[Bancariosdebase] Enc: [analistabb] Lula desrespeita o direito de greve e ataca grevistas e sindicatos dos trabalhadores
hugoscabello em riseup.net
hugoscabello em riseup.net
Segunda Junho 28 23:31:30 UTC 2010
Ola,
Daniel, acho muito bom a sua corrente marxista ter essa posição acerca da
transformação social revolucionária e do parlamentarismo. Contudo,
gostaria de ressaltar alguns poucos pontos sobre o seu comentário, mas sem
pretender retomar aqui discussões históricas da classe trabalhadora (o que
nós podemos fazer um outro dia, e de preferência pessoalmente).
Primeiro, quando Bakunin diz marxistas, ele não se refere ao seu grupo
(tão pouco ao Castoriadis, um marxista heterodoxo autonomista, que, pelo
que me contaram [pois não li isso], renunciou ao marxismo quando mais
velho, e ficou só com o "autonomismo"), ele se refere aos marxistas da
época em que ele vivia, os quais (conjuntamente com o próprio Marx do
Partido social democrata) defendiam que a classe, seus instrumentos e
organizações, deveriam se engajar na disputa parlamentar para bancar
candidaturas ditas "operárias". Eu, particularmente, vejo com muito bons
olhos as correntes politicas fazerem críticas e revisões a posições
defendidas no passado, já que ninguém em absoluto é perfeito (e isto
inclui tanto Marx quanto Bakunin). Contudo, é bom admitir que essa não era
a postura defendida por Marx, tão pouco por Lenin (que, em linhas gerais,
a partir de sua releitura de Marx defende a destruição do Estado
"burgues", para então, a criação do Estado "operário" popular - Volkstaat
[como dizia Marx] - como se fosse possível existir um Estado que não sirva
para reforçar a cisão classista de nossa sociedade; voltamos aquele outro
clássico questionamento de Bakunin, de que o Marx, e os seus, admitem que
o Estado se origina e tem por função a manutenção da cisão classista, mas
não admitem a inversão desta frase [de que para se acabar com a sociedade
de classes é necessário se passar pela destruição do Estado]).
Segundo, gostaria de dizer, que de fato ao se ler esta citação de Bakunin
em separado, ela parece ser "metafisica e a-histórica". Entretanto, esta
alegação está baseada na experiência real dos diversos candidatos
"operários", que já existiam aos montes no século XIX, e, já naquela
época, invariavelmente traiam a classe ao conquistar o poder. Esta
afirmação de Bakunin tem por pano de fundo uma compreensão extremamente
materialista da humanidade e do ser humano, pois o que ela diz é: o ser
humano é o que ele pratica, isto é, independente de antigamente a pessoa
ter sido trabalhadora (ou qualquer outra coisa), quando esta assume uma
posição governamental (uma posição na classe dominadora), esta enxergará o
mundo a partir desta posição, e, inevitavelmente, defenderá os interesses
de sua nova classe. O que, no fundo, é óbvio: ninguém acha que o Silvio
Santos é proletário, mesmo um dia ele tendo sido pobre e trabalhador...
(mesmo assim alguns acham que o Lula ainda é um trabalhador, mesmo estando
no posto de "monarca" da oligarquia representativa brasileira)
Em linhas gerais, concordo com sua análise sobre o PT e o Lula. Achei que
está frase se encaixava bem, pois muitas pessoas tiveram (e muitas outras
ainda tem) a ilusão de que através da eleição de um ex-trabalhador, as
coisas podem melhorar qualitativamente para a classe trabalhadora. Mas,
independente do envolvimento do PT com as esquerdas anti-sistêmicas
(revolucionárias) ter sido pequeno, o envolvimento do PT com as massas em
sua origem foi bem grande (o que na verdade nada diz, já que, por exemplo,
um dos maiores movimentos de massas da Alemanha foi o nazismo).
Por último, um comentário sobre esta belíssima frase de Marx citada pelo
Márcio ("A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios
trabalhadores"). Esta, além de estar (acho) no Manifesto Comunista, está
também nos primeiros documentos da AIT. E Bakunin, em alguns escritos
dele, a cita e a defende extremamente. Mas talvez seja bom lembrar que
pela concepção leninista-trotskista a emancipação dos trabalhadores é obra
da auto-proclamada vanguarda da classe organizada em partido político
hierarquico e centralizado que se auto-proclama representante da classe,
não obra da classe de fato.
Enfim, espero que não tenha parecido agressivo ou nada do genero, pois a
minha intenção é só discutir para, quem sabe, aprofundar o assunto,
abraço,
Hugo
> Um breve comentário sobre esse famoso trecho de Bakunin.
> Existem muitas vertentes do marxismo, e aquela a que eu e o Espaço
> Socialista nos filiamos não considera que a revolução seja uma troca da
classe dirigente, ou seja da burguesia pelo proletariado. Em relação à
questão do poder, estamos mais próximos da proposta de Castoriadis
citada dias atrás, ou seja de que o poder político transicional
encarregado de efetivar o processo de extinção da sociedade classes deve
ser um de poder exercido por organismos de tipo soviético, organismos de
representação do conjunto da classe, em que os partidos têm certamente
um papel, que entretanto não é o de aparelhar ou dirigir a qualquer
custo, e sim o de ajudar a
> construir, para que a "emancipação dos trabalhadores seja obra dos
próprios trabalhadores", como bem lembrou o Márcio.
> Esse processo não tem nada a ver com a chegada de Lula ao poder,
> pois se trata de um dirigente político de um partido que não tinha
sequer uma vírgula de revolução no seu programa, um partido
> integrado à gestão do sistema capitalista e mortalmente aferrado aos
aparatos, estatais, sindicais, etc. Lula chegou ao topo de um Estado
burguês no comando de um partido burguês, portanto isso não tem nada a
ver com o que nós marxistas (da vertente do marxismo à qual nos
filiamos, etc.) chamaríamos de um poder operário.
> A transformação de ex-militantes operários em burocratas a
> serviço da burguesia é um processo que não tem a ver com essa suposta
entidade metafísica e a-histórica, a "natureza humana". Tem a ver com a
luta de classes, com as vitórias e derrotas da classe trabalhadora, com
os avanços e retrocessos da sua consciência e auto-organização. Só com o
avanço das lutas da classe, da sua consciência e da sua auto-organização
se pode impedir a criação de burocracias, seja do tipo
ditatorial-stalinista, seja de tipo eleitoral, e se pode avançar para
formas de gestão de tipo
> soviético.
> Como se vê, há um longo caminho a percorrer, e para isso é
> preciso ter uma caractereização correta de quem são os inimigos e quem
são os aliados, quem está na nossa classe e quem está do outro lado,
quem são os trabalhadores e quem são os patrões.
> Definições básicas, classistas, ideológicas. Algo que precisamos
resgatar no dia a dia de nossas intervenções junto à classe.
> Saudações
> Daniel
> On Sex 25/06/10 13:23 , hugoscabello em riseup.net sent:
> "Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar
> esta
> questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da
> imensa
> maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada.
> Essa
> minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários.
> Sim, com
> certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem
> governantes ou
> representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a
> observar o
> mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o
> povo, mas a
> si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não
> conhece a
> natureza humana." (Miguel Bakunin)
> Hugo
> > E isto por que é um governo Democrático e Popular...imagine se
> não fosse.
> >
> > Márcio
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> >
> > Em discurso reacionário, Lula desrespeita o direito de greve e
> ataca
> > grevistas e sindicatos dos trabalhadores
> >
> > No último dia 16 de junho, a Agência Brasil divulgou
> declaração em que o
> > Presidente Lula faz duras críticas aos movimentos grevistas, da
> mesma
> > forma que um dia os patrões e os militares fizeram a ele e aos
> movimentos
> > de luta da época da ditadura militar. O fato aconteceu durante
> mais uma
> > das muitas solenidades eleitoreiras para a sua candidata Dilma
> Roussef.
> >
> > Nossa central, fundada recentemente na cidade de Santos-SP, em um
Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, que reuniu mais de 3
> mil
> > delegados e delegadas de todo o país, representando cerca de 3
> milhões de
> > trabalhadores, defende intransigentemente o pleno direito de greve
> e se
> > posiciona frontalmente contra essas declarações, de conteúdo
> fascista e
> > reacionária. Entendemos que a greve é uma decisão soberana dos
trabalhadores e cabe somente a eles a decisão do momento de sua
deflagração, duração e método de funcionamento.
> >
> > Segundo o veículo de comunicação, Lula disse que as greves de
> hoje viraram
> > “uma coisa maluca”. Veja abaixo o que o Presidente, que no
> passado
> > comandou várias greves metalúrgicas, disse sobre as greves:
> >
> > “Hoje, mudou esse negócio de greve. Agora, não precisa mais
> fazer greve.
> > No meu tempo, fazia passeata de milhares de pessoas para o governo
> poder
> > ter medo. Hoje, eles contratam primeiro um cara para colocar
> faixa, aí vai
> > um cara na frente e enche de faixa. Depois, contrata um cara com
> uma
> > corneta, como essas vuvuzelas da África do Sul, para tocar o dia
> inteiro,
> > e também um cara para soltar foguete de três em três horas.
> Parece aquela
> > meninada avisando para o narcotráfico correr nas favelas. Virou
> uma coisa
> > maluca.”
> >
> > “Quer ver alguém aprender a fazer greve é ele perder os dias.
> Fiz greve na
> > minha vida inteira e fiz as maiores. Fazia assembléia com cem mil
trabalhadores e nunca pedi para reivindicar os dias parados. Greve
> é
> > guerra e não férias. Se o cara faz greve e recebe os dias
> parados, os
> > domingos e ainda vai reivindicar hora extra, que diabo de greve é
> essa?”
> >
> > “Foi com essa responsabilidade que me transformei em um
> importante
> > dirigente sindical do país porque tinha coragem de começar uma
> greve e
> > muito mais de terminá-la. Agora está cheio de gente que decreta
> greve e
> > não tem coragem de mandar parar a greve. Aí não é
> liderança.”
> >
> > Corte de ponto, demissão ou até mesmo a ameaça desse tipo de
> coisa em meio
> > ao desenrolar de um movimento reivindicatório, são mecanismos de
> repressão
> > às lutas. A declaração do presidente Lula defende
> explicitamente o corte
> > de ponto de grevistas. Daí pra defender a demissão dos
> trabalhadores que
> > fazem greve, não está muito distante. O pior, isso vindo de um
> presidente
> > da República oriundo do movimento sindical, eleito pela maioria
> dos
> > trabalhadores, e que se vale da autoridade que tem por ter sido
sindicalista, para atacar os que lutam em defesa de seus empregos,
salários, direitos e condições de trabalho.
> >
> > A declaração do presidente Lula é inadmissível. O recurso da
> greve é um
> > direito legítimo dos trabalhadores, garantido na Constituição
> Brasileira.
> > As greves acontecem devido à intransigência dos patrões e dos
> governos que
> > se negam a atender as reivindicações dos trabalhadores. Nenhum
> trabalhador
> > faz greve porque gosta ou por folia – para ter férias. Declarar
> isso é um
> > desrespeito aos movimentos e com a própria história do
> presidente
> > sindicalista. Lula mostra mais uma vez de que lado está, ou seja,
> a
> > serviço da elite patronal, dos ricos e poderosos banqueiros,
latifundiários e grandes empresários.
> >
> > - Em defesa do pleno direito de greve
> > - Contra a repressão e criminalização das greves e dos
> movimentos
> > sociais
> > - Todo apoio às lutas dos trabalhadores
> >
> > Secretaria Executiva Nacional Provisória eleita no CONCLAT
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