[Bancariosdebase] rascunho texto campanha 2011
Daniel
tzitzimitl em terra.com.br
Segunda Agosto 15 23:42:24 UTC 2011
Olá comp em s [1] do Bancários de Base
Conforme deliberação da última reunião, segue proposta inicial do
texto para a campanha salarial 2011.
Lembrando que a proposta é:
1º) depois de fecharmos o texto entre nós, mandar para a lista de
contatos;
2º) a partir do retorno que tivermos, fechar o texto na próxima
reunião, no sábado dia 21;
3º) enviar o texto para os companheiros da Frente Nacional de
Oposição como contribuição para o jornal da Frente;
4º) a partir desse texto, construir a cartilha de greve, cortando ou
incorporando o que for necessário.
Saudações
Daniel
"A sociedade que aboliu a aventura tornou a abolição dessa
sociedade a única aventura possível” anônimo, pichado nos muros
de Paris no maio de 1968
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Colegas bancári em s
Estamos nos aproximando dos momentos mais importantes da campanha
salarial 2011, em que se discute a possibilidade de greve.
Nós do Coletivo Bancários de Base estamos apresentando para
discussão algumas das idéias que temos debatido em nossas reuniões
e nos nossos locais de trabalho.
Gostaríamos que os colegas nos dessem suas opiniões, comentários e
críticas ao longo desta semana, para que tenhamos uma síntese do que
vamos defender na campanha.
A GREVE QUE NÃO QUEREMOS
Nos últimos anos nossas campanhas salariais têm tido um mesmo
formato: pouca organização, pouca mobilização, pouca
participação. Em função disso, a direção do nosso sindicato, que
é também a direção nacional da categoria, consegue aprovar acordos
que são insuficientes em relação a nossas demandas, e ainda
apresentar tais acordos como “vitórias”. A falta de respaldo
dessa diretoria é tamanha que, para encerrar as campanhas, precisa
convocar em massa os gerentes e fura-greve, em assembléias no
horário da noite, para aprovar os acordos, pois os grevistas jamais
aceitariam as propostas rebaixadas.
A greve que temos em São Paulo é na verdade uma greve de fachada,
com uma faixa de greve na frente das agências e os bancários
trabalhando no seu interior. É uma greve que barra os clientes das
agências, privando a população dos serviços bancários, mas não
paralisa os lucros dos bancos. Os bancários continuam trabalhando nas
agências “fechadas”, os clientes de alta renda continuam sendo
atendidos normalmente, as metas de vendas continuam sendo cumpridas.
Há gerentes que facilitam a “greve”, pois a ausência de clientes
(pobres) ajuda a fazer negócios, configurando uma situação de
“lock-out” (greve patronal), ao invés de uma greve de
trabalhadores. Além disso, o auto-atendimento e a internet continuam
funcionando, de modo que a greve tem um efeito insignificante no
resultado dos bancos.
Isso não significa que os bancários não queiram fazer greve, pois
a adesão tem sido razoável em várias campanhas. Um número
importante de bancários não vai trabalhar, estando nominalmente em
greve. Mas esses bancários, em sua maioria, não comparecem às
atividades de greve, não vão a piquetes para ajudar a parar outros
locais de trabalho, e não vão às assembléias. Fazem greve porque
não suportam mais as condições de trabalho e precisam de
“descanso”, mas não porque acreditam no movimento
reivindicatório.
Evidentemente, isso está relacionado à pouca representatividade da
diretoria do sindicato que negocia em nosso nome. A direção do nosso
sindicato e do movimento nacional da categoria tem como prioridade
defender os interesses do partido político que está no governo
federal e é patrão de metade da categoria, os funcionários dos
bancos públicos. Por isso, essa direção não encaminha as lutas de
modo que possam se chocar com seu partido. Da mesma forma, essa
direção não enfrenta os bancos privados, cujos lucros têm
disparado na última década.
A maior prova de que essa direção não está interessada em
organizar o movimento dos trabalhadores é o modelo de organização
da campanha que tem sido adotado. A campanha começa com um
questionário via internet para saber quais são as reivindicações.
Ora, o fato de que as pessoas respondam qualquer coisa na internet
não implica em um compromisso real de participação. A disposição
de luta não pode ser medida ou organizada via internet, mas no mundo
real, por meio do contato corpo a corpo com os bancários.
Para nós está claro que a direção do sindicato não realiza
reuniões e assembléias preparatórias abertas e democráticas, e se
esconde por trás de uma pesquisa na internet, porque não tem o
reconhecimento dos bancários e não quer de fato que os trabalhadores
se manifestem e tragam suas idéias.
A GREVE QUE PRECISAMOS
É preciso que haja reuniões nos locais de trabalho, reuniões por
banco e por região, plenárias e assembléias preparatórias. E é
preciso que esses eventos sejam democráticos, abertos, com direito a
fala para todos, para que os trabalhadores possam apresentar propostas
e debater coletivamente formas de organizar a luta. Todos os anos
surgem propostas de campanha de venda zero, operação padrão,
medidas para paralisar o auto-atendimento, a compensação, entre
outras, que realmente afetem o lucro dos bancos. Essas propostas
precisam ser discutidas, pois somente assim os bancários se sentem
responsáveis e se colocam como sujeitos de sua própria vida. Essa
seria a forma de acumular forças, para que se chegue ao momento
decisivo da greve em condições de realmente enfrentar os banqueiros.
Infelizmente, não tivemos esse processo prévio de organização. A
campanha salarial de 2011 começou como as anteriores, sem
organização e participação, com eventos preparatórios
“oficiais”, congressos e conferências, nos quais os bancários,
que estão efetivamente nos locais de trabalho, não puderam
participar. Sem assembléias amplamente convocadas e envolvimento dos
delegados sindicais e ativistas, os congressos e conferências não
passaram de rituais para que os mesmos dirigentes de sempre pudessem
formalizar a mesma pauta rebaixada que temos tido nos últimos anos. A
exceção foram os Encontros da Frente Nacional de Oposição, em
março, em Natal-RN, e em maio, em Recife-PE, em que os trabalhadores
puderam discutir uma pauta alternativa que realmente representa as
nossas necessidades. No mais, o que tivemos foram dirigentes sindicais
que estão há anos ou décadas afastados do dia a dia do trabalhador
e que se reuniram para discutir as “nossas reivindicações”.
Mesmo assim, achamos que a greve é necessária. Os trabalhadores
não suportam mais a situação nos locais de trabalho, as cobranças,
as ameaças, o assédio moral, a sobrecarga de serviço, que estão
provocando o adoecimento físico e psicológico, com casos de LER-DORT
e depressão, stress, etc., e até mesmo mortes, como tivemos no Banco
do Brasil. Em função dessa situação, precisamos da greve. Não há
outro meio de mudar essa situação a não ser a luta coletiva.
Mas precisamos de uma greve que seja de fato organizada pelos
bancários e para os bancários. Por isso as medidas democráticas de
organização do movimento e das assembléias são fundamentais.
Somente por meio de medidas organizativas que dêem voz aos bancários
os trabalhadores poderão se sentir motivados a participar, sentindo
que a greve é sua. A greve é dos trabalhadores, não é do
sindicato. São os trabalhadores que devem decidir os rumos e as
formas do movimento.
Propomos as seguintes medidas para ajudar a organizar o movimento:
- dialogar com os clientes e a população em geral, usando os vastos
recursos do sindicato, sua arrecadação milionária, gráfica, etc.,
para editar cartas aos clientes, anúncios e outdoors, explicando que
nossas reivindicações também favorecem os trabalhadores que
demandam serviços bancários, para trazê-los para o nosso lado;
- democracia nas assembléias, com direito a fala para todos os
bancários, independentemente das correntes políticas, partidos e
centrais, e que todas as propostas sejam colocadas em votação, com
direito a defesa. A campanha salarial é um dos poucos momentos em que
a categoria pode se encontrar ao longo do ano, por isso é importante
que haja debate, sem a ditadura do microfone, em que a diretoria fala
durante horas e os bancários comparecem apenas para levantar o
crachá;
- sem seguranças na quadra: a greve é dos bancários, a quadra é
dos bancários, o sindicato é dos bancários. Não há porque a
diretoria se esconder atrás de seguranças para protegê-la de quem
ela supostamente deveria representar;
- comando de greve aberto diário e aberto antes das assembléias;
- representantes na mesa de negociação eleitos em assembléia,
podendo ser renovados a cada negociação;
- informes da paralisação em outros estados antes das assembléias;
- durante a greve, assembléias diárias e no horário das 16:00hs
até o fim da campanha salarial, para barrar gerentes e fura-greves.
Aqueles que não acatam a assembléia que delibera pela greve não
têm o direito de deliberar pelo fim da greve!
- Nas assembléias em que houver proposta, SEPARAR AS VOTAÇÕES:
PRIMEIRA VOTAÇÃO: aceitar ou não o índice da Fenaban, comum à
toda categoria;
SEGUNDA VOTAÇÃO: encerrar a greve ou continuar, pois definido o
índice, os bancários podem continuar a greve pelas questões
específicas de cada banco.
Por meio de medidas como essas, que resgatam as práticas da
democracia dos trabalhadores, teremos a participação necessária
para que o movimento ganhe força e tenha condições de realmente
enfrentar os banqueiros e o governo. É necessária uma maior
participação dos bancários, pois somente com massiva presença nas
assembléias conseguiremos impor nossas reivindicações;
NOSSAS REIVINDICAÇÕES
Por mais que a direção propagandeie “aumento real”, a cada ano
nossos salários são corroídos pela inflação, que se manifesta no
preço dos aluguéis, das passagens de ônibus, dos alimentos, que
sobem numa porcentagem muito maior do que os índices que são
divulgados, o que resulta numa visível queda do padrão de vida dos
trabalhadores.
Por isso, a reivindicação fundamental é a defesa do salário. O
aumento salarial é repassado para todas as demais verbas: FGTS, INSS,
férias, 13º, ticket, auxílio-creche, etc. Uma vez aumentado, o
salário não pode ser rebaixado. Se o salário correspondesse ao
necessário, os trabalhadores bancários não precisariam fazer
dívidas no cheque especial, cartão de crédito, CDC, etc.
Os trabalhadores chegam na época da campanha salarial tão
endividados que aceitam qualquer proposta oferecida pela patronal,
para sair logo do vermelho. Comemoram a PLR, mas não consideram que
no ano seguinte, se não houver o reajuste necessário, estarão
novamente endividados.
Além disso, a transformação da campanha salarial em campanha por
PLR tem outro efeito nefasto: vincula os rendimentos do trabalhador ao
lucro da empresa. Consolida-se o princípio da remuneração
variável. Com isso, fica ideologicamente legitimado o discurso de que
o trabalhador deve se esforçar ao longo do ano, para somente assim
receber a remuneração que merece. Esse discurso legitima a
superexploração, a cobrança de metas, o assédio moral, as
ameaças, etc.
O movimento sindical não pode aceitar a vinculação da
remuneração do trabalhador ao desempenho da empresa, pois com isso
estaria aceitando o discurso da classe patronal de que “estamos
todos no mesmo barco”, todos devem “vestir a camisa da empresa”,
etc. É preciso deixar claro que não estamos do mesmo lado! A
superexploração dos trabalhadores tem gerado lucros bilionários,
que batem recordes a cada ano, sem reverter em qualquer benefício
para os trabalhadores e para o restante da sociedade. Os banqueiros,
públicos e privados, não estão do nosso lado, são nossos inimigos
de classe!!
A defesa do salário é também a defesa dos planos de carreira, da
aposentadoria, da assistência à saúde, que estão sendo cada vez
mais sucateados pelos bancos.
Isso não significa se colocar contra a PLR, mas ela não pode ser o
centro das reivindicações. Defendemos que a PLR seja linear, e
desvinculada das metas, etc. Também defendemos a isonomia, a
reposição de perdas, a volta das substituições no BB, etc., e
todas as demais reivindicações gerais e específicas da categoria.
As reivindicações econômicas devem ser o nosso parâmetro, e não
podem jamais ser abandonadas. Mas sem que haja a discussão das
condições de trabalho, o economicismo acaba por não armar os
trabalhadores para enfrentar o discurso da patronal de que “estamos
no mesmo barco”.
O economicismo é insuficiente para combater a superexploração, a
cobrança de metas, o assédio moral, as ameaças, a sobrecarga de
trabalho, o adoecimento, etc., que infernizam o dia a dia dos
bancários. É preciso colocar em discussão esse dia a dia durante a
campanha salarial. É preciso lutar por mudanças na relação do
trabalhador com seu trabalho. É preciso sair da busca por saídas
individuais, por comissões e promoções a qualquer custo. Os
trabalhadores precisam refletir, se organizar, se assumir como
coletivo e como sujeitos de suas vidas, para sair do pesadelo da
superexploração e mudar sua vida.
Por último, é preciso lembrar que a situação de divisão que vive
hoje a categoria, que está separada entre bancos públicos e
privados, é a causa de uma enorme fragilidade da nossa luta. Os
trabalhadores dos bancos privados não têm condições de se
organizar para lutar contra um dos setores mais poderosos da classe
patronal. E as atuais direções sindicais não têm qualquer
intenção de organizá-los, para isso. Essa situação nos impõe que
seja colocada no centro da luta a estabilidade no emprego para os
trabalhadores dos bancos privados. É preciso lutar por cláusulas na
convenção coletiva que proíbam a demissão imotivada. E também é
preciso lutar pela organização no local de trabalho, por meio do
reconhecimento de delegados sindicais também nos bancos privados, com
estabilidade, para fazer o trabalho cotidiano de organização, com
reuniões periódicas, fóruns deliberativos, etc.
POR UM PROJETO PARA OS BANCOS
Ir além do economicismo significa discutir um projeto para os
bancos.
A superexploração, a cobrança de metas, o assédio moral, as
ameaças, etc., não são resultado da maldade de um ou outro gestor
isolado. Não são acidentes, exceções, falhas pontuais que podem
ser corrigidas por meio de acordos. Essas práticas estão
consolidadas como instrumento de gestão. São o resultado de uma
lógica que está sendo imposta sobre os bancos públicos, que é a
lógica do lucro a qualquer custo.
Logo, não se trata apenas de enfrentar este ou aquele gerente, e de
lutar apenas por um aumento “x” ou “y” dos salários, mas de
lutar por um projeto de banco público que não esteja calcado na
superexploração dos trabalhadores, na extorsão dos clientes por
meio de práticas como venda casada, juros e tarifas abusivos, em
práticas anti-sociais, como a terceirização, a precarização do
trabalho, os correspondentes bancário, etc.
É preciso questionar a fonte dos lucros dos bancos, e também o seu
destino. Banco do Brasil e Caixa Econômica são controlados pelo
Tesouro Nacional. O lucro gerado por eles é usado para pagamento dos
juros da dívida pública (fraudulenta), ou seja, vai direto para os
especuladores. A função dos bancos públicos não pode ser alimentar
a especulação privada!
Os bancos precisam estar a serviço da população, fornecendo
crédito barato aos trabalhadores e proporcionando serviços de
intermediação financeira, ao invés de privilegiar o atendimento da
burguesia! Os bancos podem pagar melhor aos seus funcionários e
oferecer melhores condições de trabalho e ao mesmo tempo cumprir um
papel social, desde que não estejam a serviço da burguesia!
Esse projeto para os bancos é certamente uma discussão para longo
prazo. Mas é preciso levar os trabalhadores a refletir sobre isso,
pois se trata de uma questão estrutural que vai estar permanentemente
conosco.
As propostas que fazemos não são apenas para o momento imediato.
São para uma luta que deve se
estender para além da atual campanha salarial. Devemos continuar nos
organizando e debatendo para criar força para os enfrentamentos que
continuarão acontecendo.
O convite que fizemos no início se estende, pois, para um debate que
continuaremos fazendo depois da campanha salarial, e ao longo dos
próximos anos, sobre como organizar nossa categoria.
Saudações
Coletivo Bancários de Base
São Paulo, agosto de 2011
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