[Bancariosdebase] proposta para reunião de sábado
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Sexta Setembro 24 20:08:33 UTC 2010
Olá comp em s do Bancários de Base
Estou apresentando uma proposta de roteiro para a nossa reunião do
próximo sábado, a fim de agilizar o trabalho. Comentários e
adendos serão bem-vindos.
1. Eixo político
2. Intervenção
3. Texto e propostas do panfleto (frente)
4. Verso do panfleto (qual dos textos do jornal entra no verso do
primeiro panfleto)
5. Fechamento do panfleto (finalização dos textos, diagramação,
tiragem, impressão)
6. Cartazes, palavras de ordem e “performances”
7. Filmagem
8. Listas de contatos
Sobre os pontos 4 a 8 não desenvolvi nenhuma proposta, apenas sobre
os três primeiros. Em relação a esses três primeiros pontos
apresento a seguir minhas propostas e a defesa delas.
1. Antes de prepararmos o operativo para a assembléia, é
importante definir com bastante precisão o eixo político da nossa
intervenção. Definido esse eixo, dele decorre o que vamos escrever
no panfleto, nos cartazes, quais serão as palavras de ordem que
vamos puxar, etc. Por eixo político entende-se a definição sobre
se vamos defender a greve ou não, e de que forma vamos defender.
Sou a favor de defender a greve, o que não significa a greve de
qualquer jeito ou do jeito da articulação. Precisamos defender a
greve por dois motivos:
a) É o melhor para a categoria. Sem greve não conseguiremos nada.
A greve é a única forma de forçar a patronal a melhorar a
proposta. Uma campanha sem greve é tudo que os banqueiros, a
burocracia e o governo querem. Por mais problemática que seja a
greve (e sabemos muito bem o quanto têm sido problemáticas!), a
greve ainda é nosso único recurso. A greve é também a única
possibilidade de que haja uma rebelião de base, mesmo que limitada,
que permita que um setor de ativistas, mesmo que pequeno, entre em
confronto com a burocracia, mesmo que parcial, e se aproxime da nossa
proposta, mesmo que de forma ainda inicial.
b) O clima que está se armando é inteiramente pró-greve. A
esmagadora maioria dos bancários que vão para a assembléia vão
para aprovar a greve. A burocracia, a Intersindical e o MNOB vão
defender greve. Vão fazer pose de combativos e dizer demagogicamente
que o índice da Fenaban é inaceitável, etc., e vão levar a base
deles para aplaudí-los. Não podemos ficar com o ônus de ser o
único grupo que vai defender contra a greve. Portanto, não podemos
deixar margem de dúvida de que somos a favor da greve. Nosso eixo
não deve ser contra a greve, mas QUAL A GREVE QUE PRECISAMOS.
Estando definido que somos a favor da greve, precisamos avaliar se
vale à pena, apenas para ter a simples possibilidade de falar no
microfone (que deveria ser um direito nosso, mas não é), correr o
risco de parecer que somos contra a greve. Se um de nós pedir para
falar para defender contra a greve, a articulação pode simplesmente
não permitir (ou permitir, e desligar o microfone), e de lá de cima
do palco usar o monopólio do microfone para nos ridicularizar, nos
chamar de pelegos, convocar uma vaia da sua claque e dos bancários
contra nós, etc., fazendo com que fiquemos queimados perante a base,
entre outras manobras.
Dito como está acima, pode dar a impressão de que não temos
opção e de que a articulação tem o controle total da assembléia,
o que é quase verdade. Precisamos encarar esse fato com toda sua
dramaticidade, pois é o que tem acontecido nos últimos anos.
Estamos lidando com profissionais, gente que vive disso, de
desorganizar os trabalhadores. Temos que ter uma avaliação muito
realista das nossas possibilidades, que são restritas, em função
de tudo aquilo que (não) foi feito ao longo do ano, conforme já
caracterizamos. Nossa chance de mudar o script da assembléia é
muito reduzida, e para isso precisamos de um tiro muito certeiro, de
uma política muito precisa, que consiga achar uma brecha na muralha
da articulação. A partir dessa rachadura é que podemos ter a
chance de trazer a base para o nosso lado e explodir a assembléia.
O script da assembléia prevê que a única votação seja greve ou
não greve. Depois que se vota greve, a assembléia acaba e vão
todos para casa. Nossa única chance de romper com o script é
conseguir que haja outras votações. Para conseguir que haja outras
votações, temos que conseguir o direito de apresentar propostas,
para exigir que sejam votadas. Para conseguir apresentar propostas,
temos que garantir o direito de falar. Para conseguir o direito de
falar, temos que defender que os bancários possam falar.
Portanto, nosso eixo na assembléia deve ser PELO DIREITO À FALA.
Nosso panfleto, nossos cartazes, nossas palavras de ordem, devem
estar centradas em exigir democracia na assembléia. O direito de
falar numa assembléia, o pressuposto mais elementar da democracia
operária, precisa ser recuperado pelos trabalhadores bancários. Uma
vez que pudermos falar, e que os bancários da base possam falar, aí
poderemos fazer propostas e exigir que sejam votadas. Essa é a
única possibilidade de mudar o script da assembléia, da greve e da
campanha salarial.
2. É em torno da proposta de eixo acima que se estrutura a proposta
de intervenção. A intervenção na assembléia deve estar
hierarquizada pela política. Nossa política, de acordo com a
proposta acima, teria como centro o direito à fala. Portanto, nossa
luta contra a articulação deve ser para conseguir o direito à
fala, para nós mesmos e para os demais bancários da base. Disso
depende todo o resto.
Podemos colocar uma questão de ordem, pedindo que se coloque em
votação o ordenamento da assembléia, abrindo o direito para que os
bancários falem, antes da votação de greve ou não greve. Esse
ponto é absolutamente crucial, pois só antes da votação da greve
teremos condições de defender alguma outra proposta.
Na defesa da questão de ordem podemos explorar o fato de que os
bancários tem poucas oportunidades de debater durante a preparação
da campanha (em função de que a articulação não organiza a
campanha, pois prioriza seus interesses eleitorais); de que há uma
diversidade de pensamentos, organizados em correntes ou não, que
não necessariamente concordam com a diretoria do sindicato, e que
devem ter o direito de se expressar; e de que o debate é pedagógico
para os trabalhadores.
Podemos exigir que se abra um determinado número de falas. Mas para
impedir que a articulação manobre essa proposta, podemos colocar o
adendo de que sejam falas para bancários da base, não para
diretores do sindicato. Ficaria mais ou menos assim: “que se abram
10 falas para bancários da base que não são diretores do
sindicato.”
Se conseguirmos uma única fala, através da questão de ordem ou
não, devemos deixar claro que somos a favor da greve, que todos
estão ali para aprovar a greve, que a votação de greve é apenas
uma formalidade, mas o verdadeiro debate não é greve ou não greve
e sim qual a greve que precisamos: uma greve com participação, com
democracia, etc.
Se conseguirmos as inscrições para bancários da base, que nos
dêem a oportunidade de fazer mais de uma fala, outro integrante do
grupo pode se inscrever para apresentar as demais propostas listadas
em nosso panfleto.
3. Proposta de panfleto para a assembléia.
UM OUTRO SINDICATO É POSSÍVEL, OUTRO TIPO DE GREVE É NECESSÁRIO!
SÓ COM GREVE PODE HAVER CONQUISTA! SÓ A LUTA MUDA A
VIDA!
4,29% é um verdadeiro insulto, já que entra governo,
sai governo, com crise econômica ou sem crise, o lucro dos bancos
aumenta 20 ou 30% todo ano. Podemos e merecemos ganhar mais. Mas o
aumento que queremos e precisamos não vai cair do céu. A única
saída é a GREVE!
O DEBATE NÃO É “GREVE” OU “NÃO GREVE”, MAS:
QUAL A GREVE QUE PRECISAMOS!?
Todos os anos as assembléias têm o mesmo formato: a
diretoria do sindicato fala e os bancários comparecem apenas para
levantar o crachá, como se fossem apenas figurantes. Somos contra
esse script! A greve não é da diretoria do sindicato, é dos
trabalhadores! Antes de votar greve ou não greve, os bancários
devem ter o direito de se inscrever para falar, para dizer o que
pensam, para conhecer outras linhas de pensamento, para decidir como
melhor organizar a greve.
QUE OS BANCÁRIOS DA BASE POSSAM FALAR NAS ASSEMBLÉIAS!
Os bancários têm poucas oportunidades de debater
durante a preparação da campanha, pois a diretoria do sindicato
não organiza assembléias, plenárias, reuniões. A campanha
salarial é uma das poucas oportunidades em que os bancários têm a
chance de debater e refletir. Mas para isso é preciso que seja
garantido o direito de que os bancários possam se inscrever para
falar em todas as assembléias, sejam filiados a partidos e correntes
ou não.
QUE AS ASSEMBLÉIAS SEJAM NO HORÁRIO DOS GREVISTAS!
As assembléias do período de greve não podem ser à
noite, quando os gerentes e fura-greve aparecem para votar contra.
Todas as assembléias, até o fim da greve, devem ser às 15:00, para
que os grevistas, que constróem o movimento, possam decidir seu rumo.
PIQUETES POR REGIÃO!
Os piquetes não podem acontecer a cada dia num local
diferente. Que cada região ou avenida em que haja uma concentração
de agências organize o seu piquete. Depois de garantir a
paralisação no local por vários dias seguidos, os bancários que
formam o piquete podem planejar a ida a outras regiões para
fortalecer o movimento.
COMANDOS DE GREVE DIÁRIOS!
Deve haver reuniões diárias e abertas do comando de
greve antes das assembléias para avaliar o movimento, com direito a
voz e voto para todos os ativistas que estão construindo o
movimento.
QUE A MESA SEJA ELEITA NO INÍCIO DE CADA ASSEMBLÉIA!
Os diretores do sindicato não podem se auto-nomear para
dirigir todas as assembléias. Os nomes que vão formar a mesa devem
ser submetidos a votação no início de cada assembléia.
CONTRA OS SEGURANÇAS NA QUADRA!
ASSEMBLÉIAS UNIFICADAS ATÉ O FIM!
As assembléias separadas de BB, CEF e bancos privados
enfraquecem a luta de quem permanece em greve sozinho. As
assembléias devem ser unificadas até o fim da greve.
QUE OS BANCÁRIOS POSSAM ESTAR NA MESA DE NEGOCIAÇÃO!
A diretoria do sindicato não pode ter um mandato
“biônico” para centralizar todas as atividades. Os
representantes na mesa de negociação devem ser escolhidos e ter seu
mandato referendado em cada assembléia.
INFORMES DA SITUAÇÃO NACIONAL!
Somos uma categoria nacional, com trabalhadores em luta
em todo o país. Nossas assembléias devem ter informes da
mobilização nos outros estados.
PRECISAMOS DE UMA GREVE DE VERDADE, QUE DÊ PREJUÍZO
AOS BANCOS!
Nos últimos anos temos agências “fechadas” com uma
faixa escrito “greve” e os bancários trabalhando do lado de
dentro. Precisamos de uma greve que paralise os bancos de fato, em
que setores como auto-atendimento, compensação e tecnologia parem
de funcionar, para afetar o lucro dos bancos. Para isso, é preciso
organizar piquetes e táticas diferentes e mais criativos.
-------------- Próxima Parte ----------
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