[Bancariosdebase] comunicado greve
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Quinta Outubro 7 15:16:13 UTC 2010
Olá comp em s
Segue a proposta de texto de comunicado da greve, para ser
trabalhado nas listas de contato.
Proponho que seja discutido hoje depois da assembléia, para que
possamos dispará-lo em seguida.
Em tempo: tenho acordo com a proposta do panfleto
Daniel
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BANCÁRIOS EM GREVE!
No primeiro semestre de 2010, o lucro dos maiores bancos do país
subiu em média 54,4% em relação a 2009. Entra governo, sai
governo, com crise ou sem crise, os lucros dos bancos aumentam 30,
40, 50% todos os anos. Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, alcançam
lucros de 8, 9, 10 bilhões de reais a cada ano, e sempre aumentando.
Os bancos brasileiros estão entre as empresas mais lucrativas do
mundo. Um verdadeiro “negócio da China”.
Esses lucros gigantescos são conseguidos por meio da especulação
com títulos da dívida pública, por meio da extorsão dos clientes,
dos juros elevados em cheque especial e cartões de crédito, das
tarifas abusivas cobradas pelos serviços, e da venda de
“produtos” bancários (capitalização, previdência, seguros,
consórcios, etc.), muitas vezes “empurrados” sobre os clientes
na forma de venda casada, como condição para conceder empréstimos,
que também aumentam ano a ano.
Outra fonte do lucro dos bancos é a exploração dos trabalhadores
bancários. Enquanto os lucros dos bancos explodem, nossos salários
são reajustados por índices ínfimos, de 4, 5, 6% ao ano, segundo a
inflação oficial. Em todas as agências e departamentos existe
sobrecarga de serviço, com dois ou três bancários fazendo o
serviço que deveria ser de quatro ou cinco. As filas para o
atendimento são enormes, as reclamações e até agressões do
público são constantes, mas os gestores só estão preocupados com
o atingimento das metas de vendas, pois disso dependem os bônus
milionários que eles e as diretorias dos bancos recebem. O assédio
moral, as agressões verbais e ameaças de perda de cargos e até de
demissão se transformaram em ferramentas cotidianas de gestão. O
adoecimento físico e psicológico atinge grande parte da categoria
bancária.
Por todos esses motivos, os trabalhadores bancários estão entrando
em greve! Estamos em greve nacional desde 28/09! Só a luta muda a
vida!
Mas nossa luta não é apenas contra os banqueiros. Lutamos também
contra o governo federal, que é patrão dos bancos públicos. Banco
do Brasil e Caixa Econômica Federal são geridos hoje tal e qual
empresas privadas, unicamente preocupadas com o lucro a qualquer
custo, praticando as mesmas formas de tratamento dos clientes e dos
trabalhadores bancários que vimos acima, sem qualquer diferença.
E lutamos também contra a direção dos nossos próprios
sindicatos! Os dirigentes sindicais da CUT, que comandam as entidades
que representam os bancários, estiveram o ano inteiro mais
preocupados com a eleição dos candidatos do PT do que com a
organização da nossa campanha salarial. Os bancários tem um
contrato nacional de trabalho (convenção coletiva) que vence em 1º
de setembro, mas a greve só foi deflagrada em 28/09.
Tudo para que a CUT pudesse fazer campanha eleitoral, com recursos
materiais e humanos que deveriam estar a serviços dos trabalhadores.
E para eleger candidatos que, ao chegar ao governo, como vimos acima,
tratam os trabalhadores e os bancos públicos como qualquer patrão
de empresa privada.
Como se não bastasse a usurpação de nossa campanha salarial por
interesses eleitorais, no curso da própria campanha os bancários
têm poucas oportunidades de se manifestar. Não houve e continua
não havendo espaços democráticos para que os bancários possam
apresentar suas idéias e decidir como deve ser conduzida a campanha.
Os dirigentes sindicais da CUT controlam os sindicatos com mão de
ferro, como se fossem os seus donos. A maior base de bancários do
país, com cerca de 120 mil trabalhadores (dos quais 80% trabalham em
bancos privados), está em São Paulo, cujo sindicato dá a linha
política para todos os demais no país (com algumas exceções, pois
há sindicatos combativos não ligados à CUT em alguns Estados).
Em São Paulo, onde deveria haver um forte enfrentamento aos
banqueiros, não há trabalho de organização que permita,
especialmente aos trabalhadores de bancos privados, fazer uma greve
com grande adesão. E nos bancos públicos, que aderem muito mais à
greve, não houve ao longo do ano reuniões nos locais de trabalho,
reuniões por região ou por banco, plenárias, assembléias no
período de preparação da campanha. Tudo para impedir que os
trabalhadores de bancos públicos se organizem e se enfrentem mais
diretamente com o governo federal. O resultado é que os
trabalhadores aderem à greve, às vezes até em bom número, mas
não comparecem às atividades de greve, não vão aos piquetes,
comandos e assembléias, pois não se sentem representados.
E durante a própria greve continua não havendo democracia. Nas
assembléias, a diretoria do sindicato fala durante horas e os
bancários comparecem apenas para levantar o crachá aprovando a
greve, como se fossem apenas figurantes. Não são abertas
inscrições para que os bancários possam falar. Quando há falas,
são distribuídas aos dirigentes das correntes sindicais e partidos
políticos. Quando os bancários de base falam, as propostas não
são colocadas em votação. E a experiência dos últimos anos nos
mostra que, quando as propostas vindas da oposição ganham uma
votação, os dirigentes sindicais não encaminham o que foi votado.
Nós do coletivo Bancários de Base, que não é controlado por
nenhum partido político, que é composto por trabalhadores
militantes de diversas linhas de pensamento, que reúne trabalhadores
bancários que estão no dia a dia das agências e departamentos, que
suportam cotidianamente a pressão dos clientes e dos gestores,
estamos na luta para que os bancários sejam os verdadeiros
protagonistas das campanhas salariais. Lutamos para que os bancários
possam falar nas assembléias, para que suas propostas sejam colocadas
em votação, para que o que foi votado seja encaminhado, para que os
trabalhadores possam ter o controle sobre a sua campanha.
Lutamos para que as assembléias sejam unificadas até o fim, para
que os trabalhadores de todos os bancos em conjunto possam decidir
sobre o índice de reajuste e os pontos comuns da convenção
coletiva, e para que as questões específicas sejam decididas em
assembléias específicas de cada banco.
Lutamos para que as assembléias sejam no horário dos grevistas,
às 4 da tarde, enquanto durar a greve, já que nos últimos anos,
quando quer acabar com a greve, a CUT convoca assembléias para as 7
da noite, em acordo com os bancos, de modo que gerentes e fura-greves
possam comparecer em massa para votar contra a greve.
Lutamos para que a base de São Paulo possa eleger representantes
para a mesa de negociação, para que não fique tudo entre quatro
paredes entre os dirigentes da CUT, o governo e os banqueiros.
Lutamos para que os bancários de base possam falar nas
assembléias, para que posssam fazer propostas de como conduzir a
greve, para que as propostas sejam colocadas em votação. Não
podemos votar apenas “greve” ou “não greve”, mas qual a
greve que precisamos!
Lutamos para que haja comandos de greve fixos nas regiões, para que
os próprios grevistas possam decidir onde fazer os piquetes e como
fortalecer a paralisação.
Lutamos por:
- Isonomia entre funcionários antigos e novos nos bancos públicos!
- Estabilidade no emprego para os trabalhadores de bancos privados!
- Fim das metas e do assédio moral!
- Por um plano de reposição de perdas!
- Piso do DIEESE para toda a categoria!
- Plano de carreira e plano de cargos e salários!
- Fim das terceirizações e dos correspondentes bancários!
- Mais contratações e mais trabalhadores nos bancos!
Como trabalhadores do sistema financeiro, lutamos sim para que os
bancos tenham outra função na sociedade, diferente do papel
predatório que têm hoje. E para isso, é fundamental que os
trabalhadores bancários recuperem sua saúde, sua auto-estima, sua
condição de protagonistas, e sejam donos do próprio destino!
Todo apoio à greve dos bancários!
Coletivo Bancários de Base
São Paulo, outubro de 2010
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