham excedentes e ambos
precisavam de uma mercadoria específica.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Com<span style="mso-spacerun:yes"> </span>surgimento do capitalismo, o movimento da
riqueza mudou de qualidade. Antes, o detentor da mercadoria o convertia em
dinheiro para conseguir uma outra mercadoria de sua necessidade. Agora, o
movimento de circulação é D-M-D’, <st1:personname productid="em que D" w:st="on">em
que D</st1:personname>’= d + m, em que m= mais-valia ou lucro. O burguês
com<span style="mso-spacerun:yes"> </span>dinheiro, adquire mercadorias para
vendê-las para extrair da circulação mais dinheiro do que investiu. Com este
montante, o burguês reinveste na produção<span style="mso-spacerun:yes">
</span>e a circulação recomeça o seu ciclo. Nesta situação de circulação
simples, o dinheiro é empregado como meio de circulação, ou trocado em miúdos,
um “toma-lá-dá-cá”. É também conhecido como meio de compra, ou seja, quando a
metamorfose de dinheiro em mercadoria e vice-versa (e ao mesmo tempo) é instantâneo,
cortando encerrando a efêmera relação comercial. Aqui não há qualquer
preocupação de ambos sobre o que os detentores de dinheiro e da mercadoria vão
fazer com o resultado da transação. Porém, para facilitar os nossos estudos, o
meio de compra , ou meio de circulação é o emprego de recursos próprios<span style="mso-spacerun:yes"> </span>para pagamento à vista, na “bucha”, “uma em
cima da outra”.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Ocorre que no processo de
circulação e acumulação de capital não funciona como um reloginho, de sincronia
perfeita entre oferta e procura, Seja porque as mercadorias ficam distantes do
mercado consumidor, seja porque<span style="mso-spacerun:yes"> </span>o
processo de<span style="mso-spacerun:yes"> </span>produção de determinadas
mercadorias demanda um longo tempo,etc. Assim, é comum que os compradores não
tenham as mercadorias a sua disposição, ou ainda que as tenham, não possuem
dinheiro para adquiri-las. Daí, houve-se a necessidade de se vender sem comprar,
que necessariamente significa comprar sem vender, que na pratica significa
pagar ou receber a mercadoria antes da venda ou compra, formalizado em algum
título (duplicata, por exemplo). Um atacadista compra um lote de refrigerantes
diretamente da industria, mas não dispõe de dinheiro para efetuar a transação.
No meio comercial, o negócio é fechado e o produtor entrega o lote pedido de
bebidas e emite uma duplicata com vencimento futuro ( 30 dias, por exemplo) sem
ter recebido um centavo sequer no ato da entrega das mercadorias para o
comerciante. O pagamento se dará no termo final da duplicata. Muitas vezes, o
prazo para o pagamento leva-se em consideração as possibilidades de escoamento
das mercadorias para que elas “se paguem”. O nosso comerciante (nas condições
“normais de temperatura e pressão”) vende todo<span style="mso-spacerun:yes">
</span>o lote de refrigerentes e com o montante obtido das vendas paga as
mercadorias, já deduzidos todas as despesas inerentes (funcionários, aluguéis,
etc).<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Por outro lado, o industrial
entregou as mercadorias, mas o dinheiro que se espera obter com a venda para o
atacadista só ingressará após 30 dias, sem, no entanto, cessar a produção e
satisfazer todas as despesas ordinárias recorrentes para permitir que se venda
mais lotes de refrigerantes, isto é, é necessário capital, que pode ser
alienando as duplicatas a receber das emitidas, recorrer a um fundo de reserva
da fábrica (uma espécie de “poupança”), ou ainda, poderá se recorrer aos
empréstimos bancários. Isso também serve para o nosso atacadista caso ele não
consiga vender o lote de refrigerantes até o vencimento da duplicata, isto é,
quando as vendas “não se pagam”.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Assim, vender sem comprar e
comprar sem vender significa necessariamente falarmos de crédito. E nestes
casos, o dinheiro tem a função de meio de pagamento, pois uma das partes do
pólo da metamorfose da circulação<span style="mso-spacerun:yes"> </span>D-M-D’
foi feita antes de se completar o seu movimento inverso correspondente: o fabricante
entrega a mercadoria (M) antes de receber a quantia correspondente pelo
atacadista (D, mas face ao fabricante, é D’). Caso ambos movimentos se dão de
forma simultânea, o dinheiro teria função de meio de circulação, que foi objeto
de nosso estudo acima.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">O dinheiro como meio de pagamento
também é usado pelo consumidor final para compras à prazo e financiamentos.
Este crédito pode ser obtido diretamente com o vendedor, ou também recorrendo
aos bancos mediante crédito direto ao consumidor, por exemplo. Mas nesses casos
o dinheiro cumpre as duas funções e ao mesmo tempo. Os recursos levantados no
banco para a compra de uma tevê de plasma é meio de compra face a loja e o
banco entra no lugar desta relação que seria da loja.Assim, as prestações a
serem pagas pelo feliz proprietário do aparelho<span style="mso-spacerun:yes">
</span>seria meio de pagamento face à instituição financeira que concedeu o
crédito<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Daí que se conclui que o crédito é
um milagre do capitalismo, pois permite-se circular as mercadorias sem lastro
correspondente . Isso faz com que se acelere a circulação<span style="mso-spacerun:yes"> </span>das mercadorias e permite maior crescimento
econômico....embora fictícia, pois o desenvolvimento do mercado de crédito é
acompanhado pelo desenvolvimento do endividamento, que é uma contradição. A
sustentação deste processo é a<span style="mso-spacerun:yes">
</span>capacidade de saldamento das dívidas. Uma vez esgotada esta capacidade
interrompe-se bruscamente o processo de circulação e não há mais escoamento de
marcadorias, compromentendo todo o sistema produtivo. São as crises econômicas
como esta que vivenciamos desde finais de 2007 em escala mundial.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">2.3 movimento simples do dinheiro
nos bancos D<span style="font-family:Wingdings;mso-ascii-font-family:"Times New Roman";
mso-hansi-font-family:"Times New Roman";mso-char-type:symbol;mso-symbol-font-family:
Wingdings"><span style="mso-char-type:symbol;mso-symbol-font-family:Wingdings">à</span></span>D’<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-spacerun:yes"> </span><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">No item anterior começamos a ver
como os bancos são importantes para o desenvolvimento do sistema de crédito e
para o funcionamento do processo de circulação<span style="mso-spacerun:yes">
</span>e acumulação<span style="mso-spacerun:yes"> </span>do capital. Também
vimos qual a função do dinheiro no processo de circulação. Agora estudaremos a
relação dos bancos com o dinheiro.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Como já foi dito, o processo de
circulação e acumulação não funciona em sincronia fina, como um relógio, ou
guiadas por uma “mão-invisível”. Muitas vezes, ainda que haja oferta e demanda,
pode haver outros elementos que perturbem este processo, como quebra de safra,
problemas climáticos, falta de infraestrura., taxas alfandegárias,etc. Pode
inclusive, ao contrário, algumas (ou todas ) condições mudem favoravelmente de
forma que a oferta seja exaurida muito mais rápido do que se esperava. Assim,
haverá ocasiões que setores no processo de circulação terão sobra de capital-dinheiro,
bem como haverá ocasiões que necessitará recorrer a uma fonte externa de
recursos para manter o processo <st1:personname productid="em funcionamento. Desta" w:st="on">em funcionamento. Desta</st1:personname>
forma, quando se sobra capital-dinheiro, deposita-se no banco. Mas quando
falta, recorre-se aos bancos para levantar capital-dinheiro para dar continuidade
ao processo. É esta entrada e saída de dinheiro que carcateriza o setor
bancário: recebe e repassa. De um lado, os depositantes confiam no banqueiro
para que guardem o vil metal; do outro lado, o banqueiro concede empréstimos
(com garantia ou não) utilizando os mesmos recursos depositados na sólida
instituição financeira.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">No papel que cabe aos bancos no
processo de circulação e acumulação do capital, a mercadoria utilizada é o
dinheiro, dentro daquele movimento D-M-D’. Como o “M” aqui é nada mais do que
dinheiro, isto é “D”, então a movimentação é D-D-D’. Simplificando a
movimentação acima, então temos D<span style="font-family:Wingdings;mso-ascii-font-family:
"Times New Roman";mso-hansi-font-family:"Times New Roman";mso-char-type:symbol;
mso-symbol-font-family:Wingdings"><span style="mso-char-type:symbol;mso-symbol-font-family:
Wingdings">à</span></span>D’, <st1:personname productid="em que D" w:st="on">em
que D</st1:personname>’= d+l, em que “l” é o lucro do banqueiro.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Trata-se do supra-sumo do fetiche
capitalista: captar dinheiro para emprestar para fazer mais dinheiro mediante
cobrança de juros. Capta dinheiro barato e “vende-lo” mais caro. É a tudo isso
que se resulta o trabalho bancário de intermediação financeira. Se não tivesse
um propósito ideológico, a afirmação de que o bancário não é um prestador de serviços
financeiros, mas de um vendedor, não passa de um devaneio, de uma ignorância
sem precedentes. Primeiro porque banco não produz mercadorias físicas; segundo,
exatamente por isso que os bancos não produzem mais-valia. O lucro dos bancos
está na agiotagem e não na produção ou circulação.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Agora convém saber o que
determina o lucro dos bancos, isto é, o juro. Do ponto de vista da aparência,
basta jogar uma percentagem sobre a base de cálculo do montante e a partir daí
teríamos o juro. Ocorre que não nos contentamos com as aparências. Queremos
chegar à essência das coisas. Diante disso, surge outra pergunta: o que
determina que num determinado tempo e espaço a taxa de juros seja “x”, “y”, ou
“z” ? O que determina que alguém fixe um número como parâmetro para servir de
taxa de juros?<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">A resposta é a taxa de lucro, ou
lucratividade média dos setores produtivos<span style="mso-spacerun:yes">
</span>de um determinado país ou grupo de países. Quanto maior é a taxa de
lucro realizada pelos patrões , maior é a taxa de juros. Mas isso serve apenas
para períodos de estabilidade econômica. Isso explica, por exemplo, porque
as<span style="mso-spacerun:yes"> </span>taxas de juros praticadas pelos
bancos aqui no Brasil são muito maiores do que qualquer país desenvolvido, pois
aqui a taxa de lucro é maior do que nos países desenvolvidos. É evidente que em
tempos de crise cíclica ou estrutural (como a atual)<span style="mso-spacerun:yes"> </span>há outros fatores que também influenciam a
alta ou a baixa dos juros. Em épocas de crise, por exemplo, o dinheiro é
escasso de forma que as pessoas estão dispostas a pagar juros maiores para
captação da capital-dinheiro, e os bancos, por sua vez elevam as taxas de juros
pelo fato do meio circulante estar escasso.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Até agora, explicamos o movimento
simplificado do dinheiro nos bancos. Capta-se para depois emprestar. Como o
desenvolvimento do sistema financeiro, as formas de captação<span style="mso-spacerun:yes"> </span>e de empréstimos são múltiplas . Porém apenas
vamos deter nossas atenções para as formas de captação de recursos pelos
banqueiros, que podem ser públicos<span style="mso-spacerun:yes"> </span>e
privados. Por ora, não consideraremos os recursos públicos (como o Fundo de
Amparo ao Trabalhador, que curiosamente é utilizado para o patrão obter lucros)
e privados (como fundos de pensão). Trabalharemos com as formas de captação de
capital-dinheiro surgidas no dia-dia das agências, causa de tantas doenças e sofrimentos
psíquicos a que estamos submetidos<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">..<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">III – “PRODUTOS” BANCÁRIOS
(captação)<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">3.1. impropriedade o termo
“produto”;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Nas linhas acima vimos, de forma
simplificada, que os bancos captam dinheiro barato e emprestam mediante juros,
auferindo, assim, um lucro. Os banqueiros não colocam a mão no bolso para fazer
funcionar o seu negócio. Os recursos utilizados para tal mister são oriundos,
em boa parte, de sua base própria de clientes depositários. Esta entrada e
saída de dinheiro (seja para meio de compra ou meio de pagamento) são serviços
bancários executados pelos trabalhadores dos bancos. Logo, o termo utilizado
pelos administradores de “produto” aos serviços prestados de intermediação
financeira pelos bancários ser inapropriado.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Isso significa<span style="mso-spacerun:yes"> </span>que os banqueiros e sua tropa de choque de
administradores são burros? Não, pelo simples fato de quererem convencer o
bancário de que não é um prestador de serviços, de que não é um bancário, e, a
partir deste convencimento, retirar todos os direitos conquistados com muita
luta, como, por exemplo, a jornada de seis horas. Também pode estar por trás,
classificar como bancários apenas aqueles que nas agências celebram o contrato
de captação diretamente com o cliente, excluindo todos<span style="mso-spacerun:yes"> </span>os bancários que não trabalham nas agências,
embora dêem todo o suporte necessário para a viabilidade do serviço de
captação, como, por exemplo, análise de documentos para contratação de crédito
imobiliário.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Portanto, não são os nomes que
determinam o que o bancário faz, mas é o que ele faz é que determina os nomes,
por mais que os banqueiros e o governo digam o contrário. Por isso, que os
meios de captação nas agências executados por nós SÃO SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO
FINANCEIRA e que nós bancários SOMOS PRESTADORES DE SERVIÇOS, SIM<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">3.2. O que está por trás do
assédio para a contratação de serviços bancários (fidelização)<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Com o desenvolvimento do sistema
financeiro, combinando com o processo de concentração de mercados é muito comum
que as instituições financeiras façam algum teatro de uma fictícia
concorrência. No setor bancário<span style="mso-spacerun:yes"> </span>as
formas de captação são exatamente iguais. Os serviços existentes em um, há no
outro. Todo e qualquer instituição financeira tem título da capitalização,
seguros, planos de previdência, consórcio, investimentos, etc, etc, etc, Todos
os dias somos assediados para “vender”, bater metas (muitas vezes pelos métodos
mais questionáveis e ilegais) para alavancar os resultados do banco no qual a
gente trabalha. Mas se observarmos bem, os resultados financeiros advindos da
prestação destes serviços é muito pouco ou irrisório. O grosso do lucro dos
bancos é a concessão de crédito. Daí vem a óbvia pergunta: Por que massacrar os
bancários com metas “inúteis” tendo em vista que o impacto das contratação de
tais serviços nos lucros bancários é insignificante?<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Tendo em vista que se é muito
fácil abrir e fechar conta-corrente, ou então, ter diversas contas em diversos
bancos, os serviços de captação são usados como laços para dificultar um
possível quebra de vínculo com a instituição bancária em questão, ao mesmo
tempo que torna o cliente como uma fonte de captação de recursos por um longo
tempo. Por exemplo. A “venda” de um título da capitalização em 48 mensalidades
transforma o cliente numa fonte permanente de captação de recursos<span style="mso-spacerun:yes"> </span>por 4 anos com uma única simples assinatura
do correntista para que o banco possa especular para obter lucros no mercado de
crédito ou ainda na bolsa. O raciocínio serve para os demais serviços de
captação prestados por nós bancários, dentro das características peculiares de
cada serviço.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Assim, o que está por trás de
toda e qualquer meta é transformar cada correntista em uma fonte mais duradoura
possível de recursos, também conhecido pelo simpático nome de “fidelização”.
Mas na verdade trata-se de lançar ao cliente diversos grilhões para servir aos
bancos. O lucro não está no serviço de captação em si, mas o que se faz com o
resultado dele no ato do recebimento dos juros dos empréstimos concedidos<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Vejamos a seguir as principais
formas de captação dos banqueiros, bem como as suas peculiaridades.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">3.3. Titulo de capitalização;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Trata-se de um contrato bancário
em que o correntista se compromete a fazer depósitos periódicos (mas pode ser
depósito único também) na instituição financeira e em troca, concorre a prêmios
em dinheiro, como se fosse uma loteria. Caso o correntista não seja sorteado
até o final do plano contratado, ele receberá, ou não, o valor corrigido apenas
pela TR, isto é, uma rentabilidade menor do que a poupança. Logo que é evidente
que o atrativo do plano só poder ser a POSSIBLIDADE de ser sorteado para ganhar
uma bolada em dinheiro, pois como investimento é um péssimo negócio.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">O fato dos depósitos serem
corrigidos apenas pela TR faz com que sejamos diariamente bombardeados com metas
envolvendo este tipo de contrato. Afinal. O dinheiro é captado para que o
banqueiro empreste a juros exorbitantes . Ademais, o Título de Capitalização
tem sua liquidez mitigada em relação à poupança. Os planos costumam
desencorajar a desistência do correntista antes do final do prazo retendo parte
dos depósitos efetuados. Por exemplo. Num plano de 36 depósitos mensais caso o
correntista queira sair do plano depois de efetuado 15 depósitos, ele apenas
levantará o equivalente à 10 depósitos. Desta forma, os bancos “convencem” os
correntistas <span style="mso-spacerun:yes"> </span>a ficarem até o final. Na
poupança, o correntista faz os depósitos quando quiser, saca quando quiser e o quanto
puder, e permanece com a conta até quando quiser. Os bancos tendo menos
controle sobre os correntistas com a poupança, faz do título de capitalização
uma de suas alternativas preferidas...de captação de recursos, fonte de tantos
adoecimentos da categoria.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">3.4. Seguros;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Trata-se de um contrato de
serviços em que o segurado se compromete a pagar um prêmio à seguradora, para
que receba alguma indenização, caso haja algum sinistro com o bem segurado, que
pode ser bem diverso (vida, automóvel, imóveis, etc). Em outras palavras: o
pagamento do prêmio é certo, mas a indenização não . Além do mais, as
seguradoras lançam mão da “franquia” como forma de dificultar o pagamento da
indenização. A franquia nada mais é do que a participação do segurado no
pagamento de sua própria indenização.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Hoje, o mercado de seguros
desenvolveu tanto a ponto de poder mapear as possibilidades de risco a partir
das características individuais do bem segurado e os hábitos de vida da pessoa
do segurado. Conforme for o maior a possibilidade de sinistro, maior é o prêmio
que o segurado deverá pagar.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Esta forma de captação pelos
bancos é ainda mais vantajosa, pois os banqueiros não tem de dar satisfação ao
segurado com o que faz com os recursos recebidos como prêmio (enquanto que no
título de capitalização, há o compromisso de devolver o valor depositado pelo
correntista, ainda que<span style="mso-spacerun:yes"> </span>parcialmente) .
Findo o prazo do contrato de seguro e não aconteceu sinistro algum, o banco não
tem a obrigação de devolver os valores pagos como prêmio. Ou se haver sinistro,
a indenização somente será efetuada se o segurado pagar a tal franquia. <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Uma vez que os pagamentos dos
prêmios são a única certeza neste tipo de contrato, o banco não tem obrigação
alguma de dar satisfação sobre os recursos recebidos dos segurados. Se o banco
quiser especular na bolsa, pode. Se quiser emprestar a juros exorbitantes,
também pode. Se quiser dar 152% de aumento para os diretores da instituição
financeira (como aconteceu no BB no início da década de 2000, quando o
funcionalismo já sofria com 6 anos de congelamento salarial) também pode.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">É por todas estas vantagens para
os bancos é que somos obrigados a cumprir metas interplanetárias de contratação
de seguro. O lucro obtido com este tipo de contrato é irrisório frente o lucro
conseguido com os juros dos empréstimos. Por ser praticamente de graça a
captação de recursos, os seguros também são fontes de adoecimentos dos
bancários .<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">3.5. Previdência Privada;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Primeiramente, só há mercado para
planos de previdência privada diante da conveniente falência da previdência
pública e do ataque ideológico da afirmação falsa de “rombo da previdência”
como resultado do aumento vertiginoso de beneficiários. Mas na verdade, tal
rombo é feito a partir de desvio de recursos para pagamento de juros da dívida
pública, sem dizer que o Estado não dá a sua contrapartida na contribuição da
Seguridade Social como está determinado na Constituição. Por outro lado, a
mesma mídia que propaga a mentira do “rombo da previdência” omite a informação
que as próprias estatais, assim como os bancos privados, estão entre as maiores
devedoras do INSS(<span class="apple-style-span"><span style="font-size:9.0pt;
font-family:"Verdana","sans-serif"">Os cinco maiores</span></span><span class="apple-converted-space"><span style="font-size:9.0pt;font-family:"Verdana","sans-serif"">
bancos </span></span><span class="apple-style-span"><span style="font-size:
9.0pt;font-family:"Verdana","sans-serif"">privados do país: </span><i style="mso-bidi-font-style:normal">“Bradesco, Itaú, Unibanco, Santander e
ABN-Amro Real) devem, juntos, R$ 135,9 milhões. Os dois maiores</i></span><span class="apple-converted-space"><i style="mso-bidi-font-style:normal"> bancos </i></span><span class="apple-style-span"><i style="mso-bidi-font-style:normal">estatais (Banco do
Brasil e Caixa Econômica Federal) são responsáveis por R$ 293,6 milhões em
dívidas” </i>(Folha de São Paulo de 17/05/2009)</span><i style="mso-bidi-font-style:
normal">.</i> Assim, o mercado para o plano de previdência privada é
convenientemente criada pelo Estado. <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Feitas estas considerações,
passemos a estudar o plano de previdência privada.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Diferentemente do previdência
pública em que a geração da ativa banca a aposentadoria da geração inativa, no
plano de previdência privada o próprio cliente banca a sua própria
aposentadoria por meio de<span style="mso-spacerun:yes"> </span>formação de
uma poupança. Os recursos depositados são administrados pelos bancos de acordo
com o permitido no contrato e do gosto do cliente. Até o início da década de
2000, os planos eram de Benefício Definido, isto é, os bancos se
responsabilizavam por garantir a o valor da pensão contratado no final de um
período longo (de <st1:metricconverter productid="20 a" w:st="on">20 a</st1:metricconverter>
30 anos, por exemplo). Depois, com a mudança muito conveniente em favor dos
bancos, só passou a ser oferecido o PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) e
do VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres), cuja diferença entre os dois é de
ordem tributária. O termo “Livre” significa “livre de responsabilidades com o
cliente”. Desde então, a única coisa certa é a contribuição do cliente, e os
bancos não tem qualquer responsabilidade de garantir a pensão do beneficiário
caso haja problemas de ordem conjuntural, como queda da bolsa, ou
desvalorização dos títulos públicos. Em outras palavras: os bancos transferiram
o ônus da administração dos recursos para os clientes.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Diferentemente dos seguros, aqui
os bancos tem de dar alguma satisfação do dinheiro depositado pelos clientes.
Via de regra, são aplicados em fundos de renda<span style="mso-spacerun:yes">
</span>fixa, fundo de ações, ou ainda em fundos mistos (mescla de renda fixa
com ações). Todo o dinheiro suado do trabalhador é torrado para especulação de
papéis. E por incrível que pareça, os bancos<span style="mso-spacerun:yes">
</span>cobram uma taxa de administração para isso sobre o patrimônio do fundo,
que geralmente é milionário e é rateado entre os felizes poupadores dos planos.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Por ser um contrato de longo
prazo ele é um excelente produto para “fidelização” do correntista, isto
é,<span style="mso-spacerun:yes"> </span>torna-se mais difícil a quebra do
vínculo do cliente com o banco. Um plano de 20 anos, por exemplo, garante que
este mesmo correntista se endivide no cartão de crédito, no cheque especial,
faça financiamentos, etc, etc,. O cliente pode até usar o montante do dinheiro
depositado no plano de previdência, mas as alíquotas de IR <span style="mso-spacerun:yes"> </span>incidentes no ato do saque desencorajam tais
possibilidades. Ademais, o cliente não pode fazer quantos saques forem
necessários. Sempre há um período longo permitido entre um saque e outro (6
meses, por exemplo)<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">3.6.Consórcio;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">O consórcio não é uma fonte de
captação tão interessante quanto as opções anteriores, exceto pelo fato de
também ser um contrato de longo prazo. Consórcio nada mais é do<span style="mso-spacerun:yes"> </span>que uma associação de pessoas para adquirir
um bem, de forma parcelada, porém sem pagar juros. É isso que os
administradores chamam de “produto”. Tendo em vista que um grupo de consórcio
autônomo é inviável do ponto de vista legal e burocrático, os bancos cedem toda
a sua estrutura para formação mais prática e simplificada de grupos e cobram
uma taxa para isso.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">As pessoas do grupo contribuem
periodicamente até formar um montante mínimo para aquisição do bem. A partir
daí, o integrante recebe o bem por uma das duas hipóteses: 1-por meio de
sorteio, ou 2-por meio de um lance (tal e qual um leilão). Tanto num caso
quanto no outro, o consorciado, embora com o bem em posse, pagará o saldo
parceladamente sem juros.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Como visto, o consórcio é um
contrato que a pessoa não tem pressa para receber o bem. Na cabeça do cliente é
como se estivesse fazendo uma poupança vinculada a compra do bem desejado (um
automóvel, por exemplo)<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">3.7. AINDA SOBRE OS SERVIÇOS
BANCÁRIOS.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Acabamos por desdobre em linhas
gerais os “produtos” mas comuns no meio bancário, mas explica-las de forma
sistemática ainda não caracteriza os bancários como bancários. Nosso serviço,
de maneira simplificada, resume a captar recursos para cedê-los cobrando o
juro. Agora veremos de forma mais inequívoca, que os ‘produtos” não são
produtos, além de trazer uma série de desdobramentos práticos depois de
celebrados,ao contrário da venda em que a relação prática entre vendedor e
comprador se encerra no ato do que os juristas costumam de chamar de tradição
ou <i style="mso-bidi-font-style:normal">traditio; </i>isto é, quando a
mercadoria passa das mãos do vendedor para as do comprador.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">No meio financeiro, para cada
“produto” vendido cria uma possibilidade de prestação de diversos serviços para
a manutenção de cada contratação específica.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Ao “vender” um título da
capitalização, poder criar uma série de demandas como saque parcial,
encerramento prematuro do contrato,...Sobre seguros o cliente pode fazer
endosso, pode aumentar ou reduzir a base de cobertura.... Na previdência
privada, o cliente pode aumentar ou reduzir o prazo de contribuição, aumentar
ou diminuir a contribuição, fazer contribuição esporádica. Pode até suspender e
sacar a reserva monetária, etc, etc, etc....<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Diante disso, a quem o cliente
procurará nas agências bancárias, senão o bancários para executar cada um
destes serviços? O “vendedor”? Não. O BANCÁRIO. Para cada contrato celebrado
implica necessariamente numa série de serviços que o circunda. É necessário ter
alguém de carne e osso para executar esses serviços. Os banqueiros e o governo
querem nos convencer dizendo que estamos ali para vender e não para prestar
serviços. Assim cada contrato firmado implica mais serviços a ser executados
por nós, bancários. Significa que o ato de assinar um contrato de seguro,
abertura de conta corrente, capitalização, etc... é, na verdade, o INÍCIO de
uma relação comercial-financeira com os clientes e não o seu final. Para cada
“produto” vendido terá um cliente que procurará a agência bancária para
executar algum serviço correlato com o contrato. Diante disso, para cada conta
aberta, haverá a possibilidade de rever, por exemplo, aumento ou redução de
limite de conta; para cada seguro o cliente poderá renová-lo ou alterar alguns
(senão todos) aspectos norteadores do contrato....e assim por diante.
Certamente não é o empregado do comércio e/ou correspondentes bancários que as
executará. É justamente por isso que os banqueiros e o governo se esforçam
tanto para nos convencer que somos vendedores, pois tal discurso esconde o fato
de que cada contrato firmado demanda uma série de serviços para a sua
manutenção, que justificaria a contratação de mais bancários e redução da
jornada de trabalho.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">IV. CONCLUSÃO.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Como se nota, máxima que o
bancário é vendedor e que os serviços prestados são “produtos” não resistem ao
menor questionamento de seus fundamentos. Vimos que os trabalhadores bancários
são sim prestadores de serviços de intermediação financeira, o que permite que
os bancos captem recursos junto à sua base de clientes (evidentemente que não
computamos aqui os recursos públicos jorrados do erário). Em outras palavras: é
o bancário de, um modo geral, que é a força motriz do movimento da mercadoria
dinheiro em D<span style="font-family:Wingdings;mso-ascii-font-family:"Times New Roman";
mso-hansi-font-family:"Times New Roman";mso-char-type:symbol;mso-symbol-font-family:
Wingdings"><span style="mso-char-type:symbol;mso-symbol-font-family:Wingdings">à</span></span>D’.
No entanto, os banqueiros e o Estado fazem uma verdadeira campanha ideológica
sobre a categoria de que bancário é vendedor de “produtos”. Mais do que
subestimar a nossa inteligência, os patrões querem, pelo menos, três
coisas:1-que percamos a identidade enquanto categoria para assim criar um
cenário subjetivo para:2- retirar direitos, reduzir o nível dos salários; e
3-promover uma luta fraticida de todos contra todos, intensificando o
estranhamento entre os colegas de trabalho e a divisão da categoria.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p></div><div><br></div><div style="position:fixed"></div>
</div><br>
</body></html>