[Bancariosdebase] [espacointerno]NOTA DE REPÚDIO À INTERNAÇÂO COMPULSÓRIA

Daniel tzitzimitl em terra.com.br
Domingo Agosto 7 21:32:20 UTC 2011


 
	NOTA DO ESPAÇO SOCIALISTA  
	EM REPÚDIO À INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA 
	            Durante meses temos visto a mídia burguesa tentando
horrorizar o povo por meio de seus noticiários, especiais e demais
programas apelativos e invasivos abordando a população de rua
usuária de crack e de outras drogas, inclusive crianças e
adolescentes e selecionando cenas do cotidiano da cracolândia
paulista, veiculando assim imagens que mostram somente recortes da
vida daquelas pessoas em seus piores momentos, como se elas não
tivessem vida para além daqueles instantes, muito menos vontade
própria. 

	            Por trás dessa falsa preocupação da burguesia e de seu
Estado com a vida dessas pessoas em situação de risco, os governos
estão criando a política de internação compulsória, retirando
pessoas à força das ruas e internando em clínicas de
reabilitação. Uma análise mais profunda dessa política é
necessária para que se entenda a sua verdadeira motivação, que é a
de defender interesses meramente econômicos e políticos de uma
minoria. 

	            Para fingir que se importam e ao mesmo tempo firmarem
suas alianças com a burguesia, os governos favorecem um setor
específico dela, os proprietários de clínicas de reabilitação. Em
São Paulo, antes mesmo de consultar o povo e os trabalhadores do
serviço social, os contratos com as clínicas de reabilitação já
estão fechados e as brechas na lei estudadas, mostrando claramente
que o interesse da burguesia em lucrar com a situação se sobrepõe a
qualquer suposta preocupação com o povo das ruas. 

	            Os projetos de revitalização do centro novo de São
Paulo já mostram há tempos a que vieram. A internação compulsória
representa também mais uma das políticas higienistas que visam
“limpar” o centro da cidade, abrindo espaço para a especulação
imobiliária e o aproveitamento lucrativo daquelas áreas atualmente
consideradas pelos empresários como subaproveitadas. Sabemos também
que os grandes centros urbanos do país se preparam para ser uma
vitrine do Brasil perante o mundo para a Copa e as Olimpíadas, e a
presença dos moradores de rua não ajuda o governo a esconder a
desigualdade social. 

	            No Rio de Janeiro a política já está sendo aplicada e
o que vemos são policiais de armas em punho retirando moradores de
rua à força e indiscriminadamente dos locais em que se encontram,
inclusive impondo-lhes um toque de recolher, de modo que qualquer
criança ou adolescente encontrada na rua à noite pode ser capturada.
Voltamos aos ditames semelhantes à época da ditadura militar. 

	            A contradição entre discurso e prática é tão nítida
que a política de internação compulsória alega querer resolver um
problema social mas o faz na base da violência e ignorando os motivos
pelos quais uma pessoa por exemplo chega ao ponto de frequentar a 
cracolândia. Essas crianças e adolescentes moradores das ruas, alvo
da política de internação compulsória, são ex-moradores das
periferias, filhos de trabalhadores, e já sofreram anteriormente em
suas casas violências, abuso sexual, privações materiais, vários
tipos de exploração e uma série de outras violações de seus
direitos fundamentais; são, portanto, produto da miséria que
alimenta a sociedade capitalista. Forçá-los a uma internação e
depois jogá-los novamente nas ruas ou em suas antigas casas não tira
de suas vidas a miséria e as consequentes violências que a
acompanham, obrigando-os a retomarem o ciclo de sobrevivência
anterior, que inclui o uso de drogas, o tráfico, o roubo e a
prostituição e as ruas como moradia. 

	            A mídia tenta jogar a população trabalhadora contra os
usuários de droga moradores de rua, animalizando sua imagem na
televisão e generalizando seu comportamento, atribuindo-lhes um
padrão violento de comportamento e apontando o roubo como uma suposta
prática sistemática dessa população. Ambos são mentiras, pois é
científicamente provado que o crack, por exemplo, não desencadeia
comportamentos violentos no usuário e quem conhece a vida destas
crianças e adolescentes sabe que nas ruas o roubo é muito menos
praticado como meio de vida e de sustentar o vício do que a
mendiçância e a prostituição, por exemplo. 

	            Sabemos que o município de São Paulo tem uma rede de
assitência social que funciona muito mal, na base de parcerias com
ONGs, pautada no emprego de postos precarizados de trabalho e com uma
estrutura enxuta e insuficiente, e que não será dado respaldo algum
a essas crianças e adolescentes depois que saírem das clínicas.
Sabemos também que o Estado não oferecerá garantias de uma vida
melhor a estas crianças após o tratamento, não oferecerá moradia,
nem trabalho, nem escola de qualidade, nem nada, reservando a eles a
mesma miséria de antes da internação. É necessário humanizar o
tratamento aos dependentes de drogas, mas para isso seria preciso que
tivéssemos uma assistência social muito melhor equipada, o que não
está nos planos da burguesia. 

	            A abordagem sistemática e insistente da mídia a temas
relacionados à questão evidencia uma tentativa de convencer os
trabalhadores a legitimar esta internação complusória e jogá-los
contra o povo morador das ruas. Políticas autoritárias como estas
não servem aos trabalhadores e são manifestações que mostram que
as tendências de ultradireita estão retomando a força e esta é
mais um exemplo da série. A prioridade dos governos burgueses é
reativar a economia capitalista, que no nível mundial não saiu da
crise. No Brasil, o governo e os patrões não querem permitir
qualquer sinal de rebeldia ou insatisfação. Os trabalhadores terão
que ser disciplinados à força, se preciso. A repressão é
ferramenta da burguesia e só a ela serve, aos trabalhadores ela só
vitimiza e massacra. 

	            Não somos defensores das drogas e encaramos seu uso por
estas crianças e adolescentes nas ruas como produto da miséria
societal capitalista da qual são vítimas. O capitalismo vive da
exploração da classe trabalhadora pela burguesia e o povo das ruas
nem a esta exploração serve, portanto é tratado com mais
brutalidade ainda, é mais criminalizado e massacrado. Nós,
trabalhadores, não podemos legitimar este massacre, e por isso
mostramos nosso total repúdio à política de internação
compulsória. Pelo fim da internação complusória no Rio de Janeiro
e pela não aprovação em São Paulo e em nenhum lugar do país! Pela
garantia de moradia digna, por salário digno, por sistemas de saúde
e educação públicos, gratuitos e de qualidade para todos, para que
ninguém tenha que viver nas ruas! Em defesa da vida dos moradores de
rua e da classe trabalhadora, na luta por uma sociedade sem violência
e exploração, pela construção de uma sociedade socialista! 
	Espaço Socialista 

	Agosto de 2011 
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