[Bancariosdebase] Res: comunicado greve

Mÿffffe1rcio Cardoso da Silva marciocarsi em yahoo.com.br
Quinta Outubro 7 17:55:14 UTC 2010


Prezados companheiros, manos e minas.

CAro Daniel.

Acho bom citar alguns sidicatos combativos para fortalecer a relação politica 
com os manos do NE, e por isso, fiz alteração em azu. O que está em vermelho é 
para suprimir, pois eles fieram as tais reuniões e plenárias nas regiões. Da 
maneira deles, mas fizeram. A única coisa que não fizeram foram as assembleias 
organizativas.

Um forte abraço.

Márcio




________________________________
De: Daniel <tzitzimitl em terra.com.br>
Para: bdbase lista <bancariosdebase em lists.aktivix.org>
Enviadas: Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010 12:16:13
Assunto: [Bancariosdebase] comunicado greve

Olá comp em s

Segue a proposta de texto de comunicado da greve, para ser trabalhado nas listas 
de contato.

Proponho que seja discutido hoje  depois da assembléia, para que possamos 
dispará-lo em seguida.

Em tempo: tenho acordo com a proposta do panfleto

Daniel

------------------------------------------------------------------------------------------------


  


BANCÁRIOS EM GREVE!

No primeiro semestre de 2010, o lucro dos maiores bancos do país subiu em média 
54,4% em relação a 2009. Entra governo, sai governo, com crise ou sem crise, os 
lucros dos bancos aumentam 30, 40, 50% todos os anos. Itaú, Bradesco, Banco do 
Brasil, alcançam lucros de 8, 9, 10 bilhões de reais a cada ano, e sempre 
aumentando. Os bancos brasileiros estão entre as empresas mais lucrativas do 
mundo. Um verdadeiro “negócio da China”.
Esses lucros gigantescos são conseguidos por meio da especulação com títulos da 
dívida pública, por meio da extorsão dos clientes, dos juros elevados em cheque 
especial e cartões de crédito, das tarifas abusivas cobradas pelos serviços, e 
da venda de “produtos” bancários (capitalização, previdência, seguros, 
consórcios, etc.), muitas vezes “empurrados” sobre os clientes na forma de venda 
casada, como condição para conceder empréstimos, que também aumentam ano a ano.
Outra fonte do lucro dos bancos é a exploração dos trabalhadores bancários. 
Enquanto os lucros dos bancos explodem, nossos salários são reajustados por 
índices ínfimos, de 4, 5, 6% ao ano, segundo a inflação oficial. Em todas as 
agências e departamentos existe sobrecarga de serviço, com dois ou três 
bancários fazendo o serviço que deveria ser de quatro ou cinco. As filas para o 
atendimento são enormes, as reclamações e até agressões do público são 
constantes, mas os gestores só estão preocupados com o atingimento das metas de 
vendas, pois disso dependem os bônus milionários que eles e as diretorias dos 
bancos recebem. O assédio moral, as agressões verbais e ameaças de perda de 
cargos e até de demissão se transformaram em ferramentas cotidianas de gestão. O 
adoecimento físico e psicológico atinge grande parte da categoria bancária.
Por todos esses motivos, os trabalhadores bancários estão entrando em greve! 
Estamos em greve nacional desde 28/09! Só a luta muda a vida!
Mas nossa luta não é apenas contra os banqueiros. Lutamos também contra o 
governo federal, que é patrão dos bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa 
Econômica Federal são geridos hoje tal e qual empresas privadas, unicamente 
preocupadas com o lucro a qualquer custo, praticando as mesmas formas de 
tratamento dos clientes e dos trabalhadores bancários que vimos acima, sem 
qualquer diferença.
E lutamos também contra a direção dos nossos próprios sindicatos! Os dirigentes 
sindicais da CUT, que comandam as entidades que representam os bancários, 
estiveram o ano inteiro mais preocupados com a eleição dos candidatos do PT do 
que com a organização da nossa campanha salarial. Os bancários tem um contrato 
nacional de trabalho (convenção coletiva) que vence em 1º de setembro, mas a 
greve só foi deflagrada em 28/09. 

Tudo para que a CUT pudesse fazer campanha eleitoral, com recursos materiais e 
humanos que deveriam estar a serviços dos trabalhadores. E para eleger 
candidatos que, ao chegar ao governo, como vimos acima, tratam os trabalhadores 
e os bancos públicos como qualquer patrão de empresa privada.
Como se não bastasse a usurpação de nossa campanha salarial por interesses 
eleitorais, no curso da própria campanha os bancários têm poucas oportunidades 
de se manifestar. Não houve e continua não havendo espaços democráticos para que 
os bancários possam apresentar suas idéias e decidir como deve ser conduzida a 
campanha. Os dirigentes sindicais da CUT controlam os sindicatos com mão de 
ferro, como se fossem os seus donos. A maior base de bancários do país, com 
cerca de 120 mil trabalhadores (dos quais 80% trabalham em bancos privados), 
está em São Paulo, cujo sindicato dá a linha política para todos os demais no 
país (com algumas exceções, pois há sindicatos combativos não ligados à CUT em 
alguns Estados, como RN, MA, Bauru, etc.).
Em São Paulo, onde deveria haver um forte enfrentamento aos banqueiros, não há 
trabalho de organização que permita, especialmente aos trabalhadores de bancos 
privados, fazer uma greve com grande adesão. E nos bancos públicos, que aderem 
muito mais à greve, não houve ao longo do ano reuniões nos locais de trabalho, 
reuniões por região ou por banco, plenárias, assembléias no período de 
preparação da campanha. Tudo para impedir que os trabalhadores de bancos 
públicos se organizem e se enfrentem mais diretamente com o governo federal. O 
resultado é que os trabalhadores aderem à greve, às vezes até em bom número, mas 
não comparecem às atividades de greve, não vão aos piquetes, comandos e 
assembléias, pois não se sentem representados.
E durante a própria greve continua não havendo democracia. Nas assembléias, a 
diretoria do sindicato fala durante horas e os bancários comparecem apenas para 
levantar o crachá aprovando a greve, como se fossem apenas figurantes. Não são 
abertas inscrições para que os bancários possam falar. Quando há falas, são 
distribuídas aos dirigentes das correntes sindicais e partidos políticos. Quando 
os bancários de base falam, as propostas não são colocadas em votação. E a 
experiência dos últimos anos nos mostra que, quando as propostas vindas da 
oposição ganham uma votação, os dirigentes sindicais não encaminham o que foi 
votado.
Nós do coletivo Bancários de Base, que não é controlado por nenhum partido 
político, que é composto por trabalhadores militantes de diversas linhas de 
pensamento, que reúne trabalhadores bancários que estão no dia a dia das 
agências e departamentos, que suportam cotidianamente a pressão dos clientes e 
dos gestores, estamos na luta para que os bancários sejam os verdadeiros 
protagonistas das campanhas salariais. Lutamos para que os bancários possam 
falar nas assembléias, para que suas propostas sejam colocadas em votação, para 
que o que foi votado seja encaminhado, para que os trabalhadores possam ter o 
controle sobre a sua campanha.
Lutamos para que as assembléias sejam unificadas até o fim, para que os 
trabalhadores de todos os bancos em conjunto possam decidir sobre o índice de 
reajuste e os pontos comuns da convenção coletiva, e para que as questões 
específicas sejam decididas em assembléias específicas de cada banco.
Lutamos para que as assembléias sejam no horário dos grevistas, às 4 da tarde, 
enquanto durar a greve, já que nos últimos anos, quando quer acabar com a greve, 
a CUT convoca assembléias para as 7 da noite, em acordo com os bancos, de modo 
que gerentes e fura-greves possam comparecer em massa para votar contra a greve.
Lutamos para que a base de São Paulo possa eleger representantes para a mesa de 
negociação, para que não fique tudo entre quatro paredes entre os dirigentes da 
CUT, o governo e os banqueiros.
Lutamos para que os bancários de base possam falar nas assembléias, para que 
posssam fazer propostas de como conduzir a greve, para que as propostas sejam 
colocadas em votação. Não podemos votar apenas “greve” ou “não greve”, mas qual 
a greve que precisamos!
Lutamos para que haja comandos de greve fixos nas regiões, para que os próprios 
grevistas possam decidir onde fazer os piquetes e como fortalecer a paralisação.
Lutamos por:
- Isonomia entre funcionários antigos e novos nos bancos públicos!
- Estabilidade no emprego para os trabalhadores de bancos privados!
- Fim das metas e do assédio moral!
- Por um plano de reposição de perdas!
- Piso do DIEESE para toda a categoria!
- Plano de carreira e plano de cargos e salários!
- Fim das terceirizações e dos correspondentes bancários!
- Mais contratações e mais trabalhadores nos bancos!

Como trabalhadores do sistema financeiro, lutamos sim para que os bancos tenham 
outra função na sociedade, diferente do papel predatório que têm hoje. E para 
isso, é fundamental que os trabalhadores bancários recuperem sua saúde, sua 
auto-estima, sua condição de protagonistas, e sejam donos do próprio destino!
Todo apoio à greve dos bancários!

Coletivo Bancários de Base
São Paulo, outubro de 2010



      
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: <https://lists.aktivix.org/pipermail/bancariosdebase/attachments/20101007/325f3228/attachment.htm>


Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase