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Mais um texto sobre a USP, de autoria dos próprios estudantes.<br>

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Daniel<br>

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“So, understand! You waste your time always searching for those wasted years! <br>

Face up! Make your stand! And realize your living in the golden years!” <br>

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“Então, entenda! Você perde seu tempo sempre buscando por aqueles anos perdidos! <br>

Encare! Tome uma posição! E perceba que você está vivendo nos anos dourados!” <br>

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Iron Maiden, “Wasted Years” <br>

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<B>On Seg 21/11/11 16:10 , "Marlene" mpetros@usp.br sent:<br>

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<BLOCKQUOTE style="BORDER-LEFT: #f5f5f5 2px solid; PADDING-LEFT: 5px; PADDING-RIGHT: 0px; MARGIN-LEFT: 5px; MARGIN-RIGHT: 0px"><DEFANGED_META content="text/html; charset=iso-8859-1" http-equiv="Content-Type"><DEFANGED_META content="MSHTML 8.00.6001.18928" name="GENERATOR">
<STYLE></STYLE>
<DEFANGED_BODY bgColor="#ffffff">
<DIV>O que está por trás da presença da PM na USP<br>

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*Artigo produzido pelo Centro Universitário de Pesquisas e Estudos<br>

Sociais (CeUPES), o centro acadêmico do curso de Ciências Sociais da<br>

FFLCH/USP.<br>

Este texto foi aprovado em Assembleia de Curso dos estudantes de<br>

Ciências Sociais da FFLCH/USP<br>

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Os recentes conflitos ocorridos na Universidade de São Paulo entre<br>

estudantes e policiais militares exigem uma reflexão aprofundada que<br>

vai muito além da questão do uso de drogas no campus, ou simplesmente<br>

da presença da Polícia Militar no ambiente universitário. O que se<br>

está discutindo não pode ser resumido a “baderna de maconheiros”, e<br>

tampouco às palavras de ordem contra a PM. Estão em jogo diferentes<br>

concepções de universidade.<br>

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Quando estudantes, professores e funcionários da USP protestam contra<br>

a presença da PM no campus Butantã, não estão pretendendo que a USP<br>

seja uma “ilha da fantasia”, ou um território acima da lei, como<br>

alegam alguns. Muito pelo contrário, esperam que a universidade seja o<br>

espaço de elaboração de novas práticas, inclusive no que diz respeito<br>

à segurança pública. O conhecimento produzido na USP, entretanto, tem<br>

sido ignorado como forma de resolver os problemas de segurança que<br>

estão sendo enfrentados, e tudo que a PM traz ao ambiente<br>

universitário contradiz frontalmente esse potencial inovador, com<br>

velhas práticas autoritárias, truculentas e discriminatórias.<br>

<br>

O que mais agrava este quadro, e deve saltar aos olhos daqueles que<br>

esperam da PM uma resposta para os crimes violentos, é a crescente<br>

tentativa de normatizar o comportamento estudantil: mais do que<br>

reprimir o uso de drogas, os policiais têm feito perguntas que dizem<br>

respeito à vida acadêmica e às opiniões políticas dos estudantes, tais<br>

como “você está matando aula?”, “você é contra a presença da PM no<br>

campus?”.<br>

<br>

Portanto, quando se diz que a atuação da PM vem ferindo a autonomia<br>

universitária, não se trata de um discurso datado, mera paranoia<br>

remanescente da ditadura. Trata-se, sim, de uma preocupação legítima<br>

com a ingerência da instituição militar sobre assuntos que dizem<br>

respeito tão somente à comunidade acadêmica, tais como o desempenho<br>

escolar ou – o que é ainda mais grave – as opiniões políticas. Soma-se<br>

a isso o fato de diversos estudantes e trabalhadores sofrerem<br>

processos administrativos por conta de sua atuação política de<br>

resistência aos projetos da Reitoria.<br>

<br>

Não é preciso remontar à ditadura para lembrar casos de repressão<br>

policial à organização política dos professores, estudantes e<br>

trabalhadores da USP – isso também aconteceu em 2009, quando a Tropa<br>

de Choque não se contentou em dispersar uma passeata nos arredores do<br>

campus e perseguiu os manifestantes até o prédio de História e<br>

Geografia. A repetição acontece como farsa: quatrocentos militares<br>

para retirar os cerca de setenta ocupantes da Reitoria e impedir<br>

moradores de sair do Conjunto Residencial da USP.<br>

<br>

O problema de segurança na universidade é muito mais complexo do que a<br>

Reitoria parece acreditar, e não pode ser solucionado com a<br>

militarização do ambiente universitário. Por outro lado, é preciso que<br>

as reivindicações do movimento estudantil avancem para além das<br>

palavras de ordem meramente reativas: a segurança deve resultar de<br>

maior circulação no campus, com a abertura da Cidade Universitária à<br>

comunidade. Além disso, aspectos muito práticos do cotidiano<br>

universitário seguem sendo sumariamente ignorados pela administração<br>

da USP, tais como a iluminação, a frequência dos ônibus e circulares e<br>

uma reestruturação da Guarda Universitária. São medidas simples,<br>

aparentemente bastante banais, mas que melhorariam muito a segurança<br>

da universidade, sem a necessidade do recurso à força.<br>

<br>

Uma coisa é certa: no dia 18 de maio deste ano, quando morreu o<br>

estudante Felipe Ramos de Paiva, a PM já estava no campus, revistando<br>

carros de estudantes. De lá para cá, aumentou seu efetivo, mas não<br>

aumentou a segurança – a sede do centro acadêmico da ECA, por exemplo,<br>

foi recentemente invadida e furtada, sem que a presença da PM tenha<br>

servido para impedir a ação. Aumentaram, isto sim, as abordagens<br>

invasivas e provocações a estudantes. Como isso pode ajudar a prevenir<br>

assaltos, estupros e assassinatos?<br>

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<br>

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