[Bancariosdebase] Res: nova versao panfleto

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Domingo Novembro 7 00:10:17 UTC 2010



Prezados companheiros, manos e minas

Infelizmente não pude estar na discussão sobre o nosso jornal, mas não posso 
deixar de registrar como será engraçado tentarmos explicar como, na prática, 
seria a "organização pela base" de que o texto, modificado, tanto exorta, num 
ano de eleições sindicais..... A propósito....,no texto modificado fala que o 
processo proposto por nós PODE VIR A SER UMA CHAPA. Qual é a política do BDB 
diante desta questão?.

Com certeza a distribuição do material será bem peculiar......rsrsrsr

Um forte abraço.

Márcio



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De: Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>
Para: bdbase lista <bancariosdebase em lists.aktivix.org>
Enviadas: Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010 15:52:01
Assunto: [Bancariosdebase] nova versao panfleto

 Olá comp em s

Segue nova proposta de panfleto de balanço e propostas para 2011.

Acredito que está de acordo com o que conversamos na reunião de ontem.

Abraços e até a volta!

Daniel

 




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CAMPANHA SALARIAL 2010: ACORDO HISTÓRICO?

O acordo dos bancários de 2010 foi realmente histórico: nunca uma categoria que 
poderia conseguir tanto conseguiu tão pouco. Para ter uma medida do quanto o 
nosso acordo esteve aquém das possibilidades, basta considerar três fatos: 1º) o 
lucro bilionário dos bancos, que segue crescendo ano a ano; 2º) outras 
categorias em ramos da economia com lucros muito menores conseguiram acordos 
melhores que o nosso (metalúrgicos conseguiram 10,8%, petroleiros conseguiram 
9%); 3º) a força da greve de 2010, que em muitos Estados teve 100% das agências 
paradas nos bancos públicos. Mesmo assim, os bancários ficaram apenas nos 
7,5%...
Para encontrar uma explicação para esse resultado pífio, e mais importante, nos 
preparar para as campanhas futuras, precisamos discutir em profundidade uma 
série de questões relativas à situação da categoria:
1. A questão mais escancarada e que afeta radicalmente nossas possibilidades de 
organização é a divisão entre trabalhadores de bancos públicos e privados. Os 
trabalhadores de privados têm pouquíssimas condições de se organizar para a luta 
e entrar de fato nas greves, devido à ameaça de demissão que paira 
permanentemente sobre suas cabeças. Os grupos que estão no controle do movimento 
sindical há décadas optaram por um “sindicalismo cidadão”, de colaboração com a 
patronal, que se abstém de organizar os trabalhadores e deixou de enfrentar a 
questão fundamental para este setor: a estabilidade no emprego, que deveria ser 
o ítem nº1 da pauta de reivindicação para privados, seguida do reconhecimento de 
delegados sindicais. Estes seriam os pontos de partida para que possa haver 
organização nos locais de trabalho, para enfrentar, além das campanhas 
salariais, as lutas cotidianas por condições de trabalho, contra o assédio 
moral, etc.
2. Os trabalhadores de bancos públicos têm diminuído ano a ano sua participação 
nos piquetes e assembléias, pois a estratégia da mesa única impede que entrem em 
confronto direto com seu patrão, o governo federal. Se a campanha fosse 
unificada, mas com mesas separadas, isso seria melhor para os dois setores, pois 
os trabalhadores de bancos públicos se sentiriam muito mais estimulados a 
participar, inclusive em condições de fazer piquetes nos bancos privados, que 
hoje praticamente inexistem.
3. O controle do sindicato por um partido políticofez com que a campanha 
salarial fosse adiada em um mês.Nossa data-base é 1º de Setembro, mas a 
assembléia para deflagração da greve foi apenas no dia 28, pois o sindicato 
estava mais preocupado em eleger seus candidatos. Independentemente das 
preferências políticas e projetos de seus dirigentes, a tarefa de um sindicato 
deve ser sempre prioritariamente a organização da categoria.
4. A greve, que deveria ser produto de uma longa e bem feita preparação, que 
poderia contar com etapas prévias como “venda zero”, operação padrão, e outras 
táticas alternativas, que deveria ser o último recurso de uma campanha, a máxima 
demonstração de força dos trabalhadores, se transformou no primeiro recurso de 
uma diretoria sem capacidade real de mobilização, o que acaba aparecendo como 
fraqueza dos trabalhadores contra a patronal. A greve não paralisa de fato os 
lucros dos bancos, não paralisa a internet, o auto-atendimento, a compensação, e 
nem mesmo as agências, pois os gerentes continuam fazendo negócios a todo vapor 
com os clientes de alta-renda, sem serem incomodados pelo público em geral, 
barrado na entrada por uma “greve de faixada”.
5. As campanhas são conduzidas de modo ditatorial pela diretoria do sindicato, 
desde a definição da pauta de reivindicação (chegou-se ao cúmulo de ter uma 
pesquisa via internet como indicação para a pauta), sem reuniões e assembléias 
que permitam a todos os trabalhadores apresentar suas propostas e se preparar 
para lutar coletivamente por elas, até a própria greve, que teve apenas cinco 
assembléias. As assembléias são burocráticas, não se abre o direito à fala para 
que se façam propostas, e quando há falas, não se colocam as propostas em 
votação, e quando há votação, não se abre direito de defesa, ao passo que a 
diretoria fala durante horas. Os trabalhadores são convocados apenas para 
levantar o crachá. A diretoria está tão desmoralizada e sem base social que 
precisa convocar os gerentes em massa, em acordo com a direção dos bancos, em 
assembléias as 19:00 hs, para votar o fim da greve, pois não é capaz de 
convencer os grevistas.
6. A diretoria está ficando cada vez mais despudorada em seus métodos para 
acabar com a mobilização. Na assembléia da Caixa, os dirigentes não hesitaram em 
mentir descaradamente, dizendo que a greve tinha acabado no Rio, sendo que a 
assembléia tinha aprovado continuidade, e em omitir o redutor da PLR, tudo para 
fazer com que o acordo fosse aprovado e a greve acabasse em São Paulo.

Em resumo, a greve de 2010 foi forte porque teve grande adesão, mas foi fraca 
porque teve baixa participação, um paradoxo que só se explica pelo fato de que 
os bancários estão revoltados com os salários e as condições de trabalho, mas 
não acreditam mais no atual modelo de campanha salarial.

COMO VIRAR A MESA EM 2011

A preparação de uma campanha salarial deve começar assim que termina a anterior. 
Cada ano tem suas características, em função dos eventos do calendário, que em 
2010 teve Copa do Mundo e eleições gerais. Por isso defendemos desde fins de 
2009 que a preparação da campanha salarial fosse antecipada, para evitar os 
problemas que tivemos este ano...
Em 2011 teremos eleições para a diretoria do Sindicato dos Bancários de São 
Paulo, Osasco e Região, o mais importante do país, com mais de 120 mil 
trabalhadores na base, capaz de determinar com seu peso os rumos das lutas da 
categoria em nível nacional. A eleição acontece em maio e para estar apto a 
votar é preciso estar sindicalizado pelo menos seis meses antes.
A eleição para a diretoria do sindicato é uma excelente oportunidade para 
colocar em discussão um projeto de sindicalismo para os trabalhadores bancários. 
Esse projeto, na nossa concepção envolve duas tarefas:
1º) A primeira e principal tarefa, com objetivos de longo prazo, é construir um 
movimento em que os bancários sejam de fato protagonistas. Devemos organizar os 
trabalhadores por banco e por região, com reuniões periódicas, para discutir as 
questões que mais afetam os bancários no seu dia a dia, e também a preparação 
das campanhas salariais, a formação de comandos de greve e piquetes 
independentes da diretoria. Independentemente de quem ganhar a eleição de 2011, 
é preciso organizar um movimento de trabalhadores de base, a partir dos 
delegados sindicais, onde houver, ou representantes reconhecidos dos locais de 
trabalho. A organização de base é o único alicerce que pode garantir a 
mobilização, para que haja mais avanços nas lutas, esteja a diretoria do 
sindicato trabalhando a favor ou contra, como está hoje. Essa organização deve 
ser permanente, antes, durante e depois das campanhas salariais e eleições 
sindicais.
2º) No curto prazo, esse processo de organização pela base pode vir a se 
expressar na construção de uma Chapa de Oposição Unificada para a eleição de 
2011. Para isso seria preciso que houvesse um processo de reuniões, plenárias e 
pré-convenções, organizadas por banco e por região, que pudesse contar com a 
participação de todos os bancários que estivessem interessados em apresentar 
propostas e lutar para mudar não apenas a direção do sindicato, mas a prática 
sindical, o modo como a entidade se relaciona com a categoria e a forma de 
organização dos trabalhadores. Essa seria a única forma possível de construir 
uma convenção democrática, capaz de aprovar um programa que seja a síntese das 
aspirações dos trabalhadores e que seja o fundamento para uma chapa 
verdadeiramente legítima. E também de fazer da campanha da chapa uma forma de 
avançar para uma organização permanente dos bancários, que possa, depois de 
passada a eleição do sindicato, com vitória ou derrota, seguir defendendo e 
colocando em prática essas propostas. Faremos nossas contribuições para o debate 
e propostas nos nossos próximos materiais.
Fazemos o chamado para construir esse processo de discussão a todos os 
bancários, independentemente de estarem organizados em correntes e partidos ou 
não. Chamamos os bancários para mudar o sindicato, mudar o sindicalismo, mudar a 
forma de organizar os trabalhadores, para que tomem suas vidas e sua história em 
suas próprias mãos. 

Um outro sindicato é possível!


      
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