[Bancariosdebase] Campanha Salarial 2010

MATHEUS DA SILVA CRESPO m.crespo em ig.com.br
Sábado Outubro 9 21:22:14 UTC 2010


 Companheiros,

Agradeço o compartilhamento do e-mail, e esse tipo de contato entre nós é
imprescindível para que avancemosem nossa luta e organização, contra o
governo, os patrões e os governistas.

Acho que é importante a descrição dos companheiros dos processos de condução
da greve no RJ e em SP. Concordo em inúmeros aspectos com o que critica o
camarada André do PCB, assim como com o Daniel. Mas acho importante ponderar
outros aspectos.

Aqui no RS, por exemplo, a greve está fortíssima, e realmente pode ser a
"maior em 20 anos". Na CEF e BB, está muito firme, embora não haja nenhuma
diferença tão substancial assim. Mas no Banrisul a greve chega a ser
semi-insurrecional. Há assembleias diárias deste banco com a presença
permanente de mais de 100 colegas, com piquetes sendo construídos
diariamente, uma enorme vanguarda surgida da luta, enfrentamento aos
gerentes, diretores e governo do estado.

Este clima não se repete no BB e CEF, mas impõe uma dinâmica de assembleias
diárias, democráticas, com intervenções abertas, além de comandos de
base também nestes bancos e há uma grande politização nos 3. Já tivemos 2
grandes passeatas e um ato político importante, além das atividades diárias
que concentram os grevistas.

Isso se dá CONTRA a intenção original do sindicato da DS, mas vem se impondo
pela pressão da base, e pela necessidade da DS em se diferenciar da
Articulação.

Acho que nossa tarefa deve ser a de combater esta condução antidemocrática
em SP, e mais ainda o conteúdo oportunista que esteve presente desde o
início, e que é responsabilidade da articulação e da DS. Além disso, também
concordo que o PSTU concentra suas críticas em aspectos muitas vezes
superestruturais da luta de classes.

No entanto, no que se refere especificamente ao exemplo do BRB, acho que é
uma obrigação nossa divulgar o acordo que se fechou. Nesta altura, mesmo que
explorando contradições interburguesas (como a existente no governo do DF) e
que haja outros aspectos envolvidos, o FATO é que este resultado é uma
imposição de recomposição que contraria os interesses da Frente Popular e da
burguesia. Assim como não podemos menosprezar o reajuste de 10,8% dos
metalúrgicos do ABC (mesmo sendo da CUT), também não poderíamos menosprezar
uma conquista de 12% em bancários, hipoteticamente, por conta de que se
pudesse dizer que "foi um acordo negociado para beneficiar a burocracia na
eleição de SP em 2011".

A luta de classes tem estas contradições, camaradas, e, no atual caso, temos
sim que agitar o acordo do BRB, para atirá-lo contra a Contraf, e expor sua
peleguice. O que não é o que faz o PSTU, que fala do BRB para apenas
"pressionar pela esquerda" a Contraf, mostrando que se pode mais, por dentro
de sua pauta.

No mais, temos que confiar na base e, apesar da burocracia e suas traições,
apostar na luta e na inevitável radicalização destas lutas à medida que o
capitalismo segue seu curso irreversível de crise estrutural.

Matheus Crespo
Movimento Revolucionário e CEF-RS


Em 8 de outubro de 2010 19:24, Daniel <tzitzimitl em terra.com.br> escreveu:

> Olá comp em s bancários de oposição
>
> Esta mensagem está sendo repassada para o coletivo Bancários de Base-SP e
> para outros militantes de outras bases do país.
>
> Estou repassando a mensagem abaixo, do companheiro André, do PCB-RJ, sobre
> a greve na capital fluminense, e minha resposta a ele.
>
> Daniel
>
>
>
>
>
>
> *On Seg 04/10/10 23:33 , André Lavinas andreuc em bol.com.br sent:
> ***
>
> Caro Daniel,
>
> Gostaríamos de saber de vocês do Espaço Socialista como anda a greve em SP.
> Aqui no Rio temos sérios problemas. As agências dos bancos públicos estão em
> sua maioria fechadas, mas com grande parte, senão a maioria, dos
> comissionados dentro fazendo negócios a todo vapor. Eu e o camarada Ney
> temos atuado no centro do Rio, onde está a maior concentração de agências e
> também a maior concentração de piqueteiros, e o quadro é desolador: várias
> das principais agências do BB com quase todos os funcis dentro, outras em
> regime de "contingência", com rodízio de funcionários, ou seja, todos
> furando greve pelo menos durante alguns dias, e todas, invariavelmente
> atendendo aos clientes que interessam e deixando o povão de fora. A
> quantidade de bancários nos piquetes é mínima. Na nossa opinião é a menor
> participaç ão de bancários que já vimos em greves desde 2003. As assembléias
> diárias têm tido número irrisório de participantes. A ltima tinha cerca de
> 100 pessoas sendo que a maioria era de diretores do sindicato.
> A condução das assembléias é mais ou menos como conversamos durante o
> encontro do BB: Direção do sindicato e PSTU tentando monopolizar as
> discussões. A diretoria é mais do mesmo: informes sobre a "forte" greve
> nacional e a intransigência dos banqueiros, sobre a necessidade de
> incorporar mais pessoas à greve e blá blá blá. As intervenções do PSTU estão
> centradas na necessidade de divulgação do índice de 14% conseguido pelo BRB
> e na tentativa de fazer com que a greve dos bancários entre na agenda de
> campanha de DILMA. Para os companheiros do PSTU o fato da eleição ter ido
> para o 2º turno abre perspectivas para que a greve exerça maior pressão
> sobre a cúpula do PT o que forçaria uma negociação, particularmente para os
> bancos públicos , em melhores termos do que os colocados atualmente. O PSTU
> insiste ainda que a  entrega de uma carta aberta ao presidente LULA criará
> um fato eleitoral favorável aos bancários.
> Quanto à diretoria, não há muito que comentar, pois não propõe nada além do
> que tem feito, com o resultado que já conhecemos.  Com relação ao PSTU
> entendemos que o que propõe não é solução para os  problemas que esta greve
> enfrenta. A conquista dos 14% pelo BRB não foi fruto de uma moblização
> acirrada dos colegas daquele banco. O reajuste concedido é muito mais
> consequência das necessidades eleitorais da família Roriz do que da força da
> greve no BRB. Para nós está claro que alimentar este tipo de espectativa na
> categoria dando como exemplo uma conquista que não é fruto de uma particular
> radicalização de uma greve é um equívoco e uma irresponsabilidade. O
> argumento da eleitoralização da greve como saída para o movimento é outro
> coelho que o PSTU tirou da c artola que também não tem base na realidade.
> Sabemos que se a adesão à greve não melhorar em quantidade e qualidade não
> hav erá processo eleitoral que mude a disposição da FENABAN ou do governo de
> negociar, até porque não importa muito para os banqueiros se Dilma ou Serra
> ganharão e, a menos que eu esteja muito enganado sobre o governo Lula e um
> provável governo Dilma, o interesse dos banqueiros é o que está em jogo, não
> é verdade?
> Na realidade ao PSTU não interessa chamar a categoria à responsabilidade,
> pois a sua tática consiste em desgastar a direção sindical e, nesse sentido,
> confrontar os 14% do BRB com o reajuste a ser apresentado pelos banqueiros
> diante da greve atual é uma boa forma de bater na CONTRAF/CUT. Também não
> seria mal acusar a Articulação e companhia de não "eleitoralizarem" o
> suficiente a campanha salarial. A direção do sindicato não quer pôr às
> claras o problema da  baixa adesão à greve, pois isto seria contradit rio
> com o seu discurso de praxe no final das campanhas: a greve foi vitoriosa,
> tivemos ganho real etc e tal.
>
> Nós nos colocamos nas assémbléias propondo ações que incorporem os colegas
> que estão fazendo a paralização de pijamas efetivamente à greve. Entendemos
> que a medida mais efetiva, face ao esvaziamento das assembléias, seria
> propor que as próximas assembléias fossem decisivas para avaliação da
> proposta e não meramente organizativas, pois isto poderia trazer os colegas
> que estão fazendo greve em casa para a assembléia e desta forma poderíamos
> fazer a discussão com eles colocando a questão nos termos corretos: ou vocês
> se incorporam à greve ou teremos que amargar mais um reajuste rebaixado!!
>
> Estas são algumas das nossas impressões.
>
> Gostaríamos de saber como vocês estão vendo as coisas por aí.
>
> Grande Abraço
>
> André
>
>
> ------------------------------
> Em 07/10/2010 12:04, *Daniel < tzitzimitl em terra.com.br >* escreveu:
>
>  BODY { font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:12px; }
>
>
> OLá André
>
> Desculpe pela demora, tenho tido pouquíssimo tempo para entrar na internet,
> e ainda por cima fiquei doente ontem e não estou totalmente recuperado.
>
> Nós do Espaço Socialista saímos do MNOB, como você deve ter ficado sabendo,
> e atuamos apenas no coletivo Bancários de Base, que é composto além de nós
> por 4 comp em s <http://mce_host/compose?to=comp@s> da CEF, mas tem muitos
> simpatizantes na base de Osasco, onde o grupo se originou.
>
> Vou repassar a sua mensagem para o Márcio e vamos conversar também com os
> comp em s <http://mce_host/compose?to=comp@s> do Bancários de Base. Se nos
> der autorização, podemos repassar sua mensagem também para outros contatos
> em nível nacional, que tentam fazer um trabalho de oposição, e não são
> centralizados pelo PSTU, pois acho que contribuiria para o debate.
>
> Pessoalmente acho que a sua análise está perfeita. O quadro de São Paulo é
> o mesmo.  Uma adesão até razoável, aumentou bastante nas agências do BB em
> relação aos três últimos anos, mas continua não havendo disposição para ir
> às assembléias e muito menos aos piquetes.
>
> O resultado é que as assembléias são esvaziadas e apáticas, não há debate,
> até porque nada é colocado em votação, apesar da nossa intensa pressão em
> cartazes e panfletos.
>
> Também acho que a política do PSTU é muito imediatista, voltada para a
> conjuntura atual, movimentista, não enfrenta o X do problema, que é a baixa
> participação, o convencimento do bancário a vir para o movimento, e chega a
> ser oportunista vender uma solução puramente calcada em cálculos eleitorais.
>
> Temos tido como eixo a democracia e a soberania das assembléias, e hoje
> vamos novamente exigir que outras formas de encaminhamento da greve
> (assembléias deliberativas em que as propostas sejam apresentadas e votadas,
> assembléias unificadas para votar o índice e específicas para as pautas
> específicas, assembléias no horário dos grevistas para barrar os
> fura-greves) sejam postas em votação.
>
> Enfim, temos tentado discutir essas propostas com outros coletivos e
> militantes de oposição no restante do país, mas nos tem faltado, e aí não
> falo só por nós, mas por todos, uma melhor coordenação, mais comunicação, de
> forma que pudéssemos ter discutido essas questões na fase de preparação da
> campanha, trocando impressões e propondo iniciativas em conjunto.
>
> Agora, com a greve já iniciada, temos poucas forças para virar a mesa do
> processo de condução da campanha, depois que ela foi (des)encaminhada da
> forma que foi.
>
> De qualquer forma, precisaremos conversar depois da campanha, fazer um bom
> balanço, e tentar construir um movimento melhor organizado no ano que vem,
> sem esperar pela greve para nos organizar.
>
> E vamos, é claro, seguir conversando nesta greve, pois enquanto há luta há
> esperança.
>
> Saudações de luta
>
> Daniel
> Bancários de Base, SP
>
>
>
>
>
>
>
>
> *On Sex 08/10/10 13:29 , André Lavinas andreuc em bol.com.br sent:
> *
>
> Camaradas,
>
> Podem repassar a mensagem.
>
>
>
>
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: <https://lists.aktivix.org/pipermail/bancariosdebase/attachments/20101009/6493b8d5/attachment-0001.htm>


Mais detalhes sobre a lista de discussão Bancariosdebase