[Bancariosdebase] rascunho panfleto

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Sábado Outubro 30 21:14:52 UTC 2010


  Olá comp em s
 Segue abaixo e em anexo o rascunho de panfleto de balanço da
campanha e propostas para 2011.
 Aproveito para sugerir como epígrafe a citação do companheiro
japonês mandada pelo Hugo logo que se encerrou a greve, achei
belíssima e muito pertinente, me emocionou profundamente.
 Como todos sabem estou de férias desde ontem e no sábado que vem
viajo para o Nordeste, de onde só volto no dia 21. Não vou poder
participar de nenhuma atividade neste intervalo, inclusive o
churrasco dos grevistas. De qualquer forma já tive o privilégio de
celebrar com os comp em s [1] no meu próprio aniversário, o que para
mim já valeu muito, apesar das trapalhadas (alguém aí já ouviu
falar de churrasco sem carne?)
 Não sei se ainda voltarei à internet antes da viagem, mas se rolar
alguma atividade ainda na semana que vem, me mandem um toque por
favor!
 Abraços
 Daniel
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	CAMPANHA SALARIAL 2010: ACORDO HISTÓRICO? 
	O ACORDO DOS BANCáRIOS DE 2010 FOI REALMENTE HISTóRICO: NUNCA UMA
CATEGORIA QUE PODERIA CONSEGUIR TANTO CONSEGUIU TãO POUCO. Para ter
uma medida do quanto o nosso acordo esteve aquém das possibilidades,
basta considerar três fatos: 1º) o lucro bilionário dos bancos, que
segue crescendo ano a ano; 2º) outras categorias em ramos da economia
com lucros muito menores conseguiram acordos melhores que o nosso
(metalúrgicos conseguiram 10,8%, petroleiros conseguiram 9%); 3º) a
força da greve de 2010, que em muitos Estados teve 100% das agências
paradas nos bancos públicos. Mesmo assim, os bancários ficaram
apenas nos 7,5%... 

	Para encontrar uma explicação para esse resultado pífio, e mais
importante, nos preparar para as campanhas futuras, precisamos
discutir em profundidade uma série de questões relativas à
situação da categoria: 

	1. A QUESTãO MAIS ESCANCARADA E QUE AFETA RADICALMENTE NOSSAS
POSSIBILIDADES DE ORGANIZAçãO é A DIVISãO ENTRE TRABALHADORES DE
BANCOS PúBLICOS E PRIVADOS. Os trabalhadores de privados têm
pouquíssimas condições de se organizar para a luta e entrar de
fato nas greves, devido à ameaça de demissão que paira
permanentemente sobre suas cabeças. Os grupos que estão no controle
do movimento sindical há décadas optaram por um “sindicalismo
cidadão”, de colaboração com a patronal, que se abstém de
organizar os trabalhadores e deixou de enfrentar a questão
fundamental para este setor: a estabilidade no emprego, que deveria
ser o ítem nº1 da pauta de reivindicação para privados, pois é o
ponto de partida para que possa haver organização nos locais de
trabalho, para enfrentar, além das campanhas salariais, as lutas
cotidianas por condições de trabalho, contra o assédio moral, etc.


	2. OS TRABALHADORES DE BANCOS PúBLICOS TêM DIMINUíDO ANO A ANO
SUA PARTICIPAçãO NOS PIQUETES E ASSEMBLéIAS, pois a estratégia da
mesa única impede que entrem em confronto direto com seu patrão, o
governo federal. Se a campanha fosse unificada, mas com mesas
separadas, isso seria melhor para os dois setores, pois os
trabalhadores de bancos públicos se sentiriam muito mais estimulados
a participar, inclusive em condições de fazer piquetes nos bancos
privados, que hoje praticamente inexistem. 

	3. A GREVE, QUE DEVERIA SER PRODUTO DE UMA LONGA E BEM FEITA
PREPARAçãO, que poderia contar com etapas prévias como “venda
zero”, operação padrão, e outras táticas alternativas, que
deveria ser o último recurso de uma campanha, a máxima
demonstração de força dos trabalhadores, se transformou no
primeiro recurso de uma diretoria sem capacidade real de
mobilização, o que acaba aparecendo como fraqueza dos trabalhadores
contra a patronal. A greve não paralisa de fato os lucros dos bancos,
não paralisa a internet, o auto-atendimento, a compensação, e nem
mesmo as agências, pois os gerentes continuam fazendo negócios a
todo vapor com os clientes de alta-renda, sem serem incomodados pelo
público em geral, barrado na entrada por uma “greve de faixada”.


	4. AS CAMPANHAS SãO CONDUZIDAS DE MODO DITATORIAL PELA DIRETORIA DO
SINDICATO, desde a fase de definição da pauta de reivindicação
(chegou-se ao cúmulo de ter uma pesquisa via internet como
indicação para a pauta), sem reuniões e assembléias que permitam
a todos os trabalhadores apresentar suas propostas e se preparar para
lutar coletivamente por elas, até a própria greve, que teve apenas
cinco assembléias. As assembléias são burocráticas, não se abre
o direito à fala para que se façam propostas, e quando há falas,
não se colocam as propostas em votação, e quando há votação,
não se abre direito de defesa, ao passo que a diretoria fala durante
horas. Os trabalhadores são convocados apenas para levantar o
crachá. A diretoria está tão desmoralizada e sem base social que
precisa convocar os gerentes em massa, em acordo com a direção dos
bancos, em assembléias as 19:00 hs, para votar o fim da greve, pois
não é capaz de convencer os grevistas. 

	EM RESUMO, A GREVE DE 2010 FOI FORTE PORQUE TEVE GRANDE ADESãO, MAS
FOI FRACA PORQUE TEVE BAIXA PARTICIPAçãO, UM PARADOXO QUE Só SE
EXPLICA PELO FATO DE QUE OS BANCáRIOS ESTãO REVOLTADOS COM OS
SALáRIOS E O VOLUME DE TRABALHO, MAS NãO ACREDITAM MAIS NO ATUAL
MODELO DE CAMPANHA SALARIAL. 
	COMO VIRAR A MESA EM 2011 
	A PREPARAçãO DE UMA CAMPANHA SALARIAL DEVE COMEçAR ASSIM QUE
TERMINA A ANTERIOR. Cada ano tem suas características, em função
dos eventos do calendário, que em 2010 teve Copa do Mundo e
eleições gerais. Por isso defendemos desde fins de 2009 que a
preparação da campanha salarial fosse antecipada, para evitar os
problemas que tivemos este ano... 

	EM 2011 TEREMOS ELEIçõES PARA A DIRETORIA DO SINDICATO DOS
BANCáRIOS DE SãO PAULO, OSASCO E REGIãO, o mais importante do
país, com mais de 120 mil trabalhadores na base, capaz de determinar
com seu peso os rumos das lutas da categoria em nível nacional. A
eleição acontece em maio e para estar apto a votar é preciso estar
sindicalizado pelo menos seis meses antes. 

	A eleição para a diretoria do sindicato é uma excelente
oportunidade para colocar em discussão um projeto de sindicalismo
para os trabalhadores bancários. Esse projeto, na nossa concepção
envolve duas tarefas: 

	1º) A PRIMEIRA E PRINCIPAL TAREFA, COM OBJETIVOS DE LONGO PRAZO, é
CONSTRUIR UM MOVIMENTO EM QUE OS BANCáRIOS SEJAM DE FATO
PROTAGONISTAS. Devemos organizar os trabalhadores por banco e por
região, com reuniões periódicas, para discutir as questões que
mais afetam os bancários no seu dia a dia, e também a preparação
das campanhas salariais, a formação de comandos de greve e piquetes
independentes da diretoria. Independentemente de quem ganhar a
eleição de 2011, é preciso organizar um movimento de trabalhadores
de base, a partir dos delegados sindicais, onde houver, ou
representantes reconhecidos dos locais de trabalho. A organização
de base é o ponto de partida para que haja mais avanços nas lutas,
esteja a diretoria do sindicato trabalhando a favor ou contra, como
está hoje. Essa organização deve ser permanente, antes, durante e
depois das campanhas salariais e eleições sindicais. 

	2º) FORMAR UMA CHAPA DE OPOSIçãO UNIFICADA PARA A ELEIçãO DE
2011. A proposta acima deve ser a base também para a formação de
uma chapa de oposição. Desde agora até a formação da chapa e a
eleição, devemos chamar os bancários para discutir propostas para
uma renovação do sindicalismo, que devem fornecer o conteúdo para
o programa da chapa. E passada a eleição, com vitória ou derrota,
devemos chamar os bancários para seguir defendendo essas propostas. 

	COMO CONTRIBUIçõES PARA O PROGRAMA, APRESENTAMOS DOIS EIXOS DE
PROPOSTAS INICIAIS: 

	1. Fim do presidencialismo, diretoria colegiada, com igual
responsabilidade para todos os integrantes da chapa, revogabilidade
dos mandatos em assembléia, uma reeleição no máximo, renovação
de metade da diretoria a cada mandato, proporcionalidade direta na
composição da diretoria, transparência na prestação de contas,
democracia nos fóruns e publicações da entidade; 

	2. Defesa das reivindicações históricas dos bancários:
estabilidade no emprego para trabalhadores de bancos privados;
reposição de perdas e isonomia nos bancos públicos; e outras. 

	COMO MéTODO PARA FORMAçãO DA CHAPA, DEFENDEMOS UMA CONVENçãO
ABERTA a todos os bancários, que teria como principal ponto de
discussão o programa da chapa. Depois de votado o programa, que é o
principal, discutem-se os nomes para compor a chapa. 

	FAZEMOS ESSE CHAMADO PARA CONSTRUIR UMA CONVENçãO ABERTA A TODOS
OS BANCáRIOS, independentemente de sua preferência por partido ou
central sindical. Para ter alguma credibilidade como grupo de
oposição, O COLETIVO BANCáRIOS NA LUTA/INTERSINDICAL DEVE ROMPER
COM A DIRETORIA do sindicato, recusar-se a formar um chapão com a
Articulação e participar da construção de uma Chapa de Oposição
Unificada. CHAMAMOS TAMBéM OS COMPANHEIROS DO MNOB/CSP-CONLUTAS para
este debate sobre concepção de sindicalismo, para que do debate
aberto com toda a categoria em uma convenção democrática possa
surgir um programa que seja a síntese das aspirações dos
trabalhadores. 

	E CHAMAMOS PRINCIPALMENTE OS BANCáRIOS PARA MUDAR O SINDICATO,
MUDAR O SINDICALISMO, MUDAR A FORMA DE ORGANIZAR OS TRABALHADORES,
PARA QUE TOMEM SUAS VIDAS E SUA HISTóRIA EM SUAS PRóPRIAS MãOS. UM
OUTRO SINDICATO é POSSíVEL! 
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