[Bancariosdebase] [redeestudantilclassista]Fwd: Como a revista Veja se tornou indispensável para o neoliberalismo

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Sábado Maio 22 23:33:04 UTC 2010


 
 Veja: indispensável... para o neoliberalismo
 Daniel
    SUBJECT: Enc: Como a revista Veja se tornou indispensável para o
neoliberalismo 
 Para conhecimento.  Divulgar. [1]
                                                                     
                                                 Assunto: Como a
revista Veja se tornou indispensável para o neoliberalismo>
 Data: Segunda-feira, 10 de Maio de 2010, 20:53
Mídia

 10 de Maio de 2010 - 11h03  

COMO A REVISTA _VEJA _SE TORNOU_ INDISPENSáVEL_ PARA O
NEOLIBERALISMO
A PROFESSORA DO CURSO DE HISTóRIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE
DO PARANá (UNIOESTE) CARLA LUCIANA SILVA PASSOU MESES DEDICANDO-SE A
LEITURA PACIENTE DE PILHAS DE EDIçõES ANTIGAS DA REVISTA _VEJA_. A
ANáLISE TORNOU-SE UMA TESE DE DOUTORADO, DEFENDIDA NA UNIVERSIDADE
FEDERAL FLUMINENSE, E AGORA, EM LIVRO. _VEJA — O INDISPENSáVEL
PARTIDO NEOLIBERAL (1989-2002)_ (EDUNIOESTE, 2009) é O REGISTRO DO
PAPEL ASSUMIDO PELA PRINCIPAL REVISTA DO GRUPO ABRIL NA CONSTRUçãO
DO NEOLIBERALISMO NO PAíS.

A hipótese defendida por Carla é que a revista atuou como agente
partidário que colaborou com a construção da hegemonia neoliberal
no Brasil. Carla deixa claro que a revista não fez o trabalho
sozinha, mas em consonância com outros veículos privados. Porém,
teve certo protagonismo, até pelo número médio de leitores que
tinha na época — 4 milhões, afirma Carla em seu livro. 
 “A revista teve papel privilegiado na construção de consenso em
torno das práticas neoliberais ao longo de toda a década. Essas
práticas abrangem o campo político, mas não se restringem a ele.
Dizem respeito às técnicas de gerenciamento do capital, e à
construção de uma visão de mundo necessária a essas práticas,
atingindo o lado mais explícito, produtivo, mas também o lado
ideológico do processo”, afirma trecho do livro.
 Carla concedeu ao _Observatório do Direito à Comunicação _a
seguinte entrevista:
 _OBSERVATóRIO DO DIREITO à COMUNICAçãO – _Sobre o título do
livro, porque “indispensável” ? É uma brincadeira com o slogan
da _Veja _ou reflete a importância da revista para o avanço do
neoliberalismo no Brasil? 
 _Carla Luciana Silva – _O título é uma alusão ao slogan da
revista e ao mesmo tempo nos lembra que ela foi um sujeito político
importante na construção do neoliberalismo. A grande imprensa
brasileira foi indispensável para que o neoliberalismo tenha sido
construído da forma que o foi. A _Veja_ diz ser indispensável para
o país que queremos ser. A pergunta é: quem está incluído nesse
“nós” oculto? A classe trabalhadora é que não.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Quais os interesses
defendidos por _Veja_?
 _Carla – _Os interesses são os dominantes como um todo, mais
especificamente os da burguesia financeira e dos anunciantes
multinacionais. Em que pese o discurso de defesa da liberdade de
expressão articulado à publicidade, o que importa pra revista são
os interesses em torno da reprodução capitalista. A revista busca
se mostrar como independente, o que se daria através de sua verba
publicitária. 
 É fato que a revista tem uma verba invejável, mas isso não a
transforma no Quarto Poder, que vigiaria os demais de forma neutra.
Ao mesmo tempo em que ela é portadora de interesses sociais, faz
parte da sociedade, a sua vigilância é totalmente delimitada pela
conjuntura e correlação de forças específica. O exemplo mais
claro são as denúncias de corrupção e forma ambígua com que
_Veja_ tratou o governo Collor, o que discuto detidamente no livro.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Isso significa
defender atores e grupos específicos? E, ao longo dos anos, estes
atores mudam?
 _Carla – _Essa pergunta é mais difícil de responder, requer uma
leitura atenta, a cada momento histórico especifico. A revista não
é por definição, governista [no período estudado]. Ela é
defensora de programas de ação. No período analisado (1989-2002),
sua ação esteve muito próxima do programa do Fórum Nacional
[www.forumnacional. org.br [2]] de João Paulo dos Reis Velloso. Ela
busca convencer não apenas seus leitores comuns, mas a sociedade
política como um todo e também os gerentes capitalistas.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _E que relação
_Veja_ estabelece com grupos estrangeiros?
 _Carla – _Essa é outra pergunta que requer atenção e mais
estudos. O Grupo Abril não é um grupo “nacional”. Suas empresas
têm participação direta de capital e administração estrangeira.
Primeiro, é importante ter claro que o Grupo Abril não se restringe
a suas publicações. A editora se divide em várias empresas, sendo
que a Abril é majoritariamente propriedade do grupo Naspers, dono do
Buscapé [site de comparação de preços] e de empresas espalhadas
pelo mundo todo, da Rússia à Tailândia.
 Essa luta pela abertura de capital [no setor das comunicações] foi
permanente ao longo dos anos 1990 e a Abril foi o primeiro grande
conglomerado [de comunicação] brasileiro a abrir seu capital
legalmente. É bom lembrar que o grupo tem investido bastante também
na área da educação, e por isso a privatização do ensino continua
sendo uma meta a atingir. 
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Aconteceram várias
edições do “Fórum Nacional” no período em que faz sua
análise. Por que _Veja_ defendeu com tanto afinco as resoluções,
especialmente econômicas, saídas desse Fórum?
 _Carla – _O Fórum Nacional tem vários títulos. Eles [os
integrantes do Fórum] foram se colocando ao longo dos anos, desde
1988, como intelectuais que pensam o Brasil e defendem programas de
ação — as formas específicas de construção de um projeto
sócio-econômico, que mudaram ao longo dessas duas décadas. Não
existe um vínculo orgânico da revista com o Fórum, ao menos não o
comprovamos, mas existe uma afinidade de programa de ação. A
tentativa de reforma da Constituição em 1993 foi um bom exemplo,
conforme desenvolvo no livro. 
 _Observatório do Direito à Comunicação – _No livro, você
aponta que a _Veja_ “comprou” as ideias no Fórum Nacional,
transformando- as numa verdadeira cartilha econômica para salvar o
Brasil no começo dos anos 90. Quais seriam os principais tópicos
desta “cartilha”?
 _Carla – _O Fórum Nacional surgiu em 1988 como uma forma de
organizar o pensamento e ação dominante. Ele se constituiu um
verdadeiro aparelho privado de hegemonia, buscando apontar caminhos
para a forma da hegemonia nos anos 1990. E existe até hoje, fazendo
o mesmo. 
 Portanto, ele não é apenas uma fórmula econômica, mas de
economia política. Tratou de temas relevantes como “modernidade e
pobreza”, “Plano Real”, “Segurança”, “estratégia
industrial”, “política internacional” , sempre trazendo
intelectuais considerados “top” do pensamento hegemônico para
ver, a partir de suas pesquisas, quais caminhos deveriam ser
seguidos, não apenas pelos governos, mas também pela sociedade
política, ditando os rumos da economia.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Essa “cartilha”
econômica foi atualizada? Você se recorda de alguma campanha
recente em que a revista tenha tomado a frente? 
 _Carla – _A atualização é constante, mas não é uma cartilha.
O Fórum e a revista são independentes um do outro, ao que parece,
não há um vinculo orgânico. Mas _Veja_ assumiu várias campanhas,
sendo a principal delas a manutenção do programa econômico de
Fernando Henrique durante todo o governo Lula. A blindagem feita ao
presidente Lula da Silva foi imensa, especialmente se compararmos com
o que foi feito do caso do mensalão ao que ocorreu no governo
Fernando Collor. O que explica isso parece ser claramente a política
econômica [de FHC e reproduzida por Lula] que garantiu lucros enormes
aos bancos e a livre circulação de capitais, além de outras
políticas complementares.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Qual foi a
importância da revista para a corrente neoliberal desde Collor? Dá
para mensurar? 
 _Carla – _Foi muito importante, mas não dá pra mensurar. É
importante que tenhamos claro que o neoliberalismo não é uma
cartilha, por mais que se baseie em documentos como o Consenso de
Washington, por exemplo. Ele não foi “aplicado”. Foi construído
como projeto de hegemonia desde os anos 1980. A grande imprensa
participou da efetivação de padrões de consenso fundamentais: as
privatizações, o ataque ao serviço público, a suposta falência
do Estado. É importante olharmos hoje, pós crise de 2008, para ver
que muitos desses preceitos são defendidos como saída da crise.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Qual a importância
de _Veja_ para as privatizações?
 _Carla – _Difícil medir dessa forma. Posso falar da importância
das privatizações para _Veja_: elas precisavam acontecer de
qualquer forma. E isso era um compromisso com o projeto que
representava e com os seus interesses capitalistas específicos, do
Grupo Abril. É bom lembrar que a criação de consenso em torno
desse ideal foi importante para que o grupo pudesse abrir seu capital
oficialmente ao capital externo.
 _Observatório do Direito à Comunicação – Veja_ deixa de ser
neoliberal para ser neoconservadora? Digamos assim, amplia sua
atuação do debate econômico, fundamental à implantação do
neoliberalismo, e passar a fazer campanhas também em outras pautas
conservadoras?
 _Carla – _Não vejo essa distinção. Neoliberalismo foi um
projeto de hegemonia, uma forma de estabelecer consenso em torno de
práticas sociais específicas. A forma do capitalismo imperialista,
portanto, não se restringe à economia. A política conservadora
sempre esteve presente no neoliberalismo, haja visto a experiência
de [Ronald] Reagan [presidente dos Estados Unidos] e [Margareth]
Thatcher [primeira-ministra da Grã-Bretanha] , a destruição do
movimento sindical, a imposição do chamado pensamento único. Por
esse caminho chegou-se a dizer que a história tinha acabado e que a
luta de classes não fazia mais sentido.
 Os movimentos sociais foram duramente reprimidos e, além disso, se
buscou construir consenso em torno de sua falência, o que foi
acompanhado pelo transformismo dos principais partidos de esquerda,
especialmente no Brasil. O que vemos hoje é a continuidade dessa
política. Os dados dos movimentos sociais denunciam permanentemente
o quanto tem aumentado a sua criminalização ao passo que os
incentivos ao grande capital do agrobusiness só aumenta.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Existem diferenças
muito contundentes entre a _Veja_ de 89, a de 2002 e a de hoje? 
 _Carla – _Há diferenças, claro. Havia, em 1989, um grau um pouco
mais elevado de compromisso com notícias, com investigações
jornalísticas, o que parece ter se perdido totalmente ao longo dos
anos. A revista se tornou uma difusora de propagandas, tanto de
governos como de produtos (basta ver as capas sobre Viagra ou
cirurgias plásticas).
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Já nos primeiros
capítulos do livro, você chama atenção para o fato de _Veja_ ser
muito didática e panfletária quanto ao liberalismo. Ela deixou de
fazer apologia ao neoliberalismo de maneira tão clara?
 _Carla – _Teria que analisar mais detidamente. Essa é uma coisa
importante: sentar e ler detidamente, semanas a fio, pra podermos
concluir de forma mais segura a posição da revista.
 _Observatório do Direito à Comunicação – _Em algum momento do
período analisado a revista foi muito atacada por alguma cobertura
específica?
 _Carla – _Sim, a revista teve embates, especialmente com a IstoÉ
e, posteriormente, com a Carta Capital. Essas revistas talvez tenham
ajudado a tirar uma ou outra assinatura de _Veja_ em conjunturas
especiais. O caso Collor não é simples como parece. A revista
_Veja_ fazia campanha nas capas mostrando o movimento das ruas e
dentro do editorial ia dizendo que o governo deveria ser mantido em
nome da governabilidade. Foi quando isso se tornou insustentável que
ela defendeu a renúncia do presidente (e não o impeachment) . Mas
depois, construiu uma bela campanha publicitária. A Abril colocou
luzes verde amarela em seus prédios, lançou boton comemorativo, pra
construir memória, dizer que foi ela que derrubou o Collor. 
 O importante é a gente perceber que não é esse o movimento mais
importante. O importante é a gente ter instrumentos contra
hegemônicos que nos permitam construir uma visão efetivamente
critica do que está acontecendo. É importante ressaltar que ela
[_Veja_] sempre fala como se fosse a porta-voz dos interesses da
nação, do país, da sociedade, e como se não fosse ela portadora
de interesses de classe.
 Fonte: _Observatório do Direito à Comunicação_ 
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