[Bancariosdebase] Poemas e textos para a greve
Ana Paula Lima Freire
anipa.freire em yahoo.com.br
Domingo Setembro 19 22:55:32 UTC 2010
Olá compas,
Durante nossas conversas tivemos várias ideias para a greve e os piquetes. Uma
delas é de fazermos uma barraca cultural em frente aos centros de tecnologia ou
administrativos (caso não haja enfrentamento, é claro). Daí comecei a separar
pequenos textos e poemas que tenham mensagens de reflexão sobre a luta dos
trabalhadores e questões de modo de vida, critica ao sistema, politica,
burocracia, etc. Enfim, textos para serem lidos, compartilhados, recitados,
encenados... para fazermos piquetes criativos, que sensibilizem nossos colegas
bancários, clientes, transeuntes...
Lembrei daquele texto que saiu em um do nossos jornais (faz bastante tempo, eu
ainda não pertencia ao grupo) que o Messias (acho) escreveu e eu adorei. Era uma
livre adaptação do poema "Quadrilha" do C. Drummond Andrade. Pensei que
este deveria entrar na seleção, talvez com algumas adaptações... Messias, vc
ainda tem esse texto? Topa colocá-lo nesse projeto?
Além disso estava fazendo uma adaptação do poema do Vinicius "ollha aqui Mister
Buster" para falar com o "Banqueiro"... Gostaria de sugestões, e de uma critica
"construtiva" digamos... Vejam se gostam, se propoem alterações, etc. Segue em
anexo alguns textos que selecionei para esse mesmo fim. Vejam se gostam... É
isso. Na nossa reunião podemos dar mais detalhes das ideias que surgiram.
Olha aqui Sr. Banqueiro
(adaptação livre do poema “Olha aqui Mister Buster” de Vinicius de Moraes)
Olhe aqui, Sr. Banqueiro: está muito certo
Que o Sr. tenha agências no Brasil e no estrangeiro.
Está muito certo que em suas agências
O Sr. tenha cofres cheios, além de muitos
caixas 24 horas trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar
insônia
Está muito certo que em todas as suas agências
O Sr. tenha atendimento personalizado capaz de conservar o seu preconceito
social
Por muitos anos a vir, e internet Bankins com mais acessos a cada dia
e máquinas de autendicar
Gerando lucros capazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto
capital em vão no mercado Norte Americano
Está certo que em sua mesa cifras saltem nervosamente de calculadoras
automáticas sem lhe dar nenhum esforço
Que seu lucro cresça a cada ano sem seu banco produzir nada
E suas portas se abram com célula fotelétrica. Está muito certo
Que o Sr. tenha uma equipe de gestores de confiança que aprenderam com o sr. a
cobrar metas e meter medo.
Isto sem falar nos carros fortes e empresas de segurança
Com radares e câmeras espalhados por todos os andares, menos nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Banqueira seja citada uma vez por mês na revista
Caras
E tenha dois psiquiatras: um em São Paulo, e outro em Los Angeles, para as duas
"estações" do ano.
Está tudo muito certo, Sr. Banqueiro – o Sr. ainda acabará comprando o
governador do seu estado
E sem dúvida o presidente, além de muitas consciências enlatadas.
Mas me diga uma coisa, Sr. Banqueiro
Me diga sinceramente uma coisa, Sr. Banqueiro:
O Sr. sabe lá o que é abrir e fechar um caixa?
O Sr. sabe lá o que são metas infindáveis, cobranças e mais cobranças?
O Sr. sabe lá o que é extrapolar sua jornada de trabalho todos os dias?
O Sr. sabe lá o que é o salário acabar antes do fim do mês?
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