[Bancariosdebase] Artigo para o Jornal do BdB

hugoscabello em riseup.net hugoscabello em riseup.net
Quarta Setembro 8 23:41:38 UTC 2010


Engraçadíssimo =]

http://passapalavra.info/wp-content/uploads/2010/08/o_anzol-026.jpg





> Desculpe-me Marcio... Segue o texto no corpo, contudo ainda preciso fazer
> uma versão curta pra por no jornal (acho que tá nos 7000 caracteres). Sem
> falar de alguns retoques e tal...
>
> Peço sugestões!
>
> E, estou pensando em publicar no passa-palavra
> (http://passapalavra.info/), tudo bem? Eles tão preparando uma serie de
> artigos sobre burocratização de movimentos sociais, daí cairia
> perfeitamente meu texto.
>
> Hugo
>
> Autonomia sindical e as eleições
>
> 	Sempre que o espetáculo eleitoral entra em cartaz, assistimos
> passivamente o desenrolar do mesmo roteiro de sempre: velhos e novos
> rostos sujam nossos espaços públicos com velhas promessas ocas, nos
> forçando a escolher como será a distribuição dos privilégios e poderes
> entre as diferentes facções mafiosas do atual cenário político.
> Lideranças comunitárias aderem à campanhas, grandes empresas as
> financiam, associações de bairro se enchem de faixas, alguns
> trabalhadores cansados agitam bandeiras nas avenidas, enquanto outros
> distribuem panfletos; em todo lugar, e a todo momento, candidatos esmolam
> votos para seus números identificadores. E tudo isso – todos nós sabemos
> – sumirá, num passe de mágica, ao termino de um punhado de meses: a
> interação com o espetáculo da política parlamentar voltará a ser, para a
> grande maioria do povo, uma série de shows transmitidos pelos canais de
> televisão estatais (tevê senado, tevê câmara, tevê justiça, etc.), aos
> quais os jornais e revistas dão especial atenção. Com a redistribuição de
> cadeiras terminada, a oligarquia dos representantes retorna as frias,
> secas, e distantes câmaras palacianas do planalto para continuarem seus
> vis jogos de poder e opressão.
> 	Nosso mundo sindical não foge a regra, é igualmente tomado pela sazonal
> febre das urnas: os espaços de nossas sedes são usados para comícios
> eleitorais, showmícios, ou mesmo como base estratégica de candidaturas;
> congressos sindicais são usados como apoio para presidenciáveis, centrais
> sindicais apoiam e participam abertamente de campanhas eleitorais;
> revistas e jornais servem como veículos de propaganda, diversos
> sindicalistas anunciam suas candidaturas. Todo espaço sindical sofre
> constante ameaça de ser transformado num palanque eleitoral. Enfim, a
> estrutura sindical inteira do país, a qual deveria servir exclusivamente
> para defender os interesses das diversas categorias que constituem a
> classe trabalhadora, é colocada a serviço das camarilhas eleitorais.
> Inclusive, já tomamos essa sequência de cenas como normal e cotidiana –
> afinal de contas até nosso atual presidente, nosso patrão maior da
> política, fez seu nome no sindicalismo.
> 	Contudo, quanto mais o fenômeno da parlamentarização se dissemina pelo
> movimento sindical, mais seus males tornam-se realidade, e, portanto,
> ficam facilmente visíveis. Estes “efeitos colaterais” podem ser
> entendidos como consequências de duas contradições intrínsecas ao
> sindicalismo eleitoral: 1. os interesses particulares dos conluios
> eleitorais constantemente entram em conflito com os da categoria, e, de
> maneira geral, os sobrepõem; 2. O movimento sindical (assim como qualquer
> outro movimento social) constrói sua força política através da
> mobilização de massas, sendo assim, ele não deve, de maneira alguma, se
> tornar a extensão de um partido eleitoral – pois no universo de qualquer
> categoria de trabalhadores existem eleitores de diferentes partidos (ou
> mesmo de nenhum partido), e sindicato nenhum pode se dar ao luxo de
> contar apenas com eleitores simpatizantes duma determinado facção, sem
> pagar o preço de perder sua força política.
> 	Quanto mais os trabalhadores são colocados em segundo plano, e seus
> interesses traídos incessantemente, menos estes se sentem representados
> por suas entidades (que de fato não o representam), menos veem a luta
> coletiva como alternativa para melhora da situação da categoria e da
> classe como um todo, resultando numa busca de melhoria de vida através de
> saídas individuais (ascensão na hierarquia da empresa por exemplo). A
> consequência final do sindicalismo eleitoreiro é uma apatia
> despolitizadora da categoria em geral, um distanciamento cada vez maior
> da direção à base da categoria (que tende a ser tratada como gado).
> Distancia esta que, pouco a pouco, se transforma em repúdio.
> 	Não por acaso o ápice de combatividade – e também da capacidade de
> mobilização – do sindicalismo CUTista fora nos anos oitenta, precisamente
> quando as ambições parlamentares das pessoas envolvidas na CUT/PT não
> passavam de sonhos longínquos. Durante esses anos, esta central conseguiu
> mobilizar diversas greves fortes e importantes. Mobilizou, até mesmo,
> greves gerais, as quais foram importantíssimas para a situação política
> nacional, e também para conquista de direitos para a classe trabalhadora.
> Nossa categoria, por exemplo, arrancou sua merecida jornada de trabalho
> de seis horas nessa época. Contudo, quanto mais o projeto CUT/PT se
> orientava para a conquista de espaço – e aceitação – dentro da
> instituição política da classe dominante (o Estado), mais os interesses
> da classe trabalhadora entravam em conflito com os interesses
> partidários. Até chegarmos aos dias atuais: como justificar, perante os
> interesses da categoria bancária, um calendário de “enrolação permanente”
> que se estende até depois do primeiro turno eleitoral? Isso sendo sabido
> que o momento imediatamente anterior ao eleitoral é estrategicamente
> benéfico aos trabalhadores e suas reivindicações; a eleição é um momento
> de vulnerabilidade para os poderosos, pois estes são forçados a evitarem
> atitudes antipopulares, ao custo de perderem votos e, consequentemente,
> espaço na máquina estatal.
> 	A única explicação plausível para a nossa campanha salarial ser jogada
> para depois das eleições é a priorização dos interesses partidários em
> detrimento dos interesses dos trabalhadores bancários. Nossos dirigentes
> não querem: 1. correr o risco de que uma greve forte em instituições do
> governo federal venha a manchar a imagem da candidata deles a sucessão do
> trono brasiliense; 2. trabalhar numa campanha salarial no momento, pois,
> é nítido que estes preferem dedicar seu tempo as suas próprias
> candidaturas do que à defesa de nossos direitos trabalhista. Apesar
> disso, não devemos nos surpreender com esta postura das pessoas
> envolvidas na CUT/PT, já que, hoje, o interesse principal desse grupo
> tornou-se a manutenção de sua inserção na máquina estatal, isto é, manter
> os privilégios, o poder, e as mamatas, conferidos aos “iluminados” de
> Brasília.
> 	Também não por acaso que o auge do movimento sindical, em terras
> brasileiras, tenha se dado no primeiro quarto do século passado. Os
> nossos pioneiros sindicalistas, já nessa época, tinham consciência da
> importância da autonomia para a construção da força do movimento. E de
> fato este princípio permeou toda a malha de organizações de
> trabalhadores: estava presente nos documentos organizativos de
> sindicatos, federações e confederações. A força deste sindicalismo 'sem
> rabo preso” fora demonstrada em diversas manifestações, greves (a
> primeira greve geral do Brasil fora deflagrada ainda em 1913), e até
> mesmo numa desastrada, porém corajosa, tentativa de insurreição em 1918
> no Rio de Janeiro. Os frutos colhidos pela classe trabalhadora advindos
> desse período intenso de luta abrangem todos os direitos trabalhistas,
> que futuramente serão concentrados e “oficializados” pela Consolidação
> das Leis Trabalhistas (CLT) – a jornada de trabalho de 8 horas, por
> exemplo, fora conquistada já em 1908 pelos trabalhadores da construção
> civil.
> 	Entretanto, gostaria de deixar claro que meu esforço não é no sentido de
> glorificar de maneira mistificadora o passado brasileiro do movimento dos
> trabalhadores, mas sim de estudar os acertos e as limitações das
> diferentes propostas sindicais já tentadas na nossa terra, de maneira a
> termos um terreno sólido para edificarmos um novo sindicalismo capaz de
> superar a atual crise do movimento. Crise esta caracterizada pela
> burocratização, partidarização (subordinação do sindicalismo aos
> interesses eleitorais) e engessamento despótico da estrutura sindical, e
> que tem, como outra face da moeda, a apatia, a despolitização, e o
> repúdio ao sindicalismo.
>
> Fora eleitoreiros dos sindicatos!
> Sindicato é pra lutar, não pra eleger novos e velhos abutres de colarinho!
> Bancários de base por um sindicalismo classista, autônomo e democrático!
>
>
>
>
>
>> Segue anexado.
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