[Bancariosdebase] Res: rascunho panfleto
Ana Paula Lima Freire
anipa.freire em yahoo.com.br
Segunda Novembro 1 21:34:05 UTC 2010
Olá Companheir em s,
Proponho uma reunião de fechamento do texto de balanço para a próxima
quinta-feira ou em outro dia desta semana em que seja bom para tod em s. Além disso
temos que decidir o local, data e divulgação do churrasco de confraternização
dos grevistas.
Abraços,
Ana Paula
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De: Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>
Para: bdbase lista <bancariosdebase em lists.aktivix.org>
Enviadas: Sábado, 30 de Outubro de 2010 19:14:52
Assunto: [Bancariosdebase] rascunho panfleto
Olá comp em s
Segue abaixo e em anexo o rascunho de panfleto de balanço da campanha e
propostas para 2011.
Aproveito para sugerir como epígrafe a citação do companheiro japonês mandada
pelo Hugo logo que se encerrou a greve, achei belíssima e muito pertinente, me
emocionou profundamente.
Como todos sabem estou de férias desde ontem e no sábado que vem viajo para o
Nordeste, de onde só volto no dia 21. Não vou poder participar de nenhuma
atividade neste intervalo, inclusive o churrasco dos grevistas. De qualquer
forma já tive o privilégio de celebrar com os comp em s no meu próprio aniversário,
o que para mim já valeu muito, apesar das trapalhadas (alguém aí já ouviu falar
de churrasco sem carne?)
Não sei se ainda voltarei à internet antes da viagem, mas se rolar alguma
atividade ainda na semana que vem, me mandem um toque por favor!
Abraços
Daniel
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CAMPANHA SALARIAL 2010: ACORDO HISTÓRICO?
O acordo dos bancários de 2010 foi realmente histórico: nunca uma categoria que
poderia conseguir tanto conseguiu tão pouco. Para ter uma medida do quanto o
nosso acordo esteve aquém das possibilidades, basta considerar três fatos: 1º) o
lucro bilionário dos bancos, que segue crescendo ano a ano; 2º) outras
categorias em ramos da economia com lucros muito menores conseguiram acordos
melhores que o nosso (metalúrgicos conseguiram 10,8%, petroleiros conseguiram
9%); 3º) a força da greve de 2010, que em muitos Estados teve 100% das agências
paradas nos bancos públicos. Mesmo assim, os bancários ficaram apenas nos
7,5%...
Para encontrar uma explicação para esse resultado pífio, e mais importante, nos
preparar para as campanhas futuras, precisamos discutir em profundidade uma
série de questões relativas à situação da categoria:
1. A questão mais escancarada e que afeta radicalmente nossas possibilidades de
organização é a divisão entre trabalhadores de bancos públicos e privados. Os
trabalhadores de privados têm pouquíssimas condições de se organizar para a luta
e entrar de fato nas greves, devido à ameaça de demissão que paira
permanentemente sobre suas cabeças. Os grupos que estão no controle do movimento
sindical há décadas optaram por um “sindicalismo cidadão”, de colaboração com a
patronal, que se abstém de organizar os trabalhadores e deixou de enfrentar a
questão fundamental para este setor: a estabilidade no emprego, que deveria ser
o ítem nº1 da pauta de reivindicação para privados, pois é o ponto de partida
para que possa haver organização nos locais de trabalho, para enfrentar, além
das campanhas salariais, as lutas cotidianas por condições de trabalho, contra o
assédio moral, etc.
2. Os trabalhadores de bancos públicos têm diminuído ano a ano sua participação
nos piquetes e assembléias, pois a estratégia da mesa única impede que entrem em
confronto direto com seu patrão, o governo federal. Se a campanha fosse
unificada, mas com mesas separadas, isso seria melhor para os dois setores, pois
os trabalhadores de bancos públicos se sentiriam muito mais estimulados a
participar, inclusive em condições de fazer piquetes nos bancos privados, que
hoje praticamente inexistem.
3. A greve, que deveria ser produto de uma longa e bem feita preparação, que
poderia contar com etapas prévias como “venda zero”, operação padrão, e outras
táticas alternativas, que deveria ser o último recurso de uma campanha, a máxima
demonstração de força dos trabalhadores, se transformou no primeiro recurso de
uma diretoria sem capacidade real de mobilização, o que acaba aparecendo como
fraqueza dos trabalhadores contra a patronal. A greve não paralisa de fato os
lucros dos bancos, não paralisa a internet, o auto-atendimento, a compensação, e
nem mesmo as agências, pois os gerentes continuam fazendo negócios a todo vapor
com os clientes de alta-renda, sem serem incomodados pelo público em geral,
barrado na entrada por uma “greve de faixada”.
4. As campanhas são conduzidas de modo ditatorial pela diretoria do sindicato,
desde a fase de definição da pauta de reivindicação (chegou-se ao cúmulo de ter
uma pesquisa via internet como indicação para a pauta), sem reuniões e
assembléias que permitam a todos os trabalhadores apresentar suas propostas e se
preparar para lutar coletivamente por elas, até a própria greve, que teve apenas
cinco assembléias. As assembléias são burocráticas, não se abre o direito à fala
para que se façam propostas, e quando há falas, não se colocam as propostas em
votação, e quando há votação, não se abre direito de defesa, ao passo que a
diretoria fala durante horas. Os trabalhadores são convocados apenas para
levantar o crachá. A diretoria está tão desmoralizada e sem base social que
precisa convocar os gerentes em massa, em acordo com a direção dos bancos, em
assembléias as 19:00 hs, para votar o fim da greve, pois não é capaz de
convencer os grevistas.
Em resumo, a greve de 2010 foi forte porque teve grande adesão, mas foi fraca
porque teve baixa participação, um paradoxo que só se explica pelo fato de que
os bancários estão revoltados com os salários e o volume de trabalho, mas não
acreditam mais no atual modelo de campanha salarial.
COMO VIRAR A MESA EM 2011
A preparação de uma campanha salarial deve começar assim que termina a anterior.
Cada ano tem suas características, em função dos eventos do calendário, que em
2010 teve Copa do Mundo e eleições gerais. Por isso defendemos desde fins de
2009 que a preparação da campanha salarial fosse antecipada, para evitar os
problemas que tivemos este ano...
Em 2011 teremos eleições para a diretoria do Sindicato dos Bancários de São
Paulo, Osasco e Região, o mais importante do país, com mais de 120 mil
trabalhadores na base, capaz de determinar com seu peso os rumos das lutas da
categoria em nível nacional. A eleição acontece em maio e para estar apto a
votar é preciso estar sindicalizado pelo menos seis meses antes.
A eleição para a diretoria do sindicato é uma excelente oportunidade para
colocar em discussão um projeto de sindicalismo para os trabalhadores bancários.
Esse projeto, na nossa concepção envolve duas tarefas:
1º) A primeira e principal tarefa, com objetivos de longo prazo, é construir um
movimento em que os bancários sejam de fato protagonistas. Devemos organizar os
trabalhadores por banco e por região, com reuniões periódicas, para discutir as
questões que mais afetam os bancários no seu dia a dia, e também a preparação
das campanhas salariais, a formação de comandos de greve e piquetes
independentes da diretoria. Independentemente de quem ganhar a eleição de 2011,
é preciso organizar um movimento de trabalhadores de base, a partir dos
delegados sindicais, onde houver, ou representantes reconhecidos dos locais de
trabalho. A organização de base é o ponto de partida para que haja mais avanços
nas lutas, esteja a diretoria do sindicato trabalhando a favor ou contra, como
está hoje. Essa organização deve ser permanente, antes, durante e depois das
campanhas salariais e eleições sindicais.
2º) Formar uma Chapa de Oposição Unificada para a eleição de 2011. A proposta
acima deve ser a base também para a formação de uma chapa de oposição. Desde
agora até a formação da chapa e a eleição, devemos chamar os bancários para
discutir propostas para uma renovação do sindicalismo, que devem fornecer o
conteúdo para o programa da chapa. E passada a eleição, com vitória ou derrota,
devemos chamar os bancários para seguir defendendo essas propostas.
Como contribuições para o programa, apresentamos dois eixos de propostas
iniciais:
1. Fim do presidencialismo, diretoria colegiada, com igual responsabilidade para
todos os integrantes da chapa, revogabilidade dos mandatos em assembléia, uma
reeleição no máximo, renovação de metade da diretoria a cada mandato,
proporcionalidade direta na composição da diretoria, transparência na prestação
de contas, democracia nos fóruns e publicações da entidade;
2. Defesa das reivindicações históricas dos bancários: estabilidade no emprego
para trabalhadores de bancos privados; reposição de perdas e isonomia nos bancos
públicos; e outras.
Como método para formação da chapa, defendemos uma convenção aberta a todos os
bancários, que teria como principal ponto de discussão o programa da chapa.
Depois de votado o programa, que é o principal, discutem-se os nomes para compor
a chapa.
Fazemos esse chamado para construir uma convenção aberta a todos os bancários,
independentemente de sua preferência por partido ou central sindical. Para ter
alguma credibilidade como grupo de oposição, o coletivo Bancários na
Luta/Intersindical deve romper com a diretoria do sindicato, recusar-se a formar
um chapão com a Articulação e participar da construção de uma Chapa de Oposição
Unificada. Chamamos também os companheiros do MNOB/CSP-Conlutas para este debate
sobre concepção de sindicalismo, para que do debate aberto com toda a categoria
em uma convenção democrática possa surgir um programa que seja a síntese das
aspirações dos trabalhadores.
E chamamos principalmente os bancários para mudar o sindicato, mudar o
sindicalismo, mudar a forma de organizar os trabalhadores, para que tomem suas
vidas e sua história em suas próprias mãos. Um outro sindicato é possível!
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