[Bancariosdebase] sobre o 2º turno

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Sexta Outubro 29 22:18:15 UTC 2010


On Sex 29/10/10 12:31 , Daniel tzitzimitl em terra.com.br sent:
> Olá amig em s
> O debate sobre a opção de voto para o 2º turno exige que se
> coloque em discussão alguns elementos sobre um projeto para a classe
> trabalhadora.
> Sei que estou entrando no debate na última hora, aos 45 do 2º
> tempo, e acabei me estendendo um pouco, mas não poderia deixar de
> apresentar minha posição.
> Saudações
> Daniel
> -------------------------------------------------------
> PORQUE VOTO NULO 
> Durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais
> configurou-se uma forte pressão no movimento em favor do voto em
> Dilma. Mesmo no setor da classe trabalhadora que ao longo dos oito
> anos de mandato do PT teve enfrentamentos sérios contra o governo
> Lula, a tendência do voto em Dilma é amplamente majoritária. É o
> caso dos sem-terra, que não viram avanço algum na reforma agrária
> e continuaram sofrendo pesada repressão, inclusive com mortes. E
> entre as categorias organizadas (metalúrgicos, professores,
> bancários, petroleiros, correios, etc.), cujos sindicatos e
> federações ainda são em sua maioria ligados à CUT e dirigidos
> burocraticamente pela corrente Articulação/PT e satélites, as
> direções sindicais governistas funcionaram como um sério
> obstáculo contra a mobilização e a luta durante as campanhas
> salariais e enfrentamentos cotidianos, mas ainda assim a tendência
> pelo voto em Dilma por parte desse setor também é quase unânime. 
> 
> Não se trata apenas de uma opção da base, mas da própria camada
> dos ativistas, os trabalhadores mais conscientes e politizados, que
> participam e impulsionam os processos de luta. Esse setor de
> ativistas, como é de sua característica, tem não apenas declarado
> seu voto, mas feito campanha ativamente pela candidata do PT.
> Circulam em profusão as mensagens de correio eletrônico pedindo
> voto em Dilma ou demonizando Serra, para criar a falsa sensação de
> que os dois representam alternativas radicalmente diferentes e
> estaria em curso uma disputa de proporções épicas entre dois
> projetos diametralmente opostos para o pais. 
> A direita mostra sua cara 
> Não há nenhuma ressalva a fazer quanto à demonização de Serra e
> do PSDB. Não há nenhum erro ou exagero em demonstrar o quanto são
> nefastos. A campanha de Serra em 2010 trouxe à tona os vínculos do
> tucanato com os setores sociais e os discursos ideológicos mais
> reacionários da sociedade. A pregação oportunista contra o aborto,
> contra o MST, contra a luta armada na época da ditadura, fizeram com
> que saíssem das catacumbas setores de ultra-direita, como a TFP,
> Opus Dei, saudosistas da ditadura e simpatizantes do fascismo de
> diversos coturnos e calibres. Não ignoramos aqui a periculosidade do
> projeto tucano e suas características fascistas. O problema é a
> suposição de que Dilma e o PT representam uma proteção contra a
> ameaça da direita. 
> 
> Os companheiros que reagem contra a ameaça da direita materializada
> no PSDB demonstram um saudável instinto de defesa e uma percepção
> aguda do perigo que o PSDB representa, o que tem feito com que a
> campanha de Dilma tenha ganho algo que há muitos anos o PT havia
> perdido, alguns traços de militância genuína (da qual o partido
> já não necessita, pois suas campanhas há muito tempo têm sido
> bancadas por doações milionárias de grandes empresas e feita por
> marketeiros e cabos eleitorais pagos - militância "genoina", se
> preferirem). O problema é que essa militância autenticamente
> interessada em derrotar a direita está sendo mobilizada e
> instrumentalizada pelo projeto politico de um partido que funciona
> como um outro instrumento da burguesia. Mesmo não sendo
> organicamente ligados ao PT, ou até mesmo pretendendo fazer
> oposição ao PT no movimento, esses companheiros acabam reproduzindo
> o discurso do governismo. 
> A burguesia fez sua opção 
> Não há como não colocar em discussão a questão da perspectiva
> de classe por trás do projeto político do PT. Ganhe o PT ou o PSDB,
> o poder social continua nas mãos da burguesia. As relações de
> produção, as instituições, a propriedade privada, as demais
> relações sociais, a cultura, a moral e os comportamentos seguem
> sendo ditados pela classe dominante. O processo eleitoral nem de
> longe arranha esse complexo de cadeias de exploração, dominação,
> opressão e alienação. Se assim fosse, se houvesse uma candidatura
> ou partido que ameaçasse, digamos, a propriedade privada, a
> burguesia jamais permitiria que chegasse às eleições com
> condições de vitória, sem partir para um golpe ou guerra civil
> aberta. 
> 
> Em outras palavras, isso significa que ambas as candidaturas do
> segundo turno são palatáveis para a burguesia. Como não há neste
> momento um amplo processo de mobilização da classe trabalhadora, é
> a burguesia quem decide as eleições. Isso significa também que a
> burguesia já decidiu quem vai apoiar. A burguesia optou pelo projeto
> do PT, porque o partido apresenta as credenciais de uma gestão do
> capitalismo em que praticamente não há conflito, o que neste
> momento é mais conveniente do que a truculência do PSDB. Já que o
> programa neoliberal original do PSDB foi incorporado e aplicado pelo
> PT, o PSDB ficou sem projeto para apresentar. Sem um projeto
> alternativo pelo qual possa se diferenciar, o PSDB acaba tendo que
> apelar para os seus poucos elementos ideológicos diferenciais, ou
> seja, os traços fascistas. Como o ataque direto e a explosão do
> conflito social não convém para a burguesia neste momento (não se
> mexe em time que está ganhando, a burguesia tem lucrado muito no
> governo Lula), pois o controle exercido pelo PT sobre a classe
> trabalhadora tem sido mais funcional, isso define a parada em favor
> de Dilma. 
> 
> Assim, é correto fazer todas as críticas ao PSDB, mas é errado
> supor que o PT possa ser a alternativa. A correta intuição da
> ameaça do PSDB vem acompanhada de uma problemática falta de
> percepção com relação à questão fundamental: qual é o projeto
> da classe trabalhadora? A única defesa da classe trabalhadora contra
> a ameaça do PSDB, da direita e da burguesia é manter a burocracia do
> PT no controle do Estado? Por acaso essa presença do PT ao longo dos
> dois mandatos de Lula tem impedido os ataques da burguesia contra a
> classe? 
> 
> Já falamos nos sem-terra e nas categorias organizadas, poderíamos
> citar o extermínio da juventude negra nas periferias, o desmonte dos
> serviços públicos, a continuidade da devastação ambiental, do
> pagamento da dívida pública fraudulenta, da corrupção
> desenfreada, e um longo etc. O artigo mais recente na página do
> Espaço Socialista (www.espacosocialista.org) faz um sumário das
> semelhanças e continuidades entre PT e PSDB, portanto não preciso
> me estender sobre isso. 
> As “melhorias” da era Lula 
> Mesmo que reconheçam semelhanças, alguns argumentam que apesar
> disso o governo Lula trouxe "avanços" e "melhorias" para os
> trabalhadores. Caberia então perguntar: avanços em que direção?
> Trata-se de um movimento real em direção a mudanças estruturais
> que alterem as relações de poder em favor dos trabalhadores, ou de
> pequenos ganhos econômicos resultantes de uma conjuntura econômica
> favorável, que não resultam de mérito ou opção do governo de
> turno e podem ser revertidas assim que uma nova onda da crise mundial
> atingir pesadamente o pais?  
> 
> As chamadas melhorias obtidas pelo governo Lula não se diferenciam
> das que qualquer governo burguês consegue. Quem tem um pouco mais de
> 30 anos, como este escriba, se lembra do Plano Cruzado de Sarney, em
> 1986, que controlou momentaneamente a hiperinflação e garantiu ao
> PMDB a eleição de milhares de prefeitos naquele ano, base que fez
> do partido ainda hoje (e amanhã no governo Dilma - fiquem
> "tranqüilos", ela vai ganhar) o maior partido do pais. Quem não se
> lembra do Plano Real em 1994, que derrotou de vez a hiperinflação
> (provocando conseqüências com as quais ainda estamos convivendo,
> mas isto é outro debate) e fez do frango o herói da eleição de
> FHC, com o mote de que os trabalhadores mais pobres agora também
> podiam consumir? 
> 
> Melhorias conjunturais e superficiais podem ser e são conseguidas
> em vários momentos sob governos burgueses, que precisam delas para
> se legitimar na disputa entre as facções partidárias, mas não
> podem servir como argumentos para fazer com que a classe trabalhadora
> deva optar por um governo burguês (no caso o do PT) contra outro. O
> PSDB tem todas as qualidades malignas que pudermos imaginar, mas não
> tem a imbecilidade. Mesmo a maior "conquista" da era Lula, os
> programas sociais, não seriam cancelados num eventual governo do
> PSDB, pois se trata de uma política de DNA puramente neoliberal,
> elaborada no próprio Banco Mundial para assegurar a governabilidade
> de países muito pobres. Ou alguém aí esqueceu que o Brasil
> continua um país miserável, com uma das maiores desigualdades
> sociais do mundo, milhões de pessoas vivendo em favelas, em
> palafitas, em barracos, sem emprego ou em subempregos, acossados pela
> guerra entre as facções do crime (aquelas sem farda e com farda),
> sem saneamento básico, sem acesso à saúde, à educação, à
> cultura, etc.? 
> 
> Há ainda o argumento de que o PT coloca em prática uma maior
> presença do Estado na economia. Em relação a isso, dois problemas:
> em primeiro lugar, estatização em si não representa avanço, pois
> mesmo os governos burgueses podem eventualmente estatizar empresas
> (como os governos imperialistas fizeram com instituições
> financeiras no auge da crise) sem alterar as relações capitalistas.
> Estatização não é o mesmo que socialização sob controle dos
> trabalhadores. Em segundo lugar, o governo Lula/PT não estatizou a
> economia, ao contrário do que diz a sua propaganda enganosa. Não
> só as privatizações anteriores não foram revertidas como novas
> privatizações foram feitas. E o patrimônio público remanescente,
> como Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobrás, Correios, vem
> sofrendo uma privatização gradual, disfarçada, por dentro,
> conforme se adaptam a uma lógica de mercado. O que houve não foi
> estatização, mas aparelhamento do Estado pelo PT. Integrantes do
> partido tomaram conta das diretorias das estatais, dos fundos de
> pensões, das empresas controladas por esses fundos, dos
> ministérios, etc. 
> Por um projeto socialista 
> Se a continuidade dos ataques à classe trabalhadora, da política
> econômica neoliberal, da corrupção generalizada ainda não bastam
> para caracterizar a identidade PT/PSDB, podemos acrescentar a
> ausência de um verdadeiro projeto de pais. O PT se limita a
> administrar o capitalismo no Brasil, sem apontar para nenhuma
> mudança nas relações sociais. Ha alguns que argumentam que mesmo
> assim, é melhor ter o PT do que o PSDB no controle do Estado, pois
> neste momento não há condições para uma ruptura do capitalismo e
> uma transição ao socialismo no Brasil. Na ausência dessas
> condições, a única coisa a fazer seria manter o controle do Estado
> para impedir "a volta da direita". 
> 
> Mas nem para isso os governos do tipo do PT servem. Os governos da
> recente onda "de esquerda" na América Latina, seja os que tiveram
> algum grau de enfrentamento limitado com a burguesia, como o de
> Chávez na Venezuela, ou os rigorosamente neoliberais, como o de
> Bachelet no Chile, têm sofrido derrotas eleitorais. Chávez não
> obteve maioria para reformas constitucionais nas eleições
> parlamentares de setembro e Bachelet não conseguiu eleger seu
> sucessor no início do ano, apesar de uma popularidade tão grande
> quanto a de Lula. Ao não romper com o capitalismo e manter a
> exploração, a alienação e a miséria, esses governos aos poucos
> perdem força e abrem espaço para que a direita volte, devidamente
> legitimada pelas urnas. 
> 
> Mesmo assim, insistem, mesmo que Lula e o PT quisessem, não haveria
> condições de enfrentar a burguesia nacional e internacional, romper
> com o capitalismo e avançar para o socialismo no Brasil. Mas aqui se
> trata de duas questões distintas: uma coisa são as condições para
> uma transição ao socialismo no Brasil neste momento, outra coisa é
> a questão de determinar se em algum aspecto que seja a politica do PT
> aponta para uma luta contra o capitalismo. Pois não se trata de que
> Lula e o PT não podem avançar para o socialismo, mas de que não
> querem. Seu projeto é gerir o capitalismo sem conflitos, agradando a
> todas as classes e de preferência enchendo as cuecas de dinheiro no
> processo. Se a questão é realmente trabalhar por uma ruptura com o
> capitalismo, o primeiro passo é romper politicamente com o PT e
> construir outro projeto. Esse é o verdadeiro desafio, tanto para os
> que estão votando nulo como para os que votarão em Dilma querendo
> votar contra a direita. 
> A necessidade da disputa ideológica 
> Alguns podem dizer que mesmo que não se trate de um projeto de
> transição ao socialismo, a gestão do PT mais ajuda do que
> atrapalha nesse sentido. Mas será mesmo que não atrapalha? Para
> responder a essa questão, é preciso abordar minimamente alguns
> pressupostos de uma transição ao socialismo, como a independência
> de classe e a disputa ideológica. 
> 
> Mesmo que a próxima onda da crise mundial demore para chegar ao
> Brasil, toda e qualquer melhoria que se obtenha, supondo-se que se
> vá conseguir alguma, será muitíssimo limitada e temporária, como
> as que se obtiveram em governos burgueses anteriores. Não é mais
> possível falar em reformar o capitalismo em plena vigência de sua
> crise estrutural. Ao não enfrentar o capitalismo, o PT não é capaz
> de obter nenhuma melhoria real e duradoura para os trabalhadores. Os
> ganhos paliativos são revertidos se não houver organização e
> preparação da classe para defender suas condições de vida e lutar
> por ganhos reais. E para que haja essa organização, é preciso
> desenvolver uma consciência socialista, o que exige romper
> ideologicamente com a sociedade burguesa. Eis mais uma tarefa para a
> qual o PT não está habilitado. O recuo de Dilma em relação à
> descriminalização do aborto é bastante eloqüente a respeito da
> venalidade ideológica do PT. 
> 
> O PT não enfrenta a questão fundamental, a questão do poder
> social. A hegemonia permanece nas mãos da burguesia. Tanto é assim
> que Lula não transferiu automaticamente sua popularidade para a
> votação do PT. Os festejados 80% de aprovação do governo Lula
> não se transformaram automaticamente em votos suficientes para dar a
> Dilma a vitória no 1 turno. Os estrategistas do PT devem estar
> coçando a cabeça para descobrir porque. A resposta é que "a gente
> não quer só comida", como dizia o poeta. O PT foi incapaz de
> oferecer um projeto, uma ideologia, uma utopia, um discurso, um
> sentido que empolgue e apaixone as pessoas. Na ausência disso, os
> 80% de brasileiros que apóiam Lula se tornam presas fáceis para o
> discurso da direita, para a pregação da igreja e dos evangélicos
> contra a descriminalização do aborto, para o sensacionalismo
> moralista e hipócrita da mídia com sua "ética na politica" contra
> os escândalos de corrupção, etc. Ao não ter um projeto de
> sociedade diferente do projeto da burguesia, o PT não tem como
> politizar o debate a seu próprio favor. O terreno da ideologia, da
> perspectiva de classe, da visão de mundo, da consciência de classe,
> da solidariedade e do coletivo, constitui mais um aspecto em relação
> ao qual o PT não serve como defesa contra a burguesia. 
> 
> Certamente é bastante irritante ver a mídia burguesa, os
> Estadões, Folhas, Vejas e Rede Globos da vida fazendo abertamente
> campanha para o PSDB, pois essa campanha, embora seja desencadeada em
> torno da disputa eleitoral contra o PT, tem como verdadeiro alvo as
> lutas da classe trabalhadora, das quais o PT já está muitíssimo
> distante – na verdade, no lado oposto. Para reagir contra o
> asqueroso discurso da mídia burguesa, a resposta não é chamar o
> voto em Dilma, mas argumentar em favor das lutas da classe, da luta
> por emprego, salário e condições de trabalho, da luta pela terra,
> por moradia, saúde, educação, cultura, da luta contra a
> criminalização do aborto, enfim, das lutas que podem conduzir à
> emancipação da classe. Lutas que o PT não vai encaminhar, ao
> contrário, vai impedir. 
> 
> Não chamamos o voto nulo para fazer um ataque sectário aos
> companheir em s que estão cedendo à pressão do voto em Dilma, mas
> para chamá-los a refletir sobre a dramaticidade do momento
> histórico em que vivemos. Quando alguns ativistas e militantes
> sérios consideram que votar no PT é uma defesa contra a direita, ou
> a única defesa, isso demostra na verdade o quanto estamos indefesos.
> Ou seja, o quanto a classe trabalhadora esta órfã de um projeto. 
> 
> Os partidos operários têm os seus projetos, os seus discursos.
> Alguns chamam a "derrotar Serra nas urnas e Dilma nas ruas", outros
> chamam o "voto contra Serra" (que pode ser um voto em Dilma ou nulo),
> formulações puramente retóricas que não respondem à questão
> fundamental: com que força social organizada se espera derrotar
> Dilma nas ruas? Como se espera organizar e conscientizar a classe
> trabalhadora para derrotar o projeto burguês conduzido pelo PT
> chamando voto no PT? 
> A crise da alternativa socialista 
> Há um problema de fundo, que mesmo as organizações que estão
> propondo a politica que considero correta neste momento, o voto nulo,
> não estão abordando, que é a crise da alternativa socialista.
> Devemos sim chamar a classe trabalhadora para fazer oposição ao PT
> nos sindicatos e derrotar o governo burguês de Dilma nas ruas, mas
> em nome de qual projeto? Qual é a alternativa?  
> 
> Quando se diz que o socialismo é a única alternativa, não é
> porque se considera que ele esteja logo ali, depois da esquina, ao
> alcance da mão. Pelo contrário, o socialismo não vai "chegar", ele
> não vai vir pronto, porque precisa ser construído, elaborado,
> imaginado, experimentado, sonhado, numa luta permanente contra as
> misérias materiais e espirituais da realidade existente. Mais do que
> um "modelo" de gestão da economia e da sociedade, o socialismo é uma
> ruptura com a alienação, porque exige que os trabalhadores tomem sob
> seu controle todos os aspectos de sua vida, de forma consciente e
> responsável, de uma forma que não haja mais patrões e
> trabalhadores, governantes e governados, dirigentes e dirigidos,
> pensadores e trabalhadores braçais, mas que haja seres humanos
> completos capazes de desenvolver todos os seus potenciais. Muito
> além da tomada do poder político, o socialismo envolve uma completa
> reformulação das relações sociais. O socialismo pode estar mais ou
> menos distante do horizonte imediato, questão que é preciso
> acompanhar sempre, pois o tempo histórico tanto pode estagnar como
> produzir acelerações repentinas, em que a consciência avança em
> meses aquilo que não pode avançar em anos ou décadas. Seja como
> for, o primeiro passo na direção do socialismo não será dado
> votando em Dilma, confiando no PT. 
> Por um Movimento Político dos Trabalhadores 
> Mas para irmos concluindo, qual é então a alternativa, qual é a
> saída? Basta votar nulo? É evidente que não, por tudo o que
> dissemos. A ação politica da classe trabalhadora não passa
> preferencialmente por opções de voto, mas pela luta, pela retomada
> dos espaços de organização existentes (sindicatos) e a
> construção de novos organismos, pela renovação da teoria e da
> prática do socialismo, pela disputa da consciência contra a
> ideologia burguesa dominante, pela construção de espaços em que se
> efetivem práticas emancipatórias e se projetem novas relações
> socialistas. 
> 
> Uma tarefa desse porte excede as forças dos agrupamentos hoje
> existentes. Nem o PSOL, o PSTU, o PCB, o PCO, ou uma frente de
> agrupamentos menores como o próprio Espaço Socialista, mais os
> ativistas hoje independentes, têm condições de vencer esse
> desafio. As dificuldades são enormes, mesmo se todos os setores da
> esquerda atuassem unificados. Separados como estão no momento,
> tornam-se proibitivas. Precisamos tirar lições de nossos erros e
> impedir que se repitam no futuro. A unidade da esquerda se coloca no
> próximo período como uma questão mais vital do que nunca.
> Precisamos construir um Movimento Politico dos Trabalhadores, em que
> as organizações e os ativistas independentes preservem suas
> diferenças de concepção, mas consigam encontrar uma referência
> comum de organização para as lutas que virão, um projeto que possa
> ser levado ao conjunto da classe como alternativa contra a barbárie
> capitalista. 
> Saudações 
> Daniel 
> 
> Espaço Socialista 
> 
> 




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