[Bancariosdebase] Enc: rascunho panfleto
Utopia
utopia_s em yahoo.com.br
Segunda Novembro 1 22:41:07 UTC 2010
Companheir em s,
Segue algumas sugestões:
Em “greve de faixada” (3º item), melhor acrescentar a grafia correta
(fachada) para ficar claro que foi escrito propositadamente.
Acrescentar mais um item (5) sobre a falta de autonomia no movimento
sindical e as informações inverídicas e omissas passadas em assembléias, como o
término da greve no Rio de Janeiro e Redutor da PLR.
O chamado deve ser dirigido aos bancários contrários a essa política e o
setor de oposição, não às correntes.
Eliminar “Formar
uma Chapa de Oposição Unificada...”
e também “Como método para formação da chapa...” porque entendo que ainda não é o
momento.
Saudações,
--- Em sáb, 30/10/10, Daniel <tzitzimitl em terra.com.br> escreveu:
De: Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>
Assunto: [Bancariosdebase] rascunho panfleto
Para: "bdbase lista" <bancariosdebase em lists.aktivix.org>
Data: Sábado, 30 de Outubro de 2010, 19:14
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Olá comp em s
Segue abaixo e em anexo o rascunho de panfleto de balanço da campanha e propostas para 2011.
Aproveito para sugerir como epígrafe a citação do companheiro japonês mandada pelo Hugo logo que se encerrou a greve, achei belíssima e muito pertinente, me emocionou profundamente.
Como todos sabem estou de férias desde ontem e no sábado que vem viajo para o Nordeste, de onde só volto no dia 21. Não vou poder participar de nenhuma atividade neste intervalo, inclusive o churrasco dos grevistas. De qualquer forma já tive o privilégio de celebrar com os comp em s no meu próprio aniversário, o que para mim já valeu muito, apesar das trapalhadas (alguém aí já ouviu falar de churrasco sem carne?)
Não sei se ainda voltarei à internet antes da viagem, mas se rolar alguma atividade ainda na semana que vem, me mandem um toque por favor!
Abraços
Daniel
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CAMPANHA SALARIAL 2010: ACORDO HISTÓRICO?
O acordo dos bancários de 2010 foi realmente histórico: nunca uma categoria que poderia conseguir tanto conseguiu tão pouco. Para ter uma medida do quanto o nosso acordo esteve aquém das possibilidades, basta considerar três fatos: 1º) o lucro bilionário dos bancos, que segue crescendo ano a ano; 2º) outras categorias em ramos da economia com lucros muito menores conseguiram acordos melhores que o nosso (metalúrgicos conseguiram 10,8%, petroleiros conseguiram 9%); 3º) a força da greve de 2010, que em muitos Estados teve 100% das agências paradas nos bancos públicos. Mesmo assim, os bancários ficaram apenas nos 7,5%...
Para encontrar uma explicação para esse resultado pífio, e mais importante, nos preparar para as campanhas futuras, precisamos discutir em profundidade uma série de questões relativas à situação da categoria:
1. A questão mais escancarada e que afeta radicalmente nossas possibilidades de organização é a divisão entre trabalhadores de bancos públicos e privados. Os trabalhadores de privados têm pouquíssimas condições de se organizar para a luta e entrar de fato nas greves, devido à ameaça de demissão que paira permanentemente sobre suas cabeças. Os grupos que estão no controle do movimento sindical há décadas optaram por um “sindicalismo cidadão”, de colaboração com a patronal, que se abstém de organizar os trabalhadores e deixou de enfrentar a questão fundamental para este setor: a estabilidade no emprego, que deveria ser o ítem nº1 da pauta de reivindicação para privados, pois é o ponto de partida para que possa haver organização nos locais de trabalho, para enfrentar, além das campanhas salariais, as lutas cotidianas por condições de trabalho, contra o assédio moral, etc.
2. Os trabalhadores de bancos públicos têm diminuído ano a ano sua participação nos piquetes e assembléias, pois a estratégia da mesa única impede que entrem em confronto direto com seu patrão, o governo federal. Se a campanha fosse unificada, mas com mesas separadas, isso seria melhor para os dois setores, pois os trabalhadores de bancos públicos se sentiriam muito mais estimulados a participar, inclusive em condições de fazer piquetes nos bancos privados, que hoje praticamente inexistem.
3. A greve, que deveria ser produto de uma longa e bem feita preparação, que poderia contar com etapas prévias como “venda zero”, operação padrão, e outras táticas alternativas, que deveria ser o último recurso de uma campanha, a máxima demonstração de força dos trabalhadores, se transformou no primeiro recurso de uma diretoria sem capacidade real de mobilização, o que acaba aparecendo como fraqueza dos trabalhadores contra a patronal. A greve não paralisa de fato os lucros dos bancos, não paralisa a internet, o auto-atendimento, a compensação, e nem mesmo as agências, pois os gerentes continuam fazendo negócios a todo vapor com os clientes de alta-renda, sem serem incomodados pelo público em geral, barrado na entrada por uma “greve de faixada”.
4. As campanhas são conduzidas de modo ditatorial pela diretoria do sindicato, desde a fase de definição da pauta de reivindicação (chegou-se ao cúmulo de ter uma pesquisa via internet como indicação para a pauta), sem reuniões e assembléias que permitam a todos os trabalhadores apresentar suas propostas e se preparar para lutar coletivamente por elas, até a própria greve, que teve apenas cinco assembléias. As assembléias são burocráticas, não se abre o direito à fala para que se façam propostas, e quando há falas, não se colocam as propostas em votação, e quando há votação, não se abre direito de defesa, ao passo que a diretoria fala durante horas. Os trabalhadores são convocados apenas para levantar o crachá. A diretoria está tão desmoralizada e sem base social que precisa convocar os gerentes em massa, em acordo com a direção dos bancos, em assembléias as 19:00 hs, para votar o fim da greve, pois não é capaz de
convencer os grevistas.
Em resumo, a greve de 2010 foi forte porque teve grande adesão, mas foi fraca porque teve baixa participação, um paradoxo que só se explica pelo fato de que os bancários estão revoltados com os salários e o volume de trabalho, mas não acreditam mais no atual modelo de campanha salarial.
COMO VIRAR A MESA EM 2011
A preparação de uma campanha salarial deve começar assim que termina a anterior. Cada ano tem suas características, em função dos eventos do calendário, que em 2010 teve Copa do Mundo e eleições gerais. Por isso defendemos desde fins de 2009 que a preparação da campanha salarial fosse antecipada, para evitar os problemas que tivemos este ano...
Em 2011 teremos eleições para a diretoria do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o mais importante do país, com mais de 120 mil trabalhadores na base, capaz de determinar com seu peso os rumos das lutas da categoria em nível nacional. A eleição acontece em maio e para estar apto a votar é preciso estar sindicalizado pelo menos seis meses antes.
A eleição para a diretoria do sindicato é uma excelente oportunidade para colocar em discussão um projeto de sindicalismo para os trabalhadores bancários. Esse projeto, na nossa concepção envolve duas tarefas:
1º) A primeira e principal tarefa, com objetivos de longo prazo, é construir um movimento em que os bancários sejam de fato protagonistas. Devemos organizar os trabalhadores por banco e por região, com reuniões periódicas, para discutir as questões que mais afetam os bancários no seu dia a dia, e também a preparação das campanhas salariais, a formação de comandos de greve e piquetes independentes da diretoria. Independentemente de quem ganhar a eleição de 2011, é preciso organizar um movimento de trabalhadores de base, a partir dos delegados sindicais, onde houver, ou representantes reconhecidos dos locais de trabalho. A organização de base é o ponto de partida para que haja mais avanços nas lutas, esteja a diretoria do sindicato trabalhando a favor ou contra, como está hoje. Essa organização deve ser permanente, antes, durante e depois das campanhas salariais e eleições sindicais.
2º) Formar uma Chapa de Oposição Unificada para a eleição de 2011. A proposta acima deve ser a base também para a formação de uma chapa de oposição. Desde agora até a formação da chapa e a eleição, devemos chamar os bancários para discutir propostas para uma renovação do sindicalismo, que devem fornecer o conteúdo para o programa da chapa. E passada a eleição, com vitória ou derrota, devemos chamar os bancários para seguir defendendo essas propostas.
Como contribuições para o programa, apresentamos dois eixos de propostas iniciais:
1. Fim do presidencialismo, diretoria colegiada, com igual responsabilidade para todos os integrantes da chapa, revogabilidade dos mandatos em assembléia, uma reeleição no máximo, renovação de metade da diretoria a cada mandato, proporcionalidade direta na composição da diretoria, transparência na prestação de contas, democracia nos fóruns e publicações da entidade;
2. Defesa das reivindicações históricas dos bancários: estabilidade no emprego para trabalhadores de bancos privados; reposição de perdas e isonomia nos bancos públicos; e outras.
Como método para formação da chapa, defendemos uma convenção aberta a todos os bancários, que teria como principal ponto de discussão o programa da chapa. Depois de votado o programa, que é o principal, discutem-se os nomes para compor a chapa.
Fazemos esse chamado para construir uma convenção aberta a todos os bancários, independentemente de sua preferência por partido ou central sindical. Para ter alguma credibilidade como grupo de oposição, o coletivo Bancários na Luta/Intersindical deve romper com a diretoria do sindicato, recusar-se a formar um chapão com a Articulação e participar da construção de uma Chapa de Oposição Unificada. Chamamos também os companheiros do MNOB/CSP-Conlutas para este debate sobre concepção de sindicalismo, para que do debate aberto com toda a categoria em uma convenção democrática possa surgir um programa que seja a síntese das aspirações dos trabalhadores.
E chamamos principalmente os bancários para mudar o sindicato, mudar o sindicalismo, mudar a forma de organizar os trabalhadores, para que tomem suas vidas e sua história em suas próprias mãos. Um outro sindicato é possível!
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