[Bancariosdebase] nova versao panfleto

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Sexta Novembro 5 17:52:01 UTC 2010


  Olá comp em s
 Segue nova proposta de panfleto de balanço e propostas para 2011.
 Acredito que está de acordo com o que conversamos na reunião de
ontem.
 Abraços e até a volta!
 Daniel

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	CAMPANHA SALARIAL 2010: ACORDO HISTÓRICO? 
	O ACORDO DOS BANCáRIOS DE 2010 FOI REALMENTE HISTóRICO: NUNCA UMA
CATEGORIA QUE PODERIA CONSEGUIR TANTO CONSEGUIU TãO POUCO. Para ter
uma medida do quanto o nosso acordo esteve aquém das possibilidades,
basta considerar três fatos: 1º) o lucro bilionário dos bancos, que
segue crescendo ano a ano; 2º) outras categorias em ramos da economia
com lucros muito menores conseguiram acordos melhores que o nosso
(metalúrgicos conseguiram 10,8%, petroleiros conseguiram 9%); 3º) a
força da greve de 2010, que em muitos Estados teve 100% das agências
paradas nos bancos públicos. Mesmo assim, os bancários ficaram
apenas nos 7,5%... 

	Para encontrar uma explicação para esse resultado pífio, e mais
importante, nos preparar para as campanhas futuras, precisamos
discutir em profundidade uma série de questões relativas à
situação da categoria: 

	1. A QUESTãO MAIS ESCANCARADA E QUE AFETA RADICALMENTE NOSSAS
POSSIBILIDADES DE ORGANIZAçãO é A DIVISãO ENTRE TRABALHADORES DE
BANCOS PúBLICOS E PRIVADOS. Os trabalhadores de privados têm
pouquíssimas condições de se organizar para a luta e entrar de
fato nas greves, devido à ameaça de demissão que paira
permanentemente sobre suas cabeças. Os grupos que estão no controle
do movimento sindical há décadas optaram por um “sindicalismo
cidadão”, de colaboração com a patronal, que se abstém de
organizar os trabalhadores e deixou de enfrentar a questão
fundamental para este setor: a estabilidade no emprego, que deveria
ser o ítem nº1 da pauta de reivindicação para privados, seguida
do reconhecimento de delegados sindicais. Estes seriam os pontos de
partida para que possa haver organização nos locais de trabalho,
para enfrentar, além das campanhas salariais, as lutas cotidianas
por condições de trabalho, contra o assédio moral, etc. 

	2. OS TRABALHADORES DE BANCOS PúBLICOS TêM DIMINUíDO ANO A ANO
SUA PARTICIPAçãO NOS PIQUETES E ASSEMBLéIAS, pois a estratégia da
mesa única impede que entrem em confronto direto com seu patrão, o
governo federal. Se a campanha fosse unificada, mas com mesas
separadas, isso seria melhor para os dois setores, pois os
trabalhadores de bancos públicos se sentiriam muito mais estimulados
a participar, inclusive em condições de fazer piquetes nos bancos
privados, que hoje praticamente inexistem. 

	3. O CONTROLE DO SINDICATO POR UM PARTIDO POLíTICO FEZ COM QUE A
CAMPANHA SALARIAL FOSSE ADIADA EM UM MêS. Nossa data-base é 1º de
Setembro, mas a assembléia para deflagração da greve foi apenas no
dia 28, pois o sindicato estava mais preocupado em eleger seus
candidatos. Independentemente das preferências políticas e projetos
de seus dirigentes, a tarefa de um sindicato deve ser sempre
prioritariamente a organização da categoria. 

	4. A GREVE, QUE DEVERIA SER PRODUTO DE UMA LONGA E BEM FEITA
PREPARAçãO, que poderia contar com etapas prévias como “venda
zero”, operação padrão, e outras táticas alternativas, que
deveria ser o último recurso de uma campanha, a máxima
demonstração de força dos trabalhadores, se transformou no
primeiro recurso de uma diretoria sem capacidade real de
mobilização, o que acaba aparecendo como fraqueza dos trabalhadores
contra a patronal. A greve não paralisa de fato os lucros dos bancos,
não paralisa a internet, o auto-atendimento, a compensação, e nem
mesmo as agências, pois os gerentes continuam fazendo negócios a
todo vapor com os clientes de alta-renda, sem serem incomodados pelo
público em geral, barrado na entrada por uma “greve de faixada”.


	5. AS CAMPANHAS SãO CONDUZIDAS DE MODO DITATORIAL PELA DIRETORIA DO
SINDICATO, desde a definição da pauta de reivindicação (chegou-se
ao cúmulo de ter uma pesquisa via internet como indicação para a
pauta), sem reuniões e assembléias que permitam a todos os
trabalhadores apresentar suas propostas e se preparar para lutar
coletivamente por elas, até a própria greve, que teve apenas cinco
assembléias. As assembléias são burocráticas, não se abre o
direito à fala para que se façam propostas, e quando há falas,
não se colocam as propostas em votação, e quando há votação,
não se abre direito de defesa, ao passo que a diretoria fala durante
horas. Os trabalhadores são convocados apenas para levantar o
crachá. A diretoria está tão desmoralizada e sem base social que
precisa convocar os gerentes em massa, em acordo com a direção dos
bancos, em assembléias as 19:00 hs, para votar o fim da greve, pois
não é capaz de convencer os grevistas. 

	6. A DIRETORIA ESTá FICANDO CADA VEZ MAIS DESPUDORADA EM SEUS
MéTODOS PARA ACABAR COM A MOBILIZAçãO. Na assembléia da Caixa, os
dirigentes não hesitaram em mentir descaradamente, dizendo que a
greve tinha acabado no Rio, sendo que a assembléia tinha aprovado
continuidade, e em omitir o redutor da PLR, tudo para fazer com que o
acordo fosse aprovado e a greve acabasse em São Paulo. 
	EM RESUMO, A GREVE DE 2010 FOI FORTE PORQUE TEVE GRANDE ADESãO, MAS
FOI FRACA PORQUE TEVE BAIXA PARTICIPAçãO, UM PARADOXO QUE Só SE
EXPLICA PELO FATO DE QUE OS BANCáRIOS ESTãO REVOLTADOS COM OS
SALáRIOS E AS CONDIçõES DE TRABALHO, MAS NãO ACREDITAM MAIS NO
ATUAL MODELO DE CAMPANHA SALARIAL. 
	COMO VIRAR A MESA EM 2011 
	A PREPARAçãO DE UMA CAMPANHA SALARIAL DEVE COMEçAR ASSIM QUE
TERMINA A ANTERIOR. Cada ano tem suas características, em função
dos eventos do calendário, que em 2010 teve Copa do Mundo e
eleições gerais. Por isso defendemos desde fins de 2009 que a
preparação da campanha salarial fosse antecipada, para evitar os
problemas que tivemos este ano... 

	EM 2011 TEREMOS ELEIçõES PARA A DIRETORIA DO SINDICATO DOS
BANCáRIOS DE SãO PAULO, OSASCO E REGIãO, o mais importante do
país, com mais de 120 mil trabalhadores na base, capaz de determinar
com seu peso os rumos das lutas da categoria em nível nacional. A
eleição acontece em maio e para estar apto a votar é preciso estar
sindicalizado pelo menos seis meses antes. 

	A eleição para a diretoria do sindicato é uma excelente
oportunidade para colocar em discussão um projeto de sindicalismo
para os trabalhadores bancários. Esse projeto, na nossa concepção
envolve duas tarefas: 

	1º) A PRIMEIRA E PRINCIPAL TAREFA, COM OBJETIVOS DE LONGO PRAZO, é
CONSTRUIR UM MOVIMENTO EM QUE OS BANCáRIOS SEJAM DE FATO
PROTAGONISTAS. Devemos organizar os trabalhadores por banco e por
região, com reuniões periódicas, para discutir as questões que
mais afetam os bancários no seu dia a dia, e também a preparação
das campanhas salariais, a formação de comandos de greve e piquetes
independentes da diretoria. Independentemente de quem ganhar a
eleição de 2011, é preciso organizar um movimento de trabalhadores
de base, a partir dos delegados sindicais, onde houver, ou
representantes reconhecidos dos locais de trabalho. A organização
de base é o único alicerce que pode garantir a mobilização, para
que haja mais avanços nas lutas, esteja a diretoria do sindicato
trabalhando a favor ou contra, como está hoje. Essa organização
deve ser permanente, antes, durante e depois das campanhas salariais
e eleições sindicais. 

	2º) NO CURTO PRAZO, ESSE PROCESSO DE ORGANIZAçãO PELA BASE PODE
VIR A SE EXPRESSAR NA CONSTRUçãO DE UMA CHAPA DE OPOSIçãO
UNIFICADA PARA A ELEIçãO DE 2011. Para isso seria preciso que
houvesse um processo de reuniões, plenárias e pré-convenções,
organizadas por banco e por região, que pudesse contar com a
participação de todos os bancários que estivessem interessados em
apresentar propostas e lutar para mudar não apenas a direção do
sindicato, mas a prática sindical, o modo como a entidade se
relaciona com a categoria e a forma de organização dos
trabalhadores. Essa seria a única forma possível de construir uma
convenção democrática, capaz de aprovar um programa que seja a
síntese das aspirações dos trabalhadores e que seja o fundamento
para uma chapa verdadeiramente legítima. E também de fazer da
campanha da chapa uma forma de avançar para uma organização
permanente dos bancários, que possa, depois de passada a eleição
do sindicato, com vitória ou derrota, seguir defendendo e colocando
em prática essas propostas. Faremos nossas contribuições para o
debate e propostas nos nossos próximos materiais. 

	FAZEMOS O CHAMADO PARA CONSTRUIR ESSE PROCESSO DE DISCUSSãO A TODOS
OS BANCáRIOS, INDEPENDENTEMENTE DE ESTAREM ORGANIZADOS EM CORRENTES E
PARTIDOS OU NãO. CHAMAMOS OS BANCáRIOS PARA MUDAR O SINDICATO, MUDAR
O SINDICALISMO, MUDAR A FORMA DE ORGANIZAR OS TRABALHADORES, PARA QUE
TOMEM SUAS VIDAS E SUA HISTóRIA EM SUAS PRóPRIAS MãOS.  

	UM OUTRO SINDICATO é POSSíVEL! 
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