[Bancariosdebase] Enc: Res: Carta de principios

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Quarta Agosto 4 04:07:48 UTC 2010





----- Mensagem encaminhada ----
De: Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva <marciocarsi em yahoo.com.br>
Para: Utopia <utopia_s em yahoo.com.br>
Cc: Bancários de Base <bancariosdbase em yahoogrupos.com.br>
Enviadas: Terça-feira, 3 de Agosto de 2010 23:54:31
Assunto: Res: [Bancariosdebase] Carta de principios


Para mim está tudo beleza.

Gostaria de saber o endereço completo do local da reunião de sexta para 
divulgação e convocação.

Adquiri um novo aprarelho celular. podem ligar que eu atenderei. Por outro lado, 
ajudaria banstante que os companheiros me enviassem os números de vocês para 
recompor a minha agenda de contatos.

para todos os efeitos, segue novamente o meu telefone (continua o mesmo): 
7350-6680.

Um forte abraço.

Márcio




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De: Utopia <utopia_s em yahoo.com.br>
Para: Bancários de Base Novo <bancariosdebase em lists.aktivix.org>
Enviadas: Terça-feira, 3 de Agosto de 2010 19:46:48
Assunto: [Bancariosdebase] Carta de principios


Companheir em s, 

Segue a carta de princípios revisada. 

______________________________________________________________CARTA DE 
PRINCÍPIOS (REVISADA E ALTERADA ATÉ ITEM 4) 

  
CONSIDERAÇÕES POLÍTICO-PROGRAMÁTICAS INTRODUTÓRIAS PARA UMA PROPOSTA DE CARTA DE 
PRINCÍPIOS 

  
1. Apresentação 
  
Segue-se uma contribuição inicial do Espaço Socialista para a conformação da 
carta de princípios do coletivo Bancários de Base. Essa contribuição expressa a 
nossa visão do projeto Bancários de Base, e se apresenta como uma das partes de 
um conjunto de propostas a serem colocadas dentro de um processo de debate 
coletivo, para o qual esperamos contar com outras contribuições dos demais 
integrantes do grupo, bem como críticas e comentários às nossas propostas, afim 
de obtermos uma síntese democrática e uma maior homogeneidade, fundamental para 
a construção do coletivo e a atuação no movimento. 

Esta contribuição resume algumas das posições que temos defendido no interior do 
grupo ao longo de nossa participação. No corpo deste resumo, adiantam-se algumas 
propostas de resolução que sistematizam nossa concepção, as quais aparecem 
destacadas em negrito. Estas propostas estão organizadas ao final do texto como 
uma proposta de carta de princípios em forma de estatuto, cujos pontos propomos 
que sejam colocados em votação no seminário sindical. 

2. Definições gerais 
  
O coletivo Bancários de Base se propõe a ser um espaço de organização dos 
trabalhadores para lutar por seus interesses imediatos (salário, condições de 
trabalho, etc.), e seus interesses históricos como parte da classe trabalhadora, 
através da mobilização da base. 

O primeiro pressuposto dessa proposta é a oposição incondicional aos banqueiros. 
Os interesses dos banqueiros e dos trabalhadores bancários são diametralmente 
opostos. Enquanto os bancários lutam por melhores salários, os banqueiros impõem 
o arrocho; enquanto os bancários clamam por mais contratações para ter condições 
de trabalho decentes, os banqueiros tratam os trabalhadores como mera 
propriedade, sempre objetivando reduzir custos, o que na prática se materializa 
em demissões em massa, excesso de trabalho e adoecimentos para os bancários. 

Os patrões sempre foram os inimigos da classe trabalhadora em toda e qualquer 
categoria, e não é diferente em nosso caso, em bancários. Aos banqueiros, como 
qualquer patrão, interessa absorver toda a riqueza produzida pelos trabalhadores 
bancários. Para chegar ao seu objetivo final, os patrões do sistema financeiro 
impõem aos bancários as mais degradantes condições de trabalho, demissões em 
massa por meio de fusões e/ou incorporações, re-estruturações corporativas, 
redução do quadro de funcionários, retirada de direitos, redução de salários, 
uso da tecnologia voltado apenas para otimizar o lucro, fechamento de locais de 
trabalho, sobretrabalho, adoecimentos,etc. 

A concepção de que a realidade social se move em torno da luta de classes sofreu 
um retrocesso nas últimas décadas, o que tem facilitado o predomínio das idéias 
da classe dominante. O desmantelamento dos países ditos “socialistas” no Leste 
Europeu no final da década de 80, início dos anos 90, foi um fato histórico de 
grande repercussão ideológica, que foi interpretado e propagandeado como triunfo 
do capitalismo sobre o socialismo, bem como o fim de qualquer outra alternativa 
à atual organização social. Afirmar isso não significa que se tenha aqueles 
Estados ditos “socialistas” como modelo, apenas constatar que a sua queda 
facilitou o trabalho ideológico da burguesia em defesa do capitalismo. É o “Fim 
da História”, ou o fim da luta de classes, proclamado pela classe dominante. 

Do ponto de vista organizativo, isso foi um desastre para o movimento sindical, 
pois a “vitória” do capitalismo fortalece todas as instituições que dão 
sustentação ao império da propriedade privada, como o Estado, a democracia 
representativa, a competição entre os trabalhadores, a busca de saídas 
individuais para problemas coletivos, etc, etc. Em outras palavras, isso fez com 
que imperasse entre os trabalhadores a concepção de que as questões gerais são 
resolvidos pelos “representantes”. Desse modo, um indivíduo, ou um grupo, passa 
a substituir a coletividade. Os trabalhadores são condicionados a esperar por um 
“salvador da pátria”, um “iluminado” que resolva os seus problemas, pois os 
ditos representantes “foram eleitos para isso”. 

Entretanto, nossos “representantes” têm feito exatamente o oposto daquilo para o 
qual foram eleitos, ao mesmo tempo em que impedem que os próprios bancários 
assumam essas tarefas. Consequentemente, um dos motivos imediatos para a 
existência do coletivo Bancários de Base é o fato de que as formas tradicionais 
de organização, em especial as entidades sindicais, estão tomadas 
majoritariamente por grupos dirigentes cooptados para a colaboração com os 
banqueiros e o governo. Esses grupos transformaram os sindicatos em meio de 
vida, fazendo do mandato que receberam dos trabalhadores uma via para a ascensão 
social individual e para a integração aos estratos dirigentes do sistema. A 
permanência desses grupos nas direções sindicais ao longo de décadas serve 
também para manter a estrutura sindical aprisionada nos limites institucionais 
prescritos pelo Estado, impedindo a organização autônoma dos trabalhadores. 

Dada essa realidade, entendemos que: 
- O coletivo Bancários de Base é um espaço de organização dos trabalhadores 
bancários para lutar por seus interesses imediatos (salário e condições de 
trabalho) e seus interesses como parte da classe trabalhadora, através da 
mobilização da base. 

  
3. Sobre a independência de classe 
  
O coletivo Bancários de Base parte da compreensão de que “a emancipação dos 
trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores”. Sendo assim, as 
organizações da nossa classe não podem ter nenhum tipo de vínculo institucional 
com o Estado, Partidos, Instituições ou ONGs,  nem admitir qualquer tipo de 
parceria com a patronal. 

O Estado existe para garantir os interesses dos patrões, seja qual for o partido 
do governante de plantão. No caso específico dos bancários, o Estado é patrão 
formal de metade da categoria bancária. Além de entrar em campo contra os 
trabalhadores, o patrão-Estado controla o árbitro do jogo, pois o Judiciário, 
embora alegue ser imparcial, historicamente é um importante instrumento do 
patronato no ataque à livre organização dos trabalhadores. Isso se verifica 
principalmente nos períodos de greve, em que a justiça concede decisões 
favoráveis aos interditos proibitórios, prende líderes sindicais, chancela 
demissões em massa, etc. 

Na categoria bancária, o governo é mais do que “um comitê central dos negócios 
burgueses” pois os governos estadual e federal são patrões diretos de metade dos 
bancários no país, em que as maiores instituições financeiras estatais são Banco 
do Brasil e Caixa Econômica Federal. Assim, o Estado, tanto quanto os banqueiros 
privados, aplica a mesma lógica de mercado, a busca do lucro, sobre as estatais 
e os mesmos mecanismos de opressão, assédio, e doenças ocupacionais a que estão 
submetidos os bancários do setor privado. Há mais de 20 anos, os bancos estatais 
estão sendo adaptados ao mercado para funcionarem como um banco privado, sendo 
que, hoje, o caráter público destes bancos é meramente formal, no papel, pois já 
são privatizados na sua administração. No entanto, o processo de privatização 
dos bancos estatais está em um novo estágio com o início de uma reestruturação 
na CEF e na incorporação do banco estadual paulista Nossa Caixa pelo BB.  Não 
esquecer a aquisição do Banco do Estado do Piauí  e do BESC com fechamento de 
dezenas de  agências em SC. A CAIXA por sua vez avança cada vez mais na 
privatização branca com avanço descomunal nas terceirizações e aquisições como o 
Banco Panamericano. Diante  desse papel do governo, o coletivo deve se pautar 
pela mais absoluta independência em relação a patrões, governos, partidos e 
instituições. 

  
4. Pela unidade da categoria 
  
 Como um desdobramento natural da oposição aos inimigos diretos da classe também 
devemos fazer oposição aos grupos políticos no seio do movimento sindical que 
hoje são representados pela Articulação Sindical (braço sindical do PT) e seus 
aliados políticos, cujos grupos variam de base para base. O PT ocupa o poder 
central no país pelo fato de ser o grupo político mais eficiente para aplicar o 
seu projeto de dominação sobre os trabalhadores. Justamente por ter o controle 
burocrático sobre os organismos oficiais de representação dos trabalhadores, o 
que funciona como um obstáculo para as lutas e um instrumento a serviço da 
aplicação dos ataques da burguesia. O mesmo raciocínio serve para qualquer 
partido que exerça a mesma função. Por isso defendemos que o coletivo Bancários 
de Base deve se colocar como oposição à burocracia sindical (Articulação - PT e 
seus satélites). 

Os sindicatos hoje dependem do Estado para existir, pois precisam de registro no 
Ministério do Trabalho para serem reconhecidos, e se sustentam financeiramente 
às custas do imposto sindical. Contra esse modelo, defendemos que o sindicato 
volte a ser uma forma de organização completamente independente, ou seja, 
pautada na iniciativa dos próprios trabalhadores e financiada por sua 
contribuição voluntária. 

As publicações e atividades do coletivo Bancários de Base devem ser financiadas 
pela contribuição voluntária dos integrantes. 

Além disso, a categoria bancária é parte da classe trabalhadora. Sua luta é 
parte da luta de todos os trabalhadores contra a exploração capitalista. A 
solidariedade ativa a todos os processos de luta da classe deve ser vista como 
parte da luta dos bancários, pois a vitória de um setor da classe é uma vitória 
que nos fortalece a todos. A consciência de classe deve se desenvolver a partir 
da superação das barreiras que separam os segmentos da categoria (bancários e 
terceirizados) e nos separam do restante da classe (formais e informais, 
trabalhadores da cidade e do campo, etc.). 

A terceirização é uma prática usada pela burguesia para precarizar as relações 
de trabalho e para afundar o nível dos salários. Ela cria diferenças no interior 
da categoria em relação à salário, estabilidade, etc, sendo que do ponto de 
vista prático o trabalhador continua prestando serviço para o mesmo patrão. 
Trabalhadores de determinados setores de suporte, ou “áreas-meio”, serviços e 
limpeza, copa, cozinha, atendimento telefônico, segurança, manobristas, 
porteiros, deixaram de ter vínculo formal na carteira de trabalho com o banco 
(deixando de ter salários e direitos inerentes à categoria), para estarem 
vinculados a outra empresa, diferente do banco. No entanto, o trabalhador 
continua a trabalhar na mesma instituição financeira, agora com salários e 
direitos rebaixados. 

Os sindicatos tomados pelo diretores da CUT e seus aliados não fazem qualquer 
esforço para construir a unidade entre os bancários diretos e os terceirizados, 
pois isso exigiria questionar o governo. 

É necessário que o mote “quem trabalha em banco, bancário é” saia do papel e 
tenha uma validade prática no dia-a-dia. Toda e qualquer deliberação sobre a 
atuação na categoria bancária tem de levar em consideração este setor. A divisão 
interessa ao patrão; a unidade, aos trabalhadores. O material direcionado à 
categoria em geral terá uma parte reservada para tratar da situação dos 
terceirizados, e seus segmentos, como vigilantes, telefonistas, contratados, 
etc. 


      
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