[Bancariosdebase] alterações tese item condições de trabalho
Ana Paula Lima Freire
anipa.freire em yahoo.com.br
Segunda Maio 3 22:08:21 UTC 2010
Olá!
Abaixo segue minha sugestão de texo para o item condições de trabalho da nossa tese.
Ana.
CONDIÇÕES DE TRABALHO/SAÚDE DO TRABALHO/JORNADA
O cotidiano de trabalho nas agências e departamentos é extenuante para a grande maioria dos bancários da CAIXA. Faltam funcionários para atender com qualidade a demanda de clientes e realizar a operacionalização de contratos dentro dos prazos e exigências estabelecidas normativamente. Para dar conta do recado, a empresa obriga os funcionários a extrapolarem ordinariamente a jornada de trabalho. A prática de assédio moral é utilizada para forçar a produtividade. Casos que ocorrem em diversos locais de trabalho onde o controle dos gestores ultrapassa os limites, pressionando os funcionários de forma a impedir direitos previstos por lei, como a pausa de 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados, (direito de todos que trabalham com digitação). O horário de almoço, por diversas vezes, é imposto unilateralmente pelos gestores, inclusive em desrespeito ao período de uma hora, que, de acordo com a demanda de determinado momento, é reduzido
para o tempo que os gestores permitirem, mesmo em desacordo com a lei e em prejuízo à saúde do trabalhador.
A segmentação aos moldes dos bancos privados é tratada naturalmente pelo banco que ironicamente enfatiza seu caráter público e voltado às demandas da sociedade nos seus pronunciamentos oficiais e propagandas corporativas e televisivas. A política imposta é a de viabilizar um bom atendimento somente àqueles clientes “classe A”, que são atendidos preferencialmente, enquanto o povo é submetido a longas esperas, sendo controlados através de senhas que disfarça a extensão da fila e evita revoltas. Os atendimentos sociais são empurrados para fora das agências, difundindo-se uma cultura de hostilização ao cidadão comum que necessita dos serviços do banco público. Isso porque a estrutura não comporta um atendimento digno e a opção da empresa é pelo ganho em lucro, ao invés de cumprir com a tão propagada responsabilidade social. Os funcionários que resistindo se opõem à lógica de diferenciação de clientes são penalizados
com as piores condições de trabalho, muitas vezes são obrigados a trabalharem sozinhos ou em número insuficiente nos setores com as maiores filas, sem poder beber água ou ir ao banheiro sem se justificarem perante a fila.
As reuniões chamadas frequentemente pelos gestores, são sempre fora do horário de trabalho (provando que a jornada de 6 horas é definitivamente desrespeitada). Nelas rotineiramente se expõem metas cada vez maiores e pouco ou nada se fala sobre a organização coletiva do trabalho. Muitos que ousam intervir em prol das demandas coletivas, são rechaçados. A dificuldade de se contrapor à ideologia corporativa é imensa, dado o controle normativo excessivo daqueles que detêm os chamados “cargos de confiança”, e são utilizados pela empresa como (supostos) prepostos.
Todos ficam submetidos a uma estrutura hierárquica sustentada pelo assédio moral institucionalizado, apoiada nos cargos de confiança que fazem o funcionário se apegar ao salário dada a discrepância salarial entre os cargos comissionados e os baixos salários dos 'funcionários sem funçã’, os que formam a base dessa pirâmide, e por tanto os maiores prejudicados.
A venda de produtos do grupo Caixa seguros e capitalizações é a meta mais cobrada e mais recusada pelos trabalhadores, que percebem as parcas vantagens que tais produtos oferecem aos clientes e que não há controle nenhum sobre a satisfação destes em relação a tais produtos, visto que a CEF é somente um balcão de vendas. A recompensa em forma de pontos a serem utilizados em compras via internet, uma espécie de neo-colonato, é pouco atrativa para grande parte dos funcionários dada a superficialidade de tal forma de consumo. Para obter o cumprimento das metas o assédio moral é empregado, na forma de pressão, diferenciação entre bons e maus vendedores, concessão de “direitos” (apip, intervalo regular, melhor condição para trabalhar, etc) aos primeiros e rejeição aos segundos. Mas grande parte dos trabalhadores da Caixa não sabe que o grupo Caixa seguros- capitalização, não é Caixa Econômica Federal e sim, uma empresa
francesa cuja CEF é apenas uma das acionistas, e a Fenae outra. De acordo com um estudo geral do Dieese, exposto para os delegados sindicais na ocasião de um encontro ocorrido na sede do Seeb-SP, revelou-se ínfimo o impacto da venda desses produtos no balanço da empresa. Coube então a pergunta que não quer calar: por que metas tão altas e tanto assédio moral para obter as vendas desses produtos? É importante lembrar que no último CONECEF tal questionamento foi colocado na forma da seguinte proposta: elaboração de um estudo pelo DIEESE detalhado sobre o impacto da parceria CEF- Caixa seguros e capitalização e suas subsidiárias, incluindo a FENAE corretora (que recentemente mudou de nome para PAR). Tal proposta foi aprovada por aclamação, pois não houve defesa contrária e, no entanto, aguardamos até hoje a realização de tal estudo sem obtermos resposta.
A sobrecarga de trabalho, o stress, a falta de contato humano e solidariedade, a fragmentação do trabalho, a pressão dos gestores por um lado e dos clientes por outro, criam um ambiente de trabalho insalubre que condena grande parte dos bancários a perda de saúde e qualidade de vida. Os casos de doenças provenientes do esforço laboral (físicas ou psíquicas) são cada vez mais freqüentes e, no entanto, encarados de forma naturalizada, fazendo com que se transfira a responsabilidade ao adoentado, “culpado” por não conseguir se “adaptar” às exigências da empresa. Muitos colegas, ao se aposentarem, já estão com a saúde bastante debilitada, e ao invés de poderem curtir o tempo livre passam a ter que cuidar da saúde perdida nos anos de trabalho.
Tudo somado, intensificação do assédio moral, cobrança descabida de metas com imposição de vendas casadas, situações crônicas de insalubridade, jornadas expandidas e inclusive sem marcação correta. Acrescente-se a isto, um numero reconhecidamente insuficiente de funcionários para desempenho das atividades, não cumprimento por parte da empresa de cláusulas acordadas como contratação de novos colegas, planos de demissão incentivada e estimulo à aposentadoria, são elementos do nosso cotidiano e nos colocam literalmente na situação de doentes. Doentes potenciais (os novos, bem novos na empresa), doentes crônicos, e sem exageros “doentes pé-na-cova”. Necessitamos de:
ü Fim efetivo do assédio moral. Denúncia, enquadramento e penalização para a empresa e para os gestores coniventes. Assédio Moral é infração reconhecida.
ü Fim efetivo das abusividades das metas. Trabalho sistemático de vendas-zero em tais situações. Não à venda casada e efetiva denúncia mediante determinações neste sentido.
ü Respeito à jornada, com a pró-atividade dos empregados mediante trabalho consistente de conscientização e atuação determinada por parte das entidades.
ü Exigência de exames médico/laboratoriais periódicos adequados. Fim dos exames superficiais.
ü Acompanhamento, cobrança e denúncia de condições físicas e ambientais inadequadas e prejudiciais aos trabalhadores, clientes e usuários em geral.
ü Participação efetiva das entidades representativas dos trabalhadores quando do afastamento, tratamento e retorno dos enfermos/lesionados, que muitas vezes se vêem prejudicados por coação, desinformação.
ü Fazer valer a conquista dos intervalos/pausa para todos, e não apenas para os caixas, pois na prática todos são digitadores/alimentadores de dados.
üImediata publicação e ampla divulgação do estudo detalhado do Dieese sobre o impacto da parceria CEF- Caixa seguros e capitalizações e subsidiárias, conforme deliberação do 25 CONECEF.
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