<html><head><style type="text/css"><!-- DIV {margin:0px;} --></style></head><body><div style="font-family:arial, helvetica, sans-serif;font-size:10pt;color:#000000;"><div>Prezados companheiros, manos e minas.</div><div><br></div><div>Segue a Contribuição do Coletivo Bancários de Base para os debates do Encontro Nacional das Oposições na cidade de Natal-RN.Como é de nossa tradição, sempre a publicamos antes do Encontro para os trabalhadores de nossa categoria, embora não seja com tanta antecedência assim. Por outro lado sabemos que o conteúdo não pertence ao nosso Coletivo, mas a todos aqueles que queiram discutir, de forma organizada e coletiva, os rumos da categoria. E por isso pedimos a compreensão dos companheiros.</div><div><br></div><div>Além deste material, apresentamos uma proposta de uma cartilha de propaganda para a disputa ideológica contra o governo e a patronal. Trata-se do anexo, cujo título é "Bancário não é Vendedor" em
que explicamos para o trabalhador o que está por trás da ideologia de que somos "vendedores" e que os serviços prestados por nós são "produtos". Denunciamos que o escopo disso é convencer o bancário para depois usurpar as conquistas históricas da categoria, como a jornada de seis horas, instituir expediente nos finais de semana...equiparando o bancário a comerciário. Propomos que o material seja trabalhado pelas oposições e pelos sindicatos em suas respectivas bases. </div><div><br></div><div>Nesta mensagem mandarei apenas a "Contribuição....". Na próxima, envio a cartilha.</div><div><br></div><div>Bom encontro e bons debates para todos nós.</div><div><br></div><div>Um forte abraço.</div><div><br></div><div>Márcio</div><div>Coletivo Bancários de Base (BDB)</div><div><br></div><div>___________________________________________________________________</div><div> </div><div>
<p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center">CONTRIBUIÇÃO DO
COLETIVO BANCÁRIOS DE BASE<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center">PARA O ENCONTRO
NACIONAL DAS OPOSIÇÕES<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center">NATAL 2011<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>APRESENTAÇÃO<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
crise econômica iniciada em 2008 tem novos desdobramentos no início de 2011. Os
povos árabes do norte da África e do Oriente Médio respondem com a derrubada
dos governos aos sofrimentos agravados pela crise em países governados há
décadas por servos do imperialismo. Desemprego para quase metade dos
trabalhadores, falta de expectativa de uma vida melhor para a juventude,
temperados pela xenofobia dos países da União Européia, que fecharam suas
fronteiras para a imigração; são alguns elementos que contribuíram para onda da
abertura democrática no mundo árabe. No plano mais geral, vemos a contradição
da desvalorização do dólar empurrando o mundo lentamente para um cataclismo
econômico.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>No
plano nacional o “jeito PT de governar” é aplaudido pela burguesia nacional e
internacional mas, ao mesmo tempo, já engatilhou uma possível substituta:
Marina Silva do PV, que soube muito bem trabalhar o mote da ecologia entre os
trabalhadores. Seria cômico se não fosse trágico e irônico, pois o PV apóia os
transgênicos e também o aumento das áreas apara desmatamento nas propriedades
na Amazônia prevista no projeto do Novo Código Florestal.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Nesta
conjuntura nacional e internacional está inserido o presente Encontro inspirado
pelos ares de mudança que sopram do Oriente. Este é um momento muito importante
para o sindicalismo bancário brasileiro, pois devemos discutir os meios de
retirar o controle da campanha salarial das mãos da CONTRAF-CUT, o que só pode
ser feito se anteciparmos a preparação da campanha. Precisamos derrubar a
ditadura dos governistas da CONTRAF-CUT, que são os maiores obstáculos, a
serviço do governo e dos banqueiros, para as conquistas dos bancários públicos
e privados.<span style="mso-spacerun:yes"> </span>O maior exemplo disso é a
tática “imexível” da mesa única.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
finalidade da mesa única é evitar o questionamento do governo do PT, partido
dos dirigentes sindicais cutistas, componentes da CONTRAF-CUT, e também
responsável por cargos chaves nos bancos federais. E assim as necessidades da
categoria são colocadas em último plano. É por isso que não se luta por
estabilidade nos bancos privados; não se luta pela instituição do delegado
sindical EM TODA A CATEGORIA; nem se cogita a reposição das perdas salariais
experimentadas principalmente pelos bancários do setor público por conta de 10
anos de congelamento salarial; também pelo mesmo motivo os dirigentes cutistas
não lutam pela isonomia de direitos entre os bancários novos e os antigos. Isso
só para citar alguns exemplos...<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Se,
por um lado, a mesa única é uma tática que se mostrou errada, por outro a
oposição está dispersa em nível nacional. Em 2010 a oposição não teve uma ação
coordenada. Cada oposição atuou sem considerar a categoria como um todo
nacionalmente. O resultado disso é que ficou mais fácil para a Articulação e
para os banqueiros poder desorganizar as campanhas salariais. Um exemplo disso
é a indefinição da Oposição quanto à participação nos fóruns da CONTRAF-CUT:
afinal, devemos ou não participar? Se sim, qual a política? Se não, qual é a
alternativa colocada CONCRETAMENTE? É possível ter uma atuação de oposição, de
acordo com as expectativas da categoria, nos fóruns da CUT? Para estas e outras
perguntas procuraremos encontrar as respostas neste encontro coletivamente .<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Bom
encontro para tod@s!<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Bancários
de Base – São Paulo – abril de 2011.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>1.
CONJUNTURA<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:54.0pt;text-align:justify;text-indent:
-18.0pt;mso-list:l0 level2 lfo1;tab-stops:list 54.0pt"><!--[if !supportLists]--><span style="mso-fareast-font-family:"Times New Roman""><span style="mso-list:Ignore">1.1<span style="font:7.0pt "Times New Roman""> </span></span></span><!--[endif]-->Internacional<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>1.1.1
Continuidade da crise e crise da alternativa socialista<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
crise mundial iniciada em 2008 ainda não está superada no plano da economia. Há
sinais de recuperação da produção e do comércio nos Estados Unidos e na Europa,
mas que ainda não chegaram aos níveis pré-crise. Além disso, a crise que
estamos atravessando não é apenas uma crise econômica, mas uma crise societal,
ou seja, uma crise do modo de produção social em suas várias esferas
(ambiental, energética, alimentar, cultural, etc.), a qual se localiza num
contexto geral de crise estrutural do capital. Os impactos sociais, políticos e
culturais da crise econômica são por demais severos para que se possa dizer que
o mundo retornou à “normalidade” pré-crise. Seguiremos convivendo com esses
impactos no próximo período.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
crise atual já fez com que, numa série de países fortemente afetados, o grau de
insatisfação social chegasse ao ponto de colocar milhões de pessoas nas ruas
para derrubar os governos. A diferença é que, desta vez, os povos se levantam
contra governos muito mais duros, ditaduras que já duravam décadas, que
pareciam sólidas e inquestionáveis, em países com uma enorme importância
estratégica para o imperialismo<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Além
disso, no próprio coração do imperialismo, o ataque às condições de vida dos
trabalhadores, necessário para que os governos possam recompor os orçamentos
dilacerados pelo salvamento da burguesia, colocou esses trabalhadores nas ruas
também nos países centrais. A Europa já enfrentou greves gerais na França,
Espanha e Portugal, mobilizações em diversos países, e um estado quase
permanente de enfrentamento na Grécia, em que quase dez greves gerais
fortíssimas se sucederam desde meados de 2010. Agora, a classe trabalhadora
começa a se mover até mesmo nos Estados Unidos, que há décadas, desde o início
do governo Reagan, não assistiam a processos de mobilização tão grandes como o
que está acontecendo nos estados de Wisconsin, Minnesota, Ohio, Indiana e
Pensilvania, com marchas de dezenas de milhares de funcionários, apoiados pela
população.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Assim,
por mais que os lucros da burguesia tenham retornado, e que aos poucos, nos
próximos anos, se reinicie um novo ciclo de crescimento, o que ainda não está
claramente colocado, as conseqüências da crise continuarão provocando um
acirramento da luta de classes, com dificuldades políticas enormes para a
burguesia seguir administrando a crise estrutural. O mundo já não é o mesmo
depois do retorno das lutas sociais nos países imperialistas e da colossal
revolução democrática em processo por parte dos povos árabes. Houve uma mudança
de qualidade importante, o retorno das mobilizações de massa dos povos e da
classe trabalhadora, que derrubam governos e chegam a fazer tremer as
estruturas do regime burguês em vários países.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
questão fundamental, que apesar de estar presente, não foi devidamente
considerada, e que determina a realidade mundial, é a contradição entre os
elementos objetivos e subjetivos, materializada na crise de alternativa. A
falta de resposta política revolucionária do proletariado permitiu que a
situação se estabilizasse logo após a eclosão da crise, no marco de que a
tendência à instabilidade confirmou-se nas lutas que começaram a espocar e no
surgimento de movimentos/ações da ultra-direita.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Desde
a queda da URSS e dos Estados do leste europeu, o socialismo foi alvo de uma
violenta campanha política e ideológica de desmoralização, de tal sorte que a
idéia de uma alternativa socialista ao capitalismo está ausente ou
desacreditada na consciência da maioria dos trabalhadores. Sem um projeto
alternativo de sociedade a ser apresentado em substituição ao capitalismo, a
luta acaba se limitando a medidas defensivas que não rompem com a ordem
estabelecida. O discurso dos trabalhadores em mobilização na Europa, por
exemplo, é tão somente contra a “injustiça” das medidas de austeridade, por
meio das quais os governantes querem obrigá-los a pagar pelos “erros” dos
especuladores. Esse discurso não se eleva ao nível da consciência de que não se
trata de erros “acidentais” de gestores mal-intencionados e de injustiças
eventuais, mas de uma lógica social capitalista que inevitavelmente produz crises.
Essa lógica social não pode ser atenuada ou controlada por medidas parciais,
nem muito menos “humanizada”, pois a alienação está na sua própria essência.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>1.1.2
As revoluções democráticas nos países árabes<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Está
em curso no norte da África e Oriente Médio um processo de revoluções
democráticas com a queda de ditaduras de décadas sustentadas pelo imperialismo
e ao mesmo tempo seus agentes na região. Os elementos desse ciclo, com
expressões mais ou menos avançadas de país para país, são: a) a queda brusca de
ditaduras históricas a partir da ação direta e da organização das massas; b)
participação dos setores da classe trabalhadora no processo; c) crise e divisão
das forças armadas com a dificuldade para a repressão direta aos movimentos; d)
a conquista de várias liberdades democráticas e de organização dos
trabalhadores e das massas em geral; e) a transição mais ou menos rápida para
regimes democrático-burgueses com a realização de eleições (mesmo no caso do
Egito, em que as forças armadas assumem o poder político através da junta
militar, estão marcadas eleições para a constituição de um governo civil e para
o parlamento).<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Mesmo
estando desprovido de uma consciência socialista e de direções revolucionárias,
esse processo abre uma nova situação nesses países do Oriente Médio e Norte da
África, com melhores condições para a luta e a organização dos trabalhadores,
agora diretamente contra a burguesia e a dominação imperialista que tende a
permanecer. Os problemas estruturais, contudo, não foram resolvidos. A partir
de agora as lutas tendem a se travar entre os trabalhadores e a burguesia, com
a polarização de classe tomando uma dimensão maior, que combinado às liberdades
democráticas conquistadas, tende a desenvolver um processo de organização da
classe trabalhadora e seus organismos de luta, como sindicatos, etc.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>No
entanto, a caracterização de que se trata de revoluções democráticas ao mesmo
tempo busca apontar os limites desse processo. Com a mudança para regimes
democrático-burgueses combinada com a profunda crise de alternativas
socialistas, tende a haver a divisão dos setores que protagonizaram essas
revoluções democráticas, devido à capacidade da democracia burguesa de diluir,
cooptar e se contrapor às necessidades de luta da classe trabalhadora contra a burguesia.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>As
tarefas democráticas, apesar de conquistadas em boa medida, não estão
consolidadas e nem foram plenamente atingidas, assim como outras revoluções
democráticas na América Latina, por exemplo. Assim, colocam-se as seguintes
tarefas para o próximo período: a) consolidar e expandir ao máximo o processo
de conquistas democráticas a partir da manutenção da mobilização das massas; b)
avançar num processo de lutas e organização independentes da classe
trabalhadora por suas demandas direcionadas contra a burguesia e o Estado
burguês; c) a necessidade de uma nova revolução, desta vez socialista,
sustentada nos organismos da classe trabalhadora.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>As
lutas dos trabalhadores contra o capitalismo em crise precisam passar da
defensiva para a ofensiva. Os planos dos governos capitalistas precisam ser
derrotados e revertidos pela ação organizada da classe trabalhadora. É preciso
romper com os limites políticos e os obstáculos organizativos das atuais
direções reformistas e burocráticas dos partidos e sindicatos. A luta em defesa
das condições de vida e contra os ataques da burguesia precisa se desenvolver
em direção a uma alternativa de poder dos trabalhadores, que apresente um
projeto socialista de reorganização da vida social, contra a barbárie
capitalista.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>1.2
Nacional<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;mso-line-height-alt:0pt"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span><o:p></o:p></span></p>
<p class="ListParagraph" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A eleição de Dilma é a vitória do
modo petista de governar, isto é, o governo em favor da burguesia, tendo o
controle dos organismos de luta dos trabalhadores e outros setores oprimidos. O
governo Dilma representa uma continuidade em relação aos dois mandatos de Lula,
no sentido de que o PT segue sendo o instrumento político mais adequado para a
aplicação do projeto da burguesia e do imperialismo para o país. O PSDB-DEM
seguirá aparecendo como uma alternativa de direita e pressionando o PT a ser
mais servil à burguesia, pois essa é a única forma de se manter no controle do
aparato do Estado, vital para sua sustentação enquanto burocracia.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>No entanto, dentro dessa
continuidade, manifestam-se alguns elementos de descontinuidade, que têm a ver com
as necessidades do capital para o próximo período. Essas necessidades se
organizam em torno de alguns eixos:<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>- Aumento da competitividade da
economia. Dado que o crescimento mundial deve seguir sendo lento no próximo
período e a disputa de mercado mais acirrada (demanda frágil nos países
imperialistas, guerra cambial, medidas protecionistas, etc.), o capital que
opera no Brasil terá que aprofundar (contra)reformas no sentido de ampliar a
competitividade da economia. Deve ser retomada uma ofensiva ideológica em torno
de medidas como: a) ataque sobre a legislação trabalhista e sindical; <span style="mso-tab-count:1"> </span>b) reforma da previdência; c)
(contra)reforma tributária;<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>- Cortes de gastos para reequilibrar
o orçamento. O governo brasileiro também precisou jogar dinheiro na economia e
agora terá que reequilibrar o orçamento, por meio de cortes nos gastos sociais,
atacando o salário dos funcionários públicos e precarizando os serviços.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>- Reestruturação do Estado,
enxugamento do quadro funcional, meritocracia e avaliações de desempenho como
medida de achatamento salarial do funcionalismo, ataques à estabilidade, etc.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>- Desenvolvimentismo e incentivos às
empresas. Com base no discurso de que “o que é bom para o capital é bom para o
Brasil”, o governo deverá seguir dando incentivos para a burguesia, na forma
de: a) renúncias fiscais; b) empréstimos a juros baixos; c) desregulamentação
ambiental; d) grandes obras de infra-estrutura;<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Na prática trata-se de uma política
semelhante à que acontece nos países imperialistas, em que o Estado transfere
dinheiro para o capital, às custas de ataques sobre os trabalhadores. Mas aqui
essa política aparece mediada pelo fato de que o processo da crise foi muito
mais suave sobre o Brasil, e as medidas são de muito menor porte, tanto no
plano dos ataques como no das concessões à burguesia. Essa política será
legitimada pelo discurso de que o Brasil está no caminho certo, está crescendo
de uma forma que beneficiará a todos, tende a ter um papel de destaque no
mundo, o que será sacramentado pelos mega-eventos da Copa do Mundo e
Olimpíadas.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Esses elementos tendem a fazer com
que o governo Dilma apresente um perfil mais à direita do que o de Lula, com um
perfil menos político, demagógico-carismático como era o de Lula, e mais
tecnocrático, gerencial, economicista. Isso se dará pela opção do próprio PT,
que seguirá priorizando o controle do aparato do Estado, das empresas estatais,
fundos de pensão, etc.; e desempenhando o papel de sustentar ideologicamente o
governo através do controle do movimento e das organizações dos trabalhadores.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Está em jogo uma grande operação
política e sindical no sentido de construir-se a imagem de um país que caminha
em direção ao futuro próspero e que para tanto é preciso apostar no crescimento
econômico e na democracia burguesa. Esse projeto está sendo apresentado pelo PT
a partir da exploração do petróleo do Pré-Sal, do crescimento econômico e de um
maior peso do Brasil no plano internacional. Porém tudo isso é apresentado
condicionado ao interesse do capital, ou seja, para que o país cresça, o
capital tem que crescer.<o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;mso-line-height-alt:0pt"><span style="color:black"><span style="mso-tab-count:1"> </span><o:p></o:p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>2.
QUESTÕES GERAIS E ESPECÍFICAS DOS BANCOS<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>2.1
Tendências de concentração do setor bancário<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Ao
mesmo tempo em que a burocracia petista no governo manobrou os bancos federais
como um dos seus instrumentos para a administração da crise, o conjunto do
setor bancário avançou no seu processo de concentração e monopolização. Toda
crise capitalista produz uma espécie de seleção em que apenas os capitais mais
fortes sobrevivem e os menores são absorvidos. Esse processo se manifesta por
meio de fusões de empresas, aquisições e incorporações.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>No
setor bancário, tivemos a compra do Unibanco pelo Itaú (apresentada como uma
fusão) e a compra do ABN Real pelo Santander. A concentração de capitais tem
conseqüências trágicas para os trabalhadores, pois permite que os capitalistas
dispensem mão de obra “excedente” nos setores em que passa a haver sobreposição
de funções. A economia dos gastos com mão de obra e os ganhos de escala são os
objetivos visados pela burguesia no processo de concentração, de modo que cada
fração do capital possa se reposicionar mais favoravelmente no jogo da
concorrência. Os bancos privados tiveram aumento de 24% nos seus lucros em
2009, em pleno auge da crise.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
novidade histórica do período recente foi a entrada dos bancos federais nesse
jogo, com as compras do BESC e Nossa Caixa pelo Banco do Brasil (e de parte da
BV Financeira) e a compra de parte do Panamericano pela Caixa Econômica
Federal. Ainda no âmbito dos bancos federais, foi anunciada a construção da
chamada “Cidade Digital” em Brasília, integrando os sistemas de informação do
BB e da CEF. A integração criará uma plataforma comum para os setores de
tecnologia dos dois bancos, o que nos permite vislumbrar no horizonte uma
possibilidade de fusão entre os dois gigantes estatais como culminação desse
processo de concentração.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Ainda
dentro deste processo de concentração de capital, destaca-se o movimento de
extinção das áreas-meio dos bancos. Há uma orientação generalizada de fechar
complexos e setores inteiros, demitindo o excedente, ou terceirizando os
serviços. Exemplo disso é o que acontece com o serviço de compensações dos
bancos.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>No
Bradesco, os funcionários da compensação no complexo da Cidade de Deus, em
Osasco (maior concentração de trabalhadores bancários do Brasil, com mais de
10.000 funcionários) já estão sendo deslocados para as agências, com a promessa
(em acordo entre o banco e a burocracia do Sindicato dos Bancários de São
Paulo, Osasco e Região) de que não vai haver demissões nem alteração de
salários a curto prazo e de que vai ser mantido o adicional noturno. Os
funcionários da compensação estão sendo forçados a se deslocar para as agências
de toda Grande São Paulo para dar treinamento aos funcionários das agências no
uso do sistema de compensação eletrônica. A longo prazo, conforme o serviço for
incorporado pelas agências esse pessoal vai se tornar “supérfluo” para o banco.
O serviço nas agências vai aumentar sem que haja o aumento no número de
trabalhadores.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>No
Banco do Brasil as agências já estão municiadas com “scanners” para
digitalização dos documentos, para que seja possível, entre outras coisas, a
compensação de cheques sem a cópia física de documentos. O banco estatal já
sinalizou que pretende fechar o Complexo Andaraí, no Rio de Janeiro; e o
serviço que não puder ser repassado para as agências será centralizado em São
Paulo. Os funcionários teriam que escolher dois caminhos: procurar realocação
na rede de agências, ou trabalharem na mesma função em São Paulo. <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Essas
medidas viabilizam a rotatividade da mão de obra, movimento pelo qual as
empresas descartam os bancários com mais tempo de trabalho e melhores salários
para contratar novos trabalhadores com salários menores. Funcionários
qualificados que se dedicaram se dedicaram à empresa por muitos anos são
friamente desprezados. Instala-se uma situação de permanente insegurança para
os trabalhadores, que vão trabalhar de manhã sem saber se continuarão
empregados à tarde. A digitalização da compensação e dos documentos em geral é
mais uma medida do processo geral de automação bancária, que reduz custos e
aumenta os lucros para os banqueiros. É preciso desfazer a ilusão de que
medidas desse tipo podem de alguma forma beneficiar os trabalhadores, diminuir
a carga de serviço, etc. Ao contrário, o que acontece é o aumento do volume de
serviço e a diminuição do número de trabalhadores.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>2.2
Reestruturação dos bancos federais e privatização<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>É
nesse contexto que deve ser interpretado o processo de reestruturação da Caixa
Econômica Federal, que está sendo desencadeado pelo governo cerca de 3 anos
depois da reestruturação do Banco do Brasil (a qual por sua vez segue se
aprofundando). A burocracia petista, em seu papel de ocupante do Estado, não se
contenta em ser simples gestora dos interesses da burguesia, mas procura se
comportar ela própria como burguesia, como empresariado, como ente patronal e
personificação do capital voltada para a reprodução ampliada do valor. Desse
modo, a gestão das empresas estatais subordinadas ao governo federal segue uma
estratégia tipicamente empresarial de concorrência e maximização dos lucros a
qualquer custo.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
transformação de Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em bancos de mercado
deve ser chamada por seu nome, ou seja privatização. A privatização não
consiste apenas numa simples mudança jurídica da propriedade. O Estado pode
continuar sendo o acionista majoritário dessas empresas, mas o que é decisivo
para caracterizar uma empresa privada é a sua forma de gestão, a sua lógica
interna de funcionamento, o seu projeto essencial. E nesse aspecto, os bancos
federais caminham para se transformar em empresas puramente privadas,
desprovidas de qualquer função social. Isso é inteiramente compatível com a
concepção ideológica da burocracia petista e seu projeto geral de administração
do capitalismo brasileiro.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Cabe
ainda o adendo de que, em relação ao aspecto da propriedade jurídica, o governo
anunciou a oferta pública de mais um lote de ações do Banco do Brasil, ou seja,
um avanço na sua privatização formal. Esse anúncio foi feito um dia antes do
Congresso dos Funcionários do Banco, um Congresso em que a burocracia sindical
da Articulação aprovou o apoio à candidatura de Dilma Roussef-PT, precisamente
sob a alegação de que em seu governo não haveria privatização...<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Definido
esse caráter geral do projeto de privatização em curso, resta ulteriormente
determinar o encaminhamento objetivo que terá o processo, ou seja, por quanto
tempo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal vão concorrer entre si (com as
suas respectivas camadas gerenciais querendo mostrar ao patrão-governo quem é
mais eficiente no mercado e a burocracia petista assistindo de camarote),
quanto tempo vai transcorrer até que sejam fundidos num só empresa, se vai
haver desmembramento da Caixa Econômica Federal e repartição de suas funções
sociais, etc.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Qualquer
que seja o formato objetivo do projeto, os trabalhadores dos dois bancos
precisam ter consciência do que está em jogo e organizar uma luta de
resistência contra a privatização. Não há qualquer aspecto positivo possível
nas reestruturações dos bancos federais, não há o que negociar e muito menos o
que especular em relação a esse projeto, que precisa ser combatido duramente em
sua totalidade. Com ou sem transferência jurídica formal da propriedade, a
privatização trará mudanças negativas em todos os aspectos da vida dos
trabalhadores, desde as demissões, descomissionamentos, fechamento dos setores,
transferências forçadas, aumento da exploração e da carga de trabalho, assédio
moral sistemático, obstrução da organização no local de trabalho.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>2.3
O funcionalismo do Banco do Brasil<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Ano
após ano o funcionalismo do BB sofre diversos ataques do governo federal por
meio da direção do banco. É bom lembrar que há diretores do Banco oriundos do
movimento sindical, que nada fizeram para melhorar as condições de trabalho.
Pelo contrário, implementam uma política que deteriora ainda mais as condições
de trabalho via medidas como o avanço da terceirização, com as conseqüentes
fraudes aos direitos trabalhistas.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Em
2007, o governo aplicou uma reestruturação administrativa no banco que:<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
provocou o desligamento de mais de 7.000 funcionários por meio do PAA;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
impôs a “lateralidade”, acabando com a remuneração das substituições, o que na
prática significa o império o desvio de função, já que os Assistentes de
Negócios, que não são administradores, passaram a ter responsabilidades de
gerente, sem, no entanto, ganharem para isso;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
deteriorou o ambiente de trabalho dos Caixas Executivos ao reduzir pela metade
a quantidade destes profissionais na rede de agências nas grandes cidades;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
fechou prédios inteiros do banco, como a GERIE Campinas, cujos funcionários
trabalham na capital, a 100 km de seus lares (o Banco se recusa a pagar
vale-transporte para os companheiros);<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
precarizou as relações trabalhistas através da terceirização das
atividades-fins do Banco, como é o caso do processamento de envelopes e de
malotes (USO-PSO); e das transações no cartão de crédito via central de
atendimento telefônico, e também (pasmem) abertura de contas. Destacamos aqui a
luta dos companheiros trabalhadores da Central de Atendimento de Cartões da
empresa terceirizada “Montana” de São Paulo, que fizeram greve no início de
2009 pelo recebimento de seus direitos;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
implantação do “Projeto BB 2.0”, que nada mais é do que mais um plano de
reestruturação (privatização) do BB, que visa, entre outras coisas, o
fechamento e redução de pessoal na área meio e realoca-los na rede de
atendimento ao público; reconfigurar a ambiência das agências com o absurdo da
retirada da porta giratória; além de submeter o funcionalismo ao terror do
descomissionamento nas dependências em que ficou com dotação excedida.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Todas
essas medidas da reestruturação foram implantadas com a chancela dos nossos
sindicatos, da CONTRAF e da CUT. Não podemos esquecer o lamentável papel destas
mesmas entidades sindicais na campanha pelo “sim”, para a aprovação da proposta
do Banco e do governo de mudança estatutária da CASSI (Caixa de Assistência dos
Funcionários dos Banco do Brasil). O governo queria (e conseguiu) com isso
transferir o ônus das péssimas condições de trabalho (fonte de doenças
ocupacionais) para os trabalhadores, por meio da co-participação nos exames, da
contribuição para a CASSI sobre o 13º salário e do não questionamento dos mais
de 500 milhões de reais de dívidas que o Banco tem junto à CASSI por conta do
calote que o governo FHC deu em nossa Caixa de Assistência em 1998 (na ocasião,
o governo contribuía com 4,5% sobre a folha de salários e depois passou a
recolher apenas 3 %), e principalmente pela política de congelamento salarial
de 10 anos do funcionalismo enquanto as despesas médicas não pararam de
crescer. O argumento que a direção sindical utilizava para “convencer” os
bancários (que foi o mesmo usado pelo governo) era de que se o estatuto não
fosse alterado, o Banco acabaria com a nossa Caixa de Assistência, e de que
Banco se comprometeria a liberar 300 milhões de reais para a CASSI sair do
colapso financeiro.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Na
PREVI, são cada vez mais freqüentes as ingerências do BB nos recursos dos
funcionários. Em 2010 o governo abocanhou R$ 7,5 bilhões da PREVI numa “ação
entre amigos”, ou seja, entre o governo e as entidades sindicais ligadas
politicamente à CUT. Nos últimos anos veio se consolidando tal “tungada” como
forma do BB maquiar o seu balanço para estar entre os bancos que mais lucram no
país. Por “ironia”, os funcionários do BB são responsáveis por duas vezes pelo
lucro. Uma vez com as suas forças e outra com a poupança que o funcionalismo
faz para garantir uma velhice segura. Os diretores da Previ oriundos do
movimento sindical não organizaram a base para lutar contra mais este abuso do
governo. Não há lutas para acabar com o Plano 2 e unificar todos os
funcionários no Plano 1.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
PREVI tem assento de decisão em diversas empresas, entre as quais, a EMBRAER, e
também não fez nada no sentido de evitar os cortes de pessoal naquela empresa.
Fica aqui mais uma vez a evidência de que lado o movimento sindical cutista
está.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Não
podemos esquecer a condução pela CONTRAF-CUT do processo de incorporação do
BESC e da Nossa Caixa ao BB. No primeiro caso, os funcionários foram obrigados
a optar pelo plano de carreira do BB, pior que o do banco catarinense, como
condição para continuar empregados no BB, e a confederação nada fez para evitar
o assédio. No caso da Nossa Caixa, a atuação do sindicato foi ainda mais
vergonhosa, pois o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região fez
campanha pela incorporação do banco estadual paulista ao BB, ao invés de
organizar os bancários da Nossa Caixa para lutar pela manutenção do último
banco público paulista e pela manutenção de seus empregos. <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Em
2010, as entidades sindicais ligadas à CUT aprovaram uma espécie de
“indenização” aos funcionários egressos da Nossa Caixa pelo fato de terem
prejuízo por optarem pelo plano de carreira do Banco do Brasil (que não
existe). Porem tal pagamento só se refere aos últimos 5 anos de serviço. Assim,
quem optou pela carreira do BB e tem mais de 5 anos na categoria ficou no prejuízo
com relação ao saldo acima dos 5 anos.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>2.4
A Caixa Econômica Federal e o papel de um banco público<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
Caixa Econômica Federal vem implementando diversas políticas, na mesma linha
dos bancos privados, para otimizar seus recursos (inclusive humanos) e obter
lucros estrondosos, com a vantagem de utilizar o marketing de banco público e
social.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>As
estratégias para promover a lucratividade da empresa extrapolam o discurso
ético que o banco imprime, por exemplo, em suas “belas propagandas” exibidas nos
horários nobres. Os funcionários se desdobram para dar conta do atendimento
ficando expostos, por um lado, à justa indignação da população e, por outro, ao
descaso da empresa. A organização dos trabalhadores na base tem sido o
principal alvo das políticas de “recursos-desumanos”. A punição dos que lutaram
para a melhoria deste quadro vai além da ameaça de desconto dos dias de greve.
Algumas “conquistas” das lutas dos trabalhadores são revertidas de acordo com
os interesses da empresa gerando consequências ainda não previstas.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
antiga estratégia de dividir para dominar implantada com o consentimento das
entidades sindicais que não se dão ao trabalho de consultar a base antes de
assinar em baixo do que a empresa quer, em nome dos trabalhadores. Ao banco público
cabe um papel diferenciado junto à sociedade. Não se pode cobrar deste banco a
mesma prática e resultados dos bancos privados. O trabalho do banco público tem
que estar calcado na tarefa de possibilitar desenvolvimento econômico com o
foco no social. Não se pode exigir do Banco Público critérios de desempenho e
atuação calcados nas “Leis de Mercado”. E também não podemos abrir mão do
debate com a classe trabalhadora e a sociedade em geral sobre a estatização do
sistema financeiro.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
mudança nas regras de funcionamento e principalmente a defesa e aplicação da
substituição do caráter de benefício definido proporcionaram ao governo-patrão,
no caso dos associados da Funcef, a migração “espontânea” daqueles que optaram
pelo saldamento do Reg-Replan para o novo plano. E como não conseguiram acabar
com o plano antigo, passaram a ter um discurso contrário à discriminação dos
associados do Reg-Replan não saldado, mas na prática nada fizeram<span style="mso-spacerun:yes"> </span>para mudança real neste tratamento e
conjuntamente com a direção da empresa, estimulam e defendem novas aberturas de
saldamento em ressonância com a CAIXA. Aos associados do plano não saldado
oferecem aumento indiscriminado das contribuições, impossibilidade de acesso ao
novo PCS, assédio continuo para saldamento/mudança do plano antigo e
impossibilidade de participação em PSI(s).<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Infelizmente
para os bancários e bancárias da CAIXA, no final dos anos 90, o setor que ainda
hoje dirige formalmente o movimento sindical, defendeu e assinou Acordos
Coletivos, que previam o fim da paridade entre ativos e aposentados. Junto
houve a institucionalização dos empregados de segunda linha, com a introdução
da “carreira’’ de Técnico Bancário na empresa. A criação da chamada Tabela
Única do PCS, vendido como virtual solução para a questão da tão sonhada
Isonomia, não trouxe sequer a incorporação das VPs (vantagens pessoais) como no
caso dos escriturários, o que reduziria a perda dos novos colegas.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>O
cotidiano de trabalho nas agências e departamentos que sempre foi<span style="mso-spacerun:yes"> </span>extenuante para a grande maioria dos
bancários da CAIXA tornou-se ainda mais nocivo após reestruturação e novo
modelo de atendimento.<span style="mso-spacerun:yes"> </span>Como sempre, a
empresa se diz com autoridade para promover as mudanças necessárias, mas não
possui planejamento adequado e, novamente, lesa<span style="mso-spacerun:yes">
</span>seus trabalhadores. Com a reestruturação, centenas de bancári@s ficaram
sem local de trabalho e muitos deles precisaram se auto realocar, pois a
empresa não estava fazendo sua parte que era realocar os funcionários das áreas
reestruturadas. Vários trabalhadores precisaram mudar de cidade diante da
necessidade de manter seus cargos e salários. Funções importantes e cruciais
para a transparência dos processos bancários foram, simplesmente, extintas. O
novo modelo de atendimento, outro mal planejado, não levou em consideração o
prévio treinamento, a precariedade de sistemas e a falta de funcionários para o
correto desempenho das novas tarefas. Nós, bancários e bancárias da CEF
carregamos o peso da incompetência dos gestores, extrapolando ordinariamente a
jornada de trabalho afim de dar conta do recado.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
segmentação nos moldes dos bancos privados é tratada naturalmente pelo banco
que ironicamente enfatiza seu caráter público e voltado às demandas da
sociedade nos seus pronunciamentos oficiais e propagandas corporativas,
televisivas e outras mídias. Os atendimentos sociais são empurrados para fora
das agências, difundindo-se uma cultura de hostilidade ao cidadão comum que
necessita dos serviços do banco público. De acordo com um estudo geral do
Dieese, exposto para os delegados sindicais na ocasião de um encontro ocorrido
na sede do Seeb-SP em 2008, revelou-se ínfimo o impacto da venda desses
produtos no balanço da empresa. No 26º Congresso Nacional dos empregados da CEF
(que é ou deveria ser a instância máxima de deliberação dos bancari@s da Caixa)
foi deliberado a implantação de auditoria independente para mensurar o real
impacto da parceria CAIXA/GRUPO CAIXA SEGUROS E FENAE-PAR CORRETORA no
resultado contábil-financeiro da CAIXA e não implementado. As nossas entidades
sequer tocam no assunto.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
sobrecarga de trabalho, o stress, a falta de contato humano e solidariedade, a
fragmentação do trabalho, a pressão dos gestores por um lado e dos clientes por
outro, criam um ambiente de trabalho insalubre que condena grande parte dos
bancários a perda de saúde e qualidade de vida. Tudo somado; intensificação do
assédio moral, cobrança descabida de metas com imposição de vendas casadas,
situações crônicas de insalubridade, jornadas expandidas e inclusive sem
marcação correta da jornada de trabalho. Doentes potenciais (os novos, bem
novos na empresa) e doentes crônicos. Os aposentados de hoje passam o seu tempo
“livre” em consultas e tratamentos médicos.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Os
trabalhadores da CAIXA tiveram grande derrota ao perder por iniciativa da
empresa e sem força do conjunto da categoria para responder. É necessário que
conquistemos a supremacia do cuidado com a vida e impor ao banco, cuidados com
a pessoa (seqüestros, mortes, seqüelas, punições por ocasião de sinistros)
acima do cuidado com o patrimônio do banqueiro, ainda e principalmente se este
banqueiro é o governo. 2010 foi propagado como o ano da Isonomia pelas
entidades que dizem nos representar, não podemos deixar esta bandeira de lado.
Todos os anos será “O Ano da Isonomia” até que esta seja conquistada!<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>2.5
Campanha ideológica: bancário não é vendedor!<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Entendemos
que essa situação geral demanda um tipo de atuação mais ideológica e
estrutural. Para além da defesa das reivindicações específicas que devemos
sustentar em cada campanha salarial, mantendo as pautas históricas da categoria
que são sistematicamente rebaixadas pela Articulação, devemos estar atentos
para uma disputa ainda mais difícil, que é a disputa contra a ideologia que a
patronal lança cotidianamente sobre os trabalhadores (com a conivência ou mesmo
a colaboração da burocracia sindical, é claro), por meio do discurso dos
gestores nas reuniões, nos informativos, nos cursos de formação (deformação),
nos processos de integração e admissão, etc. <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Trata-se
da ideologia de que bancários são vendedores. Os trabalhadores são convencidos
pela patronal de que devem trabalhar mais (ou seja, vender mais), para que as
empresas tenham resultados melhores, para que a parte que toca aos
trabalhadores seja maior. Essa parte que toca aos trabalhadores não é
necessariamente o salário, mas costuma ser mais tipicamente a PLR (participação
nos lucros e resultados). Em outras palavras, querem convencer os trabalhadores
a trabalhar mais por PLR do que por salário. Essa ideologia, por sua vez, não
provém apenas dos banqueiros, mas do conjunto da burguesia, e coincide com o
discurso do governo Lula-Dilma-PT (e da burocracia sindical petista), conforme
vimos na seção de conjuntura, de que o Brasil precisa crescer para que todos se
beneficiem.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Do
ponto de vista da estratégia da campanha salarial, esse comportamento da
burocracia sindical se manifesta na mudança do eixo da campanha da luta por
salários e direitos para a luta por PLR. Isso acontece quando o elemento que é
trazido como conquista para legitimar o encerramento de cada campanha e a
aceitação do acordo é justamente a concessão de uma PLR maior. A cada ano que
passa, os trabalhadores são educados a considerar que a conquista fundamental
de uma campanha salarial é a PLR e não o aumento do salário e melhoria das
condições de trabalho.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Isso
tem uma série de conseqüências nefastas. Pois para o trabalhador o fundamental
para que uma campanha seja considerada vitoriosa não é o índice de reajuste,
mas o tamanho da PLR. E o tamanho da PLR não depende do tamanho e da força da
greve, mas do tamanho do resultado do banco. E o tamanho do resultado, por sua
vez, segundo o discurso da patronal e da burguesia, depende do empenho e
dedicação do próprio trabalhador. Isso faz com que o trabalhador internalize o
discurso da patronal, de que deve vender mais, e o seu sucesso pessoal depende
do seu desempenho. O trabalhador se torna o fiscal da superexploração de si
mesmo.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Para
combater esse elemento ideológico estrutural, uma das estratégias que nós do
coletivo Bancários de Base estamos lançando é um material de formação que
contesta precisamente esse discurso de que bancário é vendedor. Fazemos o
estudo do funcionamento do negócio bancário e dos chamados “produtos
bancários”, do ponto de vista da teoria econômica marxista. Esse estudo foi
acrescentado como um texto anexo à presente contribuição.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
distinção entre “produtos” e serviços é um ponto de partida para a luta por
melhores condições de trabalho. Pois um produto é um objeto cuja venda encerra
a relação entre comprador e vendedor, ao passo que um serviço demanda um
atendimento continuado do prestador para com o cliente. O atendimento
continuado significa uma carga permanente de serviço. Ou seja, o trabalhador
precisa vender e atender os clientes, mas o banco o pressiona a apenas vender e
faz de conta que o atendimento não existe. O volume de serviço é subestimado e
a quantidade de mão de obra é subdimensionada. Os bancos têm cada vez menos
funcionários, os quais precisam atender uma quantidade maior de clientes.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Diante
da insatisfação dos trabalhadores, os bancos respondem que a saída é a busca
individual por melhores cargos e comissões. Nós respondemos que a saída é a
luta coletiva de todos<span style="mso-spacerun:yes"> </span>aqueles que
sofrem com a constante degradação das condições de trabalho.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>3.
UNIDADE DE AÇÃO E CAMPANHA SALARIAL 2011<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>3.1
Reafirmar a pauta de reivindicações históricas da categoria<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>O
primeiro ponto que precisamos estabelecer nesta discussão é a reafirmação da
pauta histórica de reivindicações da categoria. Itens como reposição de perdas,
isonomia, PCC-PCS, saúde, previdência, fim das metas e do assédio moral, etc.;
com as devidas adaptações e complementos decorrentes das especificidades de
cada banco, são as reivindicações, que correspondem às verdadeiras necessidades
da categoria, as quais de ano para ano são colocadas em segundo plano pela
burocracia sindical da Articulação. Os grupos de oposição têm a tarefa
fundamental de manter essas reivindicações em discussão, pois elas são o
conteúdo de nossa luta. A unidade de ação que buscamos deve se dar em torno de
pontos comuns que partem dessas reivindicações. Estabelecidos esses pontos
comuns, a pauta de reivindicações deve ser defendida por todos os grupos em
qualquer base e em qualquer fórum.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Posto
isso, precisamos discutir de que forma cada agrupamento da oposição deve
encaminhar a luta por essas reivindicações. Pois a oposição se compõe de uma
série de agrupamentos com diferentes concepções, vindas de diferentes tradições
do movimento sindical e político, e sobretudo, que atuam em bases com
diferentes características, seja em termos de amplitude numérica, grau de
organização, etc. A tática de campanha salarial a ser levada pelas oposições
varia, portanto, de acordo com as características das bases em que essas oposições
se localizam, dentro de uma estratégia comum de luta pelo resgate das
reivindicações históricas.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Um
elemento que julgamos que não apresenta maiores dificuldades entre nós é a<span style="mso-spacerun:yes"> </span>participação nos congressos de bancos, ou
seja, no CONECEF e no Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil. As
oposições têm participado desses congressos e têm buscado apresentar e defender
resoluções em comum, na luta contra os setores burocratizados que hegemonizam o
movimento. Consideramos que isso deve se manter em 2011, ou seja, as oposições
devem participar desses congressos e defender neles uma pauta unificada.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Seguem
alguns dos itens que pensamos que devem fazer parte da pauta comum de
reivindicações das oposições:<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Plano de reposição de perdas;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Estabilidade para os trabalhadores de bancos privados;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Isonomia entre funcionários antigos e novos;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Fim das metas e do assédio moral;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Piso salarial do DIEESE;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Plano de carreira e plano de cargos e salários;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Delegados sindicais em todos os bancos;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Fim das terceirizações e dos correspondentes bancários;<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>3.2
A questão dos fóruns da campanha salarial<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-spacerun:yes"> </span><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>O
que julgamos que demanda maior discussão é a participação nos chamados fóruns
da Contraf/CUT, ou seja, a Conferência Nacional dos Bancários. Um amplo setor
das oposições adotou há alguns anos a estratégia de não participar da
Conferência Nacional dos Bancários, apresentando o próprio Encontro Nacional
das Oposições como alternativa, muitas vezes realizando-o na mesma data.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Consideramos
que se trata de duas questões separadas. Somos a favor de um Encontro Nacional
das Oposições que discuta uma estratégia comum de campanha salarial. Mas esse
Encontro não é um obstáculo para a participação na Conferência Nacional dos
Bancários. A não participação nos fóruns da Contraf/CUT não é para nós uma
questão de princípios, é uma questão tática. Em determinadas circunstâncias é
legítimo participar de tais fóruns, desde que dadas certas condições, conforme
discutiremos logo abaixo.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Dizer
que é legítimo não significa que consideramos possível disputar esses fóruns.
Não temos a menor ilusão de que se possa disputar um fórum totalmente
controlado pela burocracia. Não achamos que a oposição deva disputar cargos num
comando de campanha constituído a partir de tais fóruns. Sabemos que o objetivo
desse fórum é rebaixar a pauta de reivindicações e apresentar aos bancos uma
pauta rebaixada. A pauta da burocracia está em contradição com a nossa e
devemos seguir defendendo a pauta da oposição.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
grande questão é que na base de São Paulo somos oposição e não direção. A
direção da Articulação realiza apenas uma assembléia antes da campanha
salarial: precisamente aquela em que se elegem os delegados para a Conferência
Nacional dos Bancários da Contraf/CUT. Realizada a Conferência e definida a
pauta, não há outro fórum em que se possa referendar essa pauta. A deliberação
dos burocratas da Contraf/CUT é imposta sobre os trabalhadores da base de São
Paulo sem que se possa discutir em nova assembléia uma pauta alternativa. Em
seguida, depois que a pauta rebaixada é entregue à patronal, a próxima
assembléia a ser realizada é somente aquela em que se discute a aceitação ou
não da contra-proposta patronal e a deflagração da greve.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Dadas
essas circunstâncias, a assembléia em que se elegem os delegados para a
Conferência Nacional dos Bancários da Contraf/CUT é a única em que temos a
oportunidade de apresentar uma pauta alternativa aos trabalhadores da base de
São Paulo. Não está em nosso poder realizar outra assembléia para discutir a
pauta, nem muito menos temos a correlação de forças para realizar assembléias
paralelas por fora do sindicato. Por isso, tudo o que nos resta fazer é
defender a pauta da oposição no nossos locais de trabalho, fazer a agitação
dessa pauta no conjunto da base e defendê-la em assembléia de tirada de
delegados. Na hipótese de que seja eleito algum delegado de oposição para a
Conferência Nacional dos Bancários da Contraf/CUT, a função desse delegado será
denunciar a burocracia pelas suas traições à categoria, sem qualquer ilusão de
disputar a Conferência, aceitar cargos no comando de campanha, etc. Passado
esse momento, o que nos cabe fazer é exigir a realização de novas assembléias e
denunciar a burocracia por não fazê-lo.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Dessa
forma, a estratégia da campanha salarial, na nossa concepção, teria o seguinte
formato: 1) o Encontro Nacional das Oposições define uma pauta unificada de
todos os agrupamentos de oposição; 2) nas bases onde a oposição está na direção
dos sindicatos essa pauta é discutida em assembléia e tem melhores condições de
ser aprovada; 3) nas bases onde somos oposição defendemos a pauta da oposição
em assembléia, com menos chance de tirar delegados; 4) os sindicatos dirigidos
pela oposição apresentam a pauta alternativa aos bancos; 5) nas demais bases
exigimos a realização de novas assembléias para referendar a pauta e
denunciamos a Articulação por não fazê-lo.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>3.3
As verdadeiras dimensões e tarefas do Encontro das Oposições<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Conforme
discutimos acima, o Encontro Nacional das Oposições vinha sendo realizado na
mesma data que a Conferência Nacional dos Bancários da Contraf/CUT, para se
apresentar como alternativa ao fórum da burocracia. Achamos que há um problema
nessa concepção. O Encontro Nacional das Oposições sem dúvida é a alternativa
política para a categoria, pois reúne os únicos setores que estão dispostos a
levar adiante as reivindicações que atendem as necessidades históricas dos
bancários. Mas o Encontro ainda não é um espaço organizativo reconhecido pelo
conjunto dos bancários. Não podemos alimentar a ilusão de que isso seja
verdade. Não podemos suprir a inexistência desse fórum de organização, hoje
usurpado pela burocracia, por um Encontro de vanguarda, que é o que hoje somos
capazes de reunir.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Os
rumos da campanha salarial são definidos, infelizmente, na Conferência Nacional
dos Bancários da Contraf/CUT. Essa é a realidade, queiramos ou não. A
burocracia define não apenas a pauta, mas o calendário de “mobilização”, data
de greve e componentes da mesa de negociação. Esses elementos não estão em nosso
poder. Vamos repetir mais uma vez para que fique bem claro o que estamos
dizendo: não estamos reivindicando a Conferência Nacional dos Bancários da
Contraf/CUT, não consideramos que aquele é “o fórum legítimo da categoria”, não
achamos que se possa disputar os rumos da Conferência, não achamos que se possa
“empurrar a pauta da burocracia mais para a esquerda”, não achamos que se deva
disputar cargos no comando de campanha ali constituído, etc.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>O
que estamos fazendo é reconhecendo a correlação de forças hoje existente. O
Encontro Nacional das Oposições é um encontro de vanguarda, que não substitui o
espaço de organização com o qual a categoria deveria contar para realizar uma
campanha salarial de verdade. Seria preciso que houvesse um processo de organização
por local de trabalho, que formasse comandos de greve por região, que elegesse
representantes para um comando nacional, legitimado em assembléia e com
mandatos revogáveis. O Encontro Nacional das Oposições ainda não tem esse
caráter, e não podemos fingir para nós mesmos que já o tem. O que devemos é
construir um lento e paciente movimento que caminhe, ano a ano, nessa direção.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Dito
isso, há uma outra concepção que julgamos equivocada e precisamos discutir.
Trata-se da idéia de que a diferença entre a pauta da oposição e a pauta da
burocracia está meramente no índice de reajuste a ser reivindicado. Com base
nessa idéia, faz-se a propaganda de que o Encontro Nacional das Oposições é
melhor, porque reivindica um índice melhor para os bancários.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Essa
concepção está equivocada e não serve para organizar a campanha, pois os
bancários sabem que o que faz diferença numa campanha salarial não é o índice
mais ou menos alto que se reivindica, mas o grau de organização da categoria
para lutar por esse índice. Não basta a oposição aparecer a cada ano dizendo
“nós somos mais combativos porque reivindicamos “X” % a mais que a
Articulação!” Sem que a categoria se sinta com forças para lutar, o índice pode
ser X, Y ou Z, pois não vai fazer diferença. O que faz diferença é justamente o
fato de que a categoria não confia na direção da Articulação e não se sente
disposta a participar mais intensamente da campanha.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Diante
disso, o fundamental deve ser não apenas agitar um índice melhor, mas tomar
medidas concretas para tirar a campanha do controle da Articulação. Podemos
discutir um índice político num momento mais avançado, quando estivermos mais
próximos da data-base e forem fechados os números da inflação, sem abrir mão da
reivindicação de um plano de reposição de perdas. O que devemos discutir neste
momento é a organização da campanha e formas de romper o controle da
Articulação sobre a campanha salarial.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>3.4
Romper o controle da Articulação sobre a campanha salarial<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Apresentamos
aqui duas propostas:<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>1º)
Antecipar a preparação da campanha salarial. Todos os anos a Articulação adia a
preparação da campanha salarial, não realizando reuniões nos locais de
trabalho, plenárias por banco e por região, reuniões de delegados sindicais e
representantes dos locais de trabalho, assembléias preparatórias, mobilizações
de “aquecimento” na forma de “venda zero”, operação padrão, paralisações de 24
horas, agitação, atos e passeatas para criar o clima de campanha, etc. Assim, a
campanha é conduzida “a frio” até chegar o momento de discutir a
contra-proposta da patronal. E como se trata evidentemente de uma
contra-proposta rebaixada, a única saída é uma greve. Mas se trata de uma greve
natimorta, sem força, sem organização, sem condições de afetar o lucro dos
bancos e de dobrar a patronal. Como a greve é fraca, qualquer avanço
infinitesimal na contra-proposta patronal é apresentado como uma “vitória” da
mobilização da categoria e defendida pela burocracia como suficiente para
encerrar a campanha.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Precisamos
fugir desse roteiro e iniciar a preparação da campanha salarial desde já.
Precisamos colocar no centro de nossa agitação a necessidade de medidas
organizativas para que a campanha salarial seja bem-sucedida (comandos de greve
paralelos, mobilizações de “aquecimento” na forma de “venda zero”, operação
padrão, paralisações de 24 horas, agitação, etc.). Precisamos discutir essas
medidas com a nossa base. Lançar o debate na categoria. Criar a discussão boca
a boca, sem esperar pelo “momento apropriado”. Com isso, a própria Articulação
terá que responder, e estará lançado um clima de campanha salarial “antes da
hora”, que na verdade é a hora necessária.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>2º)
Lutar por democracia na condução da campanha. Além de não haver preparação
adequada para a greve, a condução da campanha também é feita de maneira
burocrática, de modo a afastar os bancários. Não são convocadas assembléias, e
quando acontecem, as assembléias são ultra-burocráticas, pois apenas a
diretoria do sindicato fala, e quando se abrem falas, não se permite fazer
propostas, e quando se vai votar propostas, não se permite a defesa daquelas
opostas à diretoria, e quando uma proposta da oposição vence, não é encaminhada
pela diretoria, etc. Tudo isso faz com que ano a ano os bancários desacreditem
no sindicato e não se engajem na greve. Pode até haver boa adesão numérica, com
um grande número de bancários que não vão trabalhar, num determinado ano ou
outro, mas não há participação real, não há presença maciça nas assembléias e
piquetes. Anos de seguidas traições estão esvaziando a entidade sindical e
deixando a burocracia cada vez mais livre para manobrar a seu bel-prazer.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
alternativa contra isso é lutar por medidas democráticas mínimas, que são o
“be-a-bá” do movimento sindical, mas que foram postas de lado pela Articulação.
Precisamos resgatar medidas elementares de democracia operária, tais como:
reuniões abertas de comando de greve antes de cada assembléia, eleição da mesa
na instalação da assembléia com representação proporcional das correntes,
abertura de inscrições para fala dos trabalhadores que não são militantes
organizados, abertura de propostas com direito de defesa, ratificação dos
representantes da base para a mesa de negociação<span style="mso-spacerun:yes"> </span>a cada assembléia, podendo ser dirigentes
sindicais ou não, etc.; <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Esses
procedimentos foram “esquecidos” pela Articulação, mas são essenciais para que
os bancários possam se sentir estimulados a participar das assembléias. Os
bancários não podem comparecer apenas para levantar o crachá, precisam sentir
que sua participação é importante e decisiva para o sucesso da campanha, como
de fato é. Por isso, a luta pelas medidas elementares de democracia operária
deve estar no centro de nossas intervenções nas assembléias. Mais do que
aparecer como “os mais combativos porque pedem um índice maior”, devemos ser
aqueles que fazem com que os bancários realmente se interessem e se sintam
capazes de participar.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>4.
ELEIÇÕES SINDICAIS <o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>4.1
Situação da base de São Paulo<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Em
2011 teremos eleições para os Sindicatos dos Bancários de São Paulo e Porto
Alegre e o plebiscito para desfiliação da CUT do Sindicato dos Bancários do
Maranhão. Nos propomos a discutir aqui a eleição de São Paulo, cuja realidade
conhecemos.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>A
base sindical de São Paulo, Osasco e Região reúne cerca de 115 a 120 mil
trabalhadores, praticamente ¼ dos bancários existentes no país (não
considerando os terceirizados). Desse total, pouco menos de 20 mil pertencem
aos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), e o restante
aos bancos privados.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Esses
números são importantes para determinar as condições da disputa política. Os
trabalhadores de bancos privados, por omissão deliberada da própria
Articulação, não possuem organização suficiente para participar das campanhas
salariais. Não há defesa do emprego, não há luta pela estabilidade, não há
organização no local de trabalho, não há defesa contra demissões e perseguição
aos ativistas, não há defesa contra o arbítrio e o assédio moral por parte da
patronal. Nessas condições, os trabalhadores de bancos privados participam das
campanhas salariais de forma totalmente dependente, ou seja, não podem se
mobilizar espontaneamente, de dentro para fora, e dependem de que os piquetes
venham de fora para que haja paralisações. Os trabalhadores de bancos privados
também não comparecem em assembléias e atividades do sindicato, pelo temor de
perseguição.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Por
todos esses motivos, os trabalhadores de bancos privados têm uma relação
alienada com a vida política da entidade, ou seja, não têm condições de avaliar
politicamente o desempenho de uma determinada diretoria. Sua avaliação se
baseia apenas nos resultados das campanhas salariais. E a cada campanha
salarial, mesmo sem a sua participação, têm havido ao menos a reposição da
inflação. Logo, o raciocínio que predomina neste setor é de que a diretoria tem
feito seu papel. Some-se a isso a atuação assistencialista da diretoria, o
trabalho com os afastados por problemas de saúde, os convênios e serviços,
etc., de modo que o sindicato parece ser ativo. Além disso, o sindicato conta
com uma poderosa máquina de propaganda, através da Folha Bancária (distribuída
duas a três vezes por semana em toda a base), revistas, site, mensagens SMS,
etc., a qual veicula apenas a sua versão da história, com um alcance infinitas
vezes maior que os panfletos esporádicos da oposição.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Considerando
a alta rotatividade da categoria (muitos trabalhadores ficam no banco enquanto
fazem faculdade, ou seja, três ou quatro anos), há ainda maiores dificuldades
para que sejam capazes de distinguir uma diretoria sindical de outra. Há ainda
a relação promíscua da diretoria com os bancos. No Bradesco, a sindicalização é
feita juntamente com a assinatura do contrato de trabalho dos ingressantes. O
sindicato ganha uma base social cativa, e em troca, não incomoda o banco. Nas
eleições, essa base social invariavelmente vota na chapa da diretoria. Os
gestores assediam os trabalhadores para que votem com a diretoria, por ordem do
banco. Quando tudo isso não é suficiente, apela-se para a fraude, na lista de
votantes, na coleta de votos, adulteração das urnas, apuração, etc.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Por
todos esses motivos, a correlação de forças é extremamente desfavorável à
oposição. Ainda que todos os trabalhadores de bancos públicos fossem
sindicalizados (e uma grande quantidade não é) e ainda que todos os
sindicalizados votassem numa chapa de oposição, isso ainda assim seria
insuficiente para ultrapassar a esmagadora superioridade numérica do setor de
bancos privados. O desafio, portanto, não é apenas construir um movimento capaz
de organizar os trabalhadores de bancos públicos, mas forte o suficiente para
se tornar referência também para um amplo setor dos trabalhadores de bancos
privados.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Este
movimento ainda não está dado na realidade. Não podemos ter nessa eleição a
ilusão de que podemos disputar a diretoria. O único sentido de participar da
eleição é usar a campanha para avançar na organização da base na construção
desse movimento. Entendemos que não é possível pensar na constituição de uma
chapa capaz de derrotar a atual diretoria sem realizar um trabalho prévio de
organização nos locais de trabalho, fortalecimento da participação e dos
espaços democráticos. O sindicato não é a sua diretoria, é o conjunto da
categoria.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>4.2
Pontos para uma plataforma de renovação do sindicato<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;mso-line-height-alt:0pt"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Nós do coletivo Bancários de Base
estamos abertos a discutir o processo de constituição de uma chapa de oposição,
que para nós deveria ter como método uma série de reuniões abertas a todos os
trabalhadores que queiram mudar os rumos da entidade, que discutam os pontos de
um programa para reconduzir o sindicato para a luta.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;mso-line-height-alt:0pt"><span style="mso-tab-count:1"> </span>Mais do que isso, passada a campanha
eleitoral, estando ou não na chapa, ganhando ou perdendo a eleição, estamos
dispostos a seguir batalhando pelo programa de mudança nos rumos do nosso
sindicato, pelo resgate da nossa entidade para a luta nas campanhas salariais e
na resistência cotidiana, pela reformulação do funcionamento da entidade, pela
participação da base e organização nos locais de trabalho, etc. Propomos para
isso os seguintes pontos:<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;mso-line-height-alt:0pt"><span style="mso-tab-count:1"> </span>- Resgate das assembléias e fóruns
de base como organismos supremos de deliberação dos trabalhadores, contra a
usurpação de todas as decisões pelas cúpulas dirigentes.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Proporcionalidade direta nas eleições para todos os fóruns, como diretoria do
sindicato, comando de campanha, comissões de negociação, etc.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Composição de chapas através de convenções abertas e prévias eleitorais para
escolha das candidaturas, por bancos e por região.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Revogabilidade dos mandatos por meio de decisão em assembléia.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Limitação do número de mandatos, com proibição de mais de dois mandatos
consecutivos e obrigatoriedade da renovação de pelo menos metade da diretoria.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Fim dos privilégios para dirigentes sindicais, que devem receber o mesmo
salário de antes da liberação, sem jetons, ajuda de custos, etc.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Escolha dos dirigentes liberados em assembléia, com controle das tarefas e
horários.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Auditoria nas contas da Bancoop, Bangraf, Bancredi e outros “empreendimentos”
do sindicato.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Transparência na gestão financeira e prestação de contas regular das finanças
da entidade<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Decisões sobre contratações e despesas extraordinárias em assembléias.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Reuniões periódicas de delegados sindicais e representantes de base com caráter
deliberativo.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Eleição da mesa dirigente das assembléias, plenárias, congressos ou qualquer
fórum no momento de sua instalação, com proporcionalidade, bem como votação da
pauta.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Repúdio à contratação de seguranças para impedir a livre manifestação dos
trabalhadores nas assembléias, plenárias, congressos ou qualquer fórum do
movimento.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Garantia do direito à palavra para qualquer trabalhador, independentemente da
sua filiação ou não a correntes políticas e sindicais, em assembléias,
plenárias, congressos ou qualquer fórum do movimento.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;mso-line-height-alt:0pt"><span style="mso-tab-count:1"> </span>- Garantia de espaço nas publicações
dos sindicatos e entidades para manifestação dos trabalhadores de base,
independentemente da sua filiação ou não a correntes políticas e sindicais.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-tab-count:1"> </span>-
Suspensão dos pagamentos à CUT e plebiscito sobre desfiliação da central.<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Coletivo Bancários de Base<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify">Abril de 2011<o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><span style="mso-spacerun:yes"> </span><o:p></o:p></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify"><o:p> </o:p></p></div><div><br></div><div><br></div><div><br></div><div><br></div><div><br></div><div style="position:fixed"></div>
</div></body></html>