[Bancariosdebase] tese do PSTU para o encontro do MNOB aberto

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Quinta Julho 15 04:54:41 UTC 2010


Prezados companheiros, manos e minas.

Segue a tese do PSTU que recebi hoje. Para quem vai para RJ, seria importante 
ler.

É  um documento que tinha tudo para ser bom, na minha opinião, mas 1-não 
considerou o endividamento dos trabalhadores como vávula de escape da crise nos 
países atrasados como o Brasil, 2-finge que "nada aconteceu" no CONCLAT, 3-não 
faz mea culpa alguma do que fizeram no movimento, 4- querem fazer do MNOB algo 
ainda mais artificial, isto é, dár uma roupagem institucionalizada..com 
secretaria executiva, etc.

Diferentemente da tese que escrevemos que foi publicado no movimento, este foi 
entregue a alguns contatos via cco. portanto, não seria bom este documento sair 
de nosso meio sem a autorização expressa do PSTU.



Um forte abraço.

Márcio.

Documento para Encontro do MNOB – julho de 2010
Avançar na política e na organização do MNOB 
 
1 CONJUNTURA INTERNACIONAL
1.1 Os patrões empurram a fatura da crise para os trabalhadores
No segundo semestre de 2008 explodiu uma crise no centro da economia capitalista 
mundial que acarretou gravíssimas conseqüências e foi colocada no mesmo patamar 
da Grande Depressão de 1929.
As características e o comportamento dessa crise não apontam apenas para uma 
recessão financeira causada pela “bolha” imobiliária norte-americana. Trata-se 
de uma crise clássica de superprodução, uma crise cíclica inerente ao próprio 
mecanismo do modo de produção capitalista, que de tempos em tempos precisa 
desvalorizar e queimar capitais para retomar as taxas de lucratividade e novos 
períodos de franca acumulação.
A “bolha” financeira é, portanto, apenas uma manifestação aparente da crise, uma 
conseqüência da superprodução enquanto válvula de escape do capitalismo. Já em 
meados de 2005/2006 a economia se deparava com sérios problemas para manter as 
taxas de lucro em patamares “aceitáveis” e como não havia perspectivas 
consistentes de que o setor produtivo pudesse iniciar uma nova etapa de 
investimentos significativos capazes de impulsionar um novo ciclo de acumulação, 
os capitalistas viram na especulação uma saída para continuarem lucrando.
Mas a farra do capital fictício não poderia durar para sempre. O castelo de 
papéis podres não mais se sustentou sem o lastro nas mercadorias da economia 
real e a crise que havia sido “congelada” com a manobra especulativa, apareceu. 
Quando as “bolhas” estouraram e a crise ficou à mostra e a economia, que já 
sofria há tempos os efeitos da superprodução, evidentemente só se agravou com o 
montante de capital especulativo fictício que escoou ralo abaixo.
A desvalorização das ações de grandes empresas (sobretudo as montadoras de 
automóvel) e a quebradeira de grandes bancos nos países centrais deixou a 
economia à beira de um colapso. Isto significou um salto ainda maior no processo 
de recolonização dos países periféricos e nos ataques desferidos à classe 
trabalhadora: perda de direitos, demissões, aprofundamento da precarização no 
trabalho, corte nas verbas destinadas aos investimentos sociais, redução de 
salários, etc. O desemprego nos EUA chegou a quase 10%, a GM (que está no 
epicentro da crise) anunciou no fim de 2008 que iria demitir mais de 30 mil 
trabalhadores[1] nos três anos seguintes. O setor financeiro também não ficou 
atrás: de agosto de 2007 a março de 2009 foram aproximadamente 330 mil bancários 
demitidos[2] em todo o mundo. Tudo isso demonstra a clara intenção de fazer com 
que os trabalhadores paguem a conta da crise. Esta é a metodologia da burguesia: 
nos momentos de crescimento, se negam a dividir os lucros com a classe 
trabalhadora; nos tempos de vacas magras, se apressam em dividir os prejuízos.
1.2 Os governos não pensaram duas vezes para salvar o lucro dos patrões
Os governos burgueses de todo o mundo – diferentemente de 1929 – também não 
perderam tempo e rapidamente trataram de procurar salvar os lucros da burguesia, 
ratificando a validade da teoria de Marx que dizia que “o Estado nada mais é do 
que um comitê para administrar os negócios da burguesia”.
O governo Obama, por exemplo, utilizou todo o seu prestígio para fechar um 
acordo que retirava direitos históricos dos trabalhadores da GM, em conluio com 
a direção do sindicato. O resultado é que os trabalhadores perderam os direitos 
e as 35 mil demissões da fábrica não foram revertidas. Além disso, Obama 
realizou a maior transferência de dinheiro público para a iniciativa privada de 
todos os tempos: foram aproximadamente 13 trilhões de dólares em socorro 
estatal. Com apenas 10% disso seria possível acabar com a fome em todo o mundo. 

Os EUA seguiram com sua política de saques e pilhagens aos países pobres e um 
exemplo claro disso é o Afeganistão, que até hoje se encontra ocupado com tropas 
norte-americanas, britânicas e alemãs. No Haiti não é diferente. Até hoje aquele 
povo não pode decidir o seu destino porque há um interesse econômico de diversos 
governos que querem aproveitar a mão de obra quase gratuita daquele país para 
impulsionar seus lucros. Para isso, o governo dos EUA encontra apoio nos outros 
governos. No caso do Haiti, Obama conta com a subserviência absoluta de Lula, 
que cumpre um papel de capacho do imperialismo ao emprestar as tropas 
brasileiras para servir a ocupação militar da ONU naquele país.
No mesmo sentido, os governos de conciliação de classes e os projetos 
nacionalistas burgueses travestidos de esquerda também seguem colaborando com os 
patrões, com diferenciações apenas na esfera da aparência e em uma ou outra 
questão política. Entre eles existem os que apóiam claramente as políticas dos 
governos a serviço da burguesia internacional, como é o caso do Governo Lula e 
também os outros que tentam se diferenciar do imperialismo em discurso, mas 
continuam apoiando as grandes empresas, retirando os direitos dos trabalhadores 
e sufocando duramente qualquer tentativa de resistência popular, como é o caso 
de Evo Moralez (Bolívia), Hugo Chavez (Venezuela) e Raul Castro (Cuba).
A crise e todo o cenário econômico-político internacional demonstram de maneira 
muito clara que os trabalhadores não devem confiar em governos burgueses, mesmo 
que eles tenham uma aparência de “progressistas”. Somente através da organização 
dos trabalhadores, com independência frente aos patrões/governos e aliada com a 
luta dos movimentos popular, estudantil, do campo e de todos os outros setores 
explorados e oprimidos pelo capitalismo, poderemos derrotar os ataques que esses 
governos desferem.
1.3 Acrise está longe de acabar: construir a resistência já!
A intensificação dos ataques à classe trabalhadora, com a colaboração direta dos 
governos e das principais direções do movimento, juntamente com o montante de 
recursos estatais destinados à burguesia para salvar seus lucros, determinou que 
a crise econômica invertesse, temporariamente, a sua tendência de 
aprofundamento, mas muito frágil e sem maiores perspectivas de que a economia 
mundial iniciará um novo ciclo de ascensão. A evolução da economia mostra a 
Europa como epicentro do terceiro momento da crise econômica.  O primeiro foi a 
queda livre do último trimestre de 2008 e primeiro de 2009. O segundo foi a 
recuperação parcial, pós intervenção dos governos imperialistas, injetando 24 
trilhões de dólares para salvar bancos e grandes empresas. 

A recuperação conjuntural da economia fez com que os governos e a mídia burguesa 
iniciassem uma campanha de que “a crise já passou”, mas as características do 
cenário econômico internacional não apontam para isso:
a) A frágil recuperação da economia não ocorre a partir de um aumento nos 
investimentos do setor produtivo (aquisição de ferramentas, tecnologia, técnica 
e mão de obra para aumentar a produtividade). Pelo contrário, essa recuperação 
se sustenta numa intensificação absurda do ritmo de trabalho. Os patrões 
diminuíram custos (demitindo e retirando direitos com a ajuda das direções 
sindicais traidoras) e estão produzindo em escala ainda maior, a partir desse 
aumento do ritmo de trabalho. Isso demonstra que a crise não foi superada, pois 
só um novo ciclo de acumulação e investimentos pode sinalizar isso;


b) O montante de capital do Estado que foi cedido para ajudar a burguesia teve 
um peso significativo na momentânea recuperação, mas os limites também são muito 
claros. Esse socorro estatal acarretou um endividamento nunca antes visto na 
história do capitalismo. Basta vermos que países da Europa (como por exemplo, 
Grécia, Portugal, Espanha, Itália e outros) estão praticamente à beira da 
bancarrota e os governos estão procurado contornar isso com graves ataques a 
direitos sociais dos trabalhadores, em especial a previdência pública. Isso 
mostra que a capacidade de endividamento do Estado tem um limite e que se não 
houver um novo ciclo de acumulação na economia mundial antes das faturas das 
dívidas estatais vencerem, uma nova recessão global na economia pode vir, ainda 
com muito mais força;


c) Como o sistema capitalista é anárquico e o mercado não possui qualquer 
regulação planificada, esse momento de pequena recuperação não deixa de 
alimentar na burguesia a busca por tirar dividendos econômicos da própria crise. 
Aproveitando-se desta conjuntura, os capitalistas retornam para a arena da 
especulação, já que o setor produtivo ainda não demonstra ser rentável enquanto 
a crise não tenha terminado de fato. Isso determina que novas “bolhas” 
especulativas sejam formadas sem que haja minimamente um lastro real em uma 
economia que ainda sofre com os fortes efeitos da crise, sinalizando que 
qualquer turbulência que venha a ocorrer no sistema financeiro pode acarretar 
uma quebradeira ainda mais violenta.
 
Afirmamos que a crise não acabou e não sinaliza um novo ciclo de crescimento, 
mas, somente uma reação previsível da economia depois de todo o capital estatal 
despejado nas mãos das grandes corporações e que abre uma nova onda de 
aprofundamento. Para por fim à crise, será necessário queimar e desvalorizar uma 
quantidade superior de capitais, ou seja, mais demissões, fechamento de 
empresas, retirada de direitos dos trabalhadores, etc.
1.4 Lutas e greves gerais se estendem na Europa contra pacotes de arrocho e 
redução de direitos
Os planos econômicos de “austeridade” impostos pelo FMI, tão conhecidos da Am. 
Latina, agora estão sendo aplicados pelos mais importantes países imperialistas 
da Europa. Eles têm um claro conteúdo recessivo, abortando a frágil recuperação 
da economia européia. Mas significam também um grande ataque ao proletariado 
europeu, introduzindo um elemento político que pode incidir fortemente na 
evolução da economia. As greves gerais na Grécia e Itália e as fortes 
mobilizações já presentes em Espanha, Portugal e outros países dão a dimensão do 
enfrentamento.
Caso a burguesia européia consiga derrotar a classe operária (a de maior 
tradição do mundo), se abrirão as portas para um período de crescimento. Caso o 
proletariado derrote os planos, pode-se evoluir não só para situações e crises 
revolucionárias em países imperialistas, como para uma nova recessão mundial, o 
“duplo mergulho”.
A greve geral de 24 horas convocada por sindicatos e organizações da Grécia fez 
o país parar com protestos e manifestações em diversos setores. Esta é a quinta 
paralisação realizada no país contra o pacote medidas que retira diretos 
trabalhistas e diminui salários. Este governo fez as mudanças no sistema de 
previdência social. As principais foram à redução dos benefícios de 80% do 
salário (que são pagos hoje) para 50%. Até então era possível conseguir 
aposentadoria com benefício integral com 35 anos de trabalho ou com 65 anos de 
idade. Agora a idade limite foi aumentada para 67 anos e também é obrigatório 
trabalhar por 40 anos. Eles também ajustaram a idade limite em função da 
expectativa de vida. Em caso de aposentadoria antecipada, o benefício será 
reduzido em 6% a cada ano reduzido.
No País Basco, trabalhadores também foram às ruas com forte adesão no setor 
público e privado. Houve paralisações no comércio, hotéis, supermercados, 
construção civil, além dos serviços públicos, como prefeituras.
Em Madri, capital espanhola, os metroviários também pararam. Categorias 
importantes de trabalhadores já vêm realizando protestos e assembléias contra o 
corte de 5% nos salários, como servidores públicos, metroviários e trabalhadores 
de telecomunicações. Além de denunciar as reformas trabalhistas e ataques às 
aposentadorias.
Os franceses realizaram uma greve nacional contra a reforma previdenciária do 
presidente Nicolas Sakozi que, entre outras medidas, eleva a idade mínima de 
aposentadoria para 62 anos em 2018.
Os trabalhadores da Itália cruzaram os braços em 25/06 contra o pacote de 
arrocho do governo de direita de Silvio Berlusconi. Serviços públicos, 
transporte aéreo e terrestre, tiveram suas operações suspensas. A paralisação 
convocada pelo maior sindicato da Itália, CGIL, contou ainda com manifestações 
por todo país. Em Roma, vôos foram cancelados, em Milão, o transporte 
ferroviário ficou parado por cerca de quatro horas.
A meta imposta pela União Européia para impedir que o déficit dos países-membros 
supere 3% do PIB causa revoltas generalizadas. Justamente porque este déficit 
orçamentário não foi criado pelos trabalhadores e sim pelos governos de todo o 
mundo, quando no início da crise em 2008, deram bilhões de euros para salvar 
bancos e multinacionais e agora querem que os trabalhadores paguem essa conta.
A resistência aos ataques dos governos da União Européia, apoiados pelo Fundo 
Monetário Internacional, mostra um novo cenário com a entrada em luta dos pesos 
pesados do operariado europeu e sinaliza que, diante da continuidade da crise, 
aumentarão as mobilizações e organização dos trabalhadores para resistir a esses 
ataques.
1.5 O socialismo é a saída!
Essas lutas, embora de resistência, não podem se limitar às questões imediatas, 
pois uma luta meramente econômica, num cenário no qual o capitalismo não se 
dispõe a conceder nenhum centavo, tem pouquíssimas chances de sucesso. É preciso 
organizar os trabalhadores para travar também uma luta política, que construa 
uma plataforma de reivindicações para atender as necessidades reais da nossa 
classe, mas que avance sistematicamente num movimento que tenha no horizonte 
transformações mais profundas na sociedade, visando à superação deste sistema.
Em períodos de crise o capitalismo é questionado por uma parte importante dos 
trabalhadores em todo o mundo quando o sistema demonstra toda a sua hipocrisia 
durante crises econômicas ao instalar o caos no mundo. Como saída da burguesia 
para salvar os seus próprios lucros, tenta impor aos trabalhadores a redução de 
salários e direitos, as demissões e a miséria. Não podemos nos limitar a somente 
tentar recuperar os direitos perdidos, pois o capitalismo vive de crises 
cíclicas e o que eventualmente conquistarmos será retirado tão logo surjam novas 
crises. É preciso um movimento que recoloque na ordem do dia a luta pelo 
socialismo, por uma sociedade na qual os meios de produção não estejam a serviço 
dos lucros e dos luxos de uma minoria, mas a serviço das necessidades da 
coletividade.
As organizações da nossa classe não podem deixar de mostrar aos trabalhadores 
que não podemos viver em um mundo em que sofremos de tempos em tempos com crises 
que só nos prejudicam. É preciso organizar as lutas para resistir aos ataques e, 
ao mesmo tempo, defender perante os trabalhadores uma saída socialista para a 
crise.
- TODO APOIO À LUTA DOS TRABALHADORES EM TODO O MUNDO!
- OBAMA, CHAVEZ, MORALEZ, CASTRO E LULA NÃO GOVERNAM PARA OS TRABALHADORES!
- FORA AS TROPAS DE LULA DO HAITI!
- CONSTRUIR A RESISTÊNCIA DOS TRABALHADORES. QUE OS RICOS PAGUEM A CRISE!
- POR UMA SOCIEDADE SEM EXPLORADORES NEM EXPLORADOS, UMA SOCIEDADE SOCIALISTA!

2. CONJUNTURA NACIONAL
2.1 Acrise econômica no Brasil
No final de 2008 o Brasil foi afetado pela crise econômica internacional, mas, 
diferentemente do que ocorreu em outros países, os seus efeitos foram 
minimizados. O Governo Lula e a mídia burguesa que o apóia venderam uma imagem 
de “gestão eficiente” para explicar isso. De fato, o Governo Lula foi eficiente 
para contornar a crise, mas o fez a partir de socorro aos patrões, e não aos 
trabalhadores, concedendo crédito e uma série de isenções fiscais para as 
grandes empresas, sobretudo as multinacionais. Foi se aproveitando dessas 
vantagens que as grandes corporações capitalistas apostaram suas fichas nos 
países representados pela sigla BRIC (Brasil, Índia, Rússia e China), onde há 
uma mão de obra bem mais barata que nos países centrais, facilitando o processo 
de exploração.
 
A condição de plataforma de mão de obra barata, exportadores de matérias-primas 
e toda a ajuda financeira do governo foram os principais motivos pelos quais a 
crise teve conseqüências menos trágicas. Os efeitos minimizados da crise não 
são, portanto, um mérito desses governos, mas a sua política deliberada de 
aprofundar a condição de paraíso financeiro para as grandes empresas, que têm 
todo o apoio do Estado para explorar ainda mais os trabalhadores.
Ainda assim, a indústria sofreu com a crise. A EMBRAER, uma estatal que foi 
privatizada no Governo FHC, demitiu mais de 4.200 trabalhadores em 2009 e Lula 
não moveu uma palha para impedi-las e deixou grandes volumes de capital do BNDES 
à disposição da empresa. 

 
No total, o governo deu às grandes empresas cerca de 300 bilhões de reais em 
investimentos, créditos e isenções fiscais. O Banco do Brasil e a Caixa, além de 
auxiliarem o governo na concessão quase que ilimitada de crédito, serviram 
também para comprar papéis podres das empresas cujas ações se desvalorizaram e 
também para incorporar instituições financeiras que estavam à beira da falência 
(como foi o caso do Banco Votorantim).
 
Tudo isso serviu como fator de amortecimento na manifestação da crise. 
Entretanto, nada garante que ocorra o mesmo mais adiante. Por ser totalmente 
dependente do capital e dos mercados dos países centrais, a perspectiva de um 
aprofundamento da crise após o atual período de leve recuperação é um cenário 
real e pode desencadear ainda mais ataques aos trabalhadores. O crescimento 
previsto para este ano é de 6-7%, expressando a manutenção, até agora, da aposta 
das multinacionais na sub-metrópole brasileira. Essa também é a base material 
para o apoio recorde (80%) ao governo Lula. Mas já existem reflexos da crise 
européia no Brasil, na atitude da burguesia contra reajustes salariais, nos 
ataques ao funcionalismo público, etc. Mas a crise não deve atingir diretamente 
o país antes das eleições. Nem o governo nem a oposição falam de crise, e os 
trabalhadores não acreditam que ela venha para o Brasil. Essa é uma combinação 
desigual da evolução internacional. O Brasil será fortemente afetado pela crise, 
mas não agora. As eleições se darão ainda em um período de crescimento. O novo 
governo eleito em outubro vai ter de enfrentar em seu mandato essa nova crise, 
em uma situação política internacional provavelmente de maior ascenso que hoje. 

 
2.2 Fusões/Incorporações
O processo de fusões, principalmente no sistema bancário, aumentou durante a 
crise. A CUT tem aceitado a lógica das incorporações/fusões, particularmente nos 
bancos públicos, na lógica que “é melhor ser incorporado pelo BB do que pelo 
Itaú ou Bradesco, ou pior ainda, por um estrangeiro”.
Dois aspectos importantes se abrem desse debate. O primeiro é em relação á luta 
contra a fusão/incorporação, e o segundo em relação a como fazer essa luta. A 
primeira coisa a fazer é o debate ideológico, de que as fusões não são 
inevitáveis e muito menos necessárias, e menos ainda um bom negócio para os 
trabalhadores. Essas falsas idéias são implantadas pela mídia e nas 
universidades, mas contam com estimado apoio das entidades sindicais e partidos 
de esquerda, que pregam a política de mercado.
Numa fusão o objetivo central é a redução dos custos. Assim, demissões e 
retirada de direitos são inevitáveis, o que significa que os trabalhadores vão 
perder. Mas a perda não é apenas dos trabalhadores da empresa, mas de toda a 
sociedade, pois a concentração acaba servindo ao propósito da especulação, de 
toda a manipulação dos juros e do crédito, arruinando os pequenos produtores e 
comerciantes em detrimento dos grandes, particularmente das multinacionais.
Para os trabalhadores essa perda é maior ainda, pois os deixam cada vez mais 
longe do sistema financeiro, são afetados diretamente pelas demissões causadas 
pela política econômica dessas instituições e perdem com a falta de recursos 
para os serviços públicos desviados para pagar juros das dividas do governo com 
esses bancos. A fusão dos bancos públicos, e também a privatização, afeta o 
crédito para as economias regionais e as políticas sociais. O fechamento de um 
banco regional significa o fim de uma linha de crédito e subsídios para pequenos 
agricultores, comerciantes e produtores, bem como para a aplicação de recursos 
em educação, saneamento básico, construção de estradas, pontes e outras obras 
importantes.
Os bancos privados não têm a preocupação de atender esses segmentos, e os 
grandes bancos públicos não têm alcance em sua rede para esse atendimento e 
quando incorporam os bancos estaduais, se desfazem dessa rede para otimizar seus 
negócios, acabando com o que tinha de mais importante no banco regional: o 
contato com a população e sua localização mais próxima.
A luta contra as fusões é uma luta difícil, porque ela é política e ideológica. 
O movimento precisa estar bem capacitado para fazer esse debate, pois ele requer 
uma discussão mais profunda que o simples debate sobre perdas de direito.
2.3 Sobre o Papel dos Bancos Públicos e a Estatização do sistema financeiro
É assustador o número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza no país 
(mais de ¼ da população) e o crescimento da informalidade. Os pequenos negócios, 
urbanos e rurais, formais e informais, sofrem de escassez de capital, o que gera 
baixa produtividade e baixo rendimento, impedindo o efeito multiplicador da 
renda e não contam com bancos públicos que exerçam o papel social. 

Esta tese é corroborada por uma pesquisa realizada pela OIT, onde a demanda 
potencial por crédito no Brasil, é estimada em quase 14 milhões de pequenos 
empreendimentos. Isso gera um modelo de o desenvolvimento econômico totalmente 
excludente. Por outro lado, há uma enorme demanda em infra-estrutura de 
saneamento e habitação popular, e construção de escolas, hospitais e vias de 
transporte.
É justamente para combater estes problemas centrais que os bancos públicos foram 
criados e deveriam atacar. Estudo do Dieese, sobre a atuação e os resultados 
apresentados pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica e os maiores bancos privados 
nos últimos anos, mostram que estes têm se distanciado do seu verdadeiro papel, 
sobretudo do BB, e estão desenvolvendo uma política voltada para a competição de 
mercado.
Algumas medidas tomadas durante a crise podem parecer como algo progressivo como 
a abertura de crédito para financiamento de bens. De fato, isto significou que 
elas foram utilizadas como "instrumento de política de governo", mas que de 
forma alguma isto significou retomar seu papel social. Por exemplo, para quem 
serviu a compra das carteiras de crédito, como os 49% do Banco Votorantim pelo 
BB, deixando o controle da empresa para a família Ermírio de Moraes? Quem foram 
os beneficiados com o crédito? Os bancos públicos deveriam ter financiamento de 
veículo ou crédito para transporte coletivo? Por que, cada vez mais o BB e a 
Caixa investem nos segmentos ESTILO para clientes de alta renda?
2.3.1 O setor financeiro deve ser estatizado
O capital financeiro, concentrado em muito poucas mãos, obtém um lucro enorme, 
que aumenta sem cessar com a emissão de valores, empréstimos do Estado, etc., 
consolidando a dominação do setor em detrimento de toda a sociedade. Ao se 
concentrar num determinado mercado (papéis da Bolsa, imóveis, commodities, 
etc.), estes capitais originam uma “bolha” que empurra artificialmente os preços 
para cima e também os lucros obtidos. Embora a “bolha” possa atuar como um fator 
que dinamiza outros ramos, ao mesmo tempo, a economia em seu conjunto adquire 
uma fragilidade ao estar baseada, em grande medida, sobre essa “bolha”.

Em algum momento, ela começa a esvaziar. Esse furo aparece como resultado dos 
limites objetivos do crescimento do setor “inflado”. Mas, em última instância, 
esses fatores imediatos refletem as causas mais estruturais das periódicas 
crises econômicas (a queda da taxa de lucro). Por outro lado, o esgotamento da 
bolha vai causar um impacto negativo sobre o resto dos ramos da economia, 
abrindo-se assim a possibilidade de uma crise econômica generalizada, isto é, 
existe uma massa cada vez maior de capitais parasitários (que não produzem novo 
valor) voltados à especulação e à busca de lucros rápidos.
Para amenizar seus efeitos e tentar detê-lo, o Banco Central Europeu e o FED dos 
EUA, assim como os bancos centrais do Canadá e do Japão, derramaram, em apenas 
três dias, mais de 300 bilhões de dólares nos mercados financeiros (e outra 
cifra similar, posteriormente) para frear a derrubada das bolsas e impedir a 
quebra em cadeia de bancos e de outras entidades financeiras. No Brasil, apesar 
das particularidades do setor, o governo foi obrigado a socorrer os bancos 
acabando com os depósitos compulsórios ao Banco Central, gerando um crédito de 
mais de R$ 200 bilhões.
A crise escancarou o que representa o sistema financeiro sob o controle do 
mercado. Uma imensa massa de papéis podres que nenhum governo, ou todos os 
governos juntos podem salvar. Dinheiro dos contribuintes, recursos oriundos da 
riqueza produzida por milhões de trabalhadores que vão se evaporar e desaparecer 
nesse enorme fosso.
O exemplo do Citigroup, que pediu concordata depois de bilhões de ajuda dos 
cofres americanos, demonstra que não se deve socorrer os bancos, mas salvar os 
contribuintes. 

No Brasil, o governo deveria se enfrentar com os banqueiros e estatizar os 
bancos. Isso pode ser feito com o apoio que ele tem da ampla maioria dos 
trabalhadores. Infelizmente, Lula prefere seguir a mesma política de Obama e dos 
demais governos.  Aqui se despejou cerca de 300 bilhões para os bancos fazerem 
especulação com o  dinheiro que poderia ir para a Saúde, Educação, Transporte, 
Moradia, etc.
A estatização do sistema financeiro seria uma medida séria e responsável, para 
evitar todo esse gasto e acabaria de vez com a especulação.  Todo este capital 
estaria a serviço de investimentos nas áreas sociais e infra-estrutura. Mas, 
essa medida teria que ser feita sob o controle dos trabalhadores para que fossem 
assegurados todos os direitos trabalhistas e um bom funcionamento do sistema 
estatizado.
2.4 Lula é o “cara”, da burguesia
Lula termina o seu segundo mandato com um índice altíssimo de apoio popular. 
Mas, será que é isto que determina qual o caráter do seu governo? Basta lembrar 
que em 1998, como responsável pelo Plano Real, FHC foi eleito praticamente por 
aclamação popular, ainda que sua orientação fosse completamente neoliberal e 
anti-trabalhador. Essa análise é importante para desmistificarmos essa história 
de que a aprovação popular de Lula significa que este governo está ao lado dos 
trabalhadores.
Na verdade, são vários os fatores que determinam esse forte apoio popular: a 
história e a origem social de Lula, o crescimento econômico do Brasil (surfando 
no cenário internacional) no período anterior à crise, o apoio incondicional das 
principais direções do movimento de massas brasileiro (CUT, Força Sindical, CTB, 
UNE etc.) e as políticas sociais compensatórias (principalmente o Bolsa 
Família). 

Estes fatos colocam um importante debate para os movimentos sindical: o Governo 
Lula foi ou não uma continuidade do governo FHC? Ou Lula fez o “possível” como 
dizem os seus defensores? 

Comecemos pela política econômica. Lula seguiu preservando e aumentando os 
lucros das grandes empresas, aprofundando a sangria de recursos públicos para 
custear o imperialismo e os especuladores. Além disso, aplicou duros golpes aos 
trabalhadores, principalmente os do serviço público, como foi o caso da Reforma 
da Previdência. A soma das dívidas externa e interna do país, que compõem a 
dívida pública se ampliou. E junto com isso, o pagamento dos juros também 
aumentou muito (cerca de 3 trilhões de reais durante os oito anos de mandato). 
Em 2009 o governo Lula pagou aos banqueiros R$ 380 bilhões (dados da Auditoria 
Cidadã da Dívida). Isso significa 36% de todo o orçamento geral do país Ou seja, 
mais que um terço de tudo o que se arrecadado no país é entregue aos banqueiros 
para pagar a dívida. 


Já os gastos com saúde foram de 4,64% e com a educação 2,88%. Isso significa que 
o governo Lula pagou aos banqueiros quase cinco vezes mais do que gastou com 
saúde e educação juntas. A crise deixou reflexos na economia. As exportações 
caíram de 197 bilhões de dólares em 2008 para 152 bilhões em 2009. O superávit 
comercial em 2009 foi de US$ 24,6 bilhões, o menor desde 2002. As previsões para 
2010 indicam uma redução ainda maior, para US$12 bilhões. 


O resultado é que ao país deve ter em 2010 o maior déficit em contas correntes 
desde 1947. As contas correntes incluem a balança comercial, serviços (fretes, 
seguros, viagens internacionais) e transferências unilaterais (remessa de lucros 
das multinacionais em particular). Com a queda do superávit comercial e o 
aumento das remessas de lucros das multinacionais (2,5 bilhões de dólares entre 
janeiro e março) houve um déficit nas contas correntes do país no primeiro 
trimestre de US$ 12,1 bilhões de dólares, o que projeta um déficit anual de 50 
bilhões de dólares.

Ou seja, para ajudar as multinacionais e os banqueiros, o governo endividou mais 
o país, agravando as contradições já existentes. O país depende cada vez mais da 
entrada de capitais estrangeiros para manter a economia.
A política de privatizações também foi intensificada neste Governo. Lula não 
re-estatizou nenhuma empresa privatizada e prosseguiu. Exemplos não faltam: 
entrega dos poços de petróleo através de leilões e venda de ações ao capital 
internacional; privatização de rodovias federais; regime de partilha no pré-sal 
que amplia a participação do capital privado; a ameaça em transformar os 
Correios em S.A.; a reestruturação de filiais na Caixa que resgata uma política 
bastante conhecida dos governos Collor e FHC, que visa centralizar serviços 
considerados “não bancários” para substituí-los por mão de obra terceirizada e 
precarizada, aumentando a influência da iniciativa privada no interior da 
empresa; a venda de mais de 30% das ações do BB na bolsa de Nova York. 

Toda essa política é mascarada com um “mito” do presidente que defende os 
pobres, a erradicação da fome, etc. No entanto, durante o governo de Lula, os 
empresários multiplicaram seus lucros em 400%, enquanto o salário, os 
investimentos em saúde, educação, emprego e terra não acompanharam nem de longe 
esse percentual. A remessa de lucros para o exterior (a partir do superávit 
primário) dobrou durante o Governo Lula, mas para os trabalhadores e o povo 
pobre restaram apenas as políticas sociais compensatórias. 

Outra característica nefasta do Governo Lula é a criminalização dos movimentos. 
Embora pareça contraditório pelo fato de Lula ter sua origem ligada ao 
sindicalismo, foi nesse governo que pudemos ver uma demonização sistemática dos 
sem terra, dos sem teto e várias repressões às greves e mobilizações de diversas 
categorias. Um exemplo emblemático foi a última greve dos previdenciários, que 
foi fragorosamente derrotada e o governo ainda impôs um aumento de jornada de 
trabalho (de 6h para 8h) sem aumento de salários. Nas greves dos bancários, além 
dos interditos proibitórios constantemente concedidos pela justiça, os grevistas 
têm se deparado com toda a sorte de truculências por parte das direções das 
estatais, todas indicadas por Lula. 

Todas essas características fazem do Governo Lula um porto seguro para a 
burguesia, na medida em que com ele existem todas as garantias de uma política 
que atende aos interesses do capital e que, ao mesmo tempo, ainda possui 
prestígio e autoridade diante de parte significativa dos trabalhadores, ajudando 
a amortecer e frear eventuais lutas.
2.5 O papel das direções governistas e a reorganização do movimento
Não foi apenas o prestígio e a história de Lula que conseguiram impor toda a sua 
política de orientação neoliberal, mas a ajuda preciosa das principais direções 
dos movimentos sociais, especialmente as centrais sindicais governistas, como a 
CUT, Força Sindical e CTB. Todas essas entidades, ajudadas pela direção do MST 
(que construiu algumas lutas, mas por pressão de sua base) e da UNE, atuaram em 
maior ou menor grau com uma política de colaboração direta com o governo, 
apoiando suas políticas econômicas e se omitindo diante de vários ataques.
Essas traições determinaram muitos retrocessos nas lutas, na medida em que as 
entidades mais fortes da nossa classe assumiram de vez a política de conciliação 
com os patrões e o Governo Lula. Isso só começou a ser minimamente superado a 
partir de ações de resistência protagonizadas por alguns setores (servidores 
públicos federais, bancários, correios, etc.), entretanto, todas essas lutas 
ocorreram no marco de muita pressão da base e de algumas rupturas com a 
orientação das direções governistas. 

Embora o ano de 2010 seja marcado pela disputa do processo eleitoral no segundo 
semestre, também ocorrerão lutas importantes. As campanhas salariais, da 
construção civil e do serviço público, já iniciadas, e no segundo semestre com 
bancários, petroleiros, trabalhadores dos Correios e metalúrgicos prometem dar 
trabalho aos governistas. Apesar da traição do PT, da CUT estes setores têm 
lutado e nos últimos anos têm tido clareza de que nas eleições existem condições 
ainda mais propícias para arrancar suas reivindicações, já que os candidatos 
governistas estão preocupados com seus votos e em ajudar Dilma a vencer as 
eleições.
A partir da falência política da CUT, diversos setores decidiram romper e formar 
novas ferramentas de luta que pudesse atuar de forma independente dos patrões e 
do Governo Lula. Assim surgiu a Conlutas e, mais tarde, a Intersindical. Ambas 
surgiram a partir de questionamentos claros contra a política de colaboração da 
CUT e se transformaram nos únicos pólos capazes de travar lutas conseqüentes. 
Compreender o processo de reorganização é compreender a estratégia de disputar a 
direção do movimento e isto significa, não apenas a disputa dos aparatos, mas a 
disputa política, ideológica e a organização nos locais de trabalho. É neste 
sentido amplo que precisamos compreender a disputa da direção do movimento. A 
reconstrução de um organismo de direção de massas só faz sentido se for com o 
objetivo de superar o que foi a CUT e isso implica muito mais no aspecto 
qualitativo do que quantitativo. Não importa o número de aparatos, mas a 
política que se defende o método e os princípios que se baseiam este novo 
instrumento.
Entendendo a necessidade de unificação destes setores para as lutas da classe, 
foi realizado o CONCLAT. Com a participação de cerca de 4 mil ativistas de todo 
o país, sendo 3.115 delegados e os demais na condição de observadores e 
convidados, o Congresso Nacional da Classe Trabalhadora fundou uma nova 
organização para a luta dos trabalhadores brasileiros: uma nova central, que 
unifica os setores sindical, popular e estudantil. Infelizmente, mesmo após 
terem reconhecido o resultado das votações, a Intersindical, a Unidos para 
Lutar/CST e o MAS (Movimento Avançando Sindical), organizações que também haviam 
convocado o Congresso, abandonaram o plenário por terem perdido a votação do 
nome. Essa decisão foi um desrespeito com os milhares de trabalhadoras e 
trabalhadores presentes e com a democracia operária. Todos ficaram indignados, 
afinal, a realização do Conclat foi fruto de um processo envolvendo todas as 
organizações,pois todos concordaram que as diferenças deveriam ser decididas, 
democraticamente, pela base, com os votos dos delegados, o que seria respeitado 
e aceito. Isso é democracia operária. 


Após a ruptura, com a ampla maioria dos delegados no plenário, o congresso 
resolveu manter todas as votações, definir uma direção provisória, que dará os 
primeiros encaminhamentos. Foi votado ainda um chamado aos setores que romperam 
para que repense sua atitude e voltem a recompor a unidade. Uma entidade com uma 
maior influência de massas, embora minoritária na classe, e com uma orientação 
programática pautada na independência frente os governos e os patrões, no 
classismo e no socialismo tende a ter um papel importante nas próximas lutas que 
virão. Acreditamos que a construção de uma nova central sindical e popular é um 
processo em curso e não se encerrou neste Congresso da Classe Trabalhadora. 
Devemos continuar o chamado por unir todos os que querem lutar em defesa dos 
interesses dos trabalhadores para impulsionar o processo de reorganização do 
movimento e apoiando a fusão entre as organizações de luta envolvidas. Somente 
assim poderemos construir uma direção que seja conseqüente e que toque as lutas 
dos trabalhadores, dos movimentos populares, da juventude e de todos os setores 
explorados e oprimidos contra qualquer ataque de qualquer governo seja ele da 
direita tradicional do PSDB/DEM, seja dos novos neoliberais do PT.
2.6 É preciso apoiar candidaturas que defendam os interesses da classe 
trabalhadora
Sabemos que as eleições não mudarão a vida dos trabalhadores, pois este é um 
terreno onde quem manda é a burguesia e vence quem tem dinheiro. Uma campanha 
eleitoral classista, que rejeita completamente o financiamento das empresas, dos 
bancos e que defende um programa socialista tem suas possibilidades de sucesso 
praticamente anuladas. Neste regime de “democracia” em que vivemos também não 
garante que mesmo eleitos, os trabalhadores possam mudar radicalmente o caráter 
do Estado na sua totalidade.
Entretanto, é preciso ter claro que na medida em que os trabalhadores ainda 
alimentam esperanças nas eleições burguesas e ainda não estão organizados 
suficientemente para superar todo o seu conteúdo antidemocrático, faz-se 
necessário apresentar alternativas que dialoguem com a classe trabalhadora, lhes 
apresente um programa que atenda suas reais necessidades e coloque os 
trabalhadores em movimento para lutar por esse programa. A eleição é, nesse 
sentido, um espaço necessário para nos ligarmos a nossa classe e mostrar que 
caminho seguir.
Por isso, devemos ter uma posição política perante as eleições de 2010: uma 
posição de classe. Devemos rejeitar a falsa polarização entre Dilma (PT) e Serra 
(PSDB/DEM), que como vimos, defendem projetos políticos e econômicos muito 
semelhantes. Da mesma forma, também combateremos outras alternativas burguesas, 
pintadas como “terceira via”, como a candidatura de Marina Silva (PV) e seu 
projeto que têm na burguesia seus maiores aliados, começando pelo seu vice, o 
dono da Natura.
Apesar do apoio ao governo, os trabalhadores não estão satisfeitos com seus 
salários, com o ritmo de trabalho, a precarização do emprego, a situação da 
saúde e educação. Estão aliviados com o crescimento, apóiam o governo, mas não 
satisfeitos com sua situação concreta. Existe uma pequena elevação do salário 
mínimo, mas um achatamento dos salários maiores do proletariado. O salário médio 
se mantém estagnado desde o inicio do governo Lula, correspondendo à metade do 
que era em 1985 no estado de SP. Isso leva a situação de que 75% das famílias 
chegam ao final do mês faltando salário. 

Precisamos fortalecer um campo que se apresente diferente de todas essas 
candidaturas e defender os interesses da classe trabalhadora, sem a presença de 
setores da burguesia e que erga nas eleições a bandeira do classismo e do 
socialismo. Essas candidaturas precisam defender uma plataforma mínima de 
reivindicações além de bandeiras programáticas que rompam com o imperialismo e 
com a lógica do capital.
- REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO DO SALÁRIO!
- SALÁRIO MÍNIMO DO DIEESE! RECOMPOSIÇÃO DO VALOR DAS APOSENTADORIAS!
- FIM DO FATOR PREVIDENCIÁRIO!
-DEFESA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS: INVESTIMENTOS NA SAÚDE, EDUCAÇÃO, MORADIA, 
TRANSPORTE, LAZER ETC!
- ABAIXO O PROJETO DE LULA QUE CONGELA SALÁRIOS DO FUNCIONALISMO PÚBLICO!
- FORTALECER E UNIFICAR AS CAMPANHAS SALARIAIS!
- PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS, DA POBREZA E DAS GREVES!
- CONTRA A POLÍTICA DE PRIVATIZAÇÃO. ESTATIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO E 
REESTATIZAÇÃO DAS EMPRESAS PRIVATIZADAS, SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES!
- UNIFICAR AS LUTAS PARA ENFRENTAR OS GOVERNOS E A BURGUESIA!
- NEM DILMA, NEM SERRA, NEM MARINA. NENHUM DELES GOVERNA PARA OS TRABALHADORES!
- TODO APOIO ÀS CANDIDATURAS COM UM PROGRAMA CLASSISTA E SOCIALISTA!


2.7 Asituação da categoria e dos bancos na atual conjuntura
A categoria bancária, apesar ter sido reduzida ao longo do tempo, ainda possui 
peso significativo na luta de classes nacional. Embora seja um setor da esfera 
da circulação financeira, quando estão em movimento os bancários impõem um 
impacto também na esfera da produção, na medida em que os processos de 
reestruturação produtiva (just in time) não estocam mais os insumos, mas os 
adquirem conforme a existência de demanda. Para atender a essa demanda 
permanente, a circulação financeira precisa funcionar de maneira célere e 
ininterrupta e isso faz com que fortes greves, que atinjam serviços de 
compensação, por exemplo, provoquem verdadeiros colapsos na economia.
Hoje em dia é muito mais difícil construir uma greve com esse grau de 
radicalização, pois os processos de automação, contingência de trabalhadores 
terceirizados e o próprio estágio da luta de classes (não há ascenso) fazem com 
que as mobilizações na categoria sejam muito limitadas do ponto de vista da sua 
força. Somado a isso estão também às ilusões que a maioria da categoria ainda 
mantém na Frente Popular, e óbvio, o papel da burocracia, que tem conseguido 
desmontar todas as possibilidades de vitória que os bancários ousaram construir.
Fazer essa leitura sobre quem é, como está e como vem reagindo a categoria é 
muito importante porque nos dá o real cenário das possibilidades mais prováveis 
na Campanha Salarial. Vai haver greve? Com que força? Será o suficiente para 
derrotar a burocracia? Que conquistas são possíveis? Quais os setores mais 
dinâmicos? Essas respostas são importantes para nortear as nossas táticas e, 
conseqüentemente, nossas tarefas.
A categoria se subdivide em três grandes campos: o setor público (formado pelos 
trabalhadores do BB, CEF, BNB, BASA, etc.), o setor privado (trabalhadores dos 
bancos privados e financeiras) e o setor terceirizado (trabalhadores 
contratados, com trabalho precarizado, inseridos tanto no setor público, como no 
privado, como em lotéricas e correspondentes bancários).
O setor terceirizado é de longe o mais débil, sem qualquer organização e muitas 
vezes sem sequer possuir algum sindicato que os defenda. Esse é um setor que 
tende a crescer muito, principalmente a partir do desmonte e da política de 
privatização que corre à solta nos bancos públicos e necessitemos atuar sobre 
esse setor.
O setor privado é o maior da categoria, que reúne a maior quantidade de 
bancários e postos de trabalho. É também o setor no qual os patrões mais lucram 
e onde os trabalhadores são mais explorados, sendo constantemente assediados e 
ameaçados de demissão, pois não há qualquer garantia de emprego. Por este 
motivo, mesmo com tamanho grau de ataque, este é um setor da categoria que 
atualmente não tem respondido com fortes lutas. Todas as ações desses 
trabalhadores são limitadas pelo medo constante do desemprego e por um nível de 
consciência bastante brutalizado. A tradição de organização e luta que existia 
na década de 80, na qual os bancários do setor privado aderiam à greve e saíam 
dos seus locais de trabalho para fechar outras agências, faz parte do passado. 

O nível de politização é muito baixo e as burocracias sindicais fazem questão de 
aprofundá-la ainda mais, estabelecendo uma relação para lá de clientelista, que 
são educados a procurar o sindicato apenas quando são demitidos ou quando há um 
futebol e um churrasquinho. As greves dos bancos privados hoje existem, mas 
somente quando os sindicatos colocam seu aparato para garanti-la. Não há 
sintomas de haver uma mobilização nesses setores sem a presença de uma estrutura 
de piquetes externos, de maneira que sem ela a greve dos privados é uma 
verdadeira enganação. Isso é muito ruim, pois se trata do maior setor da 
categoria. Temos organizar contatos, ter informes, saber como a burocracia atua, 
etc. Sem ter pelo menos alguns companheiros que sejam nossos olhos e nossos 
ouvidos nos bancos privados, dificilmente vamos reverter essa situação de 
ausência quase completa de intervenção.
O setor público é o mais dinâmico, que possui uma história e uma tradição de 
lutas, além de garantir uma estabilidade relativa que ajuda na hora de construir 
as mobilizações. É nele que temos a nossa maior intervenção. Praticamente todo o 
capital político do MNOB é construído através da experiência destes setores de 
vanguarda dos bancos públicos com a política governista da Contraf/CUT. Há muito 
tempo esse setor da categoria vem sendo a locomotiva das greves. Mesmo com um 
forte descrédito de que a greve pode conquistar algo significativo vêm 
protagonizando, desde 2004, campanhas salariais importantes. Embora haja uma 
desigualdade no poder de mobilização, pois normalmente os bancários da Caixa têm 
estado mais à frente que os do Banco do Brasil. 

Nos anos passados, nos deparamos com um fenômeno nacional que foi a “greve de 
pijama”. Os bancários (especialmente do setor público) construíram greves 
fortíssimas em adesão, mas pífia na participação e construção de atividades e do 
seu caráter político. Os trabalhadores simplesmente não iam trabalhar e ponto. 
Temos que buscar compreender isto, pois uma greve que tem esse caráter 
dificilmente poderá derrotar ou atropelar a burocracia.
Num primeiro momento, essa manifestação parece ser resultado de um aumento 
considerável do ritmo de trabalho, da exploração dos bancários. Isso pode ter 
determinado que o setor público (justamente o que possui estabilidade relativa) 
pudesse ver a greve como uma oportunidade para descansar após tanto trabalho. 
Essa caracterização parece fazer algum sentido na medida em que os trabalhadores 
estão sempre perguntando “quando será a greve”, mas nunca “o que a greve desse 
ano pode conquistar”.
Evidentemente, só isso não é o suficiente para determinar essa realidade. O fato 
dos trabalhadores não terem perspectivas de vitória na greve e não enxergarem 
alternativas reais de direção do movimento também ajuda nesse sentido. Por isso 
é importante termos atenção a esses detalhes e aproveitar esse período de 
pré-Campanha para dialogar com os trabalhadores sobre a necessidade de 
participação. Mesmo que não os convençamos de imediato, no mínimo saberemos o 
que estão pensando, qual o motivo real da “greve de pijama” e a partir disso, 
podemos formular uma política para tal realidade.
Este ano, a campanha salarial possuirá ingredientes a mais, que são os ataques 
desferidos pelo Governo no setor dos bancos públicos. A intensificação da 
exploração em todos os setores, o projeto USO no BB e a reestruturação na Caixa 
são ataques duríssimos. Embora a probabilidade de que não teremos muita 
diferença na campanha deste ano em relação a 2009, é possível que parte da 
categoria se movimente de forma mais aberta, para tentar derrotar esses ataques.
Ainda é cedo para afirmar categoricamente que este ano haverá greve, mas até o 
momento os sinais apontam que sim, e que ela deve ser muito semelhante às de 
2006 e 2008: muita dureza e intransigência dos patrões (principalmente do 
Governo) e bastante dificuldade para impor derrotas à burocracia, que deve estar 
mais governista que nunca nesse período de eleições presidenciais. Os resultados 
devem ser também muito parecidos com os dos anos anteriores (reposição da 
inflação, PLR e mais alguma migalha relacionada à PCS ou PCC nos bancos 
públicos).
Dentro da lógica da crise e da etapa monopolista que é marcante na fase 
imperialista, o processo de concentração e centralização de capitais continua a 
todo vapor. E neste cenário, as fusões de “gigantes do capital” também seguem. 
Oprocesso de concentração dos bancos, que já vinha ocorrendo há algum tempo, 
agudizou-se. As fusões Real/Santander, Itaú/Unibanco e a compra, pelo BB, da 
Nossa Caixa, do Banco do Estado do Piauí e o BESC, são a demonstração disso. 
Algumas financeiras fecharam e o banco Votorantim foi salvo, escandalosamente, 
pelo BB. Isto gerou uma elevação das demissões que se combinam com o fechamento 
de agências. Nos bancos públicos a maior consequência é a redução das despesas 
administrativas e assédio superior em relação às metas de vendas e 
produtividade. No BB, a luta contra a destruição da Cassi ganha força neste 
momento. Também está sendo implementada uma reestruturação nas agências, com a 
criação das PSOs que, por um lado desorganiza os locais de trabalho (dividindo 
os funcionários em dependências distintas) e, por outro, aumenta a pressão e o 
controle individualizado das vendas. Na CEF, há uma nova reestruturação nas 
agências com o fim da terceirização da RET (retaguarda) que aumenta 
sensivelmente a pressão nos locais de trabalho. Há também a implantação de um 
PCC/PFG unilateral e a revelia dos funcionários. Junte-se a isso a falta de 
empregados nas unidades e o aumento do assédio e temos uma situação explosiva.
A política da direção (Articulação/CUT) é a de facilitar, ao máximo, a vida do 
governo. A campanha pela candidatura do PT em 2010 começa a ser o centro das 
preocupações destes dirigentes. A burocracia bancária nunca esteve tão 
governista, refletindo os elevados índices de popularidade do governo por um 
lado, e os agraciamentos por outro (cargos na direção dos bancos públicos e 
comissionamentos de dirigentes sindicais). Esta manobra visa segurar nossas 
lutas, priorizando os interesses partidários/eleitorais e colocando os 
interesses da categoria em segundo plano.
Por outro lado, a crise tende a se agravar, mas até Setembro e os bancos 
brasileiros seguem com uma situação relativamente estável - sem grandes 
problemas de liquidez, com uma inadimplência não alarmante e com taxas de juros 
e spread elevados. Portanto, não há indícios que, nesta campanha salarial já 
enfrentaremos demissões em massa ou uma pressão por retirada de direitos. Por 
outro lado, deverá haver um endurecimento na mesa de negociações, pois a Fenaban 
e o governo Lula sabem que a crise virá e, preventivamente, tentarão impor um 
acordo com índice rebaixado. Porém a categoria percebe os recordes de 
lucratividade dos bancos e não estarão dispostos a sacrifícios. 

3. SOBRE A CAMPANHA SALARIAL
A campanha salarial em si, na verdade, tem, nos últimos anos, um início anterior 
a data base com os Congressos dos Funcionários dos Bancos Públicos. Há 
diferenças de entendimento entre setores do MNOB sobre a participação ou não 
nestes fóruns. Queremos, fraternalmente, apontar aspectos para debate.
 É preciso rejeitar entre nós que a participação em qualquer fórum (seja ele da 
Contraf/CUT ou do que quer que seja) como questão de princípio. Sabemos que há 
essa dificuldade em fazer esse debate com alguns camaradas, mas ter claro que a 
participação (ou não) dos revolucionários nos espaços reformistas, burocráticos 
e mesmo nos reacionários trata-se de uma questão tática, deve ser uma obrigação 
enquanto militantes que buscam o caminho das massas para se construir.
Ao defender a necessidade de participação nos parlamentos, Lênin nos deixou um 
fabuloso legado, que deve ser reivindicado sempre que surgirem invectivas que 
coloquem tais participações como uma “capitulação” ou “traição”: “Enquanto não 
tiverdes força para dissolver o parlamento burguês ou quaisquer instituições 
reacionárias de outro tipo, tendes a obrigação de trabalhar dentro delas 
precisamente porque ainda há nelas operários enganados [...].”[3] Ou seja, se 
nós nos dispomos a intervir no parlamento burguês (que é o que há de mais 
reacionário), que questão de princípio pode nos determinar que não participemos 
dos fóruns da burocracia sindical? Nenhuma! É claro, por se tratar de uma 
questão tática, a participação ou não depende daquilo que melhor ajuda a classe 
(no nosso caso, a categoria) a se movimentar em direção à nossa política e 
estratégia. Nossa política continua sendo a de destruir a burocracia e construir 
uma direção revolucionária para a categoria. Discutindo aqui que meios são 
melhores para concretizar isso e não podemos definir de antemão que não vamos 
participar e ponto.
No Congresso dos funcionários da CEF tivemos votações em que se emblocaram todas 
as forças políticas contra a Articulação. Para exemplificar, uma das votações 
foi para desvincular o Conecef da Conferência Nacional da Categoria. No BB houve 
uma votação parecida. A articulação tentou polemizar todo o Congresso na 
proposta de apoio a Dilma. Em ambas perdemos por pouco.  Ou seja, num esforço um 
pouco maior do MNOB, poderíamos ter tirado mais delegados e ganho votações 
importantes nos Congressos do BB e da Caixa.
Mas, o maior problema está mesmo na confusão que se estabeleceu em nossas 
fileiras, com alguns companheiros defendendo que esses congressos são fóruns da 
Contraf/CUT e que não devemos participar deles por isso. Por esta razão, temos 
que ter sempre calma para discutirmos nossas diferenças e, caso não seja 
possível essa discussão pelos atropelos dos movimentos, caminharmos 
unificadamente para fazer um balanço depois.
Opinamos que aqui se cometem dois erros: um de caracterização e outro de 
política.
É errado afirmar que os congressos da Caixa e do BB são da Contraf/CUT. Isso não 
é verdade, tanto quanto os Encontros e Congressos do BASA, BNB, Banrisul, Nossa 
Caixa, etc., ainda que essa entidade possa dirigir esses fóruns por ser maioria 
neles. Por isso, nossa participação nesses fóruns é uma tática para defendermos 
uma política em acordo aos anseios da categoria.
Segundo, é preciso avaliar cada situação concreta e ver as possibilidades de 
intervirmos para mudar os rumos desses fóruns, ou disputar posição ou ainda para 
construir nossas fileiras.
A decisão de alguns de não ir aos Congressos é uma decisão justa, mas errada. 
Justa porque reflete uma indignação com todo o peleguismo da CUT, mas errada 
porque enfraquece a atuação do MNOB. Ainda que os companheiros considerassem 
equivocada a participação nos Congressos da Caixa e do BB seria muito importante 
estarmos todos juntos naqueles congressos, apresentando o MNOB com toda nossa 
força. Estamos há anos construindo esse projeto e não podemos deixar de 
apresentá-lo em sua plenitude nos momentos em que há disputa na base, seja 
nesses fóruns ou nas assembléias que definem os delegados a eles.
3.1 Congressos burocráticos que definem política anti-trabalhador numa dinâmica 
de crise
Os congressos foram montados para dar legitimidade à política da Articulação de 
negociação permanente com os bancos. O congresso da CEF e do BB esteve muito 
burocratizado. Houve muitos atropelos à democracia, com manobras grosseiras e 
truculência, onde se decidia que propostas não iriam para debate e ponto final. 
Teve grupo que para considerar que as propostas tinham os 20% de aprovação para 
ir a plenário, contou-se até as abstenções, deformando completamente o quorum.
Isso causou muita irritação em nossos companheiros e alguns podem até ter 
concluído que não temos o que fazer nesses fóruns. Isso é um equivoco, pois toda 
a burocracia utilizada por eles não foi mais do que o reflexo de quem está muito 
enfraquecido, debilitado para convencer a maioria e precisa usar de truculência 
para se impor. Os novos burocratas das correntes não têm autoridade para 
convencer e controlar a maioria dos delegados, por isso é mais burocrático 
ainda.
Por terem maioria dos delegados, foram aprovando toda a política da Articulação. 
Mas, tiveram muitos escorregões, fruto da crise que vive essa burocracia 
decadente, e acabaram-se aprovando questões importantes nos congressos. No dos 
funcionários do BB, por exemplo, aprovou-se exigir que o procedimento de 
concessão de licença maternidade de 180 dias seja automático; exigir o fim da 
co-participação com abertura de negociação com o BB e Cassi e a implantação do 
Plano odontológico via Cassi, custeado pelo BB; estatização do sistema 
financeiro;criar tabela única de PCS, com incorporação do anuênio nos 
interstícios; buscar a elevação do interstício para 12% e 16%, garantindo a 
incidência do interstício do BB no VCP de Salário dos funcionários egressos de 
bancos incorporados; isonomia para funcionários novos, antigos e incorporados, 
pautando-se pela manutenção do maior benefício;
Não houve possibilidades de revertermos a eleição dos membros da Comissão de 
Empresa (foi mantida a formula de indicação pelas Federações e Centrais 
Sindicais) e também a política de Mesa Única da Fenaban.
Desde esse ponto de vista, qualquer um poderia afirmar que nossa participação 
foi em vão, e que manteve tudo o que a Articulação queria, inclusive com nosso 
envolvimento. Nada mais falso. 

Queremos destacar dois aspectos: um pela esquerda e outro pela direita: 1) Nós 
fomos fundamentais por ter colocado o debate sobre a natureza do governo Lula: 
um governo dos patrões. Fomos fundamentais no combate a Mesa Única da Fenaban 
cuja luta ficou apenas por nossa conta. As demais bandeiras políticas e 
econômicas que defendemos junto com os setores centristas também foram 
importantes, pois nos aproximou desses setores que são estratégicos para 
rompê-los das amarras da Artban; 2) A crise da direção majoritária é causada 
pela reorganização no movimento. Esse processo é capaz de produzir uma luta 
intestinal na própria Articulação, que se combina com as crises do centrismo e 
que, com nossa política, potencializa o processo de rupturas e reorganização do 
movimento.
O que precisamos entender é que o processo de reorganização segue se 
aprofundando e poderá dar um salto no próximo período com a Crise Econômica. 
Somos um setor consciente desse processo e temos que agir como tal, tendo 
política para fortalecer essa reorganização e direcioná-la para a construção de 
uma alternativa real.
Por isso, é muito importante mantermos a política de sermos contra a Mesa Única, 
não pelo fato de ser uma política da Articulação ou uma questão de principio 
para nós, mas por sabermos que essa política tem uma repulsa na base dos bancos 
públicos que, embora não seja simplesmente uma vanguarda, mas um setor 
minoritário de massas. Dizemos isso porque todos sabem que não fazemos política 
para a vanguarda, mas sim para as massas e, a partir dessa política, podemos dar 
uma batalha para a aproximação dos setores centristas. A Intersindical está em 
ruptura com este setor (chapas conjuntas em Brasília, Pará, CE, PI, Cassi, 
Funcef, plebiscito para desfiliação no ES etc.) que abre uma possibilidade de 
construir um projeto de uma Federação Alternativa em médio prazo e que 
potencializaria nossa política na categoria. 

3.2 Política e perspectivas: manter uma alternativa para a campanha salarial, 
aproximar setores para a construção de uma direção nacional dos bancários e 
fortalecer o MNOB e os Sindicatos
A Contraf/CUT manterá a mesma prática dos últimos anos. Apostando na mesa única 
para esconder o governo, definem as pautas de reivindicações e a estratégia da 
campanha com mais de 90% de dirigentes sindicais, sem a participação da base. 
Ignorando as perdas reais da categoria, votam um índice rebaixado e, depois de 
protocolada a pauta, apostam nas negociações sem mobilização, priorizando a PLR 
em detrimento do reajuste salarial. É fato que a categoria está colocando no 
bolso um volume de dinheiro muito maior que qualquer outra categoria. A PLR das 
montadoras, por exemplo, é em torno de R$ 2.000,00. Nos bancos privados tem uma 
variação de R$ 3.800,00 até R$ 14.000,00 e nos bancos públicos, com variações 
diferentes, tem o BB que vai de cerca de R$ 4.000,00 até R$ 35.000,00 (a maior 
PLR da categoria). Esse elemento não é insignificante, uma vez que na situação 
de sufoco que vive a categoria, receber valores como o descrito acima ajuda 
bastante. Mas, há outro elemento determinante aí: o papel da burocracia. A 
Contraf trabalha de forma estratégica o acordo sobre Remuneração Variável 
deixando o índice completamente secundarizado.
 Mas, nesta campanha haverá um agravante: a articulação priorizará as eleições e 
o apoio a Dilma. Há duas hipóteses aqui: 1) enrolarem a campanha salarial para 
dar desfecho após o calendário eleitoral ou 2) fazer uma campanha rápida, 
impedindo grandes mobilizações com um pré-acordo com os bancos. Achamos que a 
primeira hipótese é a mais provável, inclusive, porque estarão apoiando também 
seus candidatos a proporcionais nos estados. 

Da nossa parte, é necessário fortalecer o MNOB e Sindicatos a partir do que já 
acumulamos até aqui. A tática que com pauta própria e disputá-la nas assembléias 
foi extremamente acertada. Isso deu visibilidade ao MNOB/Conlutas e ampliou 
nossos sindicatos como referência nacional ao se constituírem como elemento 
fundamental da denúncia e disputa política com a direção governista no 
movimento. Se hoje o MNOB tem uma audiência superior ao que tinha antes, deve-se 
a essa política, que, longe de ser autoproclamatória, tem grande influência na 
categoria.
A política deste Encontro Nacional deve ser a elaboração das pautas 
alternativas, a defesa e a aprovação das minutas nas bases e disputa em todas as 
assembléias do país, a eleição de um Comando Nacional para organizar a campanha, 
a entrega das pautas, a defesa da mobilização em contraposição à burocracia.Além 
disso, precisamos ter debates mais de fundo, e atentar para a questão da PLR, 
abonos e outras remunerações variáveis, que influenciam negativamente em nossa 
campanha, atuando sobre a consciência dos ativistas. Um problema ideológico que 
precisa ser enfrentado.
Também é necessário evitarmos os erros de campanhas passadas e fortalecê-la 
desde o início. Devemos formar um Comando Nacional que realmente atue como tal. 
Sabemos que falhas são absolutamente normais, mas precisamos avançar em nossa 
organização. Construir um Comando na campanha salarial é vital em função da 
necessidade em se responder politicamente a tudo e, na maior parte das vezes, de 
forma rápida. Isso é necessário, pois a maioria dos nossos militantes não tem 
liberação e estão submetidos a um alto nível de exploração nos bancos, o que 
impede de termos iniciativas e responder politicamente a contento as 
necessidades da categoria no movimento. 

Além disso, é importante avançarmos na compreensão que nosso movimento é 
nacional e, portanto, uma ação, uma atitude, uma política qualquer que seja 
aplicada em determinado local, acaba tendo repercussões nacionais. Como a 
categoria é nacional, a nossa organização de frente única (o MNOB) também deve 
ser e não podemos sucumbir, por exemplo, a muitas pressões regionais. 

Sabemos que a única coisa que pode gerar uma mudança de qualidade na Campanha, é 
uma rebelião generalizada, um grande levante da categoria que desmoralize por 
completo a direção burocrática da Contraf/CUT e que permitisse que as bases 
determinassem os rumos do movimento. Mesmo se não conseguirmos alterar 
qualitativamente os desdobramentos da Campanha Salarial, vamos disputar nossa 
política em todas as bases. Para além do economicismo e corporativismo devemos 
praticar um sindicalismo classista e socialista e continuar nosso trabalho 
paciente, nos fortalecendo na base e construindo-se como alternativa de direção 
para a categoria.
3.2.1 Relação com os companheiros da Intersindical
No Encontro do MNOB construiremos uma pauta de reivindicações para disputarmos 
no movimento. Contudo, devemos procurar construir uma Frente Nacional com os 
companheiros da Intersindical em torno dos eixos de agitação na campanha: pela 
Reposição das Perdas em negociações especificas; contra a dinâmica/calendário da 
campanha dos governistas em priorizar a campanha de Dilma e as eleições; 
campanha pela Isonomia nos bancos públicos e contra o acordo de 2 anos. 

Além da importância que tem essa unidade para a luta da categoria, isso busca 
fazer um debate a fundo sobre a formação de uma frente nacional bancária que não 
se limite a Campanha Salarial, mas que possa reunir os sindicatos do MNOB e da 
Intersindical para construir ações conjuntas (jurídicas, mobilizações, materiais 
próprios com assinatura de todos os sindicatos da Frente, etc.), mantendo a 
autonomia do MNOB (inclusive em relação aos encontros) e da própria 
Intersindical.
3.2.2 A estratégia de uma Federação Nacional dos Bancários    
A categoria bancaria tem uma característica peculiar de ser nacional e ter um 
Acordo Coletivo Nacional. Isso dificulta muito a luta de sindicatos de maneira 
isolada.
Em que pese os sindicatos do MNOB terem uma política diferente da CUT e da 
Contec e estarem atuando na base de forma diferente, isso não rompe o limite da 
“cultura de movimento nacional”. Os sindicatos do MNOB não conseguem fazer uma 
greve sozinhos, não conseguem se impor para uma mesa de negociação própria, não 
conseguem ter Acordos próprios.
Esses “limites” são mais subjetivos que objetivos e o processo para superá-los 
será difícil e de longo prazo. Os trabalhadores precisam ser convencidos, a 
partir de uma política paciente e persistente, de que é preciso, e é possível, 
fazer um movimento de base independente dos grandes centros, um movimento que 
imponha aos banqueiros e ao governo as reivindicações da categoria.
Porém, esse processo pode ser “acelerado” se houver um movimento de outros 
sindicatos que denotem uma união de outras bases “pequenas”. Por isso é 
importante a ação conjunta dos três sindicatos como uma forma de fortalecer o 
ânimo de luta numa base.
Essa é a razão pela qual deveremos trabalhar pela construção de uma Federação 
Nacional de sindicatos que não apóiam o governo Lula e que defendem um programa 
de luta. Tal Federação tem possibilidade de ser construída a partir da união dos 
três sindicatos (MA, RN e Bauru) com os sindicatos de Santos, ES, Florianópolis 
e Blumenau.
O MNOB tem que fazer um chamado nacional a esses sindicatos para a construção da 
Federação que dará condições de fortalecer a luta independente dos grandes 
centros e até de se conquistar uma 3ª mesa de negociação, com uma pauta de 
reivindicações equivalente aos anseios da categoria. 

Resoluções:
Sobre Estratégia da Campanha Salarial
1.       Reafirmar a política contra a Mesa Única da Fenaban.
2.       Agitar e construir a campanha pela Isonomia nos Bancos Públicos.
3.       Construir as pautas de reivindicações alternativas e defende-las nas 
assembléias, incluindo o cumprimento da jornada de seis horas sem redução 
salarial e implantação de Planos de Cargos e Salários em todos os bancos.
4.       Entregar as pautas aos Bancos.
5.       Defender a eleição de representantes de base em assembléias, para 
compor o Comando Nacional de Mobilização e Negociação.
6.       Procurar construir unidade de ação com outros sindicatos, em particular 
os da Intersindical, com eixos: pela Reposição das Perdas em negociações 
especificas, se contrapor a dinâmica/calendário da campanha dos governistas em 
priorizar a campanha de Dilma e as eleições e contra o acordo de 2 anos.
7.       Defender que as assembléias sejam democráticas, debatam e deliberem por 
tudo que a categoria desejar, lutando para que tenham assembléias nas bases dos 
sindicatos da CUT.
Sobre as reivindicações centrais da Campanha Salarial
1.       Lutar pelas perdas do Plano Real, defendendo mesas especifica dos 
bancos públicos.
2.       PLR de 25% do lucro liquido distribuído linearmente
3.       Piso do DIEESE
4.       Estabilidade no emprego: contra demissões imotivadas e contratação de 
mais bancário (as)
5.       Fim do assedio moral e das metas
6.       Contra a terceirização
7.       Contra o acordo de 2 anos.
8.       Nenhum privilégio aos dirigentes sindicais! Contra a remuneração 
adicional e as comissões/cargos especiais para dirigentes sindicais. 

9.       Estatização do sistema financeiro.
 
Sobre organização da Campanha Salarial
1.       Montar um Comando que organize e busque a negociação das Pautas, com 
mobilidade entre Brasília e São Paulo, a depender das necessidades da campanha.
2.       Realizar a Campanha Nacional com confecções de jornais nacionais e 
adesivos do MNOB e dos Sindicatos que apóiem a Pauta Alternativa e divulgando o 
site do MNOB para referenciá-lo junto à categoria.
3.       Manter reuniões periódicas do Comando Nacional, com as Oposições, 
através de chat ou telefone, para manter uma linha nacional de atuação com 
periodicidade das reuniões definida pelo Comando.
4.       Formar um fundo de Campanha com cotização dos três Sindicatos para 
garantir a realização da Campanha Nacional do MNOB com o aporte R$ 12.000,00, 
sendo três parcelas de R$ 4.000,00 a partir de Agosto.
5.       O Fundo será controlado pelo Comando Nacional.
 
4. SOBRE ATIVIDADES E A ESTRUTURAÇÃO DO MNOB E OPOSIÇÕES
4.1 As atividades do primeiro semestre de 2010
O MNOB vem se fortalecendo como alternativa nacional na categoria. Os resultados 
nos embates contra a burocracia mostram que o desgaste dos governistas e a 
experiência da base aumentam. 

No início do ano tivemos a eleição do Seeb Bauru/SP onde a chapa 1/Conlutas 
obteve 77,5, aumentando o percentual da eleição passada, assim como no RN onde a 
chapa da situação ganhou com 82,82% dos votos. Estes resultados demonstram o que 
afirmamos da experiência e inserção da nossa política na base.
Na eleição de Brasília se deu com polarização entre a oposição e a atual 
diretoria. Os números finais do processo foram: Chapa 1, 5066 votos (59%), chapa 
2 (PCO) 561 votos (6,5%) e chapa 3, 2932 votos (34%) mesmo com uma 
sindicalização  baixa, chegando a 30% em muitos bancos públicos. A chapa 3 foi 
formada essencialmente entre a Conlutas e a Intersindical, tendo também um setor 
de independentes de delegados sindicais e novos ativistas. Durante a campanha, 
foram distribuídos mais de 60 mil boletins na base. Ganhamos bem na Caixa e na 
Tecnologia do BB, locais de trabalho da Conlutas. Foi majoritária também a 
votação no BRB, local antes vencido pela articulação. Essa referência ajudará a 
fortalecer o MNOB.  Por outro lado, o PCO lançou a chapa 2, o que favoreceu a 
articulação pela confusão em ter duas chapas de oposição. Outro fator de aumento 
da votação da chapa 1 foi o crescimento de sindicalizados nos bancos privados e 
cooperativas de crédito (cerca de mil sócios). Vale ressaltar que os três 
sindicatos do MNOB contribuíram financeiramente num total de 12 mil reais e a 
chapa sairá sem dívidas e fortalecida da campanha. 

No Pará, com duas chapas inscritas, a chapa 1 do PT (DS e Artsind) que se 
reunificaram depois das eleições de 2007 e a Chapa 2 da oposição. A oposição foi 
formada por 4 setores: Conlutas, a diretoria da Associação dos Empregados do 
Banpará que rompeu faz um ano com a Articulação no processo de luta pelo PCS do 
Banpará, quando a diretoria do sindicato propôs adiar a implementação de um 
plano que a categoria conquistou na greve. A Associação comprou a briga e bancou 
na justiça, mobilizando a categoria para fazer assembléias sem a presença da 
direção do Sindicato; 2. Dois ex-militantes da CSD que romperam com muitas 
críticas a direção do sindicato da qual faziam parte e independentes. Esta 
campanha foi vitoriosa e a direção do Seeb PA/AM fraudou, escandalosamente. 
Mesmo assim, a chapa 2 perdeu por uma diferença de apenas 200 votos. O caso está 
sob “judice”. 
A chapa 2, Sindicato Independente Bancários em Luta, para concorrer às eleições 
para a renovação da diretoria do SEEBF/PI, que ocorreu no dia 22/06/2010, obteve 
25,22% dos votos. A chapa foi composta por militantes e simpatizantes da 
Conlutas, da Intersindical e independentes sendo este último segmento o 
majoritário na chapa. Para a Oposição Bancária do PI, ter conseguido registrar a 
chapa, já é uma vitória, considerando que no pleito passado, não conseguiram 
reunir em tempo hábil, bancários(as) suficiente para disputar. Ressalta-se que o 
decisivo apoio materialhumano e financeiro dos SEEBs.
Já nas eleições específicas por banco, na Funcef o resultado final foi: Chapa 1 
da Contraf com 45% (21.218 votos), chapa 2 com 09% (4.250   votos), chapa 3 
(Conlutas/Intersindical e CTB) com 30% (14.196 votos) e a chapa 4 com 12% (5831 
votos) brancos e nulos, 9% (1255 votos). Nota-se o desgaste da situação, pois a 
soma das chapas de oposição soma 3059 votos a mais que a chapa da situação. Na 
Cassi, a oposição venceu com mais de três mil votos na ativa (52,6%), perdendo 
por fraude nos aposentados. Na Previ, onde a eleição tem característica de 
“segurança nacional” pela importância estratégica que este fundo de pensão tem, 
a chapa Uma Nova Previ, do MNOB com ativistas da Tecnologia de Brasília obteve, 
nos funcionários da ativa, 20.213 votos contra 33.636 votos da Articulação/Anabb 
que obteve no final 71% com a votação expressiva de mais de 20 mil aposentados.
Esses resultados demonstram o espaço político que se abre, principalmente nos 
bancários de bancos públicos, e da inserção da nossa política em consonância com 
a categoria.
 
4.2 Aluta contra a burocratização:O MNOB precisa aprofundar a organização de 
base
Partindo desses processos de eleições e lutas que geram uma vanguarda em torno 
dos sindicatos e das oposições, comreuniões periódicas das oposições que devem 
ser o momento para construir uma política alternativa e elaboração de uma 
resposta contra os ataques que os ativistas poderão levar para seus locais de 
trabalho.
As Oposições de Brasília, PA e PI, bem como as oposições que fizeram campanha 
pelas Cassi, Funcef e Previ, puderam sair com uma franja de ativistas que se 
empolgaram com a possibilidade de vitória e viram o profundo desgaste que vive a 
Artban. Agora, é preciso dar uma organicidade a esses ativistas, colocando 
materiais e uma política que ajude a eles na organização e resistência em seus 
locais de trabalho.
Neste sentido, os sindicatos que estão no MNOB têm mais condições ainda de 
ajudar na organização dos locais de trabalho. É preciso construir “centros de 
poder” junto aos locais onde a base está, para decidir sobre a luta, sobre a 
organização do movimento, sobre o funcionamento do sindicato, etc. O sindicato 
tem que ser a categoria e não uma instituição apartada. O esforço para romper 
essa cultura é enorme e deve ser perseguido com perseverança pelos militantes da 
Conlutas, afinal esta é a única forma de construirmos um sindicalismo classista 
e de luta que rompa com o modelo sindical atual. 

A burocratização do movimento sindical implica uma usurpação da representação e 
do poder que os trabalhadores concedem a uma diretoria eleita para dirigir a 
entidade. Os trabalhadores esperam que esta diretoria respeite a vontade da 
categoria e utilize a representação e o poder que lhe foram concedidos para 
defender os interesses da classe de forma geral. Em um sindicato burocratizado 
isto não acontece, a representação é utilizada de forma antidemocrática e em 
função dos interesses materiais e/ou políticos da diretoria ou de dirigentes da 
entidade, em prejuízo dos trabalhadores. 

O combate a este processo é  um dos desafios mais importantes que temos pela 
frente na construção da organização unificada. Ou superamos o processo de 
burocratização que atinge as entidades ou este processo vai acabar por incidir 
sobre o nosso projeto político, levando ao abandono de bandeiras e ao seu 
completo comprometimento. Por isto a CUT ou a Força Sindical não tem nenhuma 
contradição com sindicatos burocratizados, reformista e de colaboração com o 
capital, pelo contrário, precisam que eles sejam assim para manter o controle 
dos aparatos e do movimento. 

Nos sindicatos e mesmo nas oposições, não se pode substituir o papel da 
vanguarda e concentrar em nossas mãos as tarefas e decisões tomadas no 
cotidiano, mesmo nos momentos de luta. Muitas vezes, quando fazemos uma greve, a 
preocupação é sobre o resultado econômico que obteremos com a luta, mas não há 
preocupação com o saldo em termos de organização dos ativistas, em organização 
de base, dentro dos locais de trabalho. Da mesma forma, menosprezamos as 
possibilidades de estabelecermos relações sociais e, a partir daí, políticas, 
com os trabalhadores através de atividades culturais e sociais. 

Assim devemos avançar no processo de organização nos locais de trabalho. Além 
disso, será decisiva para combater o burocratismo uma política de formação 
permanente dos dirigentes e ativistas do movimento. Ela deve se orientar pelo 
princípio do classismo, da independência e autonomia, do internacionalismo e 
solidariedade de classe, do socialismo. Deve ser ampla e plural dentro destes 
princípios e dotar nossa militância com ferramenta teórica para enfrentar o 
capital e dificultar as pressões que os aparatos exercem sobre nossa classe.
4.3 O fortalecimento da nova Central que fundamos no Conclat deve ser uma das 
tarefas centrais de nosso movimento
O processo de reorganização deve seguir se aprofundando uma vez que a CUT assume 
cada vez mais a defesa do modo de produção capitalista e retrocede completamente 
na organização e luta dos trabalhadores em detrimento de uma política de 
conciliação. Os movimentos que surgem de resistência aos ataques do capital se 
enfrentam com a CUT e causam rupturas de ativistas com essa direção.
A construção da nova Central é estratégica para os ativistas que lutam de 
maneira conseqüente e coerente contra o capital e seus agentes, como o governo 
de Frente Popular de Lula. Essa construção só será possível se houver um 
envolvimento da categoria, uma ação consciente dos trabalhadores no sentido de 
apoiar esse processo de construção da nova entidade. Um exemplo foram as 
Oposições que fizeram campanha de arrecadação financeira nas bases para garantir 
a participação dos delegados ao Conclat, realizando debates nos locais de 
trabalho e pedindo o apoio dos trabalhadores.
Toda a discussão na base, das políticas e das deliberações e propostas da nova 
Central serão a verdadeira edificação de um novo sindicalismo. O MNOB deverá 
permanecer apoiando essa nova Central e contribuindo militante, política e 
financeiramente com a entidade.
 
4.4 Sobre a organização do MNOB
Mas, como o marxismo revolucionário já acumulou que a teoria sem a prática não 
tem nenhum valor, nós precisamos estabelecer a construção desse processo dentro 
de nosso trabalho no MNOB. O funcionamento burocrático das entidades não é um 
problema de ordem puramente organizativa. Ela é a expressão organizativa de um 
projeto político. Em que pese nossos acertos, há debilidades nesse processo e 
devemos também corrigir o caráter organizativo para melhor avançar na política. 
Já temos uma experiência muito rica sobre o funcionamento da Conlutas votada 
para ser implantado agora na nova Central nascida no Conclat. Essa experiência 
de funcionamento, ao trazer a representação das entidades filiadas diretamente 
para a sua Coordenação Nacional, eleva a concepção de frente única e democracia 
operária e pode servir de modelo organizativo para o MNOB.
Dessa forma, podemos adotar esta estrutura de organização que teria o 
envolvimento mais efetivo dos Sindicatos e das Oposições no cotidiano do MNOB:
Coordenação Nacional– As reuniões ordinárias acontecem a cada 60 (sessenta) 
dias, ou extraordinariamente conforme necessidade, mediante convocação a cargo 
da secretaria da Coordenação. A reunião da Coordenação Nacional é convocada 
ordinariamente com um mês de antecedência em relação à data de sua realização. A 
convocação da reunião é feita através de edital enviado diretamente via e-mail a 
todas as entidades e oposições. A Coordenação Nacional é composta por 
representantes indicados pelas entidades, em seus fóruns deliberativos. A cada 
reunião, as entidades indicam seus representantes para compô-la, podendo, a seu 
critério, manter os mesmos representantes para todas as reuniões ou 
substituí-los sempre que julgarem adequado. Para a reunião da Coordenação, com 
direito a voto, pode ser indicado 1 representante por entidade mais um a cada 5 
mil na base. Para as oposições leva-se em conta o percentual da última eleição 
sindical.
Secretaria Executiva- A eleição da Secretaria Executiva da Coordenação Nacional 
do MNOB será feita sempre na própria reunião da Coordenação Nacional. Esta 
Secretaria Executiva ficará subordinada à Coordenação Nacional, será composta 
por 06 membros e com mandato podendo ser revogado (no todo ou parcialmente) pela 
Coordenação Nacional quando a esta parecer necessário. Quando houver mais de uma 
proposta para composição da Secretaria, será utilizado o critério da 
proporcionalidade direta e qualificada para sua escolha. Esta Secretaria 
executaria as tarefas das políticas deliberadas na reunião da Coordenação 
Nacional.
Resoluções sobre Organização do MNOB
1.       Manter o MNOB como uma organização autônoma e fluida, sem um 
centralismo e calçada nos seguintes princípios: a) Soberania dos Fóruns deste 
Movimento; b) Autofinanciamento: dos integrantes e Sindicatos aliados; c) Ação 
permanente e regular na base: panfletagem, formação, seminários e reuniões; d) 
Autonomia em relação aos governos, patrões e partidos políticos; e) Democracia e 
unidade na ação.
2.       Ratificar o MNOB como organização apoiadora da construção da Central 
Sindical e Popular, ainda que no seu interior contenha integrantes que não 
reivindicam esta entidade. 

3.       Manter a atual forma de sustentação do MNOB com a contribuição mensal 
de 2% da arrecadação de cada entidade sindical, além de contribuições dos 
integrantes das oposições no valor mínimo de R$10,00 cada.
4.       Manter a estratégia de construir uma Federação Nacional, para 
fortalecer a busca por uma mesa de negociação própria (3ª mesa), partindo, nesta 
campanha salarial, de um chamado a uma Frente Nacional de atuação com os 
companheiros da Intersindical em base a um manifesto comum de ação.
5.       Manter a sede da organização do MNOB em São Paulo que auxilie na 
execução das tarefas de organização nacional do MNOB e da campanha salarial. 
Isto facilita a confecção e distribuição de materiais com a agilidade que a 
campanha necessita.
6.       Realizar reuniões bimensais da Coordenação Nacional, formada por 
integrantes (representantes) de cada Oposição organizada e Sindicatos, eleitos 
em fóruns de suas entidades. 

7.       Votar uma Secretaria Executiva eleita na Coordenação Nacional com 
mandato podendo ser revogado pela Coordenação Nacional a qualquer tempo. 

8.       Ficam definidas as principais atividades da Secretaria Executiva do 
MNOB:
	1. Edição de um boletim eletrônico mensal.
	2. Preparação-divulgação das deliberações das reuniões bi-mensais da 
Coordenação.
	3. Divulgação mensal das prestações de contas.
9.       Fazer orçamento anual, para prever as aplicações dos recursos, a cargo 
da Coordenação Nacional e prestação de contas a serem divulgadas mensalmente até 
dez dias do mês subseqüente, a cargo da Secretaria Executiva.
10.   Fica sugerida para a Coordenação Nacional a criação de secretarias por 
tema (saúde, previdência, condições trabalho e Cipa, organização por local de 
trabalho etc.)
 

________________________________

[1]Dados do jornal Folha de São Paulo.
[2]Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
[3]LENIN, V. I. Obras completas: A doença infantil do “esquerdismo” no 
comunismo. Vol. 3. 2ª ed. São Paulo: Editora Alfa-Omega, 2004. p. 306, grifos do 
autor.


      
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